quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Daniel 3.1-18 (Através da Bíblia)

Daniel 3.1-18
Olá amigo estamos iniciando mais um programa da série “Através da Bíblia”. É com renovada satisfação que iniciamos mais esse tempo em que dedicamos a nossa atenção para estudarmos com mais profundidade a Palavra de Deus. Em tempos de relativização da verdade e valorização dos sentimentos precisamos urgentemente de estudos que nos ajudem a fundamentar os objetivos da vida na Palavra de Deus. Quando reunimos um grupo de pessoas para ouvir um discurso religioso por vinte a trinta minutos é algo desafiador e, por isso, precisamos sempre fundamentar aquilo que dizemos nos princípios básicos da hermenêutica, a matéria que nos ajuda a interpretar adequadamente a Palavra de Deus. Necessitamos comunicá-la de forma clara a fim de que o texto se torne uma mensagem relevante, pois, é necessário que padronizemos o nosso viver conforme a vontade do Senhor. Embora, em muitos círculos modernos a pregação, o estudo bíblico e a exposição temática sejam vistas como uma metodologia em extinção é necessário renovarmos o compromisso de fidelidade com a exposição correta da Palavra de Deus. Nós que expomos a Palavra de Deus, necessitamos suplicar sempre a iluminação do Senhor para entendermos o texto bíblico e apresentá-los a vocês em toda a sua inteireza. Assim, quando usamos essa metodologia você que nos ouve encontrará as ferramentas necessárias para desenvolver adequadamente a sua vida cristã. O nosso compromisso é esse. Com Deus que nos tem chamado para essa tarefa. Mas, certamente, o nosso compromisso é com você que tem nos dado o privilégio da sua audiência. O retorno que vocês nos têm dado através das correspondências que chegam tem-nos feito continuar com alegria e firmeza na realização desse projeto. Registro hoje o e-mail que o Ramom nos enviou lá de Barreiras, no estado da Bahia. Essa foi a sua mensagem:

“Tenho sido edificado espiritualmente por intermédio desses estudos do Através da Bíblia; já o acompanhava na voz do pastor David Nunes e agora tenho o prazer de fazê-lo com o pastor Itamir Neves. Verdadeiramente, tenho tido momentos de regozijo espiritual, de aprendizagem confiável e de edificação de vida. Por isso agradeço a DEUS por Sua misericórdia e graça e oro pra que o Altíssimo sustente essa obra tão maravilhosa. Em Cristo Jesus.” Ramon Aragão - de Barreiras (BA)- email. Querido amigo, querido irmão. Obrigado por você compartilhar conosco o seu testemunho e demonstrando como Deus tem usado o nosso programa na sua edificação pessoal. Louvamos a Deus, pois só ele nos conduz à maturidade através do estudo sério e profundo da Sua Palavra. Certamente o Espírito Santo tem trabalhado em sua vida tornando-o mais semelhante a Jesus Cristo. Eu oro para que isso aconteça constantemente, em seu dia a dia. Que as pessoas que convivem com você possam ver a imagem de Cristo refletida no seu viver. Tenha certeza de que já colocamos o seu nome em nossas orações e também temos orado para que Deus dê a cada um dos nossos ouvintes essa possibilidade de mostrar a transformação que Cristo faz em nosso viver quando nos entregamos a ele. Agora quero convidá-lo exatamente para orarmos. Vamos orar, vamos orar por você, pelo programa de hoje, pedindo que Deus fale com cada um de nós e, vamos orar também por esse projeto pedindo que Deus nos dê forças para concluí-lo com êxito. “Pai querido, chegamos à tua presença no nome de Jesus Cristo. Por teu amor, graça e misericórdia te agradecemos. E, baseados na tua bondade colocamos os nossos pedidos diante do Senhor. Tu conheces a necessidade de cada um dos nossos ouvintes e, por isso, Senhor, te pedimos que o tu supras todas as suas necessidades. E, quanto a nós, pedimos que o senhor nos dê cada vez mais oportunidade de testemunharmos da transformação que Jesus faz em nossas vidas. Fale conosco hoje através da tua Palavra e conceda-nos o privilégio de levar esse projeto adiante, na tua força e dependência. Oramos, gratos, em nome de Jesus, Amém!
Querido amigo, hoje o nosso alvo é iniciarmos o estudo do capítulo três de Daniel. Vamos dividi-lo em duas porções e hoje estudaremos o trecho de Dn 3.1-18.
Neste primeiro texto encontramos uma das experiências mais marcantes da narrativa bíblica. Certamente aqueles que conhecem um pouco do conteúdo bíblico já ouviram alguma referência a essa experiência de fé e de compromisso com Deus.
Vamos viajar à planície babilônica que tinha o nome de DURA, conforme diz o texto bíblico. Essa planície ficava localizada dentro da província da Babilônia. Neste local o rei Nabucodonosor havia congregado todos os seus líderes, os governantes, os príncipes e oficiais do seu reino que era muito extenso...
Imagine o quadro: uma grande multidão de pessoas vestidas segundo os diferentes trajes de cada povo, falando muitas línguas diferentes, e todos haviam se reunido naquela planície com um único propósito: “Adorar ao ídolo que Nabucodonosor tinha mandado erigir”.
Nabucodonosor diz o texto, havia levantado uma enorme imagem de ouro de quase 30 metros de altura. Lemos no verso 1 que esta altura correspondia a 60 côvados. Um côvado corresponde a 44,4 cm. E isso vezes 60 dá 2.664cm, que divididos por 100, corresponde à 26,6 metros. Isto é: quase 30 metros de altura por 3 de largura. Você deve concordar comigo; era uma estátua muito grande, equivalente a altura de um prédio de 10 andares....
Todo os líderes que foram convocados e tinham chegado àquela planície, deveriam se curvar em adoração a esta enorme estátua de ouro, assim que a orquestra real começasse a tocar seus instrumentos. E a orientação era específica: Ou se curvassem à estátua ou morreriam queimados!!!
Mas surpreendentemente três judeus de nomes: Sadraque, Mesaque e Abede-Nego se recusaram a curvar-se diante do idolo do rei Nabucodonosor.
O capítulo primeiro, como vimos, nos informa que esses três homens foram trazidos presos de Jerusalém pelos caldeus e levados ao palácio. E nessa condição de exilados, longe de sua pátria, foi-lhes ensinada a língua dos caldeus e, junto com o profeta Daniel, foram nomeados líderes do governo. Eram homens de oração e de confiança, pois Daniel pedira a eles que orassem, que intercedessem por ele, para que revelasse o sonho e a interpretação do sonho que Nabucodonosor tinha tido (cf. 2.17-18).
E, naquele momento, em torno deles, homens das outras nações estavam se curvando à imagem de ouro, em obediência ao decreto do Rei. ... mas Sadraque, Mesaque e, Abede-Nego não obedeceram a determinação do rei!!!
Foi uma atitude corajosa, coerente com a decisão que tinham tomado anteriormente de não se contaminarem com os alimentos e bebidas reais (1.6-14), e, sobretudo foi uma atitude de fé, confiança e compromisso com Deus.
Mas, o que deve ficar bem claro para todos nós é que quando decidimos agir corretamente, quando decidimos honrar o nosso compromisso com Deus, quando agimos de modo diferente da maioria das pessoas, o ciúme, a inveja e a incompreensão nos atingem.
Sim! Quando tomara a decisão de não se curvarem diante daquele enorme ídolo, os líderes invejosos correram comunicar isso ao Rei. E ao ouvir essa notícia o rei se enfureceu. Seu pensamento entrou em ebulição: “Como é que membros do meu próprio governo ousavam se colocar em desobediência contra mim?” (3.14)
Querido amigo, temos que entender, temos que saber que naqueles dias não era novidade punir os rebeldes aos decretos reais, lançando-os à fornalha ardente. O profeta Jeremias também nos fala dos falsos profetas Zedequias e Acabe ... os quais o rei da Babilônia assou no fogo (Jr. 29:22).
Portanto, Nabucodonosor estava acostumado a ver corpos sendo lançados à fornalhas públicas, vendo o clarão instantâneo dos corpos em chamas e a sentir o cheiro de carne humana queimada. Certamente era uma punição extrema, não só morrer, mas morrer sofrendo. Os babilônios foram tão cruéis como os assírios com os povos que conquistavam e dominava.
Diante desse relato de desobediência o próprio Nabucodonosor, que tinha separado esses três jovens dando-lhes ocupação de grande responsabilidade no seu reino (1.19-20) foi até eles para que ouvisse dos seus lábios. E eles confirmaram mesmo. “Não vamos nos curvar diante dessa estátua, diante desse ídolo que vossa majestade mandou construir”.
Diante disso o rei, o imperador mundial, aquele a quem chamava de rei de reis, ficou com tamanha fúria, que ordenou a seus soldados que aquecessem a fornalha sete vezes mais quente que o habitual. E, a fornalha ficou tão quente, mas tão quente que o texto nos informa que os soldados que foram jogá-los na fornalha morreram pela altíssima temperatura da fornalha...
Com toda certeza estes hebreus: Sadraque, Mesaque e Abede-nego, não queriam morrer. Eram humanos como eu e você. E só um louco iria querer morrer assado pelo fogo! ...
Mas estes homens possuíam uma fé tamanha, e essa fé que fora colocada em seus corações pelo próprio Deus agora lhes dava ousadia e coragem para se manterem fiéis ao compromisso com Deus.
Eles disseram ao rei: “Ó rei nem precisamos pensar para lhe responder. Não nos curvaremos! O nosso Deus é capaz de nos livrar da fornalha. Mas, mesmo que Ele não nos livrar, nos não adoraremos esta imagem”.
Bom, o resto da história já conhecemos, mas a estudaremos no próximo programa...
Para esses versos o título que considero adequado é:
O compromisso com Deus
Dn 3.1-18
Introdução
Querido amigo quando estudamos mais profundamente essa passagem percebemos que ela nos traz uma mensagem. Esta mensagem é sobre como eu e você, todos nós, devemos trazer Deus para dentro das nossas crises!
Temos que perceber que Deus não entrou na crise daqueles homens para impressionar o aquele rei ímpio, pois ele já havia feito isto no capitulo anterior, quando Daniel interpretou o sonho de Nabucodonosor, e naquela ocasião Nabucodonosor havia declarado: Certamente o vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Senhor dos reis... (Dn 2:47). Entretanto ele tinha se esquecido disso rapidamente....
Deus não foi à fornalha para uma visita evangelística. Deus conhecia o coração do rei ímpio e sabia que milagres impressionam a mente dos incrédulos só por algum tempo!
Na verdade Deus entrou na crise daqueles homens com objetivos específicos: Para libertá-los, e para consolidar a fé deles. O Senhor da Glória se comprometeu com aqueles homens na hora da crise, .... até porque eles eram totalmente comprometido com o Senhor da Glória!
Por isso podemos dizer que, em resumo este texto afirma :
Somente experimentamos a libertação de Deus ao nos comprometermos com ele.
Nestes versos encontramos cinco expressões do compromisso com Deus.
A primeira expressão do compromisso com Deus se percebe nas circunstâncias a que somos submetidos, vs. 1-3
1. As circunstâncias podem nos fazer enfrentar grandiosos desafios, vs.1
2. As circunstâncias podem nos colocar sob as ordens dos que não temem a Deus, vs. 2
3. As circunstâncias podem nos tentar para agirmos como agem os demais, vs. 3
Nesses versos iniciais, encontramos a ordem do rei que afetaria a vida cotidiana de todos.
3:1, Freqüentemente consideramos as histórias da Bíblia como interessantes, porém não relevantes para nossa situação. Se pudermos imaginar que as personagens envolvidas foram pessoas como nós, com emoções e tentações semelhantes, somente então conseguiremos entender e perceber a sua relevância para os nossos dias. Esta é uma história tão necessária em nossa geração porque a fé desses homens foi extremamente desafiada, contudo eles tinham uma coragem inabalável. Eles tinham seus valores corretos; eles sabiam para que estavam vivendo e pelo que morreriam.
Sem esse tipo de visão não resistiremos à tentação.
O rei fez uma imagem de ouro e levantou-a na planície de Dura, que se acredita estar cerca de vinte quilômetros a sudoeste da Babilônia. Essa grande imagem mediria cerca de 2,70 x 27 metros. É incerto se a própria imagem era deste tamanho ou se estava colocada sobre um mastro dando as dimensões totais desta medida.
3:2-3, Nabucodonosor reuniu todo o povo importante de seu reino para que viessem à consagração dessa imagem. E todos deveriam comparecer, inclusive todos os judeus que já estavam no exílio. Portanto, também deveriam participar desse culto, dessa consagração Daniel e seus três amigos.
A segunda expressão do compromisso com Deus se percebe na ordem contrária às nossas convicções, vs. 4-7
1. As nossas convicções devem nos alertar para as ordens contrárias à retidão, vs. 4-5
2. As nossas convicções podem nos desafiar a ações impossíveis de praticar, vs. 6
3. As nossas convicções certamente nos farão tomar decisões definitivas, vs. 7
3:4-5, Quem resistiria a sua ordem? O próprio Nabucodonosor era um poderoso monarca e um general tremendamente bem sucedido, que nunca tinha perdido uma batalha. Ele reinou durante quarenta anos sobre a Babilônia, e sua astúcia e sagacidade são brilhantemente registradas pela história. Além disso, a importância dessa imagem foi mostrada pelo fato de ser feita de ouro (nada avarento quanto a esta honra ao seu deus). Agora ele buscava um reino unido para adorar este ídolo gigantesco, cada vez que se ouvisse o som da música.
2. A fornalha ardente, 3:6, Não somente a ordem do rei era irresistível em si, a ameaça de morte na fornalha ardente era intimidante. É, na verdade, duro argumentar com uma pessoa que pode nos por num fogo chamejante.
3. A pressão da multidão, 3:7, A pressão dos iguais é uma das maiores tentações. Se todos estão fazendo alguma coisa, poucas pessoas têm força para serem diferentes. A sociedade é um monstro. A moda é cruelmente coercitiva. Ela ordena: “Faze o que os outros fazem” (vestir, beber, falar, etc.).
E assim deve ter sido na Babilônia. Ao som da música as multidões se prostraram para adorar.
A terceira expressão do compromisso com Deus se percebe quando os adversários desejam o nosso mal, vs. 8-12
1. Os nossos adversários não perdem tempo em nos acusarem, vs. 8-10
2. Os nossos adversários forçam para que não escapemos dos seus ardis, vs. 11
3. Os nossos adversários nos acusam indevidamente diante das autoridades, vs.12
B. A fé deles é declarada, 3:8-15.
1. Certos caldeus levantaram acusação contra eles, 3.8-12.
3:8, Os caldeus mantinham uma posição proeminente na sociedade babilônia; assim, quando acusaram os judeus isso foi feito, sem dúvida, para parecer um serviço patriótico quando, na verdade, era instigado pelo ciúme e pela inveja.
3:9-12, Informaram o rei de que “certos judeus”, aos quais tinham sido dadas posições de importância no seu reino, não queriam curvar-se diante da imagem e que sua recusa em fazer isso tinha o efeito de desrespeitar o próprio rei e os seus deuses. Não nos é dito porque Daniel não foi acusado. Aparentemente, ele não estava com os outros, nesse tempo.
A quarta expressão do compromisso com Deus se percebe quando os poderosos desafiam a nossa fé, vs. 13-15
1. A nossa fé é desafiada quando enfrentamos a ira e a fúria dos poderosos, vs.13
2. A nossa fé é desafiada através das dúvidas que lançam sobre nós, vs. 14
3. A nossa fé é desafiada quando o poder de Deus é desmerecido pelos adversários, vs. 15
2. O rei se enraiveceu e não pôde acreditar, 3:13-15.
3:13-14, “É verdade?” o rei pergunta a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Pode ter sido inacreditável para o rei que alguém ousasse rejeitá-lo. Seguramente, ele pensou que estava
mal informado; ninguém ousaria discutir a palavra do rei ou desobedecer sua ordem.
3:15, O rei deu-lhes outra oportunidade para provarem sua lealdade. Além do mais, qual deus poderia livrá-los das mãos de Nabucodonosor?
A quinta expressão do compromisso com Deus se percebe quando aceitamos o desafio de confiarmos em Deus, vs. 16-18
1. O desafio de confiar em Deus é questão que só os justos compreendem, vs. 16
2. O desafio de confiar em Deus nos faz ser ousados diante dos poderosos, vs. 17
3. O desafio de confiar em Deus requer total fidelidade na adoração que lhe elevamos, vs. 18
Não precisamos responder-te, 3:16-18.
3:16, Estes judeus fiéis não precisavam de mais consideração ou discussão: Não precisamos dar-te resposta a respeito disto. Em outras palavras, Não temos que pensar mais sobre isso. Não nos curvaremos!
Muitos poderiam ter raciocinado sobre sua situação e mudado de opinião. Eles poderiam ter argumentado: 1) É inútil resistir; 2) Por que jogar fora oportunidades de subir de cargo? 3) O ídolo nada é, é apenas um símbolo de homenagem política e, isto acontecerá somente uma vez, e não por muito tempo; 4) Vocês poderiam ser mais úteis vivendo do que morrendo; 5) A morte numa fornalha ardente é pedir demais da minha fé.
3:17-18, A resposta deles declarava implicitamente sua fé no Deus Todo-Poderoso que poderia livrá-los de Nabucodonosor. E mesmo se ele não os tirasse do fogo, eles ainda se recusariam a adorar os deuses de Nabucodonosor ou a imagem de ouro.
Conclusão
Aplicações para os Dias de Hoje:
1. Dn 3.12, Como cristãos devemos estar preparados para enfrentar acusação do mundo. Movidos pela inveja e pelo ciúme o mundo nos atacará como atacou o nosso Senhor.
2. Dn 3:15-17, Deus defenderá seu povo durante os incêndios da tribulação (1 Pedro 1:7-9). Estes três hebreus estavam no meio de um conflito entre os deuses do paganismo e o verdadeiro Senhor do céu e da terra. Deus veio para salvá-los e libertá-los.
3. Dn. 3.18 Nós não adoraremos, nós não serviremos.... Devemos tomar coragem por este exemplo, sabendo que Deus vingará, hoje mesmo, seu povo que defende corajosamente sua verdade (1 Pedro 4:14-19; Lucas 9:26).
Que o Senhor te abençoe através desse exemplo.
Um abraço. Até o próximo programa.
© 2014 Através da Biblia

Daniel 2.24-49 (Através da Bíblia)

Daniel 2.24-49
Olá amigo, estamos iniciando mais um programa da série "Através da Bíblia". Quero saudá-lo em nome de Jesus. É com grande prazer que mais uma vez entro em contato com você com o objetivo de dedicar esse tempo para juntos estudarmos a Palavra de Deus. Desejo que o estudo de hoje sirva para a sua edificação e traga, além dos desafios do texto, as mais preciosas bênçãos divinas para a sua vida. Você que tem acompanhado o programa sabe que estamos estudando o livro das profecias de Daniel e essas profecias devem ser conhecidas por nós, pois revelam alguns dos acontecimentos que ainda ocorrerão no futuro. Por isso o meu convite é que você tenha a sua Bíblia aberta para concluirmos o estudo do capítulo dois. Você que nos acompanha sabe também que logo no início do programa registro as correspondências que vocês nos enviam. E hoje eu registro o e-mail que a Julia nos enviou de Curitiba. Foi essa a sua mensagem: “Meu nome é Júlia, e eu minha irmã Inês somos ouvinte da rádio BBN Internacional em Curitiba, e apreciamos muito o programa Através da Bíblia do Pr. Itamir Neves. Contudo, minha mãe tem muitas dúvidas quanto a obrigação de o cristão dizimar, segundo ela esse mandamento não é mais para os cristãos, ela concorda com a oferta, porém a quantia estipulada em dízimo era apenas para os judeus, sendo assim, na visão dela as igrejas estão erradas em "cobrar" o dizimo de seus membros. Pois bem, como ela gosta muito de suas exposições gostaria se possível, que me mandasse algum estudo sobre esse assunto para que ela pudesse ler, inclusive esse foi um pedido dela mesma.” Júlia Beatriz Rocha- Curitiba – PR – email.
Prezada irmã, somos gratos por suas palavras e por sua audiência junto com a Inês. Agradecemos as suas orações em nosso favor e agradecemos a Deus pelo seu interesse em estudar a Palavra. Como lhe respondi por e-mail temos que entender a partir do Novo Testamento, que a prática da contribuição financeira ganhou uma nova dimensão. Conforme Paulo demonstrou em 2Co 8, ao invés de ser algo obrigatório, as contribuições devem ser encaradas como um privilégio, como uma graça, uma dádiva que Deus nos dá a oportunidade de participarmos, e, por isso mesmo Deus ama aquele que dá com alegria. Espero que esses princípios possam fazer vocês perceberem que, também nessa área nos fomos libertos do jugo da Lei. Por isso, o cristão dos dias do Novo Testamento não dá somente o dízimo, mas dá além, como demonstração de reconhecimento de que tudo que ele tem é dado por Deus. Julia, que Deus te abençoe junto com a Ines e a sua mãe e que vocês sejam uma bênção entre os seus familiares e amigos nos mais diversos contextos. Agora, quero convidá-la e, a todos que nos sintonizam nesse momento a falarmos com o Senhor através da oração: "Pai querido, obrigado por tua preciosa graça. Diante da tua misericórdia nos enchemos de ousadia e penetramos na tua presença pelo precioso sangue de Cristo para buscarmos graça nesta ocasião. Pai te pedimos que a tua companhia seja experimentada por todos nós, nos mais diversos lugares onde estivermos, em todos os momentos. Abençoa essa querida família de Curitiba, e também te pedimos que nos ilumine nesse momento de estudo. Que a Tua palavra molde o nosso caráter. Oramos em nome de Jesus. Amém!".
Querido amigo hoje o nosso alvo é concluirmos o estudo do capítulo dois de Daniel. Estudaremos hoje Dn 2.24-49.
Neste texto encontramos uma narrativa que mostra claramente a soberania de Deus e o seu excelso poder quando comparado com o poder do ser humano, seja ele quem for; mesmo que seja um grande rei, um grande imperador.
No caso específico desse estudo, lembramos o poderoso Nabucodonosor teve um sonho ou um pesadelo e ficou completamente perturbado dando uma ordem ilógica em termos humanos. Ele queria que os sábios do seu reino adivinhassem o que ele tinha sonhado e, além disso, que lhe dessem a interpretação, isso é, revelassem o significado do sonho. Como os homens não têm o verdadeiro poder que saber o que se passa em outra mente humana, os sábios caldeus mostraram ao rei a impossibilidade de obedecerem a ordem real.
Daniel, o servo de Deus, capacitado por Deus, confiante em Deus, pediu a oportunidade de revelar não apenas a interpretação, mas também e principalmente o próprio sonho do rei.
Foi-lhe dada a oportunidade e, depois de orar e ser apoiado pelos seus amigos, Daniel foi até a presença de Nabucodonosor para lhe dar o relato do sonho e a sua interpretação.
A grande estátua que Nabucodonosor vira em seu sonho tinha um significado extremamente importante. Para ele, o grande imperador do maior império do mundo de então, o sonho era grave. Era um sonho em que ele, Nabucodonosor estava envolvido, mas era um sonho que revelava o futuro dos grandes reinos do mundo. Na interpretação do sonho ficou claro para o rei e para todos que, os reinos do mundo são passageiros e fugazes. Só existe um reino que durará eternamente.
É sobre esse tema que estudaremos, e o título para esta parte final do capítulo dois é:
O reino de Deus, verdadeiro e poderoso
Dn 2.24-49
Introdução
Muitas vezes ficamos sem entender claramente como Deus pode usar pessoas ímpias para estabelecer seu plano, para fazer concretizar as suas antigas promessas. Se olharmos para o relato bíblico, conforme nos relembra Gonçalves Júnior (2007, p.363) vamos achar os exemplos do faraó do Egito, que foi usado por Deus, na época de Moisés; vamos encontrar Deus usando Hirão, rei de Tiro, que foi usado nos dias dos reis Davi e Salomão quando da construção do Templo de Jerusalém; encontramos o próprio Nabucodonosor sendo usado por Deus e considerado como servo do Senhor (conf. Jr 25.9) e, encontramos Ciro, o imperador persa, que ainda não estava no poder, mas que seria um instrumento nas mãos de Deus, sendo considerado um pastor divino, pois encaminharia o povo de Deus de volta a terra prometida. Por que Deus usa essas pessoas, esses poderosos que não fazem parte do seu povo? E o que dizer dos grandes personagens históricos? O que dizer dos grandes descobridores, como Colombo, e Cabral; o que dizer de Hitler, de Churchill, de Golda Meir, de Kenneddy, de Getulio, de Juscelino, de Peron, enfim, por que Deus usa homens como Ronald Regam e Bill Clinton ou Barack Obama?
Mesmo sem entendermos, como também não entendeu Habacuque, que questionou esse método divino (Hc 1.5-17), temos que admitir que o Senhor usa a quem quer para que os seu planos se concretizem. E na concretização dos seu planos, nos é revelado, que embora tenhamos homens e reinos poderosos, só existe um reino com verdadeiro poder e que permanecerá eternamente, o reino de Deus.
Esse reino que é de Deus só é conhecido através da revelação do próprio Deus. E, assim, entendemos que, em resumo, esta é a proposta do texto:
Somente com a revelação de Deus conhecemos o verdadeiro reino de poder
Nestes versos encontramos cinco etapas da revelação do verdadeiro reino de poder
A 1ª etapa de revelação do Reino de Deus se dá a partir da coragem do servo de Deus, vs. 24-25
1. O servo de Deus por sua coragem tem condições de impor novas condições, vs. 24
2. O servo de Deus desafia o que era impossível aos homens, vs. 24
3. O servo de Deus por sua comunhão com Deus não teme enfrentar poderosos, vs.25-26
Nesses versos, Daniel persuadiu Arioque a não matar os sábios porque agora ele poderia satisfazer o pedido do rei. Daniel foi ousado e confiante. Mas a sua fé estava depositada no Senhor. Diante da tal segurança, Arioque levou Daniel rapidamente a Nabucodonosor.
Conforme o verso 26, o rei, demonstrado toda a sua fragilidade, mesmo sendo o mais poderoso rei no mundo, ansioso perguntou se era verdade que Daniel conseguiria revelar o sonho e decifrar o seu significado. O homem sem Deus não tem paz, fica perturbado e ansioso.
A 2ª etapa de revelação do Reino de Deus mostra quem tem o poder de mostrar o futuro, vs. 27-28
1. O futuro é revelado não pelo poder dos homens, vs. 27
2. O futuro é revelado por quem domina e conhece os mistérios, vs.28a
3. O futuro é revelado por quem conhece de antemão os últimos dias, vs. 28b
Nesses versos, Daniel reconheceu que nenhum homem, por si só, tinha capacidade para revelar segredos. Somente Deus no céu tem essa capacidade. Daniel falou ousadamente do Deus verdadeiro ao rei pagão e idólatra. A expressão “últimos dias” sempre se refere à era messiânica ou àqueles dias que precederam o período messiânico, quando o reino de Deus
seria estabelecido (veja Gênesis 49:1,9-10; Números 24:14,17; Isaías 2:2-3). É o mesmo período do qual Joel falou (2:28-32), citado por Pedro no Pentecostes e aplicado ao seu próprio tempo (Atos 2:17). O período dos “últimos dias” está em contraste com “os tempos passados” quando Deus ainda planejava as dispensações futuras na terra para o homem (veja Hebreus 1:1-2). Estamos agora vivendo nos “últimos dias” na terra porque, depois disto haverá julgamento e eternidade (1Coríntios 15:23-26).
A 3ª etapa de revelação do Reino de Deus descortina o que está encoberto para o homem, vs. 29-35
1. A revelação do que está encoberto alcança todas as cogitações da mente, vs. 29-30
2. A revelação do que está encoberto mostra todos os detalhes perturbadores, vs. 31-33
3. A revelação do que está encoberto mostra o poder a ser manifestado, vs. 34-35
Nos versos 29-30, Daniel afirma claramente que ele é apenas o instrumento através do qual Deus está dando a conhecer a história mesmo antes que ela ocorra.
Nos versos 31-33, Daniel revela o que o rei tinha visto no seu sonho, no seu pesadelo. Nabucodonosor tinha visto uma imagem brilhante e terrível composta de diferentes metais. A cabeça era de ouro; o peito, de prata; o abdômen de bronze; as pernas de ferro e os pés de ferro e argila. Era, realmente, uma figura estranha e impactante.
Daniel prosseguiu e nos versos 34-35, o profeta descreveu que uma pedra talhada sem o auxílio de mãos (de origem divina) feriu a imagem de modo que ela foi demolida. Então a pedra se tornou uma grande montanha que encheu toda a terra.
A primeira etapa do desafio a que Daniel mesmo se impôs estava vencida.
A 4ª etapa de revelação do Reino de Deus mostra o real significado do mistério encoberto, vs. 36-45
1. O real significado exalta as ações de Deus, vs. 36-38
2. O real significado mostra que o poder humano é transitório, vs. 39-43
3. O real significado demonstra que o verdadeiro poder é divino, eterno e vitorioso, vs. 44-45
Conforme os versos 36-38, Nabucodonosor ou, realmente, o reino de Babilônia, é representado pela cabeça de ouro. Este era um grande império, um domínio governando o mundo. Deus era a fonte do poder, força e glória deste reino (veja 2:21; 4:25). Deus é o soberano governante do universo (Jeremias 27:5-8). Se alguém questionar esta declaração, então que explique como Daniel pôde tão exatamente predizer a queda da Babilônia, bem como as sucessivas ascensões e quedas de outros três impérios mundiais? Além do mais, porque não houve outros impérios mundiais? Desde os dias do império romano (durante o qual o reino de Deus foi estabelecido, 2:44), não houve outro domínio imperante mundial.
O que é maravilhoso em todo esse relato é que a história foi contada antes dela acontecer.
No verso 39, Daniel continua sua interpretação. O peito e os braços de prata representavam o reino da Medo-Pérsia (veja 5:28; 8:20). Este seria sucedido pelo reino da Grécia (Macedônio) conduzido por Alexandre o Grande (veja 8:21). Ele não se estende sobre nenhum destes impérios mundiais. Esta não é uma lição de história, mas o objetivo é mostrar pela inspiração profética que Deus está no comando e que seu reino seria estabelecido. Todos estes reinos terrestres caíram por decreto divino.
A brevidade desta descrição é diferente do que qualquer homem teria escrito. A exatidão desta profecia é diferente do que qualquer homem poderia ter escrito. O poder da profecia cumprida confirma a inspiração das Escrituras e repele os esforços dos infiéis que negam a inspiração.
E, finalmente, nos versos 40-43 Daniel relata sobre um império que viria muito tempo depois, o império Romano. Sim, o quarto reino é o império romano, representado pelas pernas de ferro e os pés de ferro e de argila lodosa. Roma era forte, e o ferro era um símbolo apropriado (veja 7:7). Contudo, este reino era fraco dentro de si, o que é representado pela mistura de ferro com argila. Ainda que fosse capaz de conquistar o mundo, Roma jamais seria capaz de combinar o povo em um só. Roma teve muitas dificuldades em manter o império coeso e, finalmente, o império caiu tanto por causa das fraquezas de dentro como pelos exércitos de fora. É digno de se notar que em nenhum lugar os “dez” dedos foram especificados. Não há qualquer outra interpretação simbólica dos dedos que não seja a fraqueza do reino tendo ferro e argila misturados.
2:44, “Nos dias destes reis” (império romano), o reino de Deus seria estabelecido. Jesus confirmou esta profecia (Marcos 1:14-15; 9:1). Este reino é de origem divina e de duração eterna (Hebreus 12:28).
2:45, A pedra não era de origem humana, indicada pelo fato que era cortada sem mãos.
A igreja é o reino de Deus (Mateus 16:18-19). Ainda sendo Deus o soberano Senhor de todo
o mundo, ele tem um povo especial que se submeteu voluntariamente ao domínio de Jesus
Cristo (Colossenses 1:13-14; Apocalipse 1:5-6; 5:9-10; 12:5; 17:14; 19:15; 1 Pedro 3:22; Efésios 1:20-23). O reino de Deus é um reino espiritual (Lucas 17:20-21). O reino de Deus não permanece forte por causa de sua força física, mas por causa do uso da espada do Espírito (João 18:36; 2 Coríntios 10:3-5). O reino de Deus que foi estabelecido nos dias do império romano continua até agora. O evangelho tem sido pregado através do mundo, e onde quer que tenha ido obteve vitória ao voltar os corações dos pecadores para o domínio de Cristo. Os reinos dos homens têm vindo e ido. Mas desde os dias do império romano não tem havido nem haverá outro império mundial dominado pelos homens.
Todas as tentativas para fazer isso resultaram em nada. Mas o reino de Deus continuará na terra até a segunda vinda de Cristo, quando será entregue ao Pai (1 Coríntios 15:23-36).
Foi Jesus quem disse: “O tempo está cumprido” . . . (Marcos 1:14-15) Mas, isto aconteceu?.
A sua mensagem foi clara: o Reino virá com poder (Marcos 9:1). Foi Jesus quem anunciou:
O poder virá com o Espírito Santo (Atos 1:8) e, o Espírito Santo veio no Pentecostes (Atos 2:1-4), quando Cristo foi exaltado para sentar-se no trono de Davi (Atos 2:30, 33-36)
Durante os dias do Império Romano ao Senhor Jesus Cristo foi dado domínio, glória e um reino (Daniel 7:14; Efésios 1:20-23) Recebemos um reino imutável (Hebreus 12:29)
A 5ª etapa de revelação do Reino de Deus conduz todos a adorarem a Deus que conhece o futuro, vs. 46-49
1. A adoração a Deus provoca a humilhação dos poderosos, vs. 46
2. A adoração a Deus provoca a exaltação do servo de Deus, vs. 47-48
3. A adoração a Deus provoca o reconhecimento de outros servos de Deus, vs. 49
Diante dessa revelação do sonho e desta interpretação tão específica, Nabucodonosor, “engrandeceu a Daniel” no sentido que ele o honrou. Mais importante, ele honrou o Deus a quem Daniel representava. Contudo, os acontecimentos registrados no próximo capítulo mostram claramente que Nabucodonosor não renunciou aos modos pagãos nem se converteu completamente ao Senhor. Talvez ele fosse como muitos hoje em dia que sabem e reconhecem a verdade, mas nunca se submetem plenamente em obediência.
Daniel foi posto como chefe supervisor da província da Babilônia, conf os versos 48-49 e seus companheiros também receberam cargos oficiais no reino.
Conclusão
É possível aplicarmos essa passagem à nossa vida diária? Certamente! Como mencionou o Rev. Lopes ao citar Stuart Olyott (2005, p.48-49) temos pelo menos três lições a aprender e aplicar em nossas vidas:
1) A Palavra de Deus não falha. Ela cumpriu-se literalmente. Os impérios babilônico, persa, grego e romano passaram e o reino de Cristo surgiu sem qualquer ação humana e continua se expandindo até a sua volta. A Bíblia torna o homem sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus (2Tm 3.15), e, além disso, é por ela que somos consolados e mantemos a nossa esperança (Rm 15.4)
2) A História está nas mãos de Deus. Essa constatação é importantíssima para todos nós, pois assim podemos estar seguros e seguirmos com confiança sabendo que estamos vivendo uma história que tem inicio, meio e fim. Nada está fora do olhar e do cuidado de Deus. E, assim como a história das grandes nações e dos poderosos está nas mãos de Deus, certamente a sua história e a minha história também estão sob o controle de Deus. O convite é, pois, para descansarmos nas poderosas mãos de Deus, lançando sobre ele toda a nossa ansiedade, pois ele tem cuidado de nós (Fp 4.6-7; 1Pd 5.7)
3) O reino de Cristo triunfará. Os grandes impérios já caíram, os mais poderosos imperadores já se foram. Muitos poderosos surgirão, serão elevados e depois cairão. Lembrando que não há autoridade que não proceda de Deus, é correto entendermos que as nossas vidas, as nossas circunstâncias e as autoridades que estão sobre nós estão nas mãos de Deus. Podemos seguir confiantes e firmes porque pertencemos ao reino de Cristo, que por fim triunfará.
Querido amigo, espero que o Senhor mesmo te capacite a aplicar essas verdades em sua vida. Que você tenha e usufrua da paz que só Deus pode nos dar.
Um grande abraço e até o próximo programa.

© 2014 Através da Biblia

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Daniel 12.1-13 (Através da Bíblia)

Olá amigo é com grande prazer e satisfação que iniciamos mais um programa da série "Através da Bíblia". Somos gratos a você que tem nos acompanhado fielmente pela oportunidade que temos de passarmos esse tempo juntos estudando a Palavra de Deus. Hoje de modo específico nos alegramos, pois estudaremos o último capítulo do livro de Daniel. Agradecendo por essas maravilhosas lições e aplicações para as nossas vidas, já vamos nos preparando para os estudos registrados na carta aos Hebreus que iniciaremos dentre de dois programas. Teremos mais um programa para recapitularmos os aprendizados obtidos através das profecias de Daniel e logo a seguir já estaremos estudando os aspectos introdutórios do livro escrito aos hebreus. Nos sentimos privilegiados quando recebemos as correspondências que vocês nos enviam contando-nos suas experiências com Deus através do nosso programa. Por isso compartilhamos agora o e-mail de um irmão que é da cidade de Santa Quitéria, no estado do Paraná. Foram essas as suas palavras: “Sou o sou grato a Deus pelo programa e pelo empenho no estudo da palavra prestada aos ouvintes deste Brasil.Tenho uma pergunta: por que no livro de Ester não achamos a palavra Deus literalmente escrita? Será que Deus não teve tanta importância na historia daquele povo? Que Deus nos abençoe.” Gecione Lima - Santa Quiteria - CE - email.
Querido irmão, obrigado por suas palavras de apoio e consideração. Elas são um incentivo para nós e demonstram a comunhão em Cristo. Por outro lado, reconhecemos que a nossa responsabilidade aumenta, porque cada vez mais desejamos que os programas edifiquem a cada um de vocês. Quanto à sua questão, conforme lhe respondi pelo e-mail, uma explicação para a natureza “secular” do livro é que o seu autor judeu teria copiado a história, de um registro oficial persa que omitia o nome de Deus, pois os judeus estavam sob o domínio dos persas. O fato da palavra “Deus” não ser escrita não significa que Deus não estava sobre o controle da situação. Deus nunca se ausenta de nós. Deus nunca deixa o seu povo sozinho sem a sua presença. E, é exatamente por isso é que contamos com sua parceria, necessitamos da sua intercessão para que esse Deus que age, mesmo quando não percebemos, continue usando o programa para edificação de muitos amigos e irmãos. Gecione, continue também escrevendo para nos contar como o programa tem chegado até você e como ele tem servido para o seu desenvolvimento espiritual. Temos pedido a Deus que nos use sempre. E, é para isso que chamo a sua atenção nesse momento. Quero convidá-lo junto com todos os que nos dão o privilégio de sua audiência a elevar a Deus a nossa oração: "Pai de amor, somos gratos pela oportunidade que tu nos dás de abrirmos a sua palavra e juntos ouvirmos a sua voz. Senhor, desejamos e necessitamos da iluminação do teu Espírito para podermos compreender a Tua Palavra e capacitados por ele mesmo cumprirmos os teus mandamentos. Senhor obrigado porque tu nos ouves e respondes as nossas orações. Por isso oramos em nome de Jesus, Amém".
Querido amigo hoje temos como propósito estudarmos o último capítulo de Daniel. Vamos estudar o trecho de Dn 12.1-13. Nesse capítulo terminamos o estudo da última visão de Daniel relativa aos últimos dias, que abrange os capítulos 10-12.

O título que sugiro para esse capítulo final é:

Características dos dias finais

Texto bíblico: Dn 12.1-13

Introdução

Querido amigo a mensagem do livro de Daniel é importante e fundamental para o desenvolvimento de nossa relação com Deus. Entretanto, como temos notado ela vai além da nossa compreensão. A resposta que Daniel recebeu, ao perguntar sobre a data dos acontecimentos que lhe eram revelados, pode servir também a nós. Foi dito a Daniel: ... Vai, Daniel, porque estas palavras estão encerradas e seladas até ao tempo do fim (12.9). Essa resposta dada a Daniel deve ser bem entendida:

1) Para aquela ocasião aquelas palavras já estavam encerradas, significando que mais nenhuma revelação sobre o futuro seria transmitida.

2) Por outro lado, nos dias de hoje essas palavras podem ser investigadas por nós, e o estamos fazendo através desses estudos, mas, certamente o tempo da compreensão plena ainda não chegou e, por isso temos que estar atentos e sermos sóbrios para identificar as características dos dias finais, quando enfim a nossa história chegará ao seu fim, como o Senhor Deus tinha previsto.

O princípio que extraímos desses versos pode ser assim apresentado:

Todo ser humano deve estar preparado para identificar as características dos dias finais, pois estará diante de Deus.

Neste texto encontramos cinco características que nos ajudam a identificar os dias finais quando estaremos diante de Deus.

1. Os dias finais se caracterizarão pelo grande sofrimento e intensa alegria, vs. 1-3

1. Sofrimento e alegria descrevem o ambiente dos dias finais em que haverá salvação pelo poder de Deus, vs. 1

2. Sofrimento e alegria descrevem um tempo de ressurreição para a vida eterna ou para a morte eterna, vs. 2

3. Sofrimento e alegria descrevem o tempo em que os “ sábios” resplandecerão e brilharão eternamente, vs. 3

O verso 1, mostra que Miguel o defensor do povo de Deus estará presente naqueles dias finais, pois haverá um tempo muito difícil a ser enfrentado. Nos dias de Antíoco Epifânio isso ocorreu contra o povo judeu. Durante o domínio romano houve uma grande catástrofe, como nunca houve, desde que houve nação, quando da queda de Jerusalém e da destruição do templo. Jesus confirmou esta profecia quando ele falou sobre a destruição de Jerusalém em Mateus 24:15-21. E, os discípulos se livraram porque Jesus os tinha prevenido quanto aos sinais da destruição iminente. Ele ligou a destruição de Jerusalém com essa profecia de Daniel (Mateus 24:15; Lucas 21:20-22). Houve outra grande época de sofrimento nos dias do “Holocausto”, nos tempos de Hitler. E, se considerarmos como povo de Deus, os cristãos, certamente, na história da igreja houve tempos de grande angustia que se abateu sobre o povo de Deus.
Mas, os versos 2-3, apontam para a ressurreição final. É interessante notarmos que nesse verso 2 encontramos a primeira e inequívoca menção de uma ressurreição para os justos e para os injustos (veja também Jó 19.25-27; Sl 49.15; Is 25.8 e 26.19) No final da ressurreição, “todos” sairão dos túmulos (João 5:28-29). Além disso, isto é ligado com o versículo 10, pois “muitos” serão purificados, sendo contrastados com os ímpios que continuam a proceder impiamente. O verso 3 nos dá conta que esses “sábios” são aqueles que aceitaram Cristo (João 5:25), permaneceram fiéis e resplandecerão como fulgor e pelo seu empenho evangelístico brilharão como estrelas herdando definitivamente a vida eterna.
Você ressuscitará para quê? Para condenação ou para a salvação? Para a morte eterna ou para a vida eterna?

2. Os dias finais se caracterizarão por serem definitivos e inquietantes, vs. 4

1. A definição e a inquietude serão provocados pela ordem de autenticar e preservar o conteúdo intacto,

2. A definição e a inquietude serão provocados pela impossibilidade de se conhecer maiores detalhes,

3. A definição e a inquietude serão provocados pelos conhecimentos adquiridos, porém o verdadeiro saber está com Deus.

É importante meditarmos nessas palavras. Vemos aqui que o anjo revelou a Daniel que a mensagem não era para sua época, mas sim, para os tempos do fim. E nos tempos em que vivemos, já se reflete também no “Israel espiritual” de Deus, o aumento do conhecimento profético. Grandes reuniões são hoje realizadas em torno do estudo da Palavra de Deus. Literaturas de ensinos bíblicos, e traduções da Bíblia são hoje espalhadas pelo mundo inteiro. A Bíblia se encontra hoje traduzida para quase todos os povos da terra, e chegará a curto prazo a ser traduzida para absolutamente todas as línguas, para que todos os povos possam receber o conhecimento da profecia. “Quem são estes que vêm voando como nuvens e como pombas ao seu pombal?” (Is 60.8).
Ainda nesse verso 4, contatamos que Daniel, quando escreveu essa profecia, recebeu ordem a seguinte ordem: ... encerra as palavras e sela o livro ... isto é, recebeu ordem para selar, para fechar, ocultar, e selar o livro ... até o tempo do fim... Por outro lado, João, ao escrever o Apocalipse, recebeu ordem contrária: Não seles as palavras da profecia deste livro, porque o tempo está próximo (Ap 22.10).
Assim, tanto o conhecimento científico como o conhecimento da Palavra de Deus, têm aumentado muitíssimo e vai aumentar muito mais ainda, esboçando o cumprimento da profecia de Isaías e Habacuque que diz: ... Pois a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar... (Is 11.9; Habacuque 2.14).
Mas, nesse verso lemos também que ... o saber multiplicará ..., ou, o conhecimento se multiplicará. Vamos pensar um pouco sobre essa frase diante dos avanços nos nossos dias.
Deus reservou para o século em que vivemos uma verdadeira sobrecarga de informação. Os avanços científicos e tecnológicos nesta última geração têm aumentado de maneira quase infinita. A cada minuto hoje, são acrescentadas milhares de páginas ao conhecimento científico e humano, tornando praticamente impossível uma pessoa conseguir pelo menos ler todo o material produzido a cada dia.
A manipulação genética tornou possível o nascimento de cerca de 75.000 crianças, através de inseminação artificial. E os cientistas avançam mais, como desafiando a Deus na criação da vida, através da clonagem, sendo que a primeira clonagem humana é apenas questão de tempo, mesmo apesar das medidas proibitivas.
Além da genética, os transgênicos, clonagem, usadas nas áreas biológicas, as células tronco são o grande assunto do momento. O ser humano passou a dominar tecnologicamente praticamente todas as áreas. Hoje é possível se fazer uma cirurgia da criança ainda no útero materno.
A palavra precocidade se tornou o termo favorito para os produtores de gado bovino, suínos, ovinos, bem como na produção das aves para a alimentação.
Na comunicação, só pela Internet, por exemplo, são centenas de milhões de páginas de textos enviadas a cada vinte e quatro horas.
Hoje temos mais de mais de 13 mil satélites que giram ao redor da Terra subdivididos em satélites militares, os científicos, navegação e os de comunicações. O que é GPS? O Sistema de Posicionamento Global (GPS) é um sistema de navegação via satélite, composto de uma rede de 24 satélites colocados em órbita pelo Departamento de Defesa americano. GPS funciona em qualquer das condições meteorológicas, em qualquer lugar do mundo, 24 horas por dia, e você não paga pelo serviço.
Um evento de magnitude pode ser transmitido simultaneamente a todo o planeta em tempo real e você acompanhar o tal evento até mesmo do seu celular. Através da internet, exatamente agora estou sendo ouvido nos mais diversos pontos do nosso grande país e se alguém em qualquer pais do mundo estiver plugado na internet está me ouvindo exatamente agora.
Querido amigo, estes avanços da ciência e tecnologia, como o aumento do conhecimento da Palavra Profética em nossos dias, constituem sinais indicadores de que tudo está caminhando para o cumprimento total da profecia.

3. Os dias finais se caracterizarão por ser um momento de solenidade e perplexidade pelos acontecimentos, vs. 5-8

1. A solenidade e a perplexidade foi confirmada pela presença dos seres celestes, vs. 5-6

2. A solenidade e a perplexidade se deu pela revelação do tempo determinado, vs. 7

3. A solenidade e a perplexidade se deu pela permissão divina do sofrimento do povo, vs.8

Nesses versos percebemos que temos mais dois anjos junto àquele primeiro, registrado no início da visão (cf. 10.4). O ambiente é solene e, conforme o verso 6, um dos dois anjos perguntou: Quanto tempo levaria até que estas maravilhas acontecessem? Oito vezes nestes capítulos “o fim” (referindo a um tempo indicado) foi mencionado (11:27, 35, 40; 12:4, 6, 8-9, 13).

Será que isto se refere a:

1) ao fim do sistema judaico;

2) ao fim do império romano, que marcou o fim dos reinos mundiais pagãos, ou será que se refere

3) ao final do mundo?

No verso 7, o mensageiro vestido de linho identificou que seria “quando se acabar a destruição do poder do povo santo, significando que quando todos pensarem e pressuporem a derrota definitiva do povo de Deus, haverá uma brusca mudança.
A referência a “tempo, dois tempos e metade de um tempo” também foi usada em Daniel 7:25 e parece claramente paralela ao período descrito em Apocalipse 12:4 (cf. Apocalipse 11:4; 12:6; 11:2; 13:5). No Apocalipse tinha sido dado poder ao maior inimigo do povo de Deus para que perseguisse o povo durante este período. Contudo, chegaria a hora quando ele cairia, enquanto o reino de Deus continuaria. A contagem de um tempo, dois tempos e a metade de um tempo, era algo que pertencia só a Deus, porém para o povo há uma esperança. O povo de Deus pode ter sido espalhado e perseguido, pode ter sofrido as mais duras provas e tribulações, mas não foi e não será destruído.

4. Os dias finais se caracterizarão pelo término da história terrena, vs. 9-12

1. O término da história terrena já está escrito e selado para o tempo do fim, vs. 9

2. O término da história terrena será um tempo de purificação dos fiéis, vs. 10

3. O término da história terrana será um tempo enigmático só conhecido por Deus, vs. 11-12
Aqui temos o relato do triunfo final.

No verso 9, Daniel não entendeu a resposta dada, mas foi-lhe dito: Vai, Daniel, porque estas palavras estão encerradas e seladas até ao tempo do fim. Este tempo provavelmente se refere ao tempo quando o inimigo do povo santo caísse, pois em Apocalipse 10:7, quando a sétima trombeta soou, foi dito: “cumprir-se-á, então, o mistério de Deus, segundo ele anunciou aos seus servos, os profetas”.
Os reinos mundiais pagãos não atingirão uma estabilidade duradoura. Somente o reino de Deus é um reino indestrutível (Daniel 2:44; 7:13; 7:25-27; Hebreus 12:28).
No verso 10, ainda que os ímpios continuem na impiedade, os justos serão capazes de perseverar, porque têm entendimento de que Deus verdadeiramente domina nos reinos dos homens e, enfim, os justos serão vitoriosos (Apocalipse 13:9-10,18; 14:12-13).
No verso 11, o significado destes números não é determinado facilmente. Talvez os 1.290 dias sejam o período entre dois eventos significativos que esmagaram o sistema judaico de adoração. O tempo em que o “sacrifício diário” foi afastado é o tempo mencionado em Daniel 11:31 e Daniel 8:11, quando Antíoco Epifânio profanou o templo. Esta foi a primeira “abominação” posta. Mas houve uma segunda vez, e Jesus a identifica claramente com a destruição do templo, quando Jerusalém foi destruída em 70 d.C. (veja Mateus 24:15; Lucas 21:20-22; Daniel 9:26-27). Como considerar esses dias referindo-se ao tempo final? Por que esses mil e tantos dias são usados para descrever o tempo entre grandes eventos? Nenhuma resposta definitiva pode ser dada. O estilo apocalíptico de números é muito mais simbólico do que literal, e, por isso, certamente, se refira a um período indefinido, mas um período que somente Deus sabia e sobre o qual só ele tem o comando. Será que podemos descansar em Deus?
No verso 12, temos uma bênção para aquele que chega aos 1335 dias. De novo, somos deixados somente a especular quanto ao significado. Não sabemos e nem devemos tentar adivinhar esses detalhes para não cairmos no erro de estabelecermos certas verdades, que depois se mostrarão erradas! O que precisamos saber é que os impérios mundiais pagãos terminarão e, somente o reino de Deus, universal por natureza permanecerá (Daniel 2:44-45).

5. Os dias finais se caracterizarão pela herança que os fiéis receberão, vs. 13

1. A recompensa dos fiéis será dada a todos que perseverarem até o fim,

2. A recompensa dos fiéis será dada como um descanso por quem passou pela tribulação,

3. A recompensa dos fiéis será dada na forma de herança difinitiva.

Este verso 13, mostra que estas coisas seriam cumpridas num futuro distante, mas Daniel ficaria confirmado como um profeta verdadeiro. Você participará desse descanso? Você receberá a herança celeste como recompensa? Você tem perseverado e ficará firme até o fim?

Conclusão

Ao encerrar este estudo façamos três observações:

1) Conforme o verso 3, um grande galardão espera aqueles que conduzem outros à justiça. Você tem desenvolvido esta atividade?

2) Conforme o verso 10, quando associamos o seu conteúdo a 1Coríntios 2.14, fica claro que o homem natural, aquele que ainda não tem Cristo não consegue entender as verdades de Deus. Querido amigo, não está na hora de você se entregar, recebendo Jesus como Senhor e Salvador de sua vida?

3) Conforme novamente o verso 10, fica subentendido que a tribulação trará purificação e santificação do caráter dos fiéis. Será que precisamos esperar até lá para sermos purificados? Espero que sua vida seja correta e aprovada por Deus.

Um abraço. Até o próximo programa
© 2014 Através da Biblia

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Atráves da Bíblia - Sinais da vinda de Cristo



Sinais da vinda de Cristo

14Querido amigo, estamos iniciando mais um programa da série "Através da Bíblia". É com grande alegria que chegamos a esse momento especial em que podemos reservar alguns minutos durante o dia para estudarmos a Palavra de Deus. Você que tem nos acompanhado sabe que o objetivo de estudarmos a Bíblia Sagrada com profundidade é aplicá-la em nossas vidas adequando o nosso viver à vontade de Deus. Somos gratos a Deus pelo privilégio de podermos conhecer mais a sua vontade, que é boa, agradável e perfeita. Por isso quero incentivá-lo a ter em suas mãos a Bíblia aberta para estudarmos os versos iniciais do capítulo 2 da 2ª carta aos tessalonicenses onde o apóstolo Paulo pontua de modo claro alguns eventos que ocorrerão antes da segunda vinda de Cristo. Certamente teremos lições a acrescentar às nossas vidas. Aproveito a oportunidade para agradecer aqueles que têm compartilhado sobre o programa e sobre as suas vidas pessoais e ministeriais. É através das correspondências de vocês que ficamos sabendo do valor do programa. Hoje, registro a carta que o FASS, que está em Martinópolis, no estado de São Paulo nos enviou com essas palavras: “Queria parabenizar o trabalho que vocês da Rádio Trans Mundial vem fazendo aqui no cárcere. Pois tenho sido ajudado bastante a passar por tudo isso que aconteceu comigo. Aqui vou aos cultos, oro dia e noite e recentemente senti o poder do Espírito Santo em minha vida, senti lágrimas descer no meu rosto, mas estava radiante, feliz. Muitos zombam de mim dizendo: “deixe esse Deus, você já está condenado mesmo e esse Deus não vai tirar você da prisão”. Mas eu não deixo meu Deus por nada, Ele me tirou das trevas e me deu vida nova e também a salvação”. Querido amigo, muito obrigado por suas palavras. Muito obrigado pelo seu testemunho! Continue firme com Deus, pois ele nunca nos decepciona. Quero cumprimentá-lo pela disciplina de reservar diariamente um tempo para o estudo da Palavra de Deus. Obrigado também pelo seu ministério ai e, pela indicação que tem feito do programa para os seus companheiros. Oramos para que mais amigos aumentem a rede daqueles que amam estudar a Palavra de Deus. Que o Senhor possa te conduzir sempre no poder do Espírito Santo. E, agora convido-o a orar a Deus colocando este programa nas mãos do Senhor e pedindo a ele as suas bênçãos específicas para que você suporte com perseverança esse tempo de sua vida: "Pai de amor, obrigado por podermos abrir a Tua Palavra e ouvirmos a Tua voz. Senhor que a prática de estudarmos a Bíblia possa atrair muitos amigos para que possam desfrutar dessa comunhão contigo. Oriente-nos no estudo de hoje. Que haja edificação e glória ao teu nome. Pai tu conheces a situação de cada um dos nossos ouvintes. Tu conheces o que eles necessitam com urgência. Atenda-os conforme a tua vontade e derrama as tuas mais preciosas bênção para o teu filho FASS, dando-lhe firmeza e esperança. Oramos em nome de Jesus, Amém!".

Querido amigo hoje vamos estudar os seis primeiros versos do segundo capítulo da segunda carta de Paulo aos tessalonicenses. Neste texto encontramos mais algumas orientações sobre a volta de Cristo, e os sinais que nos possibilitam vislumbrar aquele grande e glorioso dia. Para tratarmos desse assunto é necessário fazermos algumas considerações:

Entre tantas doutrinas sobre a volta de Cristo, isto é, se teremos ou não milênio, se teremos duas ou três ressurreições ou se passaremos ou não pela tribulação, em que as opiniões são as mais diferentes possíveis; existem pelo menos duas doutrinas escatológicas onde há concordância geral entre todos os teólogos. Em primeiro lugar, todos concordam com a doutrina que afirma que todos homens morrerão; e, em segundo lugar, todos concordam e confirmam doutrina a segunda vinda de Cristo.

Na verdade, temos que admitir que a segunda vinda de Cristo é a base da esperança cristã, o evento que marcará o início da complementação do plano salvífico de Deus e diante dessa verdade, todos concordam.

Na noite de quinta-feira, antes de se entregar por nós, sobre a sua volta, o próprio Senhor Jesus declarou durante a ceia, com os discípulos: E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também (Jo 14.3).

Além de ser uma das doutrinas ensinadas de modo amplo por todo o Novo Testamento, o ensino referente à segunda vinda traz consigo a expectativa messiânica, que era presente entre os judeus dos tempos de Jesus, e de todos os que conhecem as Escrituras do Antigo Testamento. A esperança messiânica era o desejo, era a expectativa de que com a presença do Messias, um novo tempo, de paz, de segurança, de bênçãos e de justiça seria inaugurado. Esse novo tempo traria uma condenação aos injustos e a concretização das promessas aos que foram justificados pela fé. Entretanto, como já mencionamos, ao tratarmos da segunda vinda de Cristo temos que considerar a indefinição do tempo do evento.

Embora haja clareza na afirmação de que Jesus voltará, o tempo em que isso acontecerá não é claro. Deus estabeleceu e definiu este tempo apenas para ele, e esse plano não foi revelado a nós. Enquanto os judeus ainda esperam a presença do Messias pela primeira vez, nós, os cristãos, cremos que o Messias já veio pela primeira vez e o aguardamos em sua segunda aparição. É uma ocasião incerta! O próprio Jesus, quando estava entre nós disse que nem ele nem os anjos sabiam o tempo da sua vinda (Mc 13.32-33, 35).

Pelo fato de que o tempo da vinda de Jesus não ter sido revelada podemos entender a insistência com que Jesus destacando o caráter inesperado da sua vinda, insistisse também na necessidade de vigilância por parte daqueles que o aguardam (Mc 13.35; Mt 24.44, 50; 25.13).

Outro aspecto que merece tratarmos como introdução ao nosso texto de hoje refere-se ao caráter da segunda vinda. E, sobre esse aspecto vale apenas enumerarmos o que os autores do Novo Testamento registraram sobre esse importante tema:

1 – A vinda de Cristo será pessoal, isto é, o retorno de Jesus será tão pessoal em sua natureza, quanto foi a sua partida (1Ts 4.16).

2 – A vinda de Cristo será física, isto é, embora seja verdade que o significado básico de “parousia” seja “presença”, a palavra também significa “vinda” e é esse o significado mais proeminente no NT (At 1.11).

3 – A vinda de Cristo será visível, isto é, Jesus voltará em seu corpo glorificado, plenamente visível e identificável (Mt 24.30), e não como afirmaram os Testemunhas-de-Jeová, que explicaram que Jesus já voltou em outubro de 1914, mas por não possuir um corpo visível, não foi percebido e identificado.

4 – A vinda de Cristo será inesperada, isto é, embora seja precedida de vários sinais (grande tribulação, aparecimento do homem da iniqüidade, escurecimento do Sol, e outros sinais de Mt 24), esses sinais não indicarão o tempo exato da sua segunda vinda. Será como um relâmpago (Mt 24.27, 36).

5 – A vinda de Cristo será triunfante, isto é, contrastando com a primeira vinda, quando ele veio em humildade e simplicidade, quando não tinha onde reclinar a cabeça, na sua segunda vinda, Cristo se assentará no seu trono glorioso e julgará todas as nações (Mt 25.31-46).

6 – A vinda de Cristo será gloriosa, isto é, contrastando com a primeira vinda, quando Jesus foi coroado com espinhos e crucificado seminu, ele virá nas nuvens, com grande poder e glória (Mt 24.30, Mc 13.26, Lc 21.27), acompanhado por anjos e anunciado pelo arcanjo (1 Ts 4.16). Cristo virá na sua segunda vinda vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome se chama o Verbo de Deus ... e tem no seu manto e na sua coxa um nome inscrito: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES (Ap 19.13, 16).

7 – A vinda de Cristo será única, isto é, ocorrerá uma só vez, uma única vez, embora alguns estudiosos argumentem que nesta segunda vinda, Cristo, virá em duas etapas: 1) no arrebatamento, a vinda para os santos, e; 2) na revelação, a vinda com os santos, vindas essas separadas pela grande tribulação.

Querido amigo, diante dessas colocações e diante do conteúdo desses seis primeiros versos do capítulo dois, só podemos dar o seguinte título a esta reflexão:

Sinais da vinda de Cristo

2Ts 2.1-6

Introdução

Tendo em vista a vinda de Cristo, Paulo preocupava-se com os tessalonicenses para que não fossem enganados e nem vivessem abaixo do padrão que Deus queria que vivessem. Sabendo que estamos mais pertos dos dias finais, do encontro com o Senhor, essa mesma preocupação, esse mesmo cuidado temos que ter ainda hoje. Temos que discernir o tempo e atentar para os sinais da vinda de Cristo. A vigilância é um dos requisitos da vida cristã madura. E, assim, por isso podemos resumir esses versos, com essa síntese que é o princípio a nos desafiar:

Todo cristão maduro deve estar atento às recomendações que indicam os sinais da vinda de Cristo.

Neste texto encontramos cinco recomendações relativas aos sinais que indicam a vinda de Cristo.

A 1ª recomendação relativa aos sinais da vinda de Cristo é manter firme o que foi ensinado, 1-2

2.1 Agora, irmãos, a respeito da vinda de Jesus Cristo, o nosso Senhor, e do nosso encontro com ele, pedimos a vocês o seguinte: 2 Não se perturbem facilmente, nem fiquem assustados se alguém afirmar que o Dia do Senhor já chegou. Talvez alguém diga que nós tenhamos afirmado isso enquanto profetizávamos ou anunciávamos o evangelho ou que escrevemos isso em alguma carta.

Em Tessalônica, tinha ocorrido algum mal entendido em relação a doutrina da volta do Senhor Jesus Cristo. Como vimos no estudo da primeira carta, também havia dúvidas em relação a situação dos cristãos que já tinham morrido, antes da volta de Cristo. Nessa confusão doutrinária, alguém entendeu que o Senhor Jesus já tinha vindo, e, se isso tivesse ocorrido, porque a igreja ainda estava aqui? Jesus em sua segunda vinda não tinha por objetivo levar os seus salvos para estarem com ele eternamente? Porque razão ainda estavam aqui enfrentando tribulações e passando por aflições em nome de Jesus? Essa era uma questão que merecia esclarecimento e por isso Paulo interveio mais uma vez. Jesus não tinha voltado e os tessalonicenses não deveriam ser enganados. Paulo nunca tinha ensinado tal absurdo para eles. Firmar-se na doutrina é uma responsabilidade de todos nós que amamos a Deus. Assim como os bereanos (At 17.10) deveriam os tessalonicenses conferir nas Escrituras essas estranhas doutrinas que lhes tiravam a paz. Assim como os bereanos nós devemos sempre nos firmarmos na sã doutrina.

A 2ª recomendação relativa aos sinais da vinda de Cristo é reconhecê-los sem ser enganados, vs. 3

3 Não deixem que ninguém os engane com nada disso. Pois, antes desse dia, terá de acontecer a Revolta contra Deus, e terá de aparecer o Perverso, que está condenado a ir para o inferno.

Uma das dificuldades dos tessalonicenses, que lhes tiravam a paz e traziam insegurança a vários membros da comunidade foi a notícia de que Jesus já tinha voltado. Paulo reage com firmeza pedindo que ficassem atentos para não serem enganados, não serem perturbados, não serem abalados com essa doutrina que parecia um vento impetuoso a ameaçar a fé tessalonicense. Essa argumentação de Paulo se deu em razão de que antes da volta de Cristo alguns sinais evidentes deveriam ocorrer e, neste verso, especificamente Paulo ensina pelo menos três lições: 1) É errado marcarmos a data da volta de Cristo, pois esse é um assunto exclusivo do Pai, pois nem mesmo Jesus, quando encarnado sabia desse detalhe. 2) Necessitamos estar firmados nas doutrinas que vêm da Palavra de Deus. Só é enganado quem não conhece e não quer conhecer a verdade. A maioria de nós pode estudar a Bíblia e saber se o ensino que esta ouvindo é verdadeiro ou não. 3) Assim como não devemos marcar a data da volta de Cristo, não devemos ficar indiferentes a esse assunto tão importante. Temos que saber e prestar atenção aos sinais que antecederão a volta do Senhor. Paulo declarou que deveriam prestar atenção em dois sinais: 1) Haveria primeiramente a apostasia e na seqüência, a manifestação, a revelação do filho da iniqüidade.

Querido amigo, você tem estudado sobre escatologia? Acha esse tema muito difícil? Você tem lido a Bíblia para conhecer o que ela diz a respeito do tema? Esse é um desafio para todos nós: estudar muito mais do que temos estudado!

A 3ª recomendação relativa aos sinais da vinda de Cristo é identificar o impostor, vs. 4

4 Ele será contra tudo o que as pessoas adoram e contra tudo o que elas acham que é divino. Ele vai se colocar acima de todos e até mesmo vai entrar e sentar-se no Templo de Deus e afirmar que é Deus!

O surgimento do filho da iniqüidade acontecerá em meio ao evento da apostasia. Mas o que é apostasia? O próprio Senhor Jesus Cristo parece que a definiu: Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros; levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. E por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos ... (Mt 24.10-12). Pelo que entendemos por esse verso essa apostasia é a negação de tudo o que se acreditava até aquela ocasião. Conforme Marschall (2006, p. 223) essa é uma palavra grega que descrevia uma revolta política ou militar e foi usada na Septuaginta, versão grega do Antigo Testamento com o significado de uma rebelião contra Deus (Js 22.22; 2Cr 22.19; 33.10; Jr 2.19). Mas essa apostasia a que se refere o apóstolo Paulo será um tempo especifico em que os homens, além de abandonarem e se rebelarem contra Deus, farão uma agressiva e ativa oposição contra Deus e os seus. Conforme Hendriksen (1998, p.251) apostasia não significa que os genuinamente salvos, os escolhidos, “cairão da graça”. Conforme cremos, os eleitos para a salvação permanecerão firmes (2.13-14). Portanto, para Paulo, os tessalonicenses, seguros desse fato, juntamente com os demais crentes fiéis, ao invés de serem enganados por falsas doutrinas, deveriam ter condições de identificar esse filho da iniqüidade, esse filho da perdição, esse anticristo, esse impostor que se assentará no santuário de Deus, dando a entender que é o próprio Deus. Essa identificação e essas características vamos estudar no próximo programa. Querido amigo você tem se preparado para esse encontro com Jesus? Essa é a sua responsabilidade!

A 4ª recomendação relativa aos sinais da vinda de Cristo é recordar tudo o que já foi ensinado, vs. 5

5 Por acaso vocês não lembram que eu lhes disse tudo isso quando estava com vocês?

Conforme Hendriksen (1998, p.265) parece que Paulo estava advertindo os tessalonicenses com estas palavras: Se apenas vocês tivessem refletido mais apurada e mais seriamente sobre o que eu ensinei para vocês, enquanto estava ai, certamente vocês não teriam ficado tão confusos em relação a esse assunto. E o que deve ser destacado, o que se percebe nesse verso é a atitude do apóstolo ensinar e novamente ensinar determinados assuntos que eram mais difíceis de se entender. Paulo mostra que ele “costumava lhes dizer” e não simplesmente: “eu lhes disse”. Essa afirmação, além de mostrar o amor e o cuidado de Paulo com os novos convertidos, mostra também que assuntos como a apostasia, o homem do pecado, a vinda de Cristo e o arrebatamento da igreja tinham sido debatidos em muitas ocasiões. No intuito de ensinar Paulo repetia por vezes a doutrina cristã. E no intuito de aprender, certamente, os tessalonicenses perguntaram e pediram esclarecimento muitas vezes. Querido amigo, você tem se interessado em aprender a profundidade dos ensinos bíblicos? Tem ido atrás das respostas às suas questões? Essa é a maneira de um cristão maduro proceder!

A 5ª recomendação relativa aos sinais da vinda de Cristo é saber o que detém a manifestação do Impostor, vs. 6

6 E vocês sabem também que existe alguma coisa que não deixa que isso aconteça agora; porém, no tempo certo, o Perverso aparecerá.

No final desse parágrafo encontramos o grande desafio do texto. O que (algo), ou, quem (alguém) tem impedido a manifestação desse anticristo escatológico? Temos tido várias interpretações como por exemplo: era o próprio apóstolo Paulo estaria detendo esse anticristo com suas pregações e viagens missionárias; ou o Espírito Santo que presente no mundo, na vida da igreja impedia a sua manifestação; ou o império romano na pessoa dos seus imperadores que exigiam a obediência às leis; enfim, não faltam sugestões para se saber quem ou o que detém o aparecimento, a revelação do anticristo escatológico. Conforme Hendriksen (1998, p. 265-271) há também a possibilidade de ser o próprio Satanás. Visto que Satanás não pode se encarnar, ele aguarda o surgimento de uma pessoa sobre a qual ele tenha completo e total domínio para então fazê-la manifesta com os seus desejos impuros e impostores de tomar o lugar de Deus e ser adorado como Deus. Por enquanto, o máximo que Satanás podia e pode fazer é promover o espírito de iniqüidade, por isso, conforme João, o mundo jaz no maligno (1Jo 5.19).

Conforme as palavras de Paulo, certamente, os tessalonicenses sabiam ao o quê (algo, 2.6), ou, a quem (alguém, 2.7), Paulo se referia. Enquanto eles sabiam, nós aqui tentamos com as mais variadas posições, entender o que Paulo disse. Só através da iluminação do Espírito Santo temos condições de entendermos a Palavra de Deus, inspirada pelo próprio Espírito Santo.

Uma interpretação interessante é resumida por Lopes (2008, p.184-186), que baseado em Marshall (2006, p.233-234) diz: Por trás dessa ação adiadora ou restringente da manifestação do anticristo escatológico está o nosso Deus, aguardando o tempo certo, ou a ocasião oportuna (igual a Gl 4.4, na manifestação de Jesus). Mas ele ainda menciona que a maioria dos estudiosos entendem que o algo (2.6) que impede a manifestação do anticristo escatológico é a lei, as leis humanas que não deixam que a anarquia e o caos se estabeleçam entre nós. Entendem também que o alguém (2.7) que impede essa manifestação maléfica são aqueles que fazem as leis serem respeitadas, isto é, os governantes e os governos. Então no tempo certo, Deus permitirá, dentro da sua sabedoria e soberania, que tudo e todos os eventos escatológicos comecem a acontecer. Você está firme, está preparado para enfrentar aqueles dias angustiantes?

Conclusão

Querido amigo, minha oração é feita por você e por todos que amam estudar a Palavra de Deus, para que não cansemos de estudá-la com afinco, com persistência e com a mente aberta para que possamos conhecer cada vez mais o seu querer para nós.

Deus o abençoe,

Um abraço e até o próximo programa.


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Através da Bíblia - João 1

João 1
Olá amigo, estamos iniciando mais um programa da série "Através da Bíblia" e para nós é sempre motivo de muita alegria sabermos da sua companhia conosco. Estamos iniciando hoje os nossos estudos no quarto evangelho, no evangelho de João. Hoje vamos estudar todas as questões introdutórias relativas a esse evangelho afim de que conhecendo esses detalhes possamos aproveitar bem todo o seu conteúdo. Serão 40 programas e, certamente teremos lições importantíssimas para aprender e aplicar em nossas vidas. Por isso sugiro a você anotá-las e aplicá-las na sua vida diária. Depois você pode escrever compartilhando como Deus falou ao seu coração. E é exatamente isso que o MMB de Jales, em São Paulo, escreveu com essas palavras: "Sou ouvinte permanente dessa emissora enquanto minha farmácia está aberta. Sou abençoado com o Através da Bíblia. Ouço o programa pela BBN. Tem sido edificante o aprendizado. Só posso agradecer ao Senhor! Que Deus os abençoe". Querido amigo obrigado por suas palavras. O nosso objetivo é que através desse programa muitos sejam abençoados e desafiados a viverem de modo cada vez mais agradável a Deus. Que o Senhor Deus abençoe você e sua família. Que você tenha êxito em sua atividade profissional e que o Senhor te dê tudo o que você necessita. Como respondi pelo e-mail, conte com nossas orações. Agora, quero convidá-lo para juntos buscarmos a presença do Senhor. Vamos orar pedindo as bênçãos divinas para esse projeto de estudo da Palavra de Deus: "Pai amado, somos gratos por tua companhia conosco e por tua misericórdia. Pai pedimos a tua bênção para as nossas famílias e a iluminação do teu Espírito para este programa. Fale a cada coração.Senhor, que tu nos dês forças para estudarmos esse evangelho na tua dependência. Oramos em nome de Jesus. Amém!"
Querido amigo hoje nossa tarefa é considerarmos as questões introdutórias do livro de João. Este é um evangelho que na opinião de muitos é muito simples e fácil de ser entendido. Bem, o Espírito de Deus nos ilumina quando estamos estudando a Sua Palavra e assim ela se torna fácil de ser entendida, porém não creio que este evangelho seja mais simples do que os outros três. A linguagem é simples, mas a sua mensagem é profunda. Qualquer criança pode entender o significado das palavras, porém o conteúdo delas, a mensagem que elas transmitem não está ao alcance de todo mundo, não. É teologia que não está ao alcance de qualquer pessoa. Mas, com a graça de Deus nós vamos procurar expor tudo àquilo que nos for possível, reconhecendo, no entanto, que não chegaremos até as suas profundezas. Nós sabemos que ninguém pode entender a Palavra de Deus a não ser por meio da iluminação do Espírito de Deus. E se isso é verdade em relação a qualquer livro da Bíblia, certamente é verdade também em relação ao evangelho de João. Peço a vocês que acompanham o programa sistematicamente que orem por mim para que Deus me dê a graça de expor a sua palavra na direção do Espírito de Deus. O meu desejo é o de levar a Palavra de Deus com simplicidade a todos quantos nos escutam.
Vamos então conhecer detalhes das questões introdutórias desse evangelho.
Em 1º lugar vamos conhecer detalhes sobre a autoria deste evangelho.
Vamos fazer 7 afirmações para detectarmos a autoria desse evangelho:
1.Como evidência interna, o autor era provavelmente um judeu, pois exibiu um profundo conhecimento das festas, costumes e crenças judaicas. Mostrou conhecimento de detalhes geográficos da Palestina (1.44; 3.23; 5.2 etc.), além de revelar-se como testemunha ocular os fatos (1.14; 19.35; 21.24). O seu pensamento, linguagem e estilo o revelam como judeu, cf. 1.19-28 e 4.9 etc...
2.Embora, no livro não tenhamos o seu nome registrado percebemos indícios que nos aponta quem poderia ser o autor. É o único evangelho que usa a frase “o discípulo a quem Jesus amava”(13.23-25) referindo-se ao discípulo que é identificado como aquele que reclinou-se sobre o peito de Jesus “dá testemunho a respeito destas coisas e que as escreveu” (21.20-24).
3.Ao lermos cuidadosamente o livro é possível fazer uma ligação entre esse “discípulo a quem Jesus amava” e João, um dos filhos de Zebedeu, primo de Jesus.
4.Sendo João um dos que, com Pedro, destacava-se entre os doze, a omissão do seu nome nos faz pensar que esse autor, propositadamente, não quis se identificar.
5.Formava com Pedro e Tiago o circulo mais íntimo dos discípulos de Jesus. Pedro não poderia ter sido, pois é distinto do autor do evangelho (13.24) e Tiago não poderia ter sido, pois foi morto em 44 dC. (At 12.2) muito tempo antes de uma provável data deste evangelho.
6.Quando unimos todas essas informações parece-nos possível inferir que o apóstolo João, filho de Zebedeu e Salomé, irmão de Tiago, e primo de Jesus, foi o autor deste evangelho.
7.Como evidência externa, embora, tenhamos diversos críticos contrários a autoria do apóstolo João, sugerindo até um “presbítero João” como o seu autor, não há prova da existência desse presbítero, além do quê João, o apóstolo, também poderia ser chamado também de presbítero, como Pedro a si mesmo se identificou (1Pe 5.1). Mas, além disso, o testemunho de diversos pais da igreja, como Irineu (140); Teófilo de Antioquia (170); Cânon de Muratori (170); Clemente de Alexandria (180); Tertuliano (200); Orígenes (220); e Hipólito (225), nos atestam que João, o apóstolo foi o autor deste livro.
Em 2º lugar vamos conhecer algumas características sobre a pessoa de João. Vamos fazer 10 considerações sobre este personagem bíblico tão importante:
1.João era filho de Zebedeu e Salomé, irmão de Tiago (que morreu sob Herodes, conf., At 12.2), primo de Jesus (conf. Mt 27.56; Mc 15.40; Jo 19.25). Não deve ser confundido com João Batista (Jo 1.6, 35-37).
2.Era conhecido na alta sociedade e tinha acesso à casa do sumo sacerdote, certamente por fornecer "peixe salgado" para Jerusalém, (Jo 18.15-16).
3.Junto com Tiago, seu irmão, era sócio de Pedro e André na cia. de pesca e foram chamados por Jesus de "filhos do trovão" (Mc 3.17).
4.Foi chamado para o discipulado de tempo integral enquanto estava consertando suas redes perto do mar da Galiléia (Mc 1.19-20).
5.Seu temperamento era explosivo, pois rejeitou um homem que expulsava demônios mas não era discípulo (Lc 9.49-50); e queria consumir com fogo uma aldeia de samaritanos que não quis hospedar Jesus por uma noite (Lc 9.51-56).
6.Junto com Tiago e Pedro, era do círculo mais íntimo de Jesus, tendo participado da transfiguração e do momento de oração no Getsêmani (Mt.17.1-8; 26.36-46).
7.Junto com Tiago e sua mãe Salomé foram pedir a Jesus os lugares mais importantes no Reino (Mt 20.20-28).
8.Junto com Pedro, participou da fundação da Igreja (conf. At 1-8); participou da cura do aleijado à porta do Templo, a 1ª cura depois de Jesus glorificado; e, também com Pedro introduziu os samaritanos na igreja (At 8.14-17 e 25).
9.Deve ter ido para Éfeso por volta de 70 dC., com a queda de Jerusalém. De Éfeso escreveu o evangelho e as cartas, por volta de 85/95 dC.
10.Foi exilado para a ilha de Patmos por Domiciano, onde teve as visões e escreveu o Apocalipse, em aproximadamente 90/100 dC.; e, provavelmente, morreu naturalmente por volta de 100 dC., sendo talvez o único apóstolo a não morrer martirizado.
Em 3º lugar vamos conhecer detalhes propósito deste evangelho.
A finalidade do autor em escrever esse evangelho está claramente estabelecida em 20.30-31. Este evangelho foi escrito com o propósito de conduzir os homens ao conhecimento e a crença de Jesus como o Cristo (Messias), o Filho de Deus, e para que crendo, tivessem vida eterna. Mas, o evangelho além de ter essa característica evangelista objetiva também o encorajamento dos cristãos em tempos de aflições (16.31; 17.9-19; 19.20-23).
Em 4º lugar vamos reconhecer qual o verso chave deste evangelho.
Se o propósito é levar pessoas à salvação e confortar aqueles que já são salvos é possível perceber nas entrelinhas desse alvo de João o desejo de mostrar o amor de Deus para conosco. Assim o verso chave é Jo 3.16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.
Em 5º lugar devemos conhecer detalhes sobre a data da escrita do livro.
Pelo que se percebe na leitura dos 4 evangelhos é que os sinóticos foram produzidos na mesma época, com diferença de poucos anos, talvez uma década, entre o 1º e o 3º. Por suas características de conteúdo complementar podemos afirmar que João foi escrito bem depois do 3º evangelho. E, a tradição nos informa que João deve ter escrito esse evangelho entre 80 e 95 dC., provavelmente durante o governo de Domiciano.
Em 6º lugar devemos conhecer detalhes sobre o local de origem do evangelho.
Ainda conforme a tradição, muitos, inclusive Irineu (140-203), que afirma que o evangelho foi escrito após os sinóticos, atestam que João, após a queda do Templo e de Jerusalém em 70 dC. sob o comando de Tito, foi morar em Éfeso. Como nenhuma sugestão ou menção à esse fato marcante aparece no evangelho, supõe-se que o evangelho foi escrito 10 ou 20 anos após essa data e de um local distante. Então, provavelmente, o local da produção deste evangelho é Éfeso, cidade correspondente à atual Turquia.
Em 7º lugar devemos estabelecer quem foram os destinatários do evangelho.
Este evangelho muito provavelmente, sendo escrito de Éfeso, nos anos 80-90 queria se contrapor à difusão de certas filosofias gregas muito propagadas naqueles dias, como o “pré-gnosticismo”. Nessas filosofias ensinava-se que a salvação era obtida através de um conhecimento especial e que Jesus era divino, mas, necessariamente não era humano. Assim, este 4º evangelho destinou-se a um público não judeu, isto é, um público gentio, de pessoas que debatiam com os cristãos a respeito da vida eterna e da possibilidade de salvação.
Em 8º lugar destacamos os conteúdos que enfatizam o nº 7:
1.“Os sete milagres”:
Titulo – TextoÁrea na qual demonstra poder
Água em vinho2.1-11Qualidade
Cura do filho de um nobre4.46-54Distância/Espaço
Cura de um paralítico5.1-17Tempo
Multiplicação dos pães6.1-14Matéria/Alimento
Jesus anda sobre as águas6.16-21Leis da natureza
Cura de um cego9.1-41“Destino”
Ressurreição de Lázaro11.1-46Morte
2.“As sete metáforas redentoras” usando o “eu sou”:
Eu sou o pão da vida (6.35,48,41 e 51); a luz do mundo (8.12 e 9.5); a porta (10.7,9); o bom pastor (10.11,14); a ressurreição e a vida (11.25); o caminho a verdade e a vida (14.6); e eu sou a videira verdadeira (15.1,5).
Além dessas figuras Jesus utiliza mais vezes “eu sou”, identificando-se com o Messias (4.25-26); identificando-se com Deus (8.24, 28, 58; 13.19); identificando-se como testemunha de si mesmo (8.18); e, em 6.20;18.5-6,8 quando diz: “sou eu”.
3.As “sete ministrações em particular” para os discípulos: 1)Sobre o amor e o serviço mútuo (13.5-15); 2)Sobre a casa do Pai (14.1-10); 3)Sobre a videira e os ramos (15.1-16); 4)Sobre a vinda do Espírito Santo (16.7-15); 5)Na oração sacerdotal (17.9-19); 6)Na delegação da missão aos discípulos (20.19-23); e, 7)Na recuperação pública de Pedro (21.15-19).
Em 9º lugar é necessário conhecer as diferenças entre João e os sinóticos.
ASPECTOSSINÓTICOSJOÃO
01
Geografia
Do ministério de
Jesus de
Destacam principalmente o ministério de Jesus no norte da Palestina, nos arredores da GaliléiaDestaca principalmente o ministério de Jesus no sul da Palestina, nos arredores da Judéia e Jerusalém
02Apresentação
de
Jesus CristoApresentam Jesus
Como
O Filho de Davi;
O Filho do HomemApresenta Jesus
Como
O Filho de Deus;
O Eu Sou
03Ênfase do evangelhoEnfatizam de forma mais definida a mensagem de
Jesus: o reino de DeusEnfatiza de forma mais
definida a pessoa de
Jesus
04Conteúdo
LiterárioApresentam os aspectos
da história terrena
de JesusApresenta os aspectos
do significado celestial
da vida de Jesus
05Os ensinos
de
JesusOs ensinos de Jesus
normalmente são curtos
p.ex. as parábolasOs ensinos de Jesus
Normalmente são longos
Discursos e longas conversas pessoais
06Reflexões sobre os ensinos
de
JesusOs autores fazem
Poucos comentários
sobre os
ensinos
de JesusO autor faz
Longos comentários
Sobre os
Ensino
de Jesus
07Estilo de
escrita e
teologiaEscritos com estilos diferentes, conforme os
propósitos dos autores,
refletindo a teologia de
JesusEscrito com estilo muito
simples, que traduz o
modo simples de Jesus
ensinar, refletindo uma
teologia de Jesus
(ou do autor?)
08Relato de
eventos
importantesRelatam eventos importantes como o
nascimento, batismo, tentação, transfiguração, discurso escatológico,
última ceia, agonia no GetsêmaniNão
Há menção dos eventos
Importantes da vida
de Jesus
09CronologiaRelatam somente
uma PáscoaRelata três, ou quatro páscoas
2.13-23; 5.1(?); 6.4 e
11.55-13.1
10CristianismoReferências a expectativa
e ao início
da igrejaDemonstra uma igreja
Amadurecida, lutando contra as heresias
Em 10º lugar devemos conhecer as palavras e os verbos chaves do evangelho.
Aqui também é possível seguir nessa seqüência, mostrando 7 palavras ou verbos chaves que marcam esse evangelho: 1)verbo crer, 98x; 2)subst. abstrato: mundo, 78x; 3)subst. pátrio: judeus 71x; 4)verbo conhecer, 55x; 5)verbo glorificar/subst. glória 40x; 6)expressão meu pai 35x; e, expressão “eu sou” ou “sou eu” 23x.
Em 11º lugar devemos conhecer as peculiaridades desse evangelho.
Podemos apontar também 7 peculiaridades que se destacam em João: 1)a grande ênfase na divindade de Jesus; 2)a natureza mais interpretativa do que narrativa do seu conteúdo; 3)o uso só da palavra “semeion” (17x), sinal/sinais em lugar de “dynamis”, milagre/milagres para os feitos de Jesus; 4)o interesse pelo “mundo” usando esta palavra em diferentes sentidos, cf. 3.16 e 17.9 (pessoas ímpias) contrastados com 17.11(local geográfico) e 17.14b e 16 (sistema filosófico); 5)a proporção (2/5) do conteúdo dedicado à ultima semana, constatando-se assim a total ausência de parábolas no seu conteúdo; 6)a sua cronologia específica, pois somente através de João sabemos que o ministério de Jesus durou 3 anos, tendo ele participado de pelo menos 3 páscoas (a)2.13-23; 5.1(?); b)6.4; e, c)11.55-13.1); e, 7)os diálogos individuais de Jesus com os mais diversos tipos de pessoas: 1)Felipe e Natanael (1); 2)Nicodemos (3); 3)Mulher samaritana (4); 4)Paralítico de Betesda (5); 5)Mulher adultera (8); 6)Cego de nascença (9); e; 7)Marta e Maria (11).
Em 12º lugar devemos conhecer o esboço de João sobre o Filho de Deus:
1.A encarnação do Filho de Deus 1.1-18
2.A apresentação do Filho de Deus 1.19-4.54
3.A oposição ao Filho de Deus 5.1-10.39
4.A demonstração de amor e a entrada em Jerusalém do Filho de Deus 10.40-12.50
5.A preparação dos discípulos do e pelo Filho de Deus 13.1-17.26
6.A prisão, julgamento e a crucificação do Filho de Deus – 18.1-19.42
7.A ressurreição, as aparições e o testemunho sobre o Filho de Deus – 20.1-21.25
Em 13º lugar destacamos as razões da importância do estudo do evangelho.
1.A profundidade da mensagem de João, focalizando o mistério da pessoa de Cristo, a sua encarnação, o seu relacionamento com o Deus-Pai e a importância de crermos Nele como a única possibilidade de sermos salvos já seria uma razão suficiente para estudarmos esse evangelho.
2.Mas, ao mesmo tempo, a relativa simplicidade da sua composição e do seu conteúdo demonstrada na pratica ao indicarmos esse evangelho como a leitura inicial para aqueles que ainda não chegaram à fé ou que estão iniciando sua vida cristã demonstra também uma outra boa razão para estudar e conhecermos esse conteúdo.
3.E, finalmente, uma outra razão para nos dedicarmos ao estudo desse evangelho é o fato de vivermos em dias de grande pluralidade de crenças e adoração. Alguns adoram um deus de poder e de vingança; outros adoram um deus silencioso e indiferente ao sofrimento das pessoas; ainda outros cultuam um deus misterioso que não pode ser conhecido. Temos pessoas que adoram os deuses do poder, da riqueza, da fama, da posição social, enfim uma série de deuses, de ídolos que tem boca, mas não falam, tem olhos, mas não vêem, tem ouvidos, mas não ouvem, tem pés, mas não andam e tem mãos, mas não agem. Somente a fé no verdadeiro Deus nos faz adorar e cultuar o nosso Criador. Ao estudarmos o evangelho de João vamos perceber que Deus nos amou de tal maneira que deu o seu único filho, na verdade, deu-se a Si mesmo por nós para que pudéssemos de novo ter contato, usufruir da sua pessoa, da comunhão e da intimidade com Ele, pois Ele procura adoradores que o Adorem em espírito e em verdade. E, em acréscimo a estas bênçãos especiais podemos usufruir das bênçãos que Ele tem para nós.
Querido amigo, creio que você também está convencido da importância de estudarmos esse evangelho escrito por João.
Como eu já tinha mencionado anteriormente, vamos estudar o seu conteúdo em 40 programas. Serão momentos de grandes ensinamentos, de preciosas lições e certamente de práticas que nos ajudarão a padronizar as nossas vidas à vontade de Deus.
Querido amigo, chegamos assim ao final desse primeiro estudo no livro de João. Hoje pudemos verificar todas as questões introdutórias relativas a esse evangelho. Vimos também algumas razões pelas quais devemos estudar esse rico conteúdo e abrir nossas mentes e nosso coração para moldar nossas vidas à vontade de Deus.
Espero que você tenha sido desafiado a se envolver nesse projeto lembrando que através da leitura, da meditação e do estudo da Palavra de Deus nos tornamos mais semelhantes a Jesus Cristo.
Espero que você escreva para nós compartilhando suas experiências.
Que Deus te abençoe,
Um abraço.
© 2014 Através da Biblia