quarta-feira, 30 de julho de 2014

Através da Bíblia - Gênesis 1.1

Gênesis 1.1

Amigo ouvinte, estamos iniciando mais um programa da série "Através da Bíblia". Para nós é um privilégio poder contar com a sua audiência, sabendo da responsabilidade que temos de proclamar a Palavra de Deus.
Ao iniciarmos este programa queremos agradecer a todos vocês que estão orando por nós e escrevendo-nos, demonstrando o carinho e o amor cristão, dando-nos o retorno necessário de como tem chegado o nosso programa até vocês. A razão de ser do nosso programa é a possibilidade de encorajar e incentivar a vocês que nos sintonizam periodicamente a estudar com profundidade a Palavra de Deus.
Por isso, sempre é um momento de muita satisfação quando lemos um trecho de uma carta que vocês nos enviam. Hoje queremos mencionar a carta que chega de São Paulo, em São Paulo, que nos diz ter descoberto este programa e o esta sintonizando diariamente. É um verdadeiro tesouro que me faz crescer espiritualmente através das suas mensagens. Peço a Deus que continuem firmes no ministério de explicar a Palavra de Deus. Esse programa tem sido diariamente uma escola bíblica dentro do meu lar.
Querido irmão somos gratos a Deus por esse reconhecimento e colocamo-nos sempre à disposição do Senhor para que Ele continue nos usando como canal da sua misericórdia e graça na edificação do Seu corpo.
Quero insistir no que temos dito em outros momentos. Se você tiver condições escreva-nos compartilhando conosco as suas necessidades, dúvidas e motivos de oração.
Creio que a oração é um veículo muito amoroso que Deus concedeu aos seus filhos para que possamos falar com Ele, por isso convido-o a orar comigo: "Pai querido, pedimos a tua bênção na direção e condução desse programa. Que ele seja edifique todos os que nos ouvem. Pai, atenda-nos, pois oramos em nome de Jesus, Amém !
Amigo ouvinte, estamos estudando o livro de Gênesis, e já vimos nos últimos programas a importância de estudar esse livro, bem como vimos também o esboço de Gênesis, dividido em duas partes principais onde, em primeiro lugar, temos a narrativa da criação e em segundo lugar a narrativa da origem do povo de Israel.
Se você tem nos acompanhado deve se lembrar das 8 palavras que podem resumir essa tão importante livro. Se você está nos sintonizando hoje, quero mencionar essas palavras que são fáceis de memorizar e elas nos dão todo o conteúdo do primeiro livro da Bíblia.
Na primeira parte, que abrange os capítulos um (1) a onze (11) encontramos quatro grandes eventos: A Criação, A Queda, O Dilúvio, e, A Torre de Babel. Na segunda parte, que abrange os capítulos doze (12) a cinqüenta (50) encontramos quatro grandes personagens: Abraão, Isaque, Jacó e José. É isso mesmo, se você memorizar essas oito palavras você tem condições de reter todo o conteúdo do livro de Gênesis.
Falamos também das duas maneiras pelas quais podemos estudar os livros bíblicos: olhando através de um telescópio ou através de um microscópio. Vimos em primeiro lugar, através do telescópio as grandes divisões do livro: a narrativa da origem do universo e a narrativa da origem da nação de Israel. Ao olharmos através do microscópio, vimos os detalhes de cada uma dessas partes e as subdivisões de cada uma delas.
Você se lembra também que dissemos que ao usarmos essa ilustração o microscópio nos permite aprofundar os detalhes e conhecermos mais a miúde o parágrafo, o trecho ou o versículo bíblico que nos interessa? Bom, é isso que faremos nesse programa ao conversarmos sobre o primeiro versículo de Gênesis.
Creio que você se lembra do seu conteúdo. O versículo diz assim: "No princípio criou Deus o céu e a terra", lembrou-se? Creio que essas poucas palavras estão gravadas nas mentes de muitas pessoas, cristãs ou não cristãs. Hoje, então vamos conversar sobre esse primeiro versículo do primeiro capítulo, do primeiro livro da Bíblia.
"No princípio criou Deus o céu e a terra." Esta é uma das afirmações mais importantes que encontramos na Bíblia. Nos referimos em nosso último programa a algumas teorias sobre a origem do universo. Falamos sobre algumas dessas teorias como a da evolução, e sobre as suas diversas fases. Esta teoria nunca pôde ser demonstrada como sendo verdadeira, e apesar disto, quando começamos a ler o que dizem os professores que estão ensinando os nossos filhos nas escolas públicas e particulares vemos que em muitos casos eles estão despreparados para falar sobre um assunto tão importante como este. Eles não estão em posição de apresentar o ponto verdadeiro sobre este assunto. Na verdade, muitos deles só apresentam o ponto de vista e não apresentam a alternativa do criacionismo. Mas, alguns cientistas sérios têm reconhecido o perigo de se crer na teoria da evolução.
Podemos citar por exemplo, o doutor Kerkan do departamento de psicologia e bioquímica da Universidade do Sul da Inglaterra. O que vamos citar dele encontra-se no seu livro intitulado: As implicações da evolução. Eis o que ele diz: "Há uma teoria que afirma que todos os animais podem ser observados como tendo passado por muitas mudanças até que as novas espécies são formadas. Isto pode ser chamado de teoria especial de evolução, e pode ser demonstrada em certos casos por meio de experiências. De outra forma, há uma teoria que diz que todas as formas vivas do mundo surgiram de uma mesma fonte, que veio de uma forma inorgânica. Essa teoria pode ser chamada de, teoria geral de evolução. Mas, a evidência que a sustenta não é suficientemente forte para nos permitir considerá-la mais do que um hipótese". Você percebeu? Essas são palavras de um cientista renomado. Em outras palavras o que ele diz é: "Tome cuidado, preste atenção naquilo que você crê".
Agora, vejamos o que diz um botânico suíço, o Dr Haraburk Nielson. Ele fez esta declaração: "Minhas tentativas para demonstrar a evolução por experimentos já tomaram uns 40 anos, e eu tenho falhado completamente. No mínimo eu posso ser duramente acusado por aqueles que são anti-evolucionistas. Está absolutamente claro que não podemos transformar um fato biológico da paleontologia nem mesmo numa caricatura. Os fósseis agora são mais abundantes e, tem sido possível ao homem reconhecer novas classes, novas espécies, porém a falta de séries transicionais não pode ser explicada por escassez de material. As deficiências são reais, e elas nunca poderão ser preenchidas. Os elos perdidos jamais poderão ser achados. A idéia da evolução descansa agora apenas na fé".
Assim, amigo ouvinte, como estamos vendo através desta declaração, mesmo que você seja um evolucionista, você tem que aceitar a sua teoria pela fé.
Pode-se dizer que esta e outras teorias foram especulações da mente humana tentando entender a origem da raça humana, mas temos que admitir que muitos aceitam essas hipóteses como sendo um fato.
Em nossa opinião entendemos que é melhor aceitar pela fé a Palavra de Deus e a sua narrativa sobre a criação. A narrativa de um Deus sábio que ordenou e tudo foi criado de modo bem específico. Você não concorda que é muito melhor essa posição do que aceitar também pela fé as diversas teorias humanas?
Sim, afirmamos isso porque sendo teorias, você tem que aceita-las pela fé!
Mas, vamos ver o que diz um grupo de teólogos, aliás, teólogos jovens na sua maior parte, que não querem ser chamados de obscurantistas intelectuais, e assim eles adotaram o que eles chamam de evolução teísta. Curtly Mather formado em religão e ciência, diz o seguinte: "Quando um teólogo aceita a evolução como o processo usado pelo criador, ele deve aceitar isto firmemente. A evolução não é um processo ordenal, mas contínuo. A idade de ouro para o homem, se ela pode existir está no futuro e não no passado, continua ele. O processo criativo da evolução não poderia ser interrompido por algo sobrenatural. A evolução da primeira célula viva não passou de um estágio para outro num salto, mas sim através de passos infinitos, por um longo do progresso". Este é o progresso é perfeitamente natural. Mas, ao mesmo tempo podemos dizer, prezado amigo, que isto é impossível pelo fato de ser um princípio completamente irracional.
Outro teoria afirma que em algum ponto, há uns 2 bilhões de anos, ou a um bilhão e meio, a vida miraculosamente apareceu na superfície da terra. E qual a forma que ela tomou? Quais as circunstâncias físicas que a trouxe? Isto a ciência não sabe, nem pode responder com certeza a pergunta: O que é a vida? Tudo o que podemos dizer, afirmam esses estudiosos, é que através de alguma agência, algumas moléculas adquiriram habilidade para multiplicarem-se a si mesmas.
Como você reage a todas essas afirmações? Você não fica surpreso com estas afirmações? Mas, quanto mais conhecemos essas teorias, mais vemos a importância dessa afirmação bíblica: "No princípio criou Deus o céu e a terra." Quem criou o mundo? Deus. Deus criou tudo do nada. Quando? Não sabemos, e ninguém sabe.
Muitos dizem que o mundo foi criado a 2 bilhões de anos, outros dizem que a criação tem milhões de anos. Mas existem alguns que afirmam que o mundo deve ter sido criado a 5 bilhões de anos. Essas hipóteses só nos levam a dizer com mais firmeza, que ninguém sabe, ninguém tem certeza de quando ocorreu a criação.
"No princípio criou Deus o céu e a terra." É o que a Bíblia nos diz, é o que a Palavra de Deus nos confirma. Deus tem a eternidade atrás de si. Não negamos o fato do homem ter uma mente investigativa, mas cremos ser uma pretensão muito grande do homem, afirmar que sabe tudo ou quase tudo a respeito da origem do universo quando na realidade suas afirmações têm por base hipóteses e teorias.
Nós aceitamos as próprias declarações de Deus, quando por meio do salmista nos diz: "Quando contemplo os teus céus, obras dos teus dedos, e a lua, e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres...?" (Sl 8.3-4), ou quando diz: "Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos." (Sl 19.1).
Mas, também o apóstolo Paulo nos diz: "Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas" (Rm 1.20). E, ainda, o escritor da epístola aos Hebreus, em 11.3 afirma que: "Pela fé entendemos que foi o universo formado pela Palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem". Estamos certos de que a ciência, pouco tem a dizer com segurança a respeito da origem do universo, de como o universo apareceu. Por isso, através dos textos que mencionamos, somos encorajados a aceitar a existência do mundo por meio da fé. Afinal também em Hb 11.6 lemos que "sem fé é impossível agradar a Deus, pois é necessário que aquele que se aproxima dEle creia que ele existe...".
Certamente Deus planejou isto assim. Quando lemos o registro em Gênesis sobre a criação, e lemos a história da origem do mundo em outras literaturas antigas observamos que todas essas literaturas são de alguma forma paralelas do relato do Gênesis. Você por exemplo pode comparar o registro bíblico com o registro babilônico. O registro babilônico começa falando sobre o caos. A Bíblia começa falando sobre o cosmos. No princípio criou Deus o céu e a terra. E os corpos celestiais são de Deus de acordo com o registro babilônico, e que não existe nada no mundo senão matéria, o que concorda com a Bíblia. Na teologia da Babilônia, existe o politeísmo, a existência de muitos deuses, enquanto na teologia bíblica temos a verdade monoteísta, que só existe mesmo um Deus. No registro babilônico, o mundo é a obra de um artista, enquanto na Bíblia afirma que Deus falou e tudo veio a existir. O registro babilônico é grotesco, mas ao mesmo tempo é puro. O registro da Bíblia é divinamente inspirado e corresponde a uma realidade divina e solene. O registro babilônico está em desarmonia com a ciência moderna, mas é paralelo com o registro bíblico. É um fato que, quem aceita a teoria da evolução, rejeita a Deus, rejeita a sua revelação, rejeita a sua palavra. Negar a queda do homem, por exemplo, negar o fato do pecado, é rejeitar a Palavra de Deus. Esta é a razão porque podemos rejeitar a teoria da evolução. Podemos estar certos de que ela não é a resposta para o mundo como este em que vivemos.
Agora, vem outra pergunta que é importante. A pergunta não é mais quem criou o mundo, nem quando foi criado, mas, porque o mundo foi criado? Quem criou o mundo foi Deus, mas porque ele o criou? Esta resposta é realmente importante. Vamos observar agora o que a Palavra de Deus tem para nos dizer sobre isto.
Este universo que conhecemos, este universo onde nós vivemos, foi criado por Deus para o seu próprio prazer, para o prazer de Deus. Ele resolveu criá-lo, achando nisto o seu deleite. É o que lemos no livro de Apocalipse, capítulo 4 e versículo 11 que diz assim: "Tu és digno senhor e Deus Nosso de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas". Vemos então que Deus criou este universo, porque quis criá-lo. Ele o criou para o seu próprio prazer. Deus criou por amor. Você pode não gostar do universo, prezado amigo, mas Deus gosta.
Deus nunca afirmou porque criou e gosta deste pequeno mundo onde nós vivemos nesse universo tão grandioso. Ele poderia ter colocado a nossa terra em outra parte, se ele quisesse. O doutor Mc Gee também diz que Deus também não perguntou se ele queria ou não nascer no Texas. Certamente se ele tivesse me dado a oportunidade de escolher, eu teria escolhido mesmo São Paulo. Mas ele não deu esta oportunidade a mim. Posso dizer que este universo onde você e eu vivemos foi criado para o prazer de Deus. Ele achou bom criá-lo e coloca-lo onde está e se deleitou com sua obra.
Agora, vamos para uma outra razão, porque ele criou o universo. Ele criou o universo para a sua própria glória. A criação original, você sabe, declara a glória de Deus. Por isso, prezado amigo, podemos dizer que o mundo foi criado para a glória de Deus. Lemos essas palavras em Isaías 43 e versículo 7: "Trazei meus filhos de longe e minhas filhas, das extremidades da terra, a todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para a minha glória, e que formei e fiz." Assim, podemos repetir: Deus criou este universo para a sua glória. Deus criou este universo e criou o homem nele para a sua própria glória. Deus quer ter comunhão com o homem. Deus fez o homem como um agente moral.
Nós temos falado a respeito da criação da terra e sobre esse tema muitos estão dependendo somente de especulações ou de teorias enquanto nós temos a revelação de Deus que nos mostra que Ele criou este mundo, e que nos criou para a sua glória. Nós sabemos quem criou o homem, e para quê o homem foi criado.
A ciência não tem podido explicar nada até agora, como diz o doutor Shapely, diretor do observatório de Harvard: "Nós continuamos mergulhados numa ignorância abismal a respeito do mundo no qual vivemos".
Amigo ouvinte você percebe que o próprio cientista é quem diz que estamos ainda em trevas no que se refere a criação da terra na qual vivemos? Como podemos ver, temos que escolher entre a especulação dos homens e a revelação de Deus, a revelação da sua Palavra.
Certamente daqui a alguns anos essas teorias estarão completamente esquecidas, a semelhança de tantas outras teorias humanas, e então muitos se voltarão à Palavra de Deus, à Bíblia, onde encontramos a verdade de Deus sobre o universo, e sobre o homem.
Mas, não é preciso que você espere para poder se voltar para a Palavra de Deus. Isto você pode fazer agora mesmo. E a nossa oração e o nosso desejo é que você tome agora mesmo a decisão de se voltar para Deus e para a sua palavra.
Deus criou você, prezado amigo, para a sua glória. Deus tudo criou para a sua glória, e inclusive eu e você.
Busquemos sempre viver dentro deste propósito divino.
Amigo ouvinte, muito obrigado por sua atenção até agora.
Concluímos nosso encontro convidando-o a se encontrar conosco no próximo programa.
Deus o abençoe.

Através da Biblia - Salmos 127.1-129.8


Salmos 127.1-129.8

Olá amigo, estamos iniciando mais um programa da série "Através da Bíblia". É com satisfação que chegamos até você para compartilhar os princípios da Palavra de Deus que temos aprendido através dos estudos que temos feito no livro dos Salmos. Como você que tem nos acompanhado continuamente sabe, o nosso projeto é desafiador. Planejamos estudar toda a Bíblia, os seus sessenta e seis livros analisando-a através de cada parágrafo. A finalidade desse estudo é adequarmos cada vez mais as nossas vidas à vontade de Deus. Inicialmente temos registrado em nossos encontros as correspondências que chegam de vocês compartilhando como tem sido a recepção programa e quais têm sido suas experiências com Deus através desse programa. Para nós é grande alegria podermos ter esse momento de comunhão. Registramos a carta que a MVP nos enviou da cidade Cachoeira Alta no estado de GO. Essas foram as suas palavras: "Pr Itamir, ouço todos os dias o Através da Bíblia. Já li a Bíblia toda, mas muitas vezes tinha dificuldades para compreender. Agora é diferente. Estou ouvindo agora os programas sobre os livros de Jó e Gálatas. É muito bom ouvir as suas explicações e os seus ensinos". Querido irmão, obrigado por essas palavras gentis. Como é bom ouvirmos sobre o valor do programa. Louvamos a Deus que nos faz seus instrumentos. O nosso Deus é maravilhoso! Porque ele quer abençoar os seus filhos, Ele usa aqueles que estão disponíveis em suas mãos. Assim nos colocamos como instrumentos em suas poderosas mão e somos gratos porque ele tem nos usado como seus instrumentos. Por isso oramos dando graças a Deus. E, é exatamente isso que quero fazer agora e, para esse momento eu convido a você e a todos os que me ouvem nesse momento. Vamos orar: "Senhor Deus e Pai, obrigado pela tua ação abençoadora sobre todo o teu povo. Obrigado porque tens abençoado e fortalecido a fé da tua filha. Obrigado porque tu nos usa como teus instrumentos para a edificação dos teus filhos e para a salvação daqueles que não conhecem Jesus. Conceda-nos Senhor que através do programa de hoje muitos possam ouvir a tua voz e serem encorajados em sua vida cristã. Senhor, oramos, em nome de Jesus, Amém!"
Querido amigo, hoje o nosso propósito é estudarmos mais três capítulos do livro dos salmos. Vamos estudar hoje os salmos 127, 128, 129 que ainda fazem parte dos chamados Cânticos dos Degraus.
Salmo 127
Titulo: A verdadeira prosperidade
Introdução: Este é ainda um dos salmos chamado de Cânticos dos Degraus. Embora o seu conteúdo possa não ser tão específico como os demais, ele ressalta a importância de reconhecermos a Deus como nosso bem maior. Ele, juntamente com o salmo que estudaremos a seguir é chamado também de “Salmo da família”. Mas o destaque que se faz em relação a esse salmo é que a sua autoria é dada a Salomão. E, se esse for o caso, o salmo, em seu conteúdo é muito marcante, pois os princípios que ele expõe foram os princípios que por não serem vivenciados levaram o rei Salomão a ter o desfecho de vida que teve. Conforme Kidner (2006, p. 451), o salmo menciona as três maiores preocupações do ser humano: a construção, a segurança e a criação de um lar. Mas, na vida de Salomão vemos que: 1) a sua edificação, tanto literal como figurada, se tornou desenfreada (1Rs 9.10, 19) 2) o seu reino se tornou uma ruína (1Rs 11.11), e, os seus casamentos se tornaram negações dos padrões impostos por Deus (1Rs 11.1).
Tema: O tema do Salmo é cativante, pois ao mencionar essas três grandes preocupações do ser humano: a construção, a segurança e a criação de um lar, o salmo mostra também que se nos empenharmos a respeito de qualquer uma dessas atividades e não contarmos com Deus, todo o nosso esforço será em vão. Por isso, o desafio da salmo para nós é muito claro:
Desafio: Qualquer empreendimento humano só será bem sucedido se contar com as abençoadoras ações de Deus.
Divisões: Encontramos aqui cinco verdades sobre as ações de Deus
1. A 1ª verdade é que o Senhor é o nosso grande protetor, vs. 1. A verdade de que o esforço humano é completamente inútil sem a presença e a bênção do Senhor, certamente, fazia com que os peregrinos em família, ao se dirigirem para Jerusalém pudessem constatar que todos os bens da vida são dádivas.
Se alguém tentar edificar a casa sem Deus, o esforço será em vão. Se alguém tentar proteger sua casa ou a cidade o esforço serão em vão. Essas dádivas vêm de Deus, pois sem ele qualquer esforço humano é totalmente vazio.
2. A 2ª verdade é que se não contar com Deus o homem se esforça inutilmente, vs. 2. Se aluem tentar levantar cedo e dormir tarde para ter melhores condições de vida, todo o esforço será em vão. Qualquer tentativa de abrigo, segurança e alimentação sem contar com a bênção do Senhor é fadada ao fracasso.
Mas, aos amados, Deus supre as suas necessidades, enquanto eles dormem, isto é, enquanto eles descansam, confiando no Senhor. Sendo este um salmo de Salomão, essa expressão “amado” merece ser destacada, pois em hebraico, Jedidias, o nome que lhe foi dado por Natã, que o criou, significava exatamente: o amado do Senhor (2Sm12.25). Certamente, o suprimento que Deus mesmo providencia é sempre muito superior àquele que o homem pode conseguir.
3. A 3ª verdade é que a bênção de Deus transmite vida, vs. 3. Os filhos são uma bênção dada pelo Senhor. Deus é o autor da vida, portanto é dele que vem a benção, vem a oportunidade e o privilégio para que o casal possa gerar filhos. Essa é de fato uma grande bênção, pois ao gerarmos filhos temos o privilégio de participar com Deus com Deus do ato da criação! Os filhos são herança, mas ao mesmo tempo são considerados uma recompensa. A recompensa é para aqueles que temem a Deus, conforme veremos a seguir (128.1).
4. A 4ª verdade é que as bênçãos do Senhor nos são úteis nas adversidades, vs.4. Durante a nossa jornada à eternidade enfrentamos muitas adversidades, muitos contratempos, muitas dificuldades. Nessas ocasiões, o apoio da família, a segurança, e, as sugestões e ações que os filhos nos dão são fundamentais.
5. A 5ª verdade é que as bênçãos divinas nos fazem caminhar com ousadia, vs 5 . Quando contamos com as bênçãos do Senhor sobre a nossa vida não ficamos envergonhados. Os peregrinos em família, dirigindo-se para Jerusalém podiam compartilhar como Deus os tinha abençoado através dos filhos.
Conclusão: Podemos imaginar que esse trajeto era percorrido por inúmeras famílias e todas iam cantando e compartilhando as bênçãos de Deus. Todos esses salmos dos Degraus eram entoados em louvor e gratidão ao Senhor. E, assim como eles tinham prazer em cultuar a Deus, como eles se preparavam conscientemente para o culto a Deus, com esses louvores e essas recordações, creio que nós também somos desafiados a reconhecer a bênção de Deus sobre todos os nossos empreendimentos.
Aplicação: Querido amigo espero que você aplique essas verdades em sua vida diária. Lembre-se sempre que o Senhor é o nosso grande protetor; que se não contar com Deus o homem se esforça inutilmente; que a bênção de Deus transmite vida; que as bênçãos do Senhor nos são úteis nas adversidades; e, que as bênçãos divinas nos fazem caminhar com ousadia.
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Salmo 128
Título: As bênçãos decorrentes do temor a Deus
Introdução: Este é mais um salmo dos Degraus, mas conhecido também, junto com o salmo 127, como salmo da família. Esses salmos, 120 a 134, eram também conhecidos como cântico de “romagem”, isso é, de romaria ou procissão. Era uma procissão voluntária, que acontecia na caminhada para Jerusalém, em direção ao templo nas ocasiões onde se celebrava os cultos de gratidão pelas bênçãos divinas sobre o seu povo.
Tema: Em palavras bem sucintas, numa frase resumida o tema do Salmo mostra que Deus abençoa o homem fiel, o homem que teme ao Senhor. Destaca-se nesse salmo que as bênçãos do Senhor sobre a vida pessoal, (1-2), sobre a vida do lar (3-4) e as bênçãos divinas sobre a comunidade (5-6) eram bênçãos inter relacionadas. Mas, sobretudo esse salmo destaca que essas bênçãos do Senhor eram destinadas àqueles que temem a Deus. Por isso, através dessa frase podermos entender o seu ...
Desafio: Somente quando tememos o Senhor podemos usufruir das bênçãos que só ele pode nos conceder.
Divisões: Encontramos nesse salmo cinco bênçãos que podemos usufruir ao temer o Senhor:
1. A 1ª é a bênção da felicidade de um andar seguro, vs.1. Deus abençoa o homem que o teme e que anda em seus caminhos. Temer a Deus, conforme já mencionamos anteriormente é ter consciência de que estamos constantemente na presença de Deus. É levar Deus a sério. É saber que por ele ser Onisciente e Onipresente ele tudo sabe e tudo vê, portanto vê a nossa conduta em nosso dia-a-dia, em nosso lar, em nosso negócio em qualquer relacionamento que mantivermos. Ele vê se andamos ou não nos seus caminhos. Isso é, ele vê como vai a nossa obediência, o nosso amor por sua palavra. E, quando ele vê que estamos agindo de acordo com a sua vontade ele nos abençoa com suas bênçãos celestes.
2. A 2ª é a bênção do trabalho produtivo, vs. 2 Aquele que teme o Senhor é abençoado no seu trabalho. As bênçãos de Deus sobre as nossas vidas, tem o objetivo que nessa também área possamos usufruir do nosso esforço, do nosso labor. É natural que quem trabalha, ao chegar ao final de um período receba o seu salário, a sua recompensa. Mas, o salmista está demonstrando aqui que além dessa recompensa natural, ao recebermos o pagamento pelo nosso trabalho, recebemos também a satisfação de ver que somos produtivos e em todas as áreas da vida, tudo nos irá bem, isto é, as nossas iniciativas serão abençoadas por Deus.
3. A 3ª é a bênção de um lar harmonioso, vs. 3. O quadro muda de figura, e a próxima imagem é uma seqüência natural. Depois da bênção de Deus na vida pessoal, agora a bênção de Deus recai sobre a família daquele que teme a Deus. A família daquele que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos é abençoada. São especificados a esposa e os filhos. A esposa comparada a uma videira simboliza a fertilidade e a alegria, transformando o lar num local agradável e abençoado, bem diferente da esposa infiel, cujos pés não param em casa (Pv 7.11). Os filhos comparados aos brotos da oliveira, sempre novos e verdejantes também simbolizam produtividade e longevidade. Assim, no lar daquele que segue os princípios e os mandamentos do Senhor a boa mão abençoadora do Senhor está sempre presente.
4. A 4ª é a bênção do temor renovado, vs. 4. É interessante que as palavras deste verso quatro são na prática uma repetição da primeira afirmação do salmo, no verso um. Seguindo as normas gramaticais da língua hebraica, encontramos aqui, na prática, um paralelismo. No verso 1 aquele que teme o Senhor é bem-aventurado. Aqui, no verso 4 aquele que teme o Senhor é abençoado. Essa repetição indica algumas verdades: 1) a seriedade imperiosa de temermos a Deus, de levarmos Deus a sério em todo o nosso viver. 2) a compreensão de bem-aventurança, que num significado simples quer dizer ser abençoado por Deus e, 3) a compreensão de abençoado, que também de modo simples quer dizer ser bem aventurado. Assim, as suas expressões: “bem-aventurado” e “abençoado” é ser feliz, com a felicidade que só pode vir de Deus.
5. A 5ª é a bênção da descendência continuada, vs. 5-6. A bênção para o homem fiel incluía a esperança da prosperidade de Jerusalém, pois, a capital de Israel era o centro dos negócios da vida nacional. Mas essa bênção incluía também a prosperidade de uma família com muitos descendentes. Ser abençoado com a vinda de netos era sinal da bênção de Deus sobre a vida familiar. Contemplar um neto significa constatar a bênção de Deus sobre a vida dos filhos, uma vez que a possibilidade de gerar um filho sempre foi e continuará sendo uma dádiva do Senhor.
Conclusão: Querido amigo, sem duvida esse é um dos salmos mais preciosos que temos, pois ele mostra o cuidado de Deus sobre as nossas vidas. Tanto na esfera pessoal, como na esfera familiar e até na esfera nacional, Deus está interessado em perceber o nosso temor a ele e, está disposto a nos abençoar grandiosamente.
Aplicação: Aplique essas verdades à sua vida avaliando-se se você tem experimentado dessas maravilhosas bênçãos do Senhor. Se você tem sido abençoado não esqueça de agradecer. Mas se você não tem contado com essas bênçãos de divinas, arrependa-se, peça perdão, tema ao Senhor e usufrua das bênçãos divinas.
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Salmo 129
Título: Lembranças importantes
Introdução: Aqui temos mais um salmo em que os peregrinos, caminhando em direção a Jerusalém, para as festas de celebração, oravam e cantavam sobre os mais diferentes assuntos. Não é possível sabermos com exatidão a data da composição desse poema, mas é bem provável que seja um cântico em que se recorda todas as dificuldades que Israel teve durante a sua jornada desde a libertação da escravidão egípcia até a invasão babilônica que levou os judeus para o exílio por um período de setenta anos. Certamente, depois de novamente livres, ao subirem para os cultos públicos em Jerusalém eles se recordavam também de como Deus os preservara até aquele momento.
Tema: Por isso o tema do salmo é muito objetivo: o povo de Israel oprimido, mas protegido por Deus relembra a sua história com seus inimigos, mas relembra também a boa mão de Deus na proteção que ele concede ao seu povo. E, assim, o salmo nos desafia a nunca esquecer as benéficas ações divinas:
Desafio: Mesmo tendo sofrido muitas aflições temos sempre que nos lembrar das libertações do Senhor.
Divisões: Neste salmo encontramos cinco lembranças que devemos preservar:
1. Lembramos do impedimento da vitória dos inimigos, vs.1-2. Ao longo da história, Israel sofreu opressão nas mãos de vários inimigos. Mesmo reconhecendo que o povo de Deus em muitas ocasiões, pecou, desobedecendo o Senhor, e atraindo sobre si a disciplina divina, certamente a angústia tomou conta de muitos israelitas que sofreram diversas afrontas sem compactuarem com os erros dos demais, mas embora sofressem essas angústias, o salmista celebra o Senhor, pois os inimigos não tiveram sucesso ao tentar destruí-lo. Nesse aspectos somos também desafiados a perceber e agradecer pelos livramentos que o Senhor nos concede. Ele impede a vitória dos nossos inimigos!
2. Lembramos das marcas da aflição, vs. 3. A história de uma vida, seja ela pessoal, de uma comunidade ou de uma nação sempre deixa marcas. E algumas vezes, além das marcas interiores, a história deixa mesmo algumas marcas físicas. Recordamos do passado com dor em nossas lembranças, pois elas nos trazem de volta os sentimentos dolorosos e sofridos que vivenciamos quando fomos atacados. Os traumas, as depressões, as tristezas são causadas por essas lembranças do passado. Mas, embora essa dor ainda se faça presente podemos sentir alivio, pois o Senhor é o nosso consolador.
3. Lembramos das poderosas ações de Deus, vs. 4. Podemos sentir alivio e consolo, pois Deus sempre salvou o seu povo e castigou os inimigos. E, essa é uma lembrança que nos encoraja no presente. Aquele mesmo Deus que atuou poderosamente no passado, certamente está conosco no presente.
4. Lembramos de expressar nossos sentimentos a Deus, vs. 5-7. Esses versos devem ser bem entendidos, como já temos mencionado algumas vezes. Essa palavras imprecatórias, em que o salmista extravasa o seu coração diante do Senhor pedindo dura punição contra os seus inimigos, não deve ser a oração cristã. Ao mesmo tempo podemos abrir o nosso coração diante de Deus, podemos revelar-lhe os nossos sentimentos, sabendo que ele Deus, fará diferença, deixando envergonhados os inimigos do seu povo.
5. Lembramos da amabilidade entre os abençoados, vs. 8. O salmo termina de uma maneira suave, pois a lembrança que conclui esse poema é especial. O salmista relembra que mesmo passando por dificuldades grandiosas, ele se lembrava do tratamento amável, carinhoso e alegre daqueles que passando pelo caminho do ceifeiro lhe deseja a paz, a paz do Senhor. É..., através dos pequenos gestos de amor, Deus ministra ao nosso coração usando os servos disponíveis para transmitir o seu consolo.
Conclusão: Querido amigo, não perca a oportunidade de ser grato a Deus. Relembre das tristes situações que você passou, relembre até daquilo que lhe parecia impossível de obter, mas não se esqueça de lembrar-se do cuidado, da proteção e da libertação que o Senhor lhe concedeu.
Aplicação: Você pode gastar alguns minutos agora? Ore agradecendo a boa mão de Deus sobre você!

Atraves da Biblia - Salmos Introdução - Part 2

Olá amigo, estamos iniciando mais um programa da série "Através da Bíblia". Você que tem nos acompanhado sabe que este programa tem por propósito estudar toda a Palavra de Deus. Fazemos isso porque entendemos a necessidade cada vez mais urgente de voltarmos à simplicidade e à profundidade dos ensinos bíblicos. Hoje de modo especial estamos alegres, pois, voltando a estudar mais uma vez o Antigo Testamento, iniciamos mais um etapa do nosso projeto. Iniciamos o estudo no livro dos Salmos, um dos livros mais queridos de todos os cristãos de todos os lugares e todas as épocas. Em dias como esses em que através dos jornais, das rádios, das tvs, e até dos púlpitos das igrejas as mais diversas e absurdas interpretações têm sido proclamadas, nos sentimos convocados por Deus para expor com genuinidade os princípios eternos que nos fazem viver conforme a Sua vontade. As correspondências que vocês enviam demonstram que estamos no caminho certo. Por isso, quero incentivá-lo a escrever sobre as suas boas experiências no estudo da Palavra. Foi sobre essas experiências que recebemos um e-mail da GPC de Londrina no estado do Paraná com as seguintes palavras: “Ouço o programa Através da Bíblia pela BBN internacional e tem sido uma bênção em minha vida. Por isso que parabenizá-lo por seu ministério e pelos estudos que nos dão o crescimento espiritual que precisamos. Me sinto fortalecida e com maior sabedoria ouvindo o seu programa, Peço orações pela minha saúde. Que Deus te abençoe”. Querida irmã, louvamos a Deus por sua vida e por sua fidelidade em estudar a Sua Palavra. Certamente Deus tem lhe recompensado. Também agradecemos a disposição da irmã em orar por nós e é para isso que temos convocado a todos vocês, a se unirem em oração em favor do nosso projeto e do programa de hoje. É exatamente para orarmos que eu te convido agora juntamente com todos os que me ouvem agora. Vamos orar: “Pai querido, obrigado pela tua direção e pelas etapas que vencemos até agora. Obrigado por iniciarmos o estudo dos Salmos. Pedimos a iluminação do Teu Espírito para que o estudo desse livro possa levar muitos a receberem Jesus como salvador e senhor de suas vidas e levar outros a se firmarem tornando-se maduros em sua vida cristã. Ilumina-nos no programa de hoje. Abençoa todo o projeto. Te pedimos isso, em nome de Jesus. Amém”.
Querido amigo, hoje temos como alvo iniciarmos os nossos estudos no livro dos Salmos. Ao introduzirmos nossas considerações sobre esse livro devemos notar que vamos encontrar um ponto de vista bem diferente do que vínhamos percebendo no estudo dos livros do Antigo Testamento. Tínhamos visto até agora, com exceção do livro de Jó uma ênfase grande na história do povo de Deus. Mas nesse livro, com novas ênfases, com novos aspectos e com uma forma de linguagem diferenciada vamos encontrar os seus diversos autores abrindo os seus corações diante de Deus, chorando, se alegrando, agradecendo, se revoltando, demonstrando tristeza, ou profundo contentamento, mas certamente, demonstrando os seus sentimentos mais profundo diante do Senhor. Assim, ao estudarmos o livro dos Salmos nos sentiremos desafiados a aplicar em nossas vidas os diversos ensinamentos que receberemos diretamente do Senhor, pela sua Palavra.
Ao nos colocar diante do Senhor no estudo desse livro, nos 55 programas em que os estudaremos é importante fazermos algumas observações, pois o estudo dos diversos aspectos introdutórios dos Salmos nos ajudarão a compreender melhor a mensagem divina para aplicá-la em nossas vidas. Com a finalidade de extrairmos do contexto tudo aquilo que nos for possível para um bom entendimento dessas palavras inspiradas, devemos nos aproximar desse livro com as mentes e os corações abertos. Vamos conhecer nesses dois primeiros programas os diversos aspectos introdutórios que nos ajudaram a conhecer melhor o conteúdo textual desse importante livro de devoção:
Antes de entrarmos nos detalhes introdutórios dos Salmos creio que é importante recordarmos um pouco as observações que fizemos quando da introdução ao livro de Jó. Lá mencionamos algumas características dessa parte da Bíblia, que chamamos de: Livros de Sabedoria ou Livros Poéticos.
Naquela ocasião dissemos que a Bíblia é a Palavra de Deus, que nos chega por intermédio das experiências do povo de Deus. Ela expressa todas as emoções da vida de fé e trata de muitas áreas da experiência humana que podem parecer seculares ou não espirituais. Em nenhum lugar isso é mais verdadeiro do que nesta parte da Bíblia onde predominam a literatura poética e a literatura de sabedoria. Os salmos expressam todas as emoções que o fiel encontra na vida, sejam elas louvor ou amor a Deus, ira contra aqueles que praticam a violência e o dolo, lamento e perplexidade pessoal ou apreço pela verdade de Deus.
Tradicionalmente, falamos dos Salmos e do Cântico dos Cânticos como os livros de poesia bíblica, e de Jó, Provérbios e Eclesiastes como de sabedoria bíblica. Esses cinco livros Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos ainda nos fornecem os melhores exemplos de como devemos ler, entender e interpretar os hinos, cânticos, provérbios e reflexões que encontramos em outras partes da Bíblia.
Por serem povos com culturas semelhantes à cultura israelita, muitas das características das literaturas egípcia, cananéia e mesopotâmica, são encontrados no Antigo Testamento, particularmente nas passagens poéticas e de sabedoria. Entre as mais comuns estão:
1) O paralelismo, recurso em que uma linha de poesia é seguida por uma segunda que de algum modo reitera ou reforça a primeira.
2) O quiasmo, onde a segunda linha reforça a primeira com inversão da seqüência de palavras ou frases.
3) Os provérbios numéricos que enumeram um número de elementos ou ocorrências que partilham de uma característica comum.
4) Os poemas acrósticos, onde cada verso ou seção começa com uma letra sucessiva do alfabeto hebraico.
5) Os recursos retóricos, onde a linguagem da poesia e da sabedoria bíblica objetiva torná-los interessantes e mnemônicos.
Querido amigo, esses serão os tipos literários que vamos encontrar no estudo desse grande livro de 150 capítulos, o livro dos Salmos. E por falar em Salmos, creio que é importante respondermos cinco perguntas que certamente passaram na mente de alguns de vocês desde que anunciamos que iríamos estudar esse livro. As perguntas que normalmente se fazem e que alguns de vocês fizeram foram:
1.Por que devemos estudar este livro? Querido amigo a resposta a essa questão é importante. Através do estudo desse livro você poderá obter ajuda e dar expressão aos seus sentimentos. Você poderá aprender a manifestar as suas emoções sem preocupação de estar ofendendo a Deus. Para muitos cristãos, manifestar as emoções pode significar algo duvidoso e até pecaminoso, principalmente quando se está procurando manter uma vida espiritual equilibrada e conduzida pelo Espírito Santo.
Diante dessa preocupação, extremamente válida, então, se pergunta:
2. É possível um cristão desenvolver a sua vida entre “altos e baixos”, entre um grito de desespero e uma exultação de grande alegria? A resposta a essa questão é muito prática, pois, certamente todos nós já passamos por situações tristes ou alegres e as nossas emoções, muitas vezes, se manifestam espontaneamente. Querido amigo, sejam quais forem os seus sentimentos: alegria ou tristeza; paz ou angústia; ira ou gratidão, você vai encontrá-los claramente exemplificados nos diversos Salmos que estudaremos. Você achará consolo e força quando se identificar com os homens de Deus que foram inspirados a compor e registrar essas orações, esses cânticos e essas aberturas de alma que vemos em todos os Salmos. Portanto, é possível, sim, um cristão experimentar “altos e baixos” no decorrer de sua vida cristã.
3.Quem escreveu este livro? Essa pergunta é importante e deve ser respondida, inclusive, em relação a cada um dos sessenta e seis livros da Bíblia. Por quê? Porque conhecendo os autores e a histórias da vida desses autores inspirados, certamente teremos melhores condições de entendermos o significado das suas palavras. No caso específico deste livro dos Salmos, conforme um bom número de estudiosos, Davi, o pequeno pastor de ovelhas e posteriormente, o grande rei de Israel, diretamente ou indiretamente, relaciona-se com mais da metade dos 150 salmos. Os outros autores que podem ser mencionados são Asafe, os filhos de Coré, Salomão, Moisés e outros autores que não são identificados.
4.Porque este livro foi escrito? Querido amigo, é possível que alguns dos autores dos Salmos à princípio pretendessem escrever os salmos para que as pessoas os cantassem ou ainda meditassem ou refletissem nas suas palavras. Outros autores escreveram essas bonitas poesias e esses lindos hinos para serem cantados em grupo, alguns até mesmo pelos soldados quando estavam se preparando e indo para as batalhas. Quando se tornou evidente que os salmos tinham esse toque pessoal e incentivavam a uma vida espiritual franca e aberta diante do Senhor, eles foram sendo aprovados e aceitos pelo próprio povo de Israel foram sendo selecionados e colecionados com auxiliares na adoração, na oração e na instrução a respeito de Deus e da sua lei. Quando entendemos essa peculiaridade, certamente, encontramos nos Salmos hinos e poemas que descrevem o nosso interior e nos ajudam em nosso relacionamento com Deus.
5. O que devemos procurar e o que vamos achar ao estudarmos o livro dos Salmos? A resposta a essa quinta e última pergunta deve nos motivar a estudar com muita atenção esse importante livro bíblico. Você pode procurar e vai encontrar nos Salmos poesias e hinos ao invés de ensaios doutrinários, embora, você encontrará também alguns princípios claros que são base doutrinária para diversas afirmações da nossa fé. É importante notarmos que os escritores dos salmos, em geral, se interessavam mais em manifestar os seus sentimentos, ou os sentimentos do povo do quê discorrer sobre conceitos abstratos. Atualizando a leitura e os estudos dos salmos para os nossos dias, você vai encontrar nesse livro como que as anotações de um diário, que mostram as interações mais íntimas entre os seus autores e Deus. Querido amigo, a linguagem poética dos Salmos, nos convoca, nos convida a lê-los e a estudá-los com os nossos corações e não apenas com as nossas mentes racionais e organizadas. Por isso eu te convido a estar conosco nesses próximos cinqüenta e quatro estudos.
Mas, com o objetivo de dar a cada um de vocês uma visão ainda mais geral e abrangente desse livro, quero dedicar mais alguns minutos para uma instrução que se faz necessária antes de iniciarmos os estudos no texto do livro dos Salmos.
Chamo, então a sua atenção para você saber como deve entender a poesia bíblica. Conforme a Bíblia de Estudos Vida (1998, p. 832), a poesia ou os hinos bíblicos são formas literárias dos seus autores extravasarem os seus sentimentos. A linguagem dos Salmos é uma linguagem rica e repleta de simbolismo e o uso constante de metáforas, que por vezes se tornam difíceis de se entender. Conforme dissemos a alguns minutos atrás, uma das características da poesia hebraica é o paralelismo, isto é, estrofes ou versos que expressam o mesmo pensamento em estruturas paralelas. Vou dar alguns exemplos para facilitar o seu entendimento.
No Salmo 1 lemos que o homem bem-aventurado 1. Não andar no conselho dos ímpios. 2. Não se detém no caminho dos pecadores. 3 Não se assenta na roda dos escarnecedores. Ora, essas três expressões tem a mesma idéia e a idéia única é que não é prudente para o homem bem-aventurado se associar com qualquer desses tipos mundanos. A mesma idéia foi expressa com diferentes verbos, mas na mesma estrutura gramatical. Esse é o paralelismo de forma geral.
Ainda em relação ao paralelismo, lembrando que ele é uma colocação de idéias, normalmente duas, numa estrutura que enfatiza a semelhança ou o contraste entre elas, devemos notar que ele se apresenta de outras formas e, o conhecimento delas certamente ajudará àqueles que querem se aprofundar no estudo dos Salmos a compreenderem melhor esse rico conteúdo. Conforme diversos estudiosos são essas as formas de paralelismo que encontramos nos Salmos e em alguns provérbios:
1. Paralelismo sinônimo: Onde se repete idéias idênticas ou semelhantes usando palavras diferentes.
Salmo 15.1: Quem, Senhor, habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte?
Salmo 19.2: Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite.
2. Paralelismo antitético: Onde se apresenta um contraste entre idéias ou imagens.
Salmo 1.6: Pois o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá.
Provérbios 14.28: Na multidão do povo, está a glória do rei, mas, na falta de povo, a ruína do príncipe.
Provérbios 14.34: A justiça exalta as nações, mas o pecado é o opróbrio dos povos.
3. Paralelismo sintético ou construtivo: Onde a segunda parte completa ou acrescenta a mesma idéia à primeira parte. Às vezes, repete uma parte da primeira frase e continua com maior desenvolvimento da mesma idéia.
Salmo 29.1: Tributai ao Senhor, filhos de Deus, tributai ao Senhor glória e força.
Salmo 145.18: Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade.
4. Paralelismo emblemático ou simbólico: Nesse caso uma linha serve como ilustração paralela ao ensinamento real da outra. Os tradutores, freqüentemente, simplificam a expressão usando palavras de comparação: “como....assim”.
Provérbios 11.22: Como jóia de ouro em focinho de porco, assim é a mulher formosa que não tem discrição. Ou então,
Provérbios 25.25: Como água fria para o sedento, tais são as boas-novas vindas de um país remoto.
E, em quinto lugar, uma outra característica da literatura hebraica é a forma de organização que encontraremos em alguns Salmos e, que deve ser reconhecida por nós. Embora a ordem e as letras do nosso alfabeto sejam diferentes do alfabeto hebraico, como dissemos, nessa parte da Bíblia devemos perceber a:
5. Organização Acróstica: Esse outro tipo de organização que encontramos em alguns Salmos é também encontrado em alguns outros textos do Velho Testamento. Ele segue o alfabeto hebraico. Cada estrofe começa com uma letra diferente. Também chamado de poemas acrósticos, cada verso ou seção começa com uma letra sucessiva do alfabeto hebraico. O exemplo mais notável é o Salmo 119. Em algumas versões mais antigas encontramos no início de cada seção as letras hebraicas: alefe (vs.1-8); bete (vs.9-16); guimel (vs. 17-24); dalete (vs.25-32); hê (vs.33-40); vau (vs.41-48) e, assim por diante. Cada seção tinha inicio com a respectiva letra hebraica com a finalidade de que os hebreus memorizassem com mais facilidade todo esse grande e belo poema sobre a Lei do Senhor.
Querido amigo, creio que você está percebendo que para estudarmos os livros poéticos e especificamente o livro dos Salmos é necessário termos em mente essas idéias, esses conceitos para que aproveitemos completamente o texto e o seu significado original que foi transmitido pelo autor.
É importante reconhecermos que a poesia dos salmos focaliza-se, em grande medida, nos mais diversos sentimentos humanos. A poesia revela uma série de emoções experimentadas por pessoas sinceras, porém pecaminosas. Essas emoções foram experimentadas por pessoas que se esforçaram para seguir a Deus e compreender o papel que Ele desempenha na história da vida delas. Por essa razão, como veremos nos nossos estudos, os salmos podem ser bem variados: alguns animam, outros são tristes, mas todos são autênticos. É... todos são verdadeiros porque expressam o interior da alma humana e porque os seus escritores, sem medo e sem timidez, desnudaram as suas almas diante de Deus e dos seus leitores. Embora, possamos aprender muita coisa com a poesia hebraica, com a poesia bíblica, o propósito maior dos Salmos não é tanto nos instruir, nos doutrinar, nos formar, mas sim, nos influenciar, nos encorajar e nos sensibilizar.
Querido amigo, assim são os salmos, assim foram os autores dos salmos. Foram gente de carne e sangue, que expressaram com toda a sinceridade as suas emoções.
Espero que você esteja animado para me acompanhar no estudo desse livro tão especial. Que o Senhor te abençoe, até o próximo programa

Através da Bíblia - Introdução aos Salmos - Part 1

Olá amigo, estamos iniciando mais um programa da série "Através da Bíblia". Com satisfação mantemos esse contato com você com o propósito de juntos estudarmos a Palavra de Deus. Somos gratos por sua companhia e pelas correspondências que chegam até nós. São elas que nos dão conta como tem sido a recepção do programa e, através delas também podemos saber um pouco mais da sua vida e colocar o seu nome em nossa lista de oração. Temos um grupo de irmãos que constantemente intercede em favor de você que tem nos ouvido sistematicamente. Estamos iniciando os nossos estudos no livro dos Salmos e para isso eu te convido a se programar para acompanhar as nossas reflexões nesse livro. Se possível convide alguém ou alguns amigos ou parentes para participarem com você, para formarem um pequeno grupo de estudos, depois escreva para nós para dizer como tem sido essa experiência. Queremos, posteriormente divulgar no programa sua carta, o seu e-mail como o testemunho no estudo da Palavra de Deus. Escreva dando as seguintes informações. O seu nome, a sua igreja, a sua cidade e o estado. Para os nossos registros e resposta são detalhes importantes. E, hoje então, eu registro o e-mail que a MA, da cidade de Curitiba, no estado do Paraná nos enviou com as seguintes palavras: "Olá amigos, quero receber o livro de Lucas do Através da Bíblia. Tenho aprendido muitas lições importantes através do programa de vocês. Que Deus os abençoe". Querida irmã alegra-nos muito o fato de você estar encontrando no programa um instrumento de edificação. Nos alegramos, pois, essa não é a primeira vez que você nos escreve e demonstra a sua companhia conosco. Escreva para roberto@transmundial.com.br que você será bem atendida pelo nosso pessoal. Temos orado pedindo a Deus que nos faça sempre úteis em suas mãos para que muitos possam ser edificados. Que Deus a abençoe. Agora, chegamos àquele momento em que vamos orar. Convido-a e a todos que me ouvem agora a orar pedindo as bênçãos de Deus para o estudo de hoje: "Pai querido, obrigado porque Tu ouves a nossa oração. Suplicamos-te, diante da tua misericórdia que nos abençoe nesse propósito tão elevado de estudarmos toda a tua Palavra. Pedimos a tua iluminação também para esse programa. Que sejamos edificados! Oramos em nome de Jesus, Amém"!
Querido amigo, hoje o nosso alvo é concluirmos a introdução ao livro dos Salmos, para que a partir do próximo programa consideremos e façamos as nossas reflexões a partir do texto bíblico. Creio que você que tem nos acompanhado sabe da importância de investirmos um tempo para o estudo dos aspectos introdutórios de cada livro bíblico. Quando os consideramos, facilitamos para nós mesmos a compreensão do contexto do livro, do autor e dos destinatários do livro e, tendo esse procedimento o texto se torna mais claro e mais fácil de ser assimilado e praticado. Afinal, espero que seja essa a sua motivação em estudar a Palavra de Deus: adequar cada vez mais a sua vida à vontade de Deus. Pois bem, vamos considerar os seguintes aspectos introdutórios:
1.NOME
Os nomes “Salmos” ou “Saltério” provêm da Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento, concluída e usada a partir de aproximadamente 200 aC. A princípio se referiam a instrumentos de corda, como a harpa, a lira ou o alaúde. Posteriormente, referia-se a cânticos acompanhados por esses instrumentos. Só posteriormente esses nomes foram usados para designar toda a coletânea que temos em nossas mãos. O titulo em hebraico é tehillim, cuja tradução é: louvores (veja titulo do Sl 145), embora muitos dos salmos sejam tephillot, cuja tradução é: orações, como vemos no Sl 72.20.
O livro de Salmos ou o Saltério é o hinário do culto israelita e o livro bíblico de devoções pessoais.
2. COMPILAÇÃO, AUTORIA E DATA DOS SALMOS
O Saltério é uma compilação de várias coletâneas e representa a etapa final de um processo que levou séculos. Ele foi completado bem tarde na história israelita, mas ele contém hinos escritos num período de centenas de anos.
Os Salmos ganharam sua forma final das mãos dos funcionários pós-exílicos do templo, que o completaram provavelmente no século 3º AC. Nessas condições, já na época do segundo Templo, a partir dos dias de Zorobabel até os dias de Herodes, no Novo Testamento, essa coletânea de Salmos, o Saltério, servia para o culto judaico como livro de orações, louvores e instrução religiosa.
Naqueles dias ele era usado também nas sinagogas e já era conhecido como o livro dos Salmos, conforme Lucas o denomina em Lc 20.42 e At 1.20, embora é possível que naqueles dias ele designasse toda esta parte do Antigo Testamento que temos denominado de Livros Poéticos.
Significado e confiabilidade dos sobrescritos. Os sobrescritos são informações que aparecem em diversos salmos, logo depois do título, que algumas vezes indicam a autoria, a data e o contexto desses salmos. Alguns estudiosos, porém, questionam se os sobrescritos têm por propósito indicar a autoria dos salmos.
Evidências da autoria nos sobrescritos. Uma fonte básica de informações a respeito dos diversos salmos são os sobrescritos encontrados em muitos deles. De acordo com eles, entre tantos outros autores se destacam as composições de Davi, dos filhos de Coré, de Asafe, de Moisés e de Salomão.
A autoria davídica dos salmos. Davi era reputado como cantor e servo dedicado do Senhor, e nada em sua vida é incompatível com a possibilidade de ser salmista. Como veremos mais adiante Davi provavelmente compôs, direta ou indiretamente mais da metade dos Salmos.
A data dos salmos. Os críticos mais antigos datavam muitos salmos na história posterior de Israel, alguns até no período macabeu. Mas isso já não é mais aceito. Como dissemos anteriormente a data dos Salmos percorre muitas centenas de anos, vindo desde Moisés (Sl 90), porém chegando até os salmos exílicos, como o Salmo 137 e chegando até os pós-exílicos na volta do cativeiro (veja 147:2).
A compilação e a formação do livro dos Salmos
O livro dos Salmos divide-se em cinco “livros”: Livro I: salmos 1 a 41; Livro II: salmos 42 a 72; Livro III: salmos 73 a 89; Livro IV: salmos 90 a 106; e , Livro V: salmos 107 até o 150.
Não temos informações precisas quanto às datas em que os cinco livros de Salmos foram compilados nem quanto aos critérios de compilação.
Mas, cada um dos cinco livros termina com uma doxologia, e o salmo 150 é uma doxologia de conclusão para todo o Saltério.
3. SOBRE A AUTORIA DOS SALMOS NOS SEUS CINCO LIVROS
Os títulos ou os sobrescritos identificam os autores da maioria dos salmos.
No livro 1, Davi escreveu 38 ou 39 de 41 salmos
Os salmos escritos por Davi foram: 3-9,11-32,34-41 e, provavelmente o Sl 2. De autores não identificado temos os salmos 1,10,33 (Alguns atribuem Salmo 10 a Davi, pois parece uma continuação do 9 em estilo e mensagem. Estes dois aparecem como um só Salmo na LXX e em algumas traduções modernas da Bíblia)
No livro 2 Davi escreveu 18 de 31 salmos
O salmos escritos por Davi foram: 51-65, 68-70. Os filhos de Coré escreveram os salmos 42,44-49, Asafe compôs o Sl 50, Salomão compôs o Sl 72 e de autores não identificados temos os salmos 43, 66, 67, 71 (O Sl 43 é uma continuação do 42, e assim provavelmente foi escrito também pelos filhos de Coré.)
No livro 3 Asafe e os Filhos de Coré, cantores em Jerusalém, escreveram quase todos os salmos
Davi escreveu o Sl 86. Etã, ezraíta compôs o Sl 89. Asafe compôs os Sl 73-83 e, o filhos de Coré escreveram os salmos 84-85, e 87-88.
No livro 4 o autor não se identifica na maioria dos salmos
Os Salmos escritos por Davi foram: 101, 103, 95*, 96*, 105*, 106*, com algumas dúvidas em relação a esses último. Moisés compôs o Sl 90 e os salmos 91-94, 97-100, 102,104 são de autor não identificado.
No livro 5 Davi escreveu 15 dos seus 44 salmos
Davi escreveu os salmos 108-110,122,124,131,133,138-145. Salomão escreveu o Sl 127. Um autor ou autores não identificado (s) compuseram os salmos 107, 111-121, 123, 125-126, 128-130, 132, 134-137, 146-149 (O Salmo 150 é a doxologia final do livro).
4. SOBRE A AUTORIA DE DAVI NOS CINCO LIVROS
Ao todo, Davi é identificado pelos títulos como autor de 73 dos Salmos. 1Cr 16 contém porções dos Salmos 96 e 105 e a doxologia no final do 106, atribui esses salmos a Davi. Segundo comentários no Novo Testamento, podemos lhe atribuir mais dois salmos (em Atos 4:25, cita-se o Salmo 2; e em Hebreus 4:7 cita-se o Salmo 95). Se acrescentarmos Salmo 10 à essa lista, teríamos 79 Salmos escritos total ou parcialmente por Davi. Ainda é provável que ele tenha contribuído com mais alguns, sem se identificar.
5. TIPOS DE SALMOS
Ao estudarmos um salmo, é preciso fazer as seguintes perguntas: 1) Ele era cantado por indivíduos ou pela congregação? 2) Qual o propósito do salmo? 3) Ele menciona algum tema especial, tal como o rei e a casa real ou Sião? Quando fazemos essas perguntas, baseando-nos estudiosos é possível identificarmos uma série de 10 tipos de salmos.
1.Hinos. Nesse tipo de salmo, toda a congregação louva a Deus por suas obras ou atributos.
2.Queixas da comunidade. Nesses salmos, toda a nação expressava suas queixas por problemas que estava enfrentando, tais como derrota em batalha, fome ou seca.
3.Queixas individuais. Esses salmos são como os de queixas comunitárias, com a diferença de serem orações pronunciadas por indivíduos, não pela nação inteira.
4.Cânticos individuais de ação de graças. Nesses salmos, uma pessoa louva a Deus por algum ato salvador.
5.Salmos reais. Esses salmos tratam do rei e da casa real.
6.Salmos da Torá. Esses salmos dão instrução moral ou religiosa.
7.Salmos oraculares. Esses salmos registram um decreto de Deus.
8.Salmos de bênçãos. Nesses salmos um sacerdote pronunciava uma bênção sobre os ouvintes.
9.Cânticos de censura. Esses salmos reprovam os ímpios pelo comportamento vil e prometem que a destruição deles está próxima.
10.Cânticos de confiança. Nesses salmos o sal¬mista pode enfrentar dificuldades, mas permanece seguro do auxílio de Deus e proclama essa sua fé e confiança.
6. ESTRUTURA DO TEXTO
Salmo da ToráSalmo 1, 19, 36-37, 78, 119, 127
Salmo real / de censuraSalmo 2
Queixa individual / oração por vitóriaSalmo 3
Queixa individualSalmo 4 a 7, 10, 13, 17, 22, 31, 35, 38-43, 54-59, 64, 69-71, 86, 88, 102, 109, 120, 130, 140-143
HinoSalmo 8, 29, 46-47, 76, 92, 96, 98, 103-104, 107, 134, 145
Cântico individual de ação de graçasSalmo 9, 30, 138
Cântico de confiançaSalmo 11, 16, 18, 23, 26-28, 61-63, 139
Queixa da comunidadeSalmo 12, 44, 60, 74, 79-80, 85, 89, 123
Salmo oracular / cântico de censuraSalmo 14, 53
Cântico da Torá / hino processionalSalmo 15
Oração por vitória / salmo de bênçãoSalmo 20
Oração por vitóriaSalmo 21, 144
Hino processionalSalmo 24, 84, 100, 121-122
Salmo penitencialSalmo 25
Cântico de testemunhoSalmo 32, 34, 131
Cântico de casamento realSalmo 45
Cântico de SiãoSalmo 48, 50, 65, 125-126, 121
Cântico de sabedoriaSalmo 49, 73, 133
Salmo penitencialSalmo 51
Cântico de censuraSalmo 52
Hino / cântico de testemunhoSalmo 66
Salmo de bênçãoSalmo 67
Cântico de vitória / hinoSalmo 68
Cântico de coroaçãoSalmo 72
Queixa individual / queixa comunitáriaSalmo 77, 90
Salmo oracularSalmo 81, 82, 87, 95
Maldições nacionaisSalmo 83, 129, 137
Cântico de sabedoria / salmo oracularSalmo 91
Cântico do reinado do SenhorSalmo 93, 97, 99
Queixa comunitária / cântico de confiançaSalmo 94
Salmo votivoSalmo 101
Hino de aleluiaSalmo 105, 106, 111, 113-114, 117, 146-150
Hino / queixa comunitáriaSalmo 108
Salmo realSalmo 110
Hino de Aleluia / cântico de sabedoriaSalmo 112
Hino de aleluia / cântico de censuraSalmo 115, 135
Cântico individual de ação de graças / hino de aleluiaSalmo 116
Cântico individual de ação de graças / hino antifônicoSalmo 118
Cântico de vitóriaSalmo 124
Salmo de bênçãoSalmo 128
Hino antifônicoSalmo 136

7. MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO DOS SALMOS
Existem alguns métodos de interpretação dos Salmos e o conhecimento deles nos ajudará a estudá-los e receber as suas lições com absoluta possibilidade de aplicação para as nossas vidas.
Com base nos escritos de Cardoso Pinto (2006, p. 458-460) podemos conhecê-los. São 5 os métodos:
Método histórico tradicional – Nesse método busca-se relacionar, sempre que possível, o salmo a um incidente histórico na vida do salmista. Mesmo quando não há indicador histórico, os que adotam esse método procuram reconstruir a situação histórica para tentar entender melhor o texto.
Método literário-analítico – Nesse método busca-se destacar os aspectos analíticos como linguagem, forma poética, conceitos teológicos e possíveis referências a incidentes históricos. Embora os defensores desse método tivessem datado a maioria dos salmos em épocas muito posteriores, entendendo o Saltério como o livro dos cânticos do segundo templo, depois de descobertas arqueológicas e do melhor conhecimento da cultura e língua dos hebreus essa teoria se desfez.
Método da crítica da forma – Os defensores desse método entendiam que todos os poemas sacros de Israel tinham sido escritos como acompanhamento de um ato ritual, isto é, os salmos surgiram das várias cerimônias do culto israelita. Embora seja um método muito útil, limita-se muito o conceito bíblico da autoria dos salmos, que mostra que, muitas vezes, eles foram compostos como expressão espontânea e individual da devoção do salmista diante de Deus, isto é, os salmos foram resultados das situações de vidas que o salmista experimentou na sua relação com Deus.
Método litúrgico – Baseando-se no método anterior, esse método sustenta que os salmos devem ser interpretados à luz da sua função na liturgia israelita. Embora o uso litúrgico dos salmos seja indiscutível, não há base para se afirmar que os salmos foram produzidos apenas com origem no culto israelita.
Método escatológico-messiânico
Os defensores desse método procuram relacional ao máximos os detalhes dos salmos à pessoa de Jesus e ao reino messiânico. Embora tenha valor, pois a pessoa de Jesus é o centro da Bíblia, corre-se o risco de colocar-se determinada posição doutrinária sobre os autores, que não tinham todo o conhecimento que temos do plano de Deus para a nossa salvação e a nossa presença com Ele na eternidade.
Método equilibrado
A maneira mais certa de interpretarmos os salmos é nos apoiarmos nos bons detalhes de cada um desses métodos mencionados, depurando-os das suas fraquezas. Em todos eles vamos encontrar bons argumentos e esses devem ser utilizados. Assim, o correto é entender os salmos: 1) à luz do seu contexto histórico; 2) à luz de sua forma literária; 3) buscando descobrir qual foi a sua mensagem para os primeiros ouvintes; 4) que relação ele pode ter com a pessoa de Jesus e, 5) quais são as possíveis aplicações práticas para a vida cristã que desenvolvemos.
Querido amigo, quando tomamos essas precauções, certamente, temos condições de interpretar corretamente cada um dos 150 salmos, e é com esse cuidado que estamos estudando esse livro tão importante da Palavra de Deus.
8. PECULIARIDADES NO LIVRO DOS SALMOS
1.O livro dos Salmos pode ser considerado o mais antigo hinário da igreja cristã. Sendo que o cristão cheio do Espírito Santo deve evidenciar esse estado através dos cânticos e louvores (Ef 5.18-19) o uso dos Salmos como fonte de louvor e adoração ao Senhor deve ser utilizado grandemente.
2.O livro dos Salmos foi citado por Jesus diversas vezes e, inclusive interpretado pelo próprio Senhor aplicando vários deles à sua própria pessoa e ministério. Ele era o filho e senhor de Davi (Sl 110); Ele era a pedra rejeitada que se tornou pedra angular da construção (Sl 118); e Ele viu o seu sofrimento, como vítima inocente, descrito em vários Salmos (22, 31, 41 e 59).
3.O livro dos Salmos é o livro que mais expressa a emoção dos seus autores. Eles incluem o registro dos sentimentos mais íntimos dos salmistas. Sentimentos de ansiedade ou gratidão; sentimentos de ira e ódio ou de paz e amor; sentimentos de preocupação com os inimigos ou de segurança em Deus, são todos expressos nos diversos Salmos.
4.Os Salmos, mais do que qualquer livro bíblico, incluindo os demais poéticos e de sabedoria, utilizam muitas figuras retóricas e muitas figuras simbólicas, fazendo que o estudante de toda a atenção para não cometer deslizes na interpretação dos mesmos.
5.Os Salmos por serem uma escrita poética tem uma teologia singular. Nos diversos Salmos temos as várias pressuposições dos salmistas bem como as suas convicções e os seus ensinos sobre Deus, sobre o crente, sobre o mundo, sobre a natureza, sobre a história de Israel e tantos outros temas. Não sendo um livro especifico de doutrinas a sua teologia deve ser muito bem estudada.
9. A TEOLOGIA DOS SALMOS
Devemos entender que teologia é a sistematização das diversas áreas do conhecimento de Deus. No sentido literal, é o estudo sobre Deus. Como toda ciência, a teologia tem um objeto de estudo: Deus. Como não é possível estudar diretamente um objeto que não vemos e não tocamos, estuda-se Deus a partir da sua revelação, ou, em termos seculares, conforme suas representações nas variadas culturas.
Os salmos ajudam os crentes de hoje a compreender a Deus, a si mesmos e o relacionamento que têm com Deus.
Embora tenham sido compostos durante um período de 900 a 1.000 anos os salmos demonstram uma notável unidade de forma e de conteúdo. Os Salmos foram todos compostos tendo por base a fé que o povo e especificamente os salmistas depositavam em Deus. Essa fé, primeiramente transmitida de pais para os filhos, de forma oral, de geração em geração, e posteriormente transmitida através das escrituras caracterizou os salmistas de todos os tempos. Sob a direção do Espírito Santo os salmistas buscaram no depósito da fé as riquezas da graça, da perseverança e da esperança.
Os Salmos descrevem o continuo encontro do homem com Deus, motivado primeiramente pela iniciativa divina e, assim eles se constituem no coração da fé verdadeira. E, fruto desse encontro com Deus, o homem encontra-se com si mesmo e com o seu próximo!
10. O DESAFIO PARA ESTUDAR OS SALMOS
Em relação aos livros, em relação aos seus hábitos de ler e comprar literatura, permita-me fazer algumas perguntas muito importante para você considerar:
- Você compraria, leria e gastaria o seu tempo em estudar um livro escrito por um homem adultero, mentiroso, assassino, um pai que deixou a desejar na criação dos seus filhos? Será que um autor como esse teria algo para lhe ensinar, para lhe acrescentar?
- Você compraria, leria e gastaria o seu tempo em estudar um livro escrito por um homem que foi escolhido por Deus para a tarefa mais importante em relação à sua nação, um homem que teve paciência e submissão ao Senhor, só agindo depois que Deus agia, um homem que, em termos gerais, foi agradável e foi aprovado por Deus? Será que ele teria algo para lhe ensinar e acrescentar à sua vida?
A qual dos dois livros você daria mais atenção? Qual o melhor investimento?
Querido amigo, permita-me dizer que a autoria desses dois livros, é de um só homem. Espero que você tenha respondido positivamente à essas questões. Vale a pena gastarmos tempo e nos dedicarmos ao estudo dessa literatura. Se você concorda comigo, fico contente; mas se você discordou dessa minha recomendação quero que convidar para estudar comigo o livro dos Salmos. O autor que mais escreveu, que escreveu mais da metade desse livro foi o nosso conhecido e querido salmista rei, Davi.
Davi foi um homem adultero, mentiroso, assassino, um pai que deixou a desejar na criação dos seus filhos, mas ao mesmo tempo Davi foi um homem escolhido por Deus para a tarefa de reinar, a tarefa mais importante em relação à sua nação; ele foi um homem que teve paciência e submissão ao Senhor, não querendo destronar Saul para ficar com o seu lugar, ele só agiu depois que Deus agiu; mas, também ele foi um homem que, em termos gerais, foi agradável e foi aprovado por Deus, um homem segundo o coração de Deus.
Querido amigo, assim são os salmos, assim foram os autores dos salmos. Foram gente de carne e sangue, que expressaram com toda a sinceridade as suas emoções.
Espero que você esteja animado para me acompanhar no estudo desse livro tão especial. Que o Senhor te abençoe, até o próximo programa

sábado, 26 de julho de 2014

Capítulo 1 O homem, seu tempo e sua mensagem (Hc 1.1)

O homem, seu tempo e sua mensagem (Hc 1.1) O livro de Habacuque é o oitavo dos profetas menores. Embora ele este ja distante de nós mais de 2.500 anos, sua mensagem é atual, e sua pertinên cia, insofismável. Os tempos mudaram, mas o homem é o mesmo. Ele ainda é prisioneiro das mesmas ambições, dos mesmos descalabros morais, da mesma loucura. Habacuque profetiza num tempo em que sua nação, o reino de Judá, estava à beira de um colapso. Porque retardou o seu arrependimento e não aprendeu com os erros de seus irmãos do Reino do Norte, que foram levados cativos pela» Assíria em 722 a.C., entrariam, também, inevitavelmente no corredor escuro do juízo. As tempestades já se formavam sobre a cidade orgulhosa de Jerusalém. O tempo da oportunidade havia passado. Porque não escutaram a trombeta do arre pendimento, sofreriam inevitavelmente o chicote da disciplina. O princípio de Deus é: “Arrepender e viver”, ou: “Não se arrepender e sofrer”. O cálice da ira de Deus pode demorar a encher-se, mas, quando transborda, o juízo é iminente e inevitável. E impossível escapar das mãos de Deus. O homem pode burlar as leis e corromper os tribunais da terra, mas jamais enganara Aquele que se assenta no alto e sublime trono. O homem pode esconder seus crimes e sair ileso dos julgamentos humanos, porém jamais o culpado será inocentado diante dAquele que sonda os corações (Ex 34.7). Os temas levantados por Habacuque são manchetes dos grandes jornais ainda hoje. Habacuque está nas ruas. Sua voz altissonante ainda se faz ouvir. Seus dilemas são as nossas mais profundas inquietações. Suas perguntas penetrantes são aquelas que ainda ecoam do nosso coração. Por isso, estudar Habacuque é diagnosticar o nosso tempo, é abrir as entranhas da nossa própria alma, é buscar uma resposta para as nossas próprias inquietações.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

SALMO 24 Abram as portas o Rei Esta voltando

SALMO 24 A maioria dos comentaristas associa este salmo à ocasião em que Davi levou a arca da aliança para Jerusalém (2 Sm 6; 1 Cr 15:1 - 16:3), e é bem possível que Davi o tenha escrito para esse acontecimento. Tudo indica que se trata de um salmo antifônico. O povo (ou um coral de levitas) iniciava o cântico com os versículos 1 e 2, um dirigente fazia as perguntas nos versículos 3, 8a e 10a, e o coral ou o povo respondia com os versículos 4 a 6, 8b e 10b. Era entoado todo domingo no templo de Herodes, e alguns relacionam este cântico com a entrada do Senhor em Jerusalém no Domingo de Ramos. Há anos, a igreja lê o salmo 24 no Dia da Ascensão, o quadragésimo dia depois da Páscoa. Para os cristãos, Jesus é o "Rei da Glória", voltando ao céu depois de sua paixão (Ef 4:8; Cl 2:15), e, um dia, voltando em glória para estabelecer seu reino (Mt 25:31). Isso explica a repetição de "Levantai, ó portas, as vossas cabeças" nos versículos 7 e 9. O salmo apresenta um privilégio triplo concedido por Deus a seu povo.

1. Somos mordomos que desfrutam a BONDADE DE DEUS NA CRIAÇÃO (Sl 24:1, 2) De todos os corpos celestes criados pelo Senhor, a Terra é o único escolhido por ele para ser sua esfera de atividade. Clarence Benson chamou a Terra de "teatro do universo", pois nela o Senhor demonstrou seu amor por meio do que Dorothy Sayers chamou de "maior drama de todos os tempos". Escolheu um planeta, um povo e uma terra e para lá enviou seu Filho, para que vivesse, ministrasse, morresse e fosse ressurreto dentre os mortos para que os pecadores pudessem ser salvos. A Terra pertence a Deus; tudo o que existe na Terra é de Deus; todas as pessoas que habitam na Terra são de Deus, feitas a sua imagem e responsáveis perante ele. O nome divino "Senhor" é usado seis vezes neste salmo. "Toda a terra é minha" (Êx 19:5), disse o Criador, mas em sua bondade, ele a compartilha conosco. Ele é quem "possui os céus e a terra" (Gn 14:19, 22), e somos seus convidados neste planeta, mordomos de tudo o que ele nos concede para desfrutarmos (1 Tm 6:17). Essa mordomia é a base para o modo de tratar o planeta e de proteger os tesouros que Deus dividiu conosco. Qualquer coisa que possamos oferecer a ele é algo que, antes, recebemos dele (50:10- 12; 1 Cr 29:14). Em 1 Coríntios 10:25, 26, Paulo cita o Salmo 24:1 para lembrar os cristãos de que todo alimento lhes é permitido (ver também Mc 7:14-23; 1 Tm 4:3-5). O lugar da "água" na criação pode ser visto em 104:5-9; 136:6; Gênesis 1:1, 6, 7, 9; 49:25; Êxodo 20:4; Deuteronômio 33:13.

2. Somos adoradores que EXPERIMENTAM A GRAÇA DE DEUS NA redenção (Sl 24:3-6) O Salmo 15 é um texto paralelo, e os dois salmos enfatizam o fato de que adorar a Deus significa elevar-se. O Filho de Deus está as sentado no trono na cidade celestial de Sião (2:6), e o propiciatório da arca era o trono de Deus na cidade terrena de Sião. Os levitas que carregavam a arca deveriam estar cerimonialmente puros, e o povo de Deus deve manter-se puro, a fim de adorar e de agradar a seu Rei. A expressão "o que é limpo de mãos" refere-se a uma conduta íntegra (Is 1:15, 16, 18), e "puro de coração" refere-se a motivações e caráter piedosos (Mt 5:8). A "falsidade" diz respeito à idolatria (adoração de "coisas desprezíveis") e "jurar dolosamente" refere-se a todo tipo de dissimulação, especialmente o falso testemunho num tribunal. A recompensa é a dádiva da salvação, a justiça de Deus (Gn 15:6). Porém, ninguém neste mundo é capaz de preencher esses requisitos. "Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Rm 3:23). As boas obras ou o caráter religioso não bastam para nos salvar. A única maneira de entrar na presença de Deus é por intermédio dos méritos de Jesus Cristo, o que significa que devemos nos arrepender de nossos pecados e crer no Senhor. Somente Jesus Cristo é qualificado para entrar na presença do Pai, e ele voltou para o céu, a fim de representar seu povo e de interceder por ele junto ao trono do Pai. "Buscar a face de Deus" significa ter uma audiência com o Rei (Gn 44:23; Êx 10:28; 2 Sm 14:24, 28, 32), o que agora é possível por meio daquilo que Cristo fez na cruz (Hb 1 0:1-25). A justiça de Deus é uma dádiva, não uma recompensa por boas obras (Rm 3:21 - 4:9; 5:17; 10:1-10). Davi com para a geração de pessoas que buscam a Deus a seu antepassado, Jacó, que viu a face de Deus e esperou pela fé até receber uma bênção (Gn 32:24-32). Por certo, Jacó não era um homem perfeito, mas o Senhor o salvou e se permite ser chamado de "Deus de Jacó" (Sl 46:7, 11).

3. Somos vencedores que CELEBRAM A GLÓRIA DEUS NA CONQUISTA(Sl 24:7-10). Em cinco ocasiões neste texto, Deus é chamado de "Rei da Glória". Jesus é o Pastor Supremo que, um dia, voltará em glória e dará a cada servo fiel uma coroa de glória (1 Pe 5:1-4; e ver 1:7; 4:11-14 e 5:10; 1 Co 2:8). Tendo em vista que as portas de Jerusalém se abriam para fora, o que significa a expressão "Levantai-vos, ó portais"? Sem dúvida, havia espaço suficiente para os levitas passarem com a arca e não seria preciso erguer as vergas das portas. Martinho Lutero sugeriu a tradução: "Escancarai os portais", ou seja, "Dai boas-vindas ao Senhor de todo o coração!" Trazer a arca para a cidade pode ter lembrado Davi daquilo que Moisés e os líderes de Israel cantavam quando a arca era carregada no deserto (Nm 10:33-35; Sl 68:1-3; 132:8). A administração e as transações de uma cidade antiga concentravam- se nas portas da cidade, de modo que estas eqüivaliam a nossas prefeituras de hoje. Davi está ordenando que a cidade inteira receba o Senhor de braços abertos e lhe dê todas as honras. O Rei da Glória é, ainda, o "Senhor dos Exércitos", título usado para Deus quase trezentas vezes no Antigo Testamento. O termo "exércitos" também é usado com referência às estrelas (Is 40:26), aos anjos (Si 103:20, 21), à nação de Israel (Êx 12:41) e a todos os cristãos que pertencem ao exército de Cristo (2 Tm 2:3, 4; 2 Co 10:3-6; Ef 6:1 Oss). Mas por que o cântico refere-se duas vezes às portas de Jerusalém (vv. 7 e 9)? O Rei da Glória é Jesus Cristo. Quando entrou em Jerusalém no Domingo de Ramos, nem todos na cidade o receberam e louvaram. Esse salmo havia sido cantado no templo naquela manhã, mas não foi aplicado a Jesus de Nazaré. Em vez de recebê-lo e de honrá-lo, os líderes o rejeitaram e o enviaram ao Gólgota para ser crucificado. Porém, em sua morte e ressurreição, Jesus venceu a batalha contra Satanás e o pecado e, quando subiu de volta aos céus e entrou na cidade celestial de Sião (Hb 12:1 8ss), foi recebido como vencedor, o Senhor dos Exércitos e o Rei da  Glória. Mas Jesus voltará à Terra, lutará no vamente contra os exércitos do mundo e será vitorioso (Ap 19:11 ss; Is 63:1-3). Livrará Jerusalém de seus inimigos (Zc 12 - 14) e estabelecerá seu reino na Terra. Então, seu povo o receberá em Jerusalém, como o Senhor dos Exércitos, o Rei da Glória. "O Senhor será Rei sobre toda a terra" (Zc 14:9). Enquanto isso, podemos triunfar em nossa vida por meio de Jesus Cristo (2 Co 2:14) e ser "mais que vencedores" pela fé em Cristo Jesus (Rm 8:31-39). Como filhos de Deus, pertencemos a três mundos: o mundo da criação a nosso redor, o mundo da nova criação dentro de nós (2 Co 5:17) e o "mundo por vir", da maravilhosa criação final, que será nosso lar eterno (Ap 21 - 22).

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Abram as portas o rei já vem

Abram as portas o rei já vem

Introdução
O salmo 24 é um salmo messiânico que engrandece o reinado e a chegada do Messias rei, este rei é...
■ rei da glória
■ rei da criação
■ rei da eternidade
■ rei dos exercitos de anjos e de homens resumindo ele é o rei dos reis e senhor dos senhores.

Podemos dividir o salmo em três partes:

1- Jesus é o rei da sua criação vv.1, 2;

A terra é um templo e ao mesmo tempo e o palco das criaturas de Deus, o templo e o palco foi construído sobre os lençóis freáticos que são instáveis. Um dia o nosso planeta foi totalmente  mineral não avia vegetação  e os seus moradores eram os anjos, mas algo aconteceu com um anjo chamado Lúcifer que se orgulhou e exaltou o seu interior contra o criador (Deus) Em Ezequiel 28  e Isaías 14 temos as características de como Deus criou Lúcifer e tais características serviu de trampolim para se orgulhar diande dos anjos e de Deus. As características que fez este anjo se orgulhar são pelo menos seis e tais qualidades não é má em se, mas  boas se, forem usadas para glória de Deus. As qualidades são as seguintes...

1. Poder;
2. Sabedoria;
3. Perfeição;
4. Beleza;
5. Unção;
6. Multiplicação;
Ora depois de Lúcifer cair  no seu interior ele fez que os anjas que estava sob a sua liderança caírem juntamente com ele, foi nesse momento que Lúcifer e seus anjos foi fazer guerra no terceiro céu contra Deus e os anjos que não pecaram, esta batalha esta registrada em Apocalipse capítulo (12.1- ) Satanás e os seus anjos foram lançados do céu para a terra que estava no estado mineral,  e Jesus disse que viu satanas cair do céu como uma estrela, quando o diabo colidiu com a terra o impaquito foi tão devastador que afundou o planeta terra nas águas e para a terra não ser totalmente destruída o Espírito de Deus pairava sobre as águas para o diabo não deformar a terra totalmente (Gn 1.1, 2). Foi nesse momento que o inferno foi criado para os anjos e não para os homens pois os homens ainda não tinha sido criados por Deus. O inferno se torno prisão temporária dos demônios, não sabemos quanto tempo Satanás ficou preso, mas sabemos que foi solto quando Deus criou e organizou a terra no estado vegetal

(Sal 46.1-). Mas em meio a instabilidade o nosso Deus:

1. É...

2. Está...

3. Faz...

2- Jesus é o rei dos santos dos que buscam a sua face como jaco vv.3-6;

ILUSTRAÇÃO: Temos que limpar e ornamentar as nossas vidas para receber o rei da glória como uma cidade faz para receber o presidente com honrarias.

3- Jesus é o rei da glória vv.7-10

Tema

Porque temos que abrir as portas para o rei entrar?

1. Porque o rei deixou o seu reino e viajou para um lugar distante e prometeu voltar em breve sem marcar uma hora definida.
O nosso rei deixou o céu e vei a terra através do seu nascimento virginal e deu 6 passos sacrificial para nos salvar.

Os passos sacrifícios são os seguintes...

O primeiro; deixou o céu e se esvaziou da sua divindade e se divinisou assumindo uma forma humana;
O segundo; O Jordão nesse segundo passo ele nos ensina que o nosso rei cumpriu toda a justiça divina.
O teceiro; O deserto da Judéia - no deserto venceu todas as tentações do diabo para nos dar o exemplo de como vencermos o diabo, e as armas que temos que usar quando formos tentados.
Quarto; O jardim do getisemane -  foi neste lugar que cristo se angustiou a tal ponto de soar sangue, pois estava perto de ser entregue aos poderes das travas.
Quinto; O julgamento no senedriu - nesse passo o nosso rei foi jugado sete vezes e não acharam um só pecado em nosso rei mas mesmo a sim o condenaram a morte de cruz.
Sexto; A cruz - nesse passo sacrificial o nosso rei morreu mas ao teceiro dia ressuscitou e passou 40 dias com seus discípulos e viajou ao céu.

2. O nosso rei conhece o nosso endereço.
3. O nosso rei tem um propósito com nosco.
4. O lugar do nosso rei é dentro do seu reino e não fora.
5. Para recepcionar lo com todas as regalias de um rei.
6. Ele nos levará ao céu de glória e reinaremos para sempre com ele nesta terra mt 5.1-

Conclusão

Se queremos ter a vida eterna com o nosso rei temos que a cada dia espera a sua volta com um coração e mãos limpas. mantendo as portas fechadas para o diabo e sempre abertas para o rei Jesus. Lembre se somos príncipes do rei e temos que viver como tal.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Salmo 24 - O SANTUÁRIO DO REI GLORIOSO

Salmo 24 - O SANTUÁRIO DO REI GLORIOSO Esse salmo parece ter sido uma liturgia processional usada para acompanhar o transporte da arca, símbolo da presença de Javé (cf. ISm 4.4,21,22; SI 132.8), para Jerusalém e para o santuário. Se foi ou não escrito para a ocasião descrita em 2Sm 6.12-19 (cf. lCr 15.1—16.1ss) ou a de lRs 8.1ss (cf. 2Cr 5.2ss), provavelmente deve ter sido usado em celebrações anuais posteriores desses eventos (cf. SI 68; 132). A LXX sugere que após o exílio ele foi designado para uso no primeiro dia da semana (associado à Criação). Há três seções distintas: os v. 1,2 são um hino breve que celebra o direito que Javé tem de governar, visto que ele é o Criador; os v. 3-6 são uma “liturgia de admissão” (v. comentário do salmo 15) que apresenta as condições para que os adoradores possam entrar no santuário, que são: pureza de palavra, de pensamento e de atos; os v. 7-10 são uma “liturgia da porta” cantada quando a arca chegava à entrada do templo (ou da cidade); o direito que Javé tem de entrar é evidente: ele é o rei vitorioso de Israel. Todo o salmo foi preparado para ser cantado em antífona. G. W. Anderson chamou atenção para os paralelos notáveis entre esse salmo e a visão de Isaías (Is 6). O uso cristão desse salmo geralmente o associa à entrada do Cristo ressurreto e exaltado no céu (cf. Hb 9.12,14), e por isso o Livro de Orações o designa para o Dia da Ascensão. Alguns, no entanto, o associaram ao advento ou à entrada triunfal de Cristo em Jerusalém (cf. Mt 21.9ss). Uma série de hinos cristãos também foi baseada nesse salmo como: “Levantai, ó portas, vossas cabeças” entre outros. Título: v. Introdução III. 1,2. v. 2. ele: enfático, mares [...] águas: acerca do retrato cosmológico da terra como um disco chato flutuando sobre um oceano subterrâneo apoiado por pilares (as bases das montanhas), v. Gn 1.9; 7.11; Êx 20.4; ISm 2.8; SI 18.15; 136.6; Jn 2.6. Esse versículo pode sugerir a vitória sobre as forças do caos (cf. v. 8; v. comentário de 18.4,7ss). v. 3. monte do Senhor: v. comentário de 2.6. entrar, heb. qüm: as outras ver sões trazem “estar”; cf. ISm 6.20. v. 4. que não recorre...: ou “não se volta para...” (nota de rodapé da NVI); v. comentário de 25.1. aos ídolos: lit. “vazio”; possivelmente uma referência à idolatria (cf. NTLH de 31.6: “deuses falsos”), v. 5. bênçãos: cf. Ex 20.6; Nm 6.23ss. fará justiça: a vindicação pela qual esperava (v. comentário de 33.5). v. 6. São assim aqueles: lit. “as gerações”; ou “a companhia” ou a “sorte (porção)”; NTLH: “assim são as pessoas”; v. comentário de 12.7. buscam a tua face: desejam a presença e a bênção de Javé (cf. Nm 6.23ss; SI 4.6; 11.7; 17.15; 42.2). Deus de Jacó: v. comentário de 20.1. A NVI provavelmente está certa em seguir a LXX. Pausa (“Selá”): v. Introdução III. 3. v. 7. Abram-se, 6 portais: ou é um chamado para que se abram bem ou possivelmente para que se alegrem e sejam exaltados diante da honra concedida, v. 8. Cf. Ex 15.3, 18.v. 10. Senhor dos Exércitos: ou os exércitos de Israel (cf. ISm 17.45) ou os “exércitos” celestiais dos anjos (cf. lRs 22.19) ou das es trelas e planetas (cf. Gn 2.1). A LXX traz “Todo-poderoso”; cf. ISm 4.4.

Salmo 24 (Comentário Bíblico de Matthew Henry)

Salmo 24 Versículos 1-6. O reino de Cristo e os seus súditos; 7-10: O Rei deste reino. Vv. 1-6. Nós não pertencemos a nós mesmos; o nosso corpo e alma, e até mesmo os filhos dos homens, são de Deus, ainda que não conheçam e nem admitam um relacionamento com Ele. Uma alma que conheça e considere a sua própria natureza, e que deva viver para sempre, quando tiver visto a terra e a sua plenitude, sentir-se-á satisfeita. Poderá pensar em subir à presença de Deus e perguntar: "O que farei para viver neste lugar santo e ditoso, onde o Senhor faz com que o seu povo seja santo e feliz? se não fizermos da religião uma obra de nosso coração, tomamo-la como nada. somente através do sangue de Cristo podemos ser lavados de nossos pecados e renovados para a santidade, e pelo avivamento do Espírito Santo. Assim, chegamos a ser o seu povo; recebemos a bênção do Senhor e a justiça do Deus da nossa salvação. O povo particular, de Deus será feliz verdadeiramente e para sempre. Onde Deus estabelece a justiça, Ele outorga a salvação. Os que estão preparados para o céu serão levados para lá a salvo, e encontrarão o que tanto buscaram. Vv. 7-10. A majestosa entrada refere-se à maneira solene de conduzir a arca à tenda que Davi levantara, ou ao templo que salomão edificou para ela. Também se pode aplicar este fato à ascensão de Cristo ao céu, e às boas vindas que lhe são dadas ali. Quando o nosso Redentor voltou ao céu, as portas ainda estavam fechadas; porém, após ter feito a expiação pelo pecado através de seu próprio sangue, com a sua autoridade, abriu a porta. Os anjos, ao adorá-lo (Hb 1.6), poderiam ter perguntado: "Quem é Ele?" A resposta seria que Ele é o forte e valente; poderoso na batalha para salvar o seu povo, e submeter os seus adversários e inimigos do seu povo. Podemos aplicar o pensamento da entrada de Cristo na alma dos homens através de sua Palavra e de seu Espírito, para que sejam o seu templo. Eis que Ele está à porta e chama (Ap 3.20). Os pórticos e as portas do coração têm que ser abertos para Ele, como possessão que é entregue ao seu dono legitimamente. Podemos aplicá-lo à sua segunda vinda com poder e glória. Senhor, abre as portas de nossa alma por tua graça, para que agora possamos receber-te e ser completamente teus; e que, ao final, sejamos contados entre os teus santos em glória.

Salmo 24. Uma Antema Inaugural

Salmo 24. Uma Antema Inaugural

Este é um dos hinos mais majestosos e imponentes de todo o Saltério. Por causa de diversas mudanças abruptas no assunto, muitos têm julgado que este salmo tenha sido composto de seleções de três poemas originalmente independentes (vs. 1, 2; 3-6; 7-10). Embora isto possa ter sido assim, o salmo agora é uma unidade apropriada. A ocasião tem sido associada com a Festa dos Tabernáculos, com um festival anual do Ano Novo, a dedicação do Templo e a transferência da arca para Jerusalém. É muito provável que este salmo, como muitos outros, fosse usado antifonariamente. 1,2. O Coro Processional. Ao Senhor pertence a terra. Esta ênfase dada à soberania de Deus sobre a terra habitável e todas as criaturas é uma advertência digna de atenção contra o limitar-se Deus a uma cidade ou templo. Essas palavras eram provavelmente cantarias em muitas ocasiões por grupos que se aproximavam da cidade de Jerusalém. 3-6. Os Requisitos para a Adoração. Quem subirá ... Quem há de permanecer? Um reconhecimento do Criador. Deus, na qualidade de soberano de toda a terra, não deve ser buscado levianamente. As exigências morais para nos aproximarmos de Deus são cuidadosamente estipuladas por meio de perguntas semelhantes às do Salmo 15. Os mesmos elevados padrões éticos de conduta são exigidos, com ênfase especial sobre o caráter da adoração. As perguntas e respostas eram provavelmente cantadas por sacerdotes ou levitas, enquanto o versículo 6 devia ser usado como coro. 7-10. A Entrada Divina. Levantai, ó portas, as vossas cabeças. A parte superior das portas é considerada baixa demais para o rei divino entrar. Para que entre o Rei da Glória. A convocação dos porteiros simboliza a verdade de que a presença de Deus têm de ser evidente. Então o desafio de identificar este Rei é cantado por outro grupo ou por um individuo sobre o muro da cidade. A poderosa resposta pode bem ter sido a resposta da congregação claramente identificando este Rei como o Senhor. Depois da segunda convocação e desafio, a resposta ecoa clara - O Senhor dos Exércitos (Yahweh Seba'ôt). Ele é o Rei da Glória.

SALMO 24 (Novo Comentário da Bíblia)

SALMO 24. CÂNTICO REFERENTE À INVESTIDURA DE JERUSALÉM
A grande ocasião da vida de Davi, quando ele trouxe a arca do Senhor, da casa de Obede-Edom para a capital dos jebuseus, recentemente capturada, foi alegremente celebrada por diversos hinos e salmos (ver 1Cr 15.16-23). Este Salmo foi um dos primeiros a ser usado, pois era entoado enquanto a procissão se aproximava da antiga cidade. Este Salmo é maior que a ocasião festejada, e tem sido geralmente interpretado como uma expressão profética sobre a ascensão de Cristo após a Sua vitória sobre a morte e o pecado (ver v. 8 e cf. Cl 2.15; Hb 2.14-15) e após a declaração de Sua soberania final sobre tudo (ver v. 10 e cf. Tg 2.1; Ap 5.11-14; 17.14). Este Salmo se divide em duas seções. a) Aproximação à colina de Iavé (1-6) Esse cântico processional tem dois temas. O primeiro versa sobre o poder e a majestade do Senhor, na qualidade de criador e soberano de toda a terra (1-3). Ver Sl 136.6 nota, e cf. Jr 5.22. Tal é o alcance de Seu conhecimento, a perfeição de Sua obra, e a pureza e a retidão de Sua Pessoa, que o mero homem se vê obrigado a hesitar quanto ao seu dever de adorá-lo, pois, aproximar-se do Deus Santo é perigoso para o pecador e motivo de espanto para todos. Quem estará...? (3); isto é, quem manterá seu terreno? Cf. Sl 1.5.
O segundo tema versa sobre a justiça requerida da parte dos homens se tiverem de ser abençoados por Deus (4-6). Uma coisa era trazer a arca de Sua aliança para Jerusalém; mas era questão inteiramente diferente aproximar-se do Senhor em verdadeira adoração. O incidente de Uzá, verificado três meses antes, certamente ainda estava bem vivo na memória (ver 2Sm 6.6-11). A necessidade de um alto padrão de honestidade, veracidade e integridade da parte dos adoradores também é declarada em Sl 15 (cf. Is 33.14-17). Que não entrega sua alma à vaidade (4); isto é, que não tem dirigido as suas afeições e desejos para coisas vãs e inúteis, em lugar de dirigi-las para Deus. Cf. 25.1; 86.4; 143.8. Tais homens são fortalecidos pela bênção divina, que lhes proporciona a própria justiça de Deus. Ó Deus de Jacó (6). Apesar de muitas versões preferirem assim, outras, entretanto, trazem apenas "ó Jacó"; isto é, somente esses são o verdadeiro Jacó (cf. Rm 2.21,29). b) Entrando pelo pórtico de Sião (7-10) Nesta segunda parte do Salmo se reflete o contraste entre o mundo exterior da criação e o reino íntimo do coração; e esta segunda parte é ouvida como um duplo desafio e uma dupla réplica. A procissão estava, por alguns momentos, defronte dos portões fechados da cidade e a exigência de permissão de entrada, isto é, submissão, é formalmente feita em nome do Rei da glória (cf. Mt 21.9-10; 1Co 2.8). A ordem de "levantar" (7,9) ou abrir os portões e arcadas da antiga cidadela subentende a superioridade do novo Rei sobre todos os outros que haviam entrado anteriormente. Em resposta ao desafio cerimonial das sentinelas (8) é declarado (cf. 2Sm 6.2b) o nome do rei que chega - o Senhor poderoso na guerra Davi havia capturado recentemente a fortaleza dos jebuseus e ganhou muitas outras batalhas. Essa designação, por si só, foi insuficiente para garantir que os portões se abrissem, e o apelo para provisão de acesso à cidade é repetido (9). A presença do Senhor e Sua preeminência em Sião, se baseiam sobre outras reivindicações que não Sua intervenção nas batalhas históricas de Israel.
O Senhor é rei de todos por virtude de Seu próprio direito, possuindo poderes e qualidade que transcendem a terra e o tempo. O Rei da glória é o Senhor dos Exércitos (10; cf. 1Rs 22.19). Esse alto conceito sobre Deus foi prefigurado nas palavras iniciais do Salmo, cuja significação se estende para muito além das perspectivas temporais e nacionais de Israel.

terça-feira, 15 de julho de 2014

5-A ORIGEM DO MAL - Ef 6.10 a 13

A ORIGEM DO MAL

Temos visto que, do ponto de vista do viver cristão, nada é mais prático do que o ensino destes versículos. Na Segunda Epístola aos Coríntios, capítulo 2, versículo 11, diz o apóstolo: “Não ignoramos os seus ardis”. Ele quer dizer que sabia algo sobre as ciladas do diabo, sobre o que ele procura fazer numa igreja e entre os cristãos. E, porque ele não ignorava os ardis do diabo, podia instruir, ensinar e ajudar o povo cristão. É o que ele está fazendo nesta última seção da Epístola aos Efésios. Outra razão prática para considerar este ensino é a recrude- scência do interesse pelo espiritismo e pelos fenômenos psíquicos. Sempre se vê isso depois de guerras e em tempos de inquietação, dificuldade e crise. Isso está ficando cada vez mais popular hoje em dia, e está penetrando sorrateiramente na vida da Igreja Cristã. Assim, é importante que compreendamos o ensino, que reconheçamos no espiri tismo o que ele é de fato, obra de demônios! Estou introduzindo o assunto desta maneira porque estou ciente do fato de que esta espécie de ensino é considerada estranha hoje, não só pelo mundo, mas até pela Igreja. A suprema tragédia e, ao mesmo tempo, o cúmulo da sutileza e da habilidade do diabo, é que ele se oculta com grande sucesso, ou se transforma num “anjo de luz”, de modo que muita gente não acredita mais na existência e ação do diabo, não tem a mínima consciência da sua existência. Na verdade, a maioria hoje acha que qualquer consideração que se faça sobre o diabo é mais ou menos uma piada e, com isso, naturalmente, essas pessoas se colocam numa situação muito grave. Note-se o que o apóstolo Pedro diz acerca dessas pessoas em sua segunda epístola, capítulo 2, começando no versículo 10. Ele está falando de certas pessoas que se extraviaram, “principalmente aqueles que segundo a came andam em concupiscências de imundícia, e desprezam as dominações; atrevidos, obstinados, não receando blasfemar das dignidades; enquanto os anjos, sendo maiores em força e poder, não pronunciam contra eles juízo blasfemo diante do Senhor. Mas estes, como animais irracionais, que seguem a natureza, feitos para serem presos e mortos, blasfemando do que não entendem, perecerão na sua corrupção.” Permitam-me reforçar isso com uma palavra da Epístola de Judas, para mostrar a gravidade deste assunto, e para que se veja que não existe nada mais monstruoso que brincarem as pessoas sobre o diabo e considerarem como tema para alegrar e fazer rir toda e qualquer palestra sobre o diabo e os espíritos malignos. Judas declara: “Contudo, também estes, semelhantemente adormecidos, contaminam a sua came, e rejeitam a dominação, e vituperam as dignidades. Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: o Senhor te repreenda. Estes porém dizem mal do que não sabem; e, naquilo que naturalmente conhecem, como animais irracionais se corrompem” (versículos 8-10). Deste modo se nos recorda que aqui estamos lidando, não somente com um assunto vitalmente importante, porém com um assunto que devemos manejar com muita cautela. Vimos que existem grandes poderes do mal em ação neste mundo. A questão que devemos considerar em seguida é: donde vêm estes poderes? Como vieram a existir? Ou, se dizemos que este poderes espirituais invisíveis são maus, qual é a origem do mal? Essa é uma grande e muito importante questão, do ponto de vista da nossa crença em Deus. Hoje muitos se dizem ateus; dizem que não crêem em Deus. Muitas vezes essa postura é fruto justamente desta questão — eles estão perturbados por este problema do mal e da origem do mal. Assim, é muito importante que, como cristãos, tenhamos algum entendimento desta questão, não só para a nossa paz mental, como também para podermos ajudar outros. Ou deixem-me expressá-lo de maneira inteiramente diversa. Muitas vezes acontece que, quando as pessoas chegam a compreender a ver dadeira natureza do mal, passam a crer em Deus. Há, por exemplo, o caso de um filósofo, que era bem conhecido e bastante popular há poucos anos, o finado Dr. Joad. Não vou expressar nenhum veredicto sobre as suas opiniões; vou simplesmente relatar que ele disse num livro que, tendo sido outrora um ateu, agora tinha passado a crer em Deus. Disse ele que o que o levara a essa crença foi a percepção, como resultado da Guerra Civil Espanhola, e depois, da Segunda Guerra Mundial, de que obviamente havia poderes espirituais do mal. Ele não conseguia explicar aqueles eventos em termos meramente humanos. Chegou a acreditar na categoria e na esfera do espírito e, finalmente, isso o levou a crer na existência de Deus. Quanto a nós, a nossa fé em Deus não será completa, se não entendermos isto. Portanto, somos compelidos a tomar conhecimento disto e a encará-lo. E, em acréscimo, como tenho dito, vocês nunca entenderão todo o curso da história do mundo, se não entenderem este ensino. Se não compreenderem o passado, não compreenderão o presente, e menos ainda poderão ter alguma real esperança quanto ao futuro. Consideremos o que a Bíblia nos diz acerca deste reino do mal.