quinta-feira, 27 de junho de 2013

A Cabana A Perda da Arte de Discernimento Evangélico

Albert Mohler Jr.

Dr. Albert Mohler é o presidente do Southern Baptist Theological Seminary, pertencente à Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos; é pastor, professor, teólogo, autor e conferencista internacional, reconhecido pela revista Times como um dos principais líderes entre o povo evangélico norte-americano. É casado com Mary e tem dois filhos, Katie e Christopher.O mundo editorial vê poucos livros atingirem o status de "sucesso". No entanto, o livro A Cabana,escrito por William Paul Yong, superou esse status. O livro, publicado originalmente pelo próprio autor e dois amigos, já vendeu mais de dez milhões de cópias e já foi traduzido para mais de trinta idiomas. É, agora, um dos livros mais vendidos de todos os tempos, e seus leitores estão entusiasmados.De acordo com Young, o livro foi escrito originalmente para seus próprios filhos. Em essência, ele pode ser descrito como uma teodicéia em forma de narrativa – uma tentativa de responder à questão do mal e do caráter de Deus por meio de uma história. Nessa história, o personagem principal está entristecido por causa do rapto e do assassinato brutal de sua filha de sete anos, quando recebe aquilo que se torna uma intimação de Deus para encontrá-lo na mesma cabana em que a menina foi morta.Na cabana, "Mack" se encontra com a Trindade divina, onde Deus, o Pai, é representado como "Papai", uma mulher afro-americana, e Jesus, por um carpinteiro judeu, e "Sarayu", uma mulher asiática, é identificada como o Espírito Santo. O livro é, principalmente, uma série de diálogos entre Mack, Papai, Jesus e Sarayu. As conversas revelam que Deus é bem diferente do Deus da Bíblia. "Papai" é absolutamente alguém que não faz julgamentos e parece determinado a afirmar que toda a humanidade já está redimida.A teologia de A Cabana não é incidental à história. De fato, em muitos pontos a narrativa serve, principalmente, como uma estrutura para os diálogos. E estes revelam uma teologia que, no melhor, é não-convencional e, sem dúvida, herética em certos aspectos.Embora o artifício literário de uma "trindade" não-convencional de pessoas divinas seja, em si mesmo, antibíblico e perigoso, as explicações teológicas são piores. "Papai" conta a Mack sobre o tempo em que as três pessoas da Trindade manifestaram-se da seguinte forma: "nós falamos com a humanidade através da existência humana como Filho de Deus". Em nenhuma passagem da Bíblia, o Pai ou o Espírito Santos é descrito como assumindo a forma humana. A cristologia do livro é confusa. "Papai" diz a Mack que, embora Jesus seja plenamente Deus, "ele nuncausou a sua natureza como Deus para fazer qualquer coisa". Eles apenas viveu do seu relacionamento comigo, da mesma maneira como eu desejo me relacionar com qualquer ser humano". Quando Jesus curou o cego, "Ele fez isso como um ser humano dependente que confiava em minha vida e poder para agir nele e por meio dele. Jesus, como ser humano, não tinha qualquer poder em si mesmo para curar alguém".Embora haja muita confusão teológica a ser esclarecida no livro, basta dizer que a igreja cristã tem lutado por séculos para chegar a um entendimento fiel da Trindade, a fim de evitar esse tipo de confusão – reconhecendo que a fé cristã está, ela mesma, em perigo.Jesus diz a Mack que ele é "o melhor caminho para qualquer ser humano se relacionar com Papai ou com Sarayu". Não é o único caminho, mas o melhorcaminho.Em outro capítulo, "Papai" corrige a teologia de Mack afirmando: "Eu não preciso punir as pessoas pelos seus pecados. O pecado é a sua própria punição, que devora você a partir do interior. Não tenho o propósito de punir o pecado; tenho alegria em curá-lo". Sem dúvida, a alegria de Deus está na expiação realizada pelo Filho. No entanto, a Bíblia revela consistentemente que Deus é o Juiz santo e reto, que punirá pecadores. A idéia de que o pecado é a "sua própria punição" se encaixa no conceito dokarma, e não no evangelho cristão.O relacionamento do Pai com o Filho, revelado em textos como João 17, é rejeitado em favor de uma absoluta igualdade de autoridade entre as pessoas da Trindade. "Papai" explica que "não temos qualquer conceito de autoridade final entre nós, somente unidade". Em um dos mais bizarros parágrafos do livro, Jesus diz a Mack: "Papai é tão submisso a mim como o sou a ele, ou Sarayu a mim, ou Papai a ela. Submissão não diz respeito à autoridade e à obediência; é um relacionamento de amor e respeito. De fato, somos submissos a você da mesma maneira".Essa hipotética submissão da Trindade a um ser humano – ou a todos os seres humanos – é uma inovação teológica do tipo mais extremo e perigoso. A essência da idolatria é a auto-adoração, e essa noção da Trindade submissa (em algum sentido) à humanidade é indiscutivelmente idólatra.O aspecto mais controverso da mensagem de A Cabana gira em torno das questões do universalismo, da redenção universal e da reconciliação final. Jesus diz a Mack: "Aqueles que me amam procedem de todo sistema que existe. São budistas, mórmons, batistas, islamitas, democratas, republicanos e muitos que não votam ou não fazem parte de qualquer igreja ou de instituições religiosas". Jesus acrescenta: "Não tenho desejo de torná-los cristãos, mas quero unir-me a eles em sua transformação em filhos e filhas de meu Papai, em meus irmãos e irmãs, meus amados".Em seguida, Mack faz a pergunta óbvia: Todos os caminhos levam a Cristo? Jesus responde: "Muitos dos caminhos não levam a lugar algum. O que isso significa é que eu irei a qualquer caminho para encontrar vocês".Devido ao contexto, é impossível extrair conclusões essencialmente universalistas ou inclusivistas quanto ao significado de Yong. "Papai" repreende Mack dizendo que está agora reconciliado com todo o mundo. Mack replica: "Todo o mundo? Você quer dizer aqueles que crêem em você, não é?" "Papai responde: "Todo o mundo, Mack".No todo, isso significa algo bem próximo da doutrina da reconciliação proposta por Karl Barth. E, embora Wayne Jacobson, o colaborador de Young, tenha lamentado haver pessoas que acusam o livro de ensinar a reconciliação final, ele reconhece que as primeiras edições do manuscrito foram influenciadas indevidamente pela "parcialidade, na época," de Young para com a reconciliação final – a crença de que a cruz e a ressurreição de Cristo realizaram a reconciliação unilateral de todos os pecadores (e de toda a criação) com Deus.James B. DeYoung, do Western Theological Seminary, um erudito em Novo Testamento que conheceu Young por vários anos, documenta a aceitação de Young quanto a uma forma de "universalismo cristão". A Cabana, ele conclui, "descansa sobre o fundamento da reconciliação universal".Apesar de que Wayne Jacobson e outros se queixam daqueles que identificam heresia em A Cabana, o fato é que a igreja cristã tem identificado, explicitamente, esses ensinos como heresia. A pergunta óbvia é esta: por que tantos cristãos evangélicos parecem ser atraídos não somente à história, mas também à teologia apresentada na narrativa – uma teologia que, em vários pontos, está em conflito com as convicções evangélicas?Os observadores evangélicos não estão sozinhos em fazer essa pergunta. Escrevendo em The Chronicle of High Education (A Crônica da Educação Superior), o professor Timothy Beal, da Case Western University, argumentou que a popularidade de A Cabana sugere que os evangélicos devem estar mudando a sua teologia. Ele cita os "modelos metafóricos não-bíblicos de Deus" no livro, bem como seu modelo "não-hierárquico" da Tridade e, mais notavelmente, "sua teologia de salvação universal".Beal afirma que nada dessa teologia faz parte das "principais correntes teológicas evangélicas" e explica: "De fato, essas três coisas estão arraigadas no discurso teológico acadêmico radical e liberal dos anos 1970 e 1980 – que influenciou profundamente os feministas contemporâneos e a teologia da libertação, mas que, até agora, teve muito pouco impacto nas imaginações teológicas de não-acadêmicos, especialmente dentro das principais correntes religiosas".Em seguida, ele pergunta: "O que essas idéias teológicas progressistas estão fazendo no fenômeno da ficção evangélica?" Ele responde: "Desconhecidas para muitos de nós, elas têm estado presente em muitos segmentos liberais do pensamento evangélico durante décadas". Agora, ele diz, A Cabana introduziu e popularizou esses conceitos liberais até entre as principais denominações evangélicas.Timothy Beal não pode ser rejeitado como um conservador e "caçador de heresias". Ele está admirado com o fato de que essas "idéias teológicas progressistas" estão "se introduzindo aos poucos na cultura popular por meio de A Cabana".De modo semelhante, escrevendo em Books & Culture (Livros e Cultura), Katharine Jeffrey conclui que A Cabana "oferece uma teodicéia pós-moderna e pós-bíblica". Embora sua principal preocupação seja o lugar do livro "num panorama literário cristão", ela não pôde evitar o lidar com a sua mensagem teológica.Ao avaliar o livro, deve-se ter em mente que A Cabana é uma obra de ficção. Contudo, é também um argumento teológico, e isso não pode ser negado. Diversos romances notáveis e obras de literatura contêm teologia aberrante e heresia. A pergunta crucial é se as doutrinas aberrantes são características da história ou são a mensagem da obra. Em A Cabana, o fato inquietante é que muitos leitores são atraídos à mensagem teológica do livro e não percebem como ela conflita com a Bíblia em muitos assuntos cruciais.Tudo isso revela um fracasso desastroso do discernimento evangélico. Dificilmente não concluímos que o discernimento teológico é agora uma arte perdida entre os evangélicos – e esse erro pode levar tão-somente à catástrofe teológica.A resposta não é banir A Cabana ou arrancá-lo das mãos dos leitores. Não precisamos temer livros – temos de estar prontos para responder-lhes. Necessitamos desesperadamente de uma redescoberta teológica que só pode vir de praticarmos o discernimento bíblico. Isso exigirá que identifiquemos os perigos doutrinários de A Cabana. Mas a nossa principal tarefa consiste em familiarizar novamente os evangélicos com os ensinos da Bíblia sobre esses assuntos e fomentar um rearmamento doutrinário de cristãos evangélicos.A Cabana é um alerta para o cristianismo evangélico. Uma avaliação como a que Timothy Beal ofereceu é reveladora. A popularidade desse livro entre os evangélicos só pode ser explicada pela falta de conhecimento teológico básico entre nós – um fracasso em entender o evangelho de Cristo. A tragédia de que os evangélicos perderam a arte de discernimento bíblico se origina na desastrosa perda do conhecimento da Bíblia. O discernimento não pode sobreviver sem doutrina.Caso queira comentar algum aspecto do artigo ou do próprio livro em questão, use o espaço de comentários do nosso blog, CLIQUE AQUI.Traduzido por: Wellington FerreiraCopyright:© R. Albert Mohler Jr.Traduzido do original em inglês: The Shack — The Missing Art of Evangelical Discernment.

As Maneiras e os Porquês do Todo-Poderoso

Allen M. Baker

Rev. Allen M. Baker é pastor da Christ Community Presbyterian Church em West Hartford (Connecticut)."Tocar-se-á a trombeta na cidade, sem que o povo se estremeça? Sucederá algum mal à cidade, sem que o Senhor o tenha feito?" (Am 3.6).O enorme terremoto de 9.0 na escala Richter que abalou o Japão no dia 11 de março e o tsunami resultante, capturados tão espetacular e terrivelmente nos vídeos, produziu até 19 de março 18.000 mortes, não mencionando o possível desastre nuclear na usina de Fukushima, que poderia causar milhares de outras mortes.Como devemos ver essas coisas? São meros acidentes? É apenas um terremoto, ou seja, um fenômeno natural explicado apenas em termos científicos? Isso é um julgamento de Deus sobre o Japão, uma nação orgulhosa em que somente 1% dos habitantes são cristãos? Devemos nós, como um budistas pode fazer, apenas aceitar isso como destino, admitindo que ninguém pode controlá-lo, ou devemos simplesmente deixar para lá?Como em qualquer circunstância da vida, nossa única fonte é a Bíblia. E o que ela diz sobre catástrofes? João Calvino, em um comentário sobre Amós 3.6, diz que o som de uma trombeta recordava a Israel que Deus não fazia nada sem primeiro revelar seus segredos aos seus profetas. Nas palavras de Calvino: "O povo de Israel foi extremamente estúpido em não se arrepender depois de tantos avisos. Permaneceram em sua perversidade, embora tenham sido constrangidos pelos mais poderosos meios". Calvino prossegue e diz que Amós nos recorda que as calamidades não acontecem por acaso... que o governo deste mundo é realizado por Deus e que nada acontece senão pelo seu poder. A palavra (no hebraico rah) traduzida neste versículo por "mal" significa qualquer coisa adversa a nós. É a mesma palavra hebraica usada em Isaías 45.6-7, onde o profeta diz: "Eu sou o Senhor, e não há outro. Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas". A versão bíblica em português traduz "rah" em ambos os versículos pela palavra "mal". E faz isso em vários outros versículos: "a árvore do conhecimento do bem e do mal" (Gn 2.9); "Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal!" (Is 5.20); "e ficareis consolados do mal que eu fiz vir sobre Jerusalém, sim, de tudo o que fiz vir sobre ela" (Ez 14.22).Portanto, podemos descartar várias possibilidades quanto ao porquê da terrível devastação ocorrida no Japão. Primeira, isso não for mero acidente. Não foi apenas um terremoto que pode ser explicado em termos científicos. É claro que há uma explicação científica para o que aconteceu. De modo algum, os crentes devem depreciar os meios secundários que Deus designou. Deus opera pela maneira como criou e, agora, sustenta toda a sua criação (At 17.26). E a razão fundamental para catástrofes naturais é a queda no pecado realizada por Adão e Eva. Isso tornou o mundo rendido ao pecado, corrompido e necessitado de redenção, algo que Deus promete repetidas vezes em sua Palavra (Is 66.22-24; Rm 8.20-23; 2 Pe 3.13). Segunda, nós rejeitamos a explicação budista e sua conseqüente reação estóica. Certamente, devemos lamentar e entristecer-nos pela perda de vidas, bem como devemos orar pelo povo do Japão e pelos que realizam o trabalho de socorro. Devemos contribuir financeiramente para esse trabalho.No entanto, a catástrofe foi um julgamento de Deus sobre pessoas de coração duro e orgulhosas? É claro de Amós, Isaías, Ezequiel e todos os profetas que Deus trouxe julgamento sobre as nações de seus dias porque elas estavam longe dele, envolvidas em todas as maneiras de comportamento licencioso, ímpio e destrutivo, colocando-se a si mesmos contra Deus. Também sabemos que Paulo declarou que a ira de Deus é revelada (tempo presente, voz passiva, modo indicativo de apokalupto, de onde temos nossa palavra apocalipse) do céu contra toda impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade pela injustiça (Rm 1.18). Em outras palavras, Deus está sempre trazendo sua ira ao mundo porque persistimos no viver ímpio. Mas, podemos dizer sem equívocos que Deus está julgando o Japão por causa de rejeição perpétua das ofertas de graça por meio de muitos japoneses crentes e missionários que trabalham diariamente para levar o Japão a Cristo?Para responder essa pergunta, precisamos primeiramente considerar uma situação semelhante trazida à atenção de Jesus. Em Lucas 13.1-5, falaram a Jesus sobre alguns galileus cujo sangue foi misturado, pelo ímpio Pôncio Pilatos, com os sacrifícios que eles realizavam. E, por uma boa medida, esses indagadores de Jesus queriam o que ele pensava sobre o recente acidente de construção em que dezoito pessoas foram mortas quando uma torre desabou sobre eles. A pergunta era: "Você acha que esses galileus eram maiores pecadores do que todos os outros galileus porque sofreram esse destino? E os que morreram no acidente de construção eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém?" Adequando essa pergunta ao nosso contexto moderno, diríamos: a nação japonesa é mais ímpia e merecedora do julgamento de Deus do que somos nos Estados Unidos ou na Inglaterra? Aqueles que morreram no terremoto, no tsunami ou de exposição à radiação eram mais ímpios do que nós o somos? A maneira como Jesus respondeu essas perguntas nos dá a resposta que precisamos em nossa situação específica. Jesus disse aos seus questionadores: "Não eram, eu vo-lo afirmo; mas, se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis". O que Jesus estava dizendo? Estava respondendo as perguntas por focalizar-se no que julga mais importante. A questão não é quão ímpias essas pessoas tinham sido. Elas não eram mais ímpias do que qualquer outra pessoa. Quando comparados com a lei de Deus, descobrimos que ninguém é justo, nem mesmo um (Rm 30.10, ss.). Temos uma tendência de especular sobre essas coisas, mas elas não são a preocupação no coração de Jesus. Ele muda o assunto diretamente para seus questionadores, procurando incutir-lhes a verdade de que, se não se arrependessem, todos pereceriam igualmente.Portanto, devemos ver qualquer catástrofe como uma chamada de "despertamento" divina e graciosa. Devemos ver a Deus em todas essas coisas. Essas calamidades servem como advertências para que todas as pessoas parem e perguntem a si mesmas: "E se meu carro, com meu querido filhinho dentro, tivesse sido levado pelas ondas gigantes de cinco metros de altura, enquanto o limpador de pára-brisa traseiro limpava o vidro? O que nos teria acontecido? Aonde iríamos depois da morte? Essas são as perguntas que nós e todas as pessoas devemos fazer a nós mesmos! Não podemos dizer com certeza que Deus está executando vingança sobre o Japão. Evidentemente, Deus fez isso a nações, conforme as Escrituras, e isso deixa claro o princípio bíblico de que ele está revelando continuamente sua ira no mundo. É melhor deixarmos essas questões nas coisas secretas de Deus (Dt 29.29).E por que Deus mostra seu magnífico e grandioso poder de maneiras terríveis? Em última análise, ele faz tudo para o louvor e glória de sua graça (Ef 1.3-14); e, freqüentemente, suas maneiras grandiosas e terríveis humilham as pessoas e nações, atraindo muitos a Cristo, para obterem a salvação eterna. Lembro-me da haver orado pela Nicarágua depois do terremoto de 1973, pedindo a Deus que trouxesse aquelas queridas pessoas a Cristo como resultado da devastação. Quase imediatamente após o terremoto, milhões de nicaragüenses começaram a vir a Cristo, e o movimento continua até hoje. Que Deus faça essa mesma obra no Japão. E, por favor, ore pelo Japão, pela igreja japonesa, por seus pastores e missionários nativos que têm labutado fielmente, durante tantos anos, e visto tão pouco fruto. Talvez essas coisas aconteceram num tempo como este para que haja uma grande colheita de almas nesta nação que tem feito tanto no aspecto econômico, mas permanece nas trevas do xintoísmo e do culto aos ancestrais.Traduzido por: Wellington FerreiraCopyright© Allen M. Baker Copyright© Editora Fiel 2011Traduzido do original em inglês: The Ways and Whys of Almighty God  – Extraído do site The Banner of Truth.O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright.

Cultos Agradáveis aos Incrédulos

"Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem." Ef 4:29

Cultos Agradáveis aos Incrédulos

Geoffrey Thomas

Um amigo me contou o que aconteceu à sua esposa, quando se vestia em determinada manhã. Ele observou que ela abotoou o casaco colocando o primeiro dos botões na segunda casa e assim sucessiva- mente, por treze vezes. Por fim, descobrindo que um dos botões havia sobrado, ela percebeu o que estivera fazendo. “Quantos erros ela tinha cometido?”, ele se perguntou. “Um ou treze? Treze, porque ela tinha co-metido um erro fundamental no começo.”Este mesmo princípio é verdadeiro no que se refere à adoração: os crentes cometem o erro fundamental de crer que o propósito de reunirem-se aos domingos é a evangelização. Em seguida, os crentes avaliam tudo que compõe nosso culto à luz dos incrédulos que podem estar por acaso em nosso templo ou por terem sido convidados. Nada deve intimidá-los, ameaçá-los ou iludi-los. E, visto que eles não conhecem o sentido das palavras ou as melodias de nossos hinos, é recomendável a adoração na forma de cânticos de grupos musicais. O conceito de leitura pública de um livro que desconhecem é totalmente estranho para eles. Portanto, se houver leitura, tem de ser bem curta. Igrejas mudam a Ceia do Senhor para uma reunião particular no domingo pela manhã ou na quarta-feira à noite. As orações devem ser curtas e simplistas, bem como o sermão, que deve abordar assuntos que interessam aos incrédulos, tais como: solidão, maridos ausentes, falta de esperança, falta de contentamento, mágoas, dificuldade de criar adolescentes, e como lidar com tais problemas. A partir desta reunião de domingo, os incrédulos devem sentir-se encorajados a participar de pequenos grupos de estudo e de um curso sobre as doutrinas em que nós cremos. E somos fortemente encorajados a acabar com a forma de adoração a Deus que temos praticado por muitos anos.No entanto, todas estas idéias mudarão, se cremos que nossa adoração está centralizada em Deus, que se revelou através da Bíblia. Nossa preocupação será agradar este grande Deus. Como devemos nos aproximar dEle? Somente por intermédio do nome do Senhor Jesus Cristo (temos de deixar isso bem claro); somente por meio de seu sangue e sua justiça; depois, com confiança exultante, mas também com reverência e piedoso temor. Quando o Filho de Deus orou, Ele mesmo se ajoelhou na presença do Deus que é fogo consumidor. Se alguém tinha direito de ser informal e casual com seu Pai, este alguém era Jesus de Nazaré. O Senhor Jesus nunca magoou seu Pai, mas se prostrava quando falava com Ele. Tudo o que fazemos e dizemos tem de ser agradável a Deus, ou seja, o Senhor Deus está ciente até do que se passa no íntimo daqueles que ofertam pequenas moedas; Ele se deleita com a alegria que demonstramos na administração de nossos talentos e em tudo o que fazemos. Nosso louvor e orações precisam estar de acordo com as Escrituras, e, acima de tudo, a Palavra pregada tem de servir ao propósito de agradar a Deus, porque o sermão é o aspecto mais importante da adoração, visto que através dele o Criador do universo fala a seres insignificantes. A mensagem, tanto em seu conteúdo quanto em seu significado, deve proporcionar aos in- crédulos que foram atraídos ao culto o conceito exato a respeito de quão glorioso Ser é o Deus vivo — Pai, Filho e Espírito Santo — terrível em seu poder, incomparável em sua glória e extraordinariamente gracioso.Não existe qualquer indício de que a Igreja tem uma chamada para afagar as emoções dos incrédulos. Os líderes da adoração não podem dizer: “Bem, sabemos que vocês não estão interessados na vida e na morte do Senhor Jesus Cristo. Por isso, temos algo mais para vocês”. Na verdade, não temos algo mais, além de Cristo. Temos de ser ab-solutamente claros e unânimes sobre isso, na congregação e no púlpito. Se eles não querem nosso Salvador, não podemos substituir a mensagem com maneiras de temperarem seu casamento, assim como não podemos utilizar um culto musical, coreografia ou regras de procedimento, para tornar mais agradável o seu trabalho no escritório, ou oferecer um curso sobre a vida de solteiros. Tudo o que temos a oferecer-lhes é um Profeta que os ensinará, um Cordeiro que removerá a culpa deles e um Pastor que os guiará e os protegerá.Nossa própria vida tem de ser tão semelhante à de Cristo quanto possível, especialmente quando nos reunimos. Nós nos reunimos para encorajar uns aos outros a viver como imitadores de Deus. Precisamos ser irrepreensíveis em nosso vestir, nossa linguagem, nosso uso do tempo, nossos relacionamentos ou mesmo em nosso humor, a fim de sermos conhecidos como aqueles que desejam agradar o Jeová Jesus em todas as coisas; e nosso evangelismo está fazendo com que o mundo perceba isto e saiba por que cremos nisto. Os incrédulos descobrem que estão na companhia daqueles que têm como objetivo principal o glorificar a Cristo.Odiamos qualquer coisa que não deixe isto bastante claro para eles; como, por exemplo, uma forma de adoração vazia que não tem qualquer significado. Queremos que nossas palavras sejam cheias de sentimentos e de afeições de temor a Deus. Linguagem popular e simplista é menos importante do que uma linguagem com elementos mais profundos e eficazes. Sempre ficamos comovidos quando as pessoas nos falam, de modo tão amável e trans- parente, a respeito do Salvador e de seu amor por elas, o que demonstra que abandonaram sua maneira frívola e irreverente de falar. Apreciamos muito isso; e trememos no que diz respeito a quaisquer tentativas que insistem em que nossa maneira de expressão no culto deve ser a linguagem comum de nosso dia-a-dia. Essa linguagem pode ser correta para a comunicação corriqueira com os outros, mas não para expressar as maravilhas de tão grande salvação. Se o estilo e a maneira de nos expressarmos, quando nos reunimos na presença de Deus, são aqueles mesmos que os in- crédulos ouvem entre eles, no escritório ou em seu ambiente educacional, então, falhamos em alcançá-los. Nós, aqueles a quem o Senhor buscou e salvou, somos sensíveis às verdadeiras necessidades dos incrédulos. Portanto, se empregarmos qualquer coisa vulgar e superficial, estaremos cometendo o pecado de sugerir-lhes uma deidade indigna da atenção deles. Conseqüentemente, nossa adoração tem de ser simples, espiritual, calorosa, reverente, substancial, caracterizada por orações espontâneas, com hinos de mensagem profunda; uma adoração que terá como clímax a pregação expositiva; uma adoração apoiada em formas que rapidamente obtêm familiaridade com o que é divino; então, estes se tornam os melhores meios de conduzir as pessoas a Deus, a quem servimos, e de impedir que a atenção delas se prenda na observação de um pregador engenhoso que lhes esteja falando.

Adoração na Sala do Trono

"Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem." Jo 4:23

Adoração na Sala do Trono

Robert L. Dickie

Jesus Cristo, nosso Senhor, disse: “Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores” (Jo 4.23). Um dos fatos mais admiráveis a respeito de Deus é que Ele está procurando pessoas para adorarem seu Filho, Jesus Cristo.Se você já se tornou um crente, um dos propósitos primários de sua salvação é que você adore com alegria o Filho de Deus. Na vida cristã, não existe nada mais importante do que isso. Mas, infelizmente, encontramos poucos crentes que entendem a natureza espiritual da adoração e que praticam essa adoração. Nesta altura, devemos perguntar a nós mesmos: existe um verdadeiro espírito de adoração em nossa igreja e em nosso coração?
APRESENÇA DE CRISTO
A. W. Tozer escreveu: “Hoje existem milhões de pessoas que mantêm opiniões corretas, talvez mais do que antes na história da igreja. Contudo, pergunto-me se já houve um tempo quando a verdadeira adoração espiritual esteve em nível tão baixo. Para grandes alas da igreja, a adoração se perdeu completamente, e seu lugar foi ocupado por aquela coisa estranha chamada ‘programa’. Esta palavra foi emprestada do teatro e aplicada com péssima sabedoria ao tipo de adoração pública que agora passa por adoração entre nós”. A adoração bíblica e espiritual é o anelo da alma para ver a glória e a beleza de Jesus Cristo. Quando os adoradores vêem a Cristo, têm o gozo de experimentar a presença dEle.A adoração está em seu ápice quando nossa alma se perde em admiração da glória e majestade de Deus. Muito do que passa hoje por adoração não produz isso. Os cultos vazios e superficiais que caracterizam a geração atual não produzem nem adoradores verdadeiros nem grandes homens de Deus.ENTENDENDO A ADORAÇÃO BÍBLICA
Para entendermos a adoração bíblica e compreendermos exatamente o que Deus, o Pai, está buscando de nós, precisamos examinar a adoração em seu nível mais puro. Quando consideramos as Escrituras, encontramos muitos exemplos de pessoas que adoraram a Deus. No entanto, a figura mais sublime e evidente é a que João retrata no livro de Apocalipse.Nos capítulos 4 e 5, o Senhor abre a cortina e nos permite vislumbrar o que eu chamo de “adoração na sala do trono”. Nestes dois capítulos, vemos realmente um culto de adoração realizando-se no céu, na sala do trono de Deus. Se temos de adorar a Deus biblicamente, devemos estar certos de que nossa adoração na terra reflete o exemplo e a direção da adoração celestial.Há muitas lições nestes capítulos, mas neste artigo podemos considerar apenas a primeira dessas lições, ou seja, a adoração espiritual está centralizada em Deus.
ADORAÇÃO CENTRALIZADA EM DEUS
Quando João vislumbra o culto de adoração no céu, ele diz: “Imediatamente, eu me achei em espírito, e eis armado no céu um trono, e, no trono, alguém sentado” (Ap 4.2). Bem no início, observamos que Deus está no centro da adoração espiritual. Nosso foco e atenção são direcionados imediatamente para Ele. A adoração centralizada em Deus significa apenas que a glória, a honra, a majestade e a vontade de Deus são a prioridade em nossos pensamentos e desejos.Em nossos dias, a adoração está muito freqüentemente centralizada no homem e não em Deus. Todavia, meu desejo e oração é que a igreja de Cristo descubra novamente a verdadeira adoração — que a igreja redescubra e volte-se à adoração bíblica na sala do trono. A. W. Tozer escreveu: “A história da humanidade provavelmente mostrará que nenhuma pessoa jamais foi maior do que sua religião; e a história espiritual do homem demonstrará positivamente que nenhuma religião tem sido maior do que a sua idéia a respeito de Deus. A adoração é pura ou ignominiosa à medida que o adorador nutre pensamentos sublimes ou medíocres a respeito de Deus. Por esta razão, o assunto mais solene diante da igreja é sempre Deus mesmo, e o fato mais portentoso sobre o homem não é o que ele... pode dizer ou fazer, e sim o que ele, no âmago de sua alma, percebe sobre a natureza de Deus.”
Data: 2007
Categoria: Infantil

Abnegação Um Elemento na Adoração

"E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado." Lc 19:8

Abnegação: Um Elemento na Adoração

George H. Morrison

Na adoração pública, há certas exigências solicitadas de todo adorador. Existem determinados elementos que precisam estar presentes, para que a adoração seja realizada em espírito e em verdade. Por exemplo, existe o sentimento de gratidão pela bondade de Deus para conosco, dia após dia. Há também o sentimento de necessidade espiritual e o reconhecimento de que ninguém, exceto Deus, pode satisfazer essa necessidade. Existe o sentimento de que somos devedores a Cristo, que nos amou e a Si mesmo se entregou por nós; em cuja morte está nossa única esperança e cujo Espírito é nossa única força. Todos esses elementos precisam estar juntos e mesclados, para que a nossa adoração seja verdadeira adoração. Sem estes elementos, uma pessoa pode vir à igreja e retirar-se “da maneira como entrou”. Existe outro elemento, igualmente importante, que com freqüência é ignorado . a abnegação. Todos admitimos que a adoração demanda louvores a Deus, mas também devemos lembrar que a adoração exige que nos neguemos a nós mesmos. Muitas pessoas consideram a adoração uma alegria; porém, ela é muito mais do que uma alegria, é um dever. Quando a entendemos corretamente, a adoração é um dever que possui uma natureza tão sublime e sobrenatural, que realizá-la corretamente é impossível, exceto quando existe certa medida de sacrifício pessoal. Seguindo este conceito, discorrerei sobre o elemento de sacrifí- cio na adoração. Desejo insistir com você no fato de que adorar a Deus tem sempre de exigir abnegação. Considerando o assunto desta maneira, minha oração é que nossa adoração se torne algo nobre e escapemos da leviandade em relação a ela, a leviandade tão prevalecente e perniciosa.CONTRIBUIR NA ADORAÇÃO
Primeiramente, o elemento de sacrifício pode ser visto na questão de ofertar dinheiro. .Trazei oferendas e entrai nos seus átrios.. Nenhum judeu vinha adorar com as mãos vazias. Ofertar de seus bens era uma parte de sua adoração. Dos treze cofres que havia no tesouro do templo, quatro eram para as ofertas voluntárias do povo. Esse espírito nobre da adoração no Antigo Testamento passou à adoração realizada pela igreja e foi grandemente intensificada e aprofundada pelo novo conceito do sacrifício de Cristo. .Graças a Deus pelo seu dom inefável!. . este sentimento era a mola mestra da liberalidade cristã. O sublime pensamento a respeito de tudo que Cristo havia dado estimulava até os mais pobres a ofertarem. Este pensamento santificou de tal maneira o ofertar por parte dos crentes, que Paulo falou sobre o triunfo da ressurreição e, em seguida, parecendo inconsciente da mudança de assunto, acrescentou: “Quanto à coleta para os crentes”.Ora, enquanto todas as ofertas dos crentes eram aceitáveis a Deus e traziam bênção aos ofertantes, desde tempos remotos os homens espirituais sentiam que o verdadeiro ofertar tinha de envolver o negar-se a si mesmo. Lembramos o repúdio de Davi contra a atitude de oferecer a Deus algo que nada lhe custaria (2 Sm 24.24). Esse comportamento do rei Davi, em meio a todas as suas falhas, revela seu caráter centralizado em Deus. E lemos a respeito do Senhor Jesus e de seu julgamento referente à oferta da viúva e às riquezas que Ele encontrou em tal oferta, porque houve abnegação no ofertá-la. Foi um maravilhoso clamor que brotou dos lábios de Zaqueu, quando ele se encontrou face a face com o Senhor Jesus. Ele clamou olhando para Jesus: .Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens. (Lc 19. 8). Zaqueu sempre havia ofertado de conformidade com sua maneira judaica de fazê-lo. Ele nunca entrara no templo sem levar uma oferta; mas agora, ao contemplar Jesus, sentiu que nunca poderia dar o bastante.Irmãos, esta é a característica distintiva da oferta cristã: ela alcança a abnegação. Você pode contribuir como cidadão e nunca sentir essa característica; mas não penso que você pode ofertar como cristão e deixar de experimentá-la. Não penso que podemos ofertar no mesmo espírito de Jesus, até que, assim como Ele, nossa abnegação seja atingida, até que o amor de Cristo nos constranja a algum sacrifício, assim como O compeliu ao maior de todos os sacrifí- cios.Com seriedade, perguntemos a nós mesmos: o nosso ofertar já chegou ao ponto de envolver sacrifício? Temos negado a nós mesmos alguma coisa, para que tenhamos condições de trazer oferendas aos átrios de Deus?Somente assim o ofertar é uma alegria e nos aproximará mais de Cristo; somente assim o ofertar será um dos meios da graça, tão espiritual e fortalecedor quanto a oração.Agora aprofundemo-nos um pouco mais; pois gradualmente, à medida que nos tornamos mais espirituais, o conceito de renúncia própria também se aprofunda em nós. Apenas trazer uma oferta em suas mãos não era o suficiente para uma pessoa que vinha adorar a Deus. Lentamente foi gravado na mente dos judeus o fato de que a verdadeira oferta estava no coração. E não existe algo tão instrutivo quanto observar nas Escrituras o desenvolvimento desse conceito . o gradual aprofundamento da abnegação como um elemento na adoração aceitável a Deus.Primeiramente, devemos pensar no caso de Davi, um homem treinado em rituais de adoração. Podemos deduzir que desde a sua juventude ele jamais havia adorado a Deus oferecendo alguma coisa que não lhe custasse nada. Ele trouxera suas ofertas, pagando por elas, e negara algo a si mesmo, de modo que pudesse comprá-las. O Deus que Davi encontrara, enquanto pastoreava seus rebanhos, não era um Deus que deveria ser adorado sem custo algum.Em seguida, Davi subiu ao trono, ocorreu sua queda e a terrível devastação de seu caráter real; e ele descobriu que todo o sangue de bodes não poderia torná-lo um verdadeiro adorador novamente. .Os sacrifícios agradáveis a Deus são um espírito quebrantado, um coração humilhado e contrito.. Ainda que ele desse seu reino como oferta, não seria um adorador aceitável a Deus. Ele tinha de entregar a si mesmo como uma oferta a Deus; pois, do contrário, não seria um adorador aceitável. Davi tinha de negar a si mesmo e suas concupiscências; precisava abandonar seu orgulho e arrepender-se; pois, doutro modo, toda a sua adoração seria uma zombaria e o santuário, um lugar de esterilidade para ele. Desde o início ele sabia que adorar significava renunciar.Seu pensamento de renúncia própria aprofundou-se. Ele reconheceu que não existe qualquer bênção no santuário, a menos que em seu coração houvesse arrependimento e humilhação. Esta era uma poderosa verdade que Davi precisava assimilar, uma verdade que enriqueceu a adoração a Deus através dos séculos, passando à Nova Aliança e a todas as congregações dos santos.
A ATITUDE DO CORAÇÃO NA ADORAÇÃO
Agora, olhemos para o maior filho de Davi e ouçamos as palavras dEle próprio. No Sermão do Monte, Ele se referiu à atitude de trazer uma oferta ao altar: .Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta. (Mt 5.23-24). Observe que Jesus estava falando sobre adoração. Seu assunto não era a reparação de contendas. Ele estava nos ensinando quais os elementos necessários para adorarmos a Deus em espírito e em verdade. O Senhor Jesus não somente insistiu na atitude de ofertar . Ele estava certo de que isto é necessário ., mas também insistiu no fato de que por trás de cada oferta existe uma atitude de renúncia no coração. É mais fácil desistir de uma moeda do que desistir de uma contenda. É mais fácil estender a mão e fazer uma oferta generosa do que abandonar um rancor permanente e demorado.E Jesus insistia sobre o seguinte:se a adoração tem de ser aceitável a Deus, o adorador precisa deixar de lado seu orgulho e humilhar-se, como uma criancinha. Isto não é fácil e nunca o será. Isso está muito acima da capacidade do homem natural. É muito difícil de ser realizado, muito desagradável e bastante contrário às inclinações do homem natural. Exige paciência e sacrifício íntimo; e, juntamente com oração, é o segredo da abnegação. Somente desta maneira, conforme ensinou o Senhor Jesus, alguém pode esperar tornar-se adorador aceitável a Deus. Mas quem é suficiente para essas coisas? Isso é exatamente o que desejo gravar em sua mente. Pretendo ensinar-lhe que a adoração não é algo fácil; é bastante difícil. Não é um momento reconfortante no culto dominical, com músicas belas e um pregador eloqüente. É uma atitude do coração e da alma que é impossível existir sem que se negue a si mesmo. Agradeço a Deus pelo fato de que na mais pura adoração há poucas exigências ao intelecto. O mais humilde crente, que talvez não seja capaz de escrever uma carta, pode experimentar todas as bênçãos durante o culto. No entanto, na mais pura adoração existe uma exigência sobre a alma; existe uma chamada ao sacrifício e a tomar a sua cruz. O caminho que nos leva à igreja é semelhante ao que nos conduz ao céu . passa à sombra da cruz.
REUNIR-SE PARA A ADORAÇÃO
Agora consideremos o assunto de nos reunirmos para adoração pública. Na própria atitude de nos dirigirmos à igreja, em cada domingo, precisa haver um elemento de abnegação. Em áreas rurais, talvez seja um pouco diferente, pois em tais lugares as pessoas encontram-se mais isoladas. E, por causa de seu instinto social, sentem- se felizes por reunirem-se na igreja. Na cidade, porém, sempre há companhia, e a dificuldade é alguém ficar sozinho; por conseguinte, na cidade não há um instinto social que reforce a chamada à oração pública. Se uma pessoa examinasse apenas suas inclinações, é provável que raramente ela viria à igreja. Ela está cansada quando a semana termina; e o domingo, afinal de contas, não é um dia de descanso? Talvez ela não esteja se sentindo bem e parece que poderá chover. Não somente isso, mas ela também poderá dizer, seriamente, que será mais beneficiada permanecendo em casa do que indo à igreja. E, se ela deseja um sermão, possui muitos em sua estante, escritos por homens que conhecem bem o coração e que a atingem de uma maneira que nem sempre acontece pelo que ela ouve do púlpito de sua igreja. Todas estas podem ser desculpas inconsistentes ou podem ser de fato verdadeiras. No entanto, revelam que a inclinação natural do coração se opõe à igreja. Mesmo levando em conta velhos hábitos e pressões sociais permanece o fato de que a abnegação é necessária, se alguém deseja estar todos os domingos na igreja.A verdade é esta: a abnegação é boa para o homem e agrada a Deus. A melhor de todas as maneiras de iniciar a semana é subjugar um pouco as nossas propensões. Realizar no domingo aquilo que é nosso dever e, ao fazê-lo, trazer nossa vontade em submissão é um dos melhores indícios de que desfrutaremos de uma semana brilhante, um indício melhor do que a leitura de um excelente sermão na poltrona de descanso. Jesus .entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler. (Lc 4.16). Você já meditou nessas palavras? Ele era o Filho de Deus, o céu era sua habitação, mas, conforme seu costume, Ele foi à igreja. Jesus nunca disse: .Não preciso ir à igreja, posso desfrutar da comunhão com Deus em casa.. Ele tomou a cruz, negou a Si mesmo e nos diz que devemos seguir seus passos.
COMUNHÃO NA ADORAÇÃO
Deixemos de considerar agora o assunto de nos aproximarmos para adorar a Deus e falemos a respeito da própria adoração. Primeiramente, devemos pensar que a adoração significa comunhão. Na adoração pública, não somos apenas ouvintes, somos uma comunhão do povo de Deus. Você se dirige a uma palestra apenas para ouvi-la; vai ao teatro simplesmente para assistir uma peça; e não importa quem são as pessoas que estão ao seu lado. Elas não representam nada para você, e vice- versa. Nenhuma delas faria qualquer coisa por você ou procuraria ajudá-lo, se estivesse em dificuldade, ou o visitaria, se você estivesse doente, ou se esforçaria para animá-lo, se você estivesse em dias de aflição. No teatro você tem uma platéia, mas isto não é verdade em relação à igreja. Você pode chamá-la de audiência, porém não é realmente uma audiência, em qualquer templo abençoado. É uma comunhão de homens e mulheres unidos pela mesma fé e por coisas profundas, homens e mulheres que amam uns aos outros em Cristo Jesus. Em toda comunhão deve haver certo elemento de sacrifício? É isto verdade em referência ao lar, para que o lar seja algo melhor do que uma bagunça? Sim; em toda comunhão precisa haver abnegação e uma constante disposição de ceder um pouco. Se isto é correto em referência à comunhão no lar, também é correto em relação à comunhão na igreja.Assim como algumas mães, dignas desse nome, amam ao ponto de negarem a si mesmas em benefício de seus filhos queridos; assim como um esposo demonstrar á consideração por sua esposa em toda decisão que tomar e todo plano que fizer, assim também na comunhão durante a adoração pública tem de haver consideração mútua e uma constante disposição de renunciar um pouco por amor a outros em favor de quem Cristo morreu. Os jovens têm seus direitos, porém não insistirão neles, quando sabem que fazê-lo causará irritação e vexame aos mais velhos. Os mais velhos têm suas reivindicações; entretanto, por amor aos jovens, receberão com alegria aquilo que não lhes é tão interessante. E, quando um hino é cantado ou certa mensagem é pregada, embora pareçam não ter qualquer aplicação direta para determinado adorador, este sempre conservará em sua mente o fato de que para outro aquela mensagem é oportuna. Tudo isso constitui a essência da verdadeira adoração e exige um pouco de sacrifício. Sem isto, não existe um lar feliz; o mesmo é verdade em referência a uma igreja feliz. Uma terna consideração pelos outros, juntamente com a abnegação nela envolvida, é uma parte integral de nossa adoração pública.
NOSSA APROXIMAÇÃO A DEUS EM ADORAÇÃO
A mesma verdade se torna ainda mais evidente quando pensamos a respeito da adoração como nossa aproximação a Deus. Adoração significa nos aproximarmos de Deus por meio do novo e vivo caminho de Jesus Cristo. Ora, é verdade que fomos criados para Deus e que nEle vivemos, nos movemos e existimos. Também é verdade que, ao acordarmos e nos levantarmos, Ele não está distante de qualquer um de nós. No entanto, existe um tão grande envolvimento nas coisas do mundo, mesmo entre aqueles que oram e vigiam intensamente, que para nos aproximarmos de Deus com todo o coração é necessário um verdadeiro esforço.Evidentemente, podemos ir à igreja, estar ali e jamais conhecer a realidade da adoração; pois somos capazes de nutrir pensamentos, ter sonhos e, em espírito, estar a milhares de quilômetros. Mas rejeitar calmamente pensamentos intrusos e dedicar- se à oração, louvor e leitura da Bíblia são tarefas que raramente ser ão fáceis e, para alguns, incrivelmente difíceis. Se houvesse algo que prendesse nossa atenção, isto faria toda a diferença do mundo. Em um teatro, você pode esquecer de si mesmo, absorvido pela excitação da peça. Mas a igreja do Deus vivo não é um teatro e, quando ela se torna teatral, a sua adoração desaparece, com todas as suas bênçãos. Se você quiser vaguear com seus pensamentos, pode fazê-lo sempre que desejar, pois de modo visível nada existe na igreja para prender sua atenção.Na adoração, há somente alguns hinos, oração tranqüila e a simples leitura de uma parte das Escrituras. Você precisa fazer o esforço necessário, fechar as portas de sua mente e reservar-se; através deste esforço, vem a bem-aventurança da adoração pública de Deus. Desse modo, a adoração torna-se um festa celestial . quando trazemos nossa vontade à adoração e a consideramos algo nobre. Desse modo, a adoração torna se um dos meios da graça, em qualquer lugar populoso e agitado. Torne a adoração tão atrativa quanto desejar, mas lembre que, se ela tiver de ser lhe uma bênção, você tem de negar a si mesmo, tomar a sua cruz, trazer ofertas e entrar nos átrios de Deus.

Data: 2000

Categoria: Infantil

Adoração Significativa

"Entrai pelas portas dele com gratidão, e em seus átrios com louvor; louvai-o, e bendizei o seu nome." Sl 100:4

Adoração Significativa

John MacArthur

John MacArhtur, autor de mais de 150 livros e conferencista internacional, é pastor da Grace Comunity Church, em Sum Valley, Califórnia, desde 1969; é presidente do Master’s College and Seminary e do ministério “Grace to You”; John e sua esposa Patrícia têm quatro filhos e quatorze netos. 

Se você visitar Londres, não terá qualquer problema em reconhecer a Catedral de São Paulo. Ela é considerada uma das dez mais belas construções do mundo e domina os céus de Londres. Aquela venerável construção permanece como um monumento ao seu criador — o astrônomo e arquiteto Christopher Wren. A Cadetral de São Paulo é a mais famosa realização de Christopher Wren, mas existe uma interessante história a respeito de uma construção menos famosa que ele projetou.Wren recebeu a incumbência de projetar o interior da Câmara Municipal, em Windsor, ao oeste do centro de Londres. Seu projeto exigia colunas largas para suportar o teto elevado. Quando a construção foi terminada, os vereadores vistoriaram o edifício e expressaram preocupação a respeito de um problema: as colunas. O problema não era que eles estavam preocupados com a utilidade das colunas; eles apenas queriam um número maior de colunas.A solução de Wren foi tão maldosa quanto a sua inspiração. Ele fez exatamente como lhe haviam pedido, instalando quatro novas colunas e satisfazendo as exigências de seus críticos. Aquelas colunas permanecem na Câmara Municipal, em Windsor, até hoje; e não são difíceis de identificar. Elas são as únicas que não suportam qualquer peso e, na realidade, nem alcançam o teto. Aquelas colunas são imitações. Wren as instalou para satisfazerem um único propósito — proporcionar melhor aparência. Elas são um embelezamento construído para agradar os olhos. No que diz respeito a suportar o edifício e a fortalecer a estrutura, elas se mostram tão úteis quanto os quadros pendurados nas paredes.Embora me entristeça ao dizer isto, creio que muitas igrejas têm construído as suas próprias colunas decorativas, especialmente no culto. Vocês já observaram que na adoração congregacional —aquilo que os crentes fazem quando se reúnem — não é difícil achar crentes que a adoração tenha deixado vazios? Alguma coisa está faltando — alguma coisa importante.Será que estamos colhendo as conseqüências de abandonarmos o modelo bíblico de adoração e construindo um modelo simplesmente decorativo? É possível que tenhamos construído uma fachada que não oferece qualquer suporte, não sustenta qualquer peso e está muito aquém de alcançar as alturas que Deus projetou e desejou que caracterizassem a adoração?A verdadeira e genuína adoração não é uma opção para o povo de Deus. Não é uma sugestão; não é uma proposição do tipo “pegar ou largar”. A adoração no Dia do Senhor deveria ser a maior alegria de nossa semana. É a nossa oportunidade de engajarmos nossa mente nas coisas de Deus; de nos regozijarmos com o povo de Deus; de nos aquecermos na presença dEle; de bebermos corporativamente da sua Palavra; de dedicarmos nossos talentos e recursos; de encorajarmos e sermos encorajados e de Lhe oferecermos os nossos louvores.A ênfase na adoração bíblica e nos elementos que constituem um culto rico e transformador tem sido substituída, em anos recentes, por aquilo que é superficial. A substância tem sido trocada por aquilo que é a sombra. O conteúdo foi lançado fora, para dar lugar ao estilo. O significado foi banido, o método tomou-lhe o lugar. O culto talvez pareça correto, mas traz consigo pouco valor espiritual.Essa tendência talvez seja mais evidente em uma área muito íntima ao meu coração — o ensino da Palavra de Deus. Os exemplos mais óbvios são igrejas que menosprezam francamente a Bíblia e o ensino do seu verdadeiro significado, ao mesmo tempo que enfatizam o ritual e a tradição.No entanto, esse é um exemplo muito fácil de citarmos. O que podemos dizer sobre as igrejas evangélicas, conservadoras que tomaram um caminho um pouco diferente, mas igualmente perigoso?Os cultos, que antes centralizavam-se no ensino da Bíblia, têm sido substituídos por entretenimento ostentoso e mini-sermões. A luz das Escrituras tem sido perdida e em seu lugar há luzes de shows e efeitos especiais. A presença do pastor no palco é mais examinadado que o seu sermão. O tempo que antes era reservado ao ensino do pastor tem sido reduzido a alguns desprezíveis minutos de humor e bate-papo. Isto parece uma coluna decorativa que não suporta muito peso e nunca alcança o teto.As ordenanças constituem outra área que foi deixada de lado nos cultos. Por ordenanças, eu me refiro ao batismo em água e à Ceia do Senhor — a comunhão. A Bíblia é clara. O batismo e a comunhão são integrais à vida da igreja e devem ter um papel elevado na adoração.Mas algumas igrejas abandonaram completamente o batismo e a Ceia do Senhor, relegando-as aos cultos do meio da semana, quando provavelmente ofendem menos os incrédulos. Além disso, o significado do batismo e da Ceia do Senhor raramente é ensinado; e isto os condena à morte lenta nas mãos da obscuridade e da negligência.Talvez você fique surpreso com a outra área que perdeu muito do seu significado na adoração. É um assunto sobre o qual não falo com freqüência, mas tem sido vital à minha igreja e ao seu ministério. Creio que a música tem perdido o seu devido lugar na adoração e tornou-se uma coluna ornamental. Em vez de nos conduzir a uma resposta ativa e pessoal à verdade de Deus, a música se tornou um barulho de segundo plano cujo objetivo é manter-nos ocupados, enquanto os pratos de coleta são passados. Em vez de elevar nossos pensamentos a respeito de Deus, além do nível que podemos fazê-lo sozinhos, a música se tornou uma rotina sem significado que raramente observamos. Em vez de desprender nos das pompas da vida diária e de atrair nossos pensamentos para o alto, a música se tornou um intervalo colocado antes da pregação. Em vez de glorificar a Deus, a música se tornou um estimulante para o ego de alguns cantores. Em vez de envolver nossas mentes na verdade a respeito de quem Deus é e do que Ele tem feito, a música é um carrossel emocional onde subimos e descemos quando queremos.Mas o segredo de tornarmos mais significativa a música da adoração é uma questão de escolhermos músicas antigas e/ou músicas de estilo diferente? Não necessariamente. Martinho Lutero disse que a música é um servo criado e outorgado por Deus. Lutero estava correto. A música em si mesma — as notas, os sons, o ritmo — é apenas um instrumento para ajudar-nos a transmitir a verdade. Enquanto o estilo não contradiz nem obscurece a verdade, e a mensagem está correta, a música é uma questão de preferência.O verdadeiro âmago da música é o seu significado — é a verdade contida em sua melodia. A verdade é a fonte da qual jorra toda a verdadeira adoração. A verdade é aquilo que torna a música uma coluna de sustentação e não apenas um ornamento na igreja. Quando a nossa música está fundamentada na verdade, ela eleva nossos pensamentos a Deus; impulsiona nosso coração em direção ao céu, de um modo que nenhuma outra coisa pode fazê-lo. A música nos emociona e, ao mesmo tempo, escava profundamente o solo empedernido de nosso coração. Acima de tudo, a música nos faz deixar de olhar para nós mesmos e atribui a glória a Deus. A música eleva nossa consciência da santidade de Deus e intensifica tanto o nosso senso de completa indignidade como o nosso senso de desventura.Certamente, a música pode e deve produzir emoções. No entanto, as emoções devem surgir em resposta à verdade, e não ao custo da verdade. Por si mesmas, as emoções nunca se qualificam como adoração.Tenho receio de que, enquanto não reconhecermos o devido lugar da música e nos treinarmos para escolhê-la e utilizá-la com cuidado, a música permanecerá como nada mais do que um simples ornamento, contribuindo muito pouco para a edificação da igreja. E o que é pior: teremos perdido o verdadeiro poder que a adoração tem a oferecer — o poder que transforma nossas vidas e nos atrai a maior intimidade com Deus.

Como Devemos Cultuar a Deus?

"Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome." Hb 13:15

Como Devemos Cultuar a Deus?

John MacArthur

John MacArhtur, autor de mais de 150 livros e conferencista internacional, é pastor da Grace Comunity Church, em Sum Valley, Califórnia, desde 1969; é presidente do Master’s College and Seminary e do ministério “Grace to You”; John e sua esposa Patrícia têm quatro filhos e quatorze netos. Flip Wilson, um famoso comediante norte-americano, tinha em seu repertório um personagem chamado Reverendo Leroy, que pastoreava a “Igreja do Que Está Acontecendo Agora”. No início da década de 1970, o Reverendo Leroy e sua igreja eram uma paródia ultrajante. Mas, na verdade, a comunidade evangélica de nossos dias está enxameada com Reverendos Leroys, e muitas igrejas poderiam convenientemente receber o nome de “Igreja do Que Está Acontecendo Agora”.Não há limites no que se refere a quão longe algumas igrejas avançarão no propósito de se tornarem “relevantes” e “modernas” em seus cultos. E parece que não existe mais nada excessivamente profano ou abusivo para ser introduzido no “culto”.A revista Los Angeles Times recentemente falou sobre uma Igreja no sul da Califórnia que distribuiu panfletos anunciando seus cultos como “Horas Agradáveis da Música Country de Deus”. Os panfletos audaciosamente prometiam “dança semelhante à quadrilha logo depois do culto”. De acordo com o artigo da revista, “o pastor também dançou, calçado de botas de couro e vestido com jeans”. O pastor justifica esse movimento com a revitalização de sua igreja. O artigo da revista descreve a manhã de domingo na igreja:“Os membros ouvem os sermões, cujos temas incluem ‘A Pickup Ford do Pastor e Sexo Cristão’ (classificado com R, que significa ‘relevância, respeito e relacionamento’, disse o pastor, ‘e mais engraçado do que parece’). Após o culto, os membros dançam com músicas de uma banda chamada Os Anjos do Cabaré (e o que mais poderia ser?). A freqüência à igreja está aumentando rapidamente...”Você pode imaginar que isto é apenas uma aberração de uma igreja desconhecida e excêntrica. Infelizmente, este não é o caso. A teoria contemporânea do crescimento de igreja tem aberto uma porta ampla para tais absurdos. Às vezes, parece que P. T. Barnum (1810-1891) é o principal modelo para muitos que nesses dias participam do movimento de crescimento de igreja. Na verdade, o convite abaixo para um culto dominical vespertino apareceu no boletim de uma das maiores e mais conhecidas igrejas que integram o “Cinturão da Bíblia” nos Estados Unidos:“Circo – Vejam Barnum e Bailey, quando o mágico do grande e famoso circo vier à Comunhão do Divertimento! Palhaços! Acrobatas! Animais! Pipoca! Que grande noite!”Essa mesma igreja, em certa época, teve seu conselho de pastores introduzido num ringue de luta corporal, durante o culto dominical, indo mesmo ao ponto de ter um lutador profissional treinando os pastores a jogarem um ao outro no ringue, puxarem os cabelos e derrubarem uns aos outros, sem realmente machucarem-se. Estes não são incidentes extraordinários. Muitas igrejas estão seguindo métodos semelhantes, utilizando todos os meios disponíveis para apimentar seus cultos.É evidente que o culto dominical está passando por uma revolução sem paralelo em toda a história da Igreja.O Verdadeiro CultoAnos atrás, enquanto eu pregava sobre o Evangelho de João, fui tocado pelo profundo significado da verdadeira adoração – “Vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores” (Jo 4.23). Percebi, tão claramente como nunca havia percebido antes, as implicações da afirmativa – “adorarão... em espírito e em verdade”. Essa frase sugere, primeiramente, que a adoração verdadeira envolve tanto o intelecto quanto as emoções. Salienta a verdade de que a adoração tem de ser focalizada em Deus, não no adorador. O contexto também demonstra que Jesus estava dizendo que a adoração verdadeira é mais uma questão de essência do que de forma. Ele estava ensinando que a adoração envolve o que fazemos em nossa vida, não apenas o que fazemos no lugar formal de adoração.Interrompi naquele ponto as mensagens sobre João 4 e continuei o assunto com um estudo tópico sobre adoração. A editora Moody Press pediu que colocasse essas mensagens em um livro, que foi publicado sob o nome de The Ultimate Priority (A Prioridade Crucial). Esse estudo sobre adoração afetou-me mais profundamente do que qualquer outra série de sermões que já havia preparado. Mudou para sempre minha opinião sobre o que significa adorar a Deus.Aquela série de estudos também marcou o início de uma nova etapa para nossa igreja. Nossa adoração coletiva adquiriu nova profundidade e significado. As pessoas começaram a ficar conscientes de que cada aspecto do culto da igreja – música, oração, pregação e, mesmo, as ofertas – é adoração oferecida a Deus. Começaram a ver as superficialidades como uma ofensa a um Deus santo e a considerar o culto como uma atividade em que deveriam ser participantes e não espectadores isolados. Se o culto é algo que oferecemos a Deus – e não um show elaborado para beneficiar a congregação – então cada aspecto do culto tem de ser agradável a Deus e estar em harmonia com sua Palavra. Portanto, o resultado de nossa nova ênfase sobre o culto foi o aprofundamento de nosso compromisso com a centralidade das Escrituras.Sola ScripturaAlguns anos depois daquela série de estudos sobre adoração, preguei sobre o Salmo 19. Minha reação foi a de alguém que estava contemplando pela primeira vez o poder daquilo que o salmista estava afirmando sobre a suficiência das Escrituras.A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma.O testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos símplices.Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração.O mandamento do Senhor é puro e ilumina os olhos.O temor do Senhor é límpido e permanece para sempre.Os juízos do Senhor são verdadeiros e todos igualmente, justos.São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado;são mais doces do que o mel e o destilar dos favos.O argumento central da mensagem deste salmo é: a Escritura é completamente suficiente para satisfazer todas as necessidades da alma humana. Sugere que toda a verdade espiritual e essencial está contida na Palavra de Deus. Pense nisso: a verdade das Escrituras pode restaurar a alma danificada pelo pecado, outorgar sabedoria espiritual, confortar o coração abatido e trazer iluminação espiritual. Em outras palavras, a Bíblia resume tudo que precisamos saber a respeito da verdade e da justiça; ou, como o apóstolo Paulo escreveu, a Bíblia é capaz de nos habilitar para toda boa obra (2 Tm 3.17).Esta série de estudos sobre o Salmo 19 marcou outro movimento na vida de nossa igreja, colocando-nos face a face com um dos princípios dos reformadores – Sola Scriptura. Em uma época quando muitos evangélicos parecem estar se voltando em massa para a esperteza mundana nas áreas de psicologia, negócios, política, relacionamentos e entretenimento, as Escrituras nos são indicadas como a única fonte que podemos recorrer para encontrar a infalível verdade espiritual. A série de estudos teve um impacto sobre cada aspecto da vida de nossa igreja.A Suficiência das Escrituras: Um Princípio Para Regular o CultoComo podemos aplicar a suficiência das Escrituras ao culto da igreja? Os reformadores responderam essa pergunta aplicando Sola Scriptura à adoração, estabelecendo o que eles chamaram de Princípio Regulador. João Calvino foi o primeiro a articular de maneira sucinta esse princípio:“Não podemos adotar qualquer artifício [em nosso culto] que pareça satisfazer a nós mesmos, e sim levar em conta as exortações dAquele que tem o direito de prescrevê-las. Portanto, se desejamos que Ele aprovenosso culto, esta regra, que Ele mesmo enfatiza com muita rigidez, tem de ser observada com zelo... Deus reprova todos os tipos de cultos não sancionados expressamente por sua palavra”.Calvino sustentava este princípio utilizando diversas passagens bíblicas, incluindo 1 Samuel 15.22 – “Obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender, melhor do que a gordura de carneiros” – e Mateus 15.9: “Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens”.John Hooper, um pastor inglês, contemporâneo de Calvino, afirmou assim este mesmo princípio: “Na igreja não deve ser utilizado nada que não tenha a expressa aprovação das Escrituras, para apoiá-lo, ou que seja algo indiferente em si mesmo, ou seja, que não traga qualquer proveito quando utilizado e nenhum prejuízo quando omitido”.William Cunningham, um historiador da Igreja, que viveu no século XIX, definiu nesses termos o princípio regulador: “É insustentável e ilícito introduzir no governo e no culto da igreja qualquer coisa que não tem a sanção positiva das Escrituras”.Os reformadores e puritanos aplicavam o princípio regulador contra os ritos formais, as vestes sacerdotais, a hierarquia eclesiástica e outros resquícios do culto da Igreja Católica. O princípio regulador era freqüentemente citado pelos reformadores ingleses que se opunham aos elementos da Igreja Alta no anglicanismo, os quais haviam sido emprestados da tradição católica romana.Foi o comprometimento de muitos puritanos com o princípio regulador que levou centenas de pastores puritanos a serem excluídos, por decreto, dos púlpitos da Igreja da Inglaterra em 1662.Além disso, a simplicidade da forma de culto das igrejas presbiterianas, batistas, congregacionais e de outras tradições evangélicas é o resultado da aplicação do princípio regulador.Os evangélicos de nossos dias fariam bem se recuperassem a mesma confiança que seus antecessores espirituais tinham em relação às Escrituras. Uma boa quantidade de tendências prejudiciais que estão ganhando importância nesses dias revelam a decrescente confiança dos evangélicos na suficiência das Escrituras. Por um lado, existe, como já observamos, uma atmosfera de circo em algumas igrejas que empregam métodos pragmáticos que trivializam aquilo que é santo, para impulsionar a freqüência de pessoas na igreja. Por outro lado, um crescente número de evangélicos está abandonando as formas simples de adoração, em favor do formalismo da Igreja Alta. Alguns estão deixando completamente o evangelicalismo e unido-se à Igreja Ortodoxa e ao catolicismo romano.Enquanto isso, algumas igrejas simplesmente abandonaram toda a objetividade, optando por um estilo de culto turbulento, emocional e destituído de qualquer sentido racional. Talvez um dos mais comentados movimentos que está varrendo o cristianismo no presente é o fenômeno conhecido como “Bênção de Toronto”, onde toda a congregação ri incontrolavelmente, sem qualquer motivo racional, late como cachorros, ruge como leões, cacareja como galinhas, pula, corre e convulsiona. Eles vêem isso como uma evidência de que o poder de Deus lhes foi transmitido.Nenhuma dessas tendências está avançando por motivos bíblicos consistentes. Pelo contrário, seus defensores citam argumentos pragmáticos ou procuram o apoio de interpretações erradas de textos das Escrituras, do revisionismo da história ou tradições antigas. Esta é exatamente a mentalidade contra a qual os reformadores lutavam.Um novo entendimento de Sola Scriptura – a suficiência das Escrituras – tem de nos estimular a continuar reformando nossas igrejas, a regular nossos cultos de acordo com as normas bíblicas e a desejar intensamente ser pessoas que adoram a Deus em espírito e em verdade.Aplicando Sola Scriptura ao CultoA questão que surge a seguir é sobre como o princípio Sola Scripturapode ser usado para regular o culto. Alguém pode indicar o fato de que Charles Spurgeon utilizava o princípio regulador para excluir o uso de qualquer instrumento musical no culto. Spurgeon recusou permitir a utilização de um órgão no Tabernáculo Metropolitano, porque acre- ditava que não havia base bíblica para música instrumental no culto cristão. Na verdade, ainda existem crentes que, pelo mesmo motivo, se opõem a música instrumental.É óbvio que nem todos os que afirmam a ortodoxia do princípio regulador necessariamente concordam em todos os detalhes sobre como ele deveria ser aplicado. Alguns poderiam salientar tais diferenças nas questões práticas e sugerir que todo o princípio regulador é, por isso mesmo, insustentável. William Cunningham observou que críticas contra o princípio regulador freqüentemente procuram desacreditá-lo recorrendo à tática do reduzi-lo ao absurdo.Aqueles que não apreciam o princípio regulador, por qualquer motivo, geralmente procuram nos co-locar em dificuldades, pondo sobre ele uma rigorosa conotação, dando-lhe, deste modo, uma aparência de algo absurdo. Mas o princípio regulador tem de ser interpretado e ex- plicado com o exercício do bom senso. Dificuldades e diferenças de opiniões podem surgir a respeito dos detalhes, mesmo quando o discernimento correto e o bom senso influenciam a interpretação e aplicação do princípio. Mas isto não oferece qualquer fundamento para negar ou duvidar das verdades ou da ortodoxia do próprio princípio regulador.9Cunningham reconheceu que o princípio regulador com freqüência é empregado para argumentar contra coisas que podem ser reputadas como relativamente sem importância, tais como ritos, cerimônias, vestimentas, órgãos, ajoelhar-se, prostrar-se e outros recursos exteriores da religião formal. Por causa disso, Cunningham afirmou: “Algumas pessoas parecem imaginar que o princípio regulador se preocupa com a insignificância intrínseca das coisas”.10 Portanto, muitos concluem: os que advogam o princípio regulador fazem-no porque realmente gostam de contender por coisas insignificantes.Com certeza, ninguém se deleitaria em disputas por questões irrelevantes. É verdade que o princípio regulador ocasionalmente tem sido utilizado daquela maneira. Uma obsessão por aplicar qualquer princípio aos menores detalhes pode facilmente se tornar uma forma destrutiva de legalismo.11Mas o princípio Sola Scriptura, aplicado ao culto, é sempre digno de ser defendido com ferocidade. O princípio em si mesmo não é trivial. Além disso, a falha de apegar-se à prescrição bíblica no que se refere ao culto é exatamente aquilo que mergulhou a igreja nas trevas e na idolatria da Idade Média.Não tenho interesse em suscitar um debate sobre instrumentos musicais, vestimentas pastorais, decoração do templo ou outros assuntos. Se existem aqueles que utilizam o princípio regulador como um trampolim para tais debates, excluam-me de entre eles. As questões que inflamam minha preocupação relacionada ao culto contemporâneo são mais profundas do que tais assuntos. Referem-se ao próprio âmago do que significa adorar a Deus em espírito e em verdade.Minha preocupação é esta: o fato de a igreja moderna ter abandonado o Sola Scriptura abriu as portas para diversos abusos grotescos e imagináveis, incluindo cultos com banda de cabaré, a atmosfera de espetáculos carnavalescos e exibições de luta livre. Mesmo a mais liberal e ampla aplicação do princípio regulador do culto teria um efeito corretivo em tais abusos.Pense, por um momento, no que aconteceria à adoração coletiva, se a igreja contemporânea levasse a sério o Sola Scriptura. Quatro diretrizes bíblicas para o culto imediatamente viriam à nossa mente. Essas diretrizes caíram em um trágico estado de negligência. Recuperá-las com certeza produziria uma nova reforma no culto da igreja moderna.Pregar a Palavra. Na adoração coletiva, a pregação da Palavra deve ter a primazia. Todas as instruções do Novo Testamento aos pastores centralizam-se nessas palavras de Paulo a Timóteo: “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina” (2 Tm 4.2). Em outra carta, o apóstolo resumiu seu conselho ao jovem pastor: “Até à minha chegada, aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino” (1 Tm 4.13). Evidentemente, o ministério de pregar a Palavra era o âmago das responsabilidades pastorais de Timóteo.Na igreja do Novo Testamento, as atividades da comunidade de crentes eram completamente centralizadas “na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações” (At 2.42). A pregação da Palavra era o centro de todo o culto. Em certa ocasião, Paulo pregou a um grupo de crentes até depois da meia-noite (At 20.7-8). O ministério da Palavra tinha uma parte tão crucial na vida da igreja, que, antes de um membro ser qualificado para servir como presbítero, teria de ser provado como alguém habilidoso em ensinar a Palavra (cf. 1 Tm 3.2; 2 Tm 2.24; Tt 1.9).O apóstolo Paulo caracterizou assim a sua própria chamada: “Me tornei ministro de acordo com a dispensação da parte de Deus, que me foi confiada a vosso favor, para dar pleno cumprimento à palavra de Deus"(Cl 1.25 – ênfase acrescentada). Você pode estar certo de que a pregação era um elemento predominante em todo culto do qual Paulo participava.Muitas pessoas vêem a pregação e a adoração como dois aspectos distintos do culto da igreja, como se a pregação não tivesse qualquer ligação com a adoração e vice-versa. Mas este é um conceito errôneo. O ministério da Palavra é a plataforma sobre a qual a verdadeira adoração é edificada. Em seu livro Between Two Worlds(Entre Dois Mundos), John Stott afirmou muito bem: “A Palavra e a Adoração pertencem indissoluvelmente uma à outra. Toda a adoração é uma resposta inteligente e amável à revelação de Deus, porque é a adoração de seu nome. Portanto, a adoração aceitável é impossível sem a pregação. Pregar é tornar conhecido o nome de Deus, e adorar é louvar o nome do Senhor sobre o qual fomos informados. Ao invés de ser uma intrusão alienígena à adoração, o ler e o pregar a Palavra são realmente indispensáveis à adoração. As duas não podem ser divorciadas”.Pregar é um aspecto insubstituível de toda a adoração coletiva. Na verdade, todo o culto da igreja gira em torno do ministério da Palavra. Todas as outras coisas são preparatórias ou uma reação à mensagem das Escrituras.Quando o teatro, a música, a comédia e outras atividades têm a permissão de usurpar o lugar da pregação da Palavra, a verdadeira adoração inevitavelmente é prejudicada. E, quando a pregação é subjugada à pompa e à circunstância, ela também obstrui a adoração genuína. Um culto de adoração sem o ministério da Palavra tem um valor questionável. Além disso, a “igreja” onde a Palavra de Deus não é regularmente e fielmente pregada não é uma verdadeira igreja.Edificar o Rebanho. As Escrituras nos dizem que o propósito dos dons espirituais é a edificação de toda a igreja (Ef 4.12; cf. 1 Co 14.12). Por esse motivo, todo o ministério da igreja tem de produzir edificação, fazendo o rebanho crescer espiritualmente e não apenas estimulando emoções.Acima de tudo, o ministério da igreja deve ter como alvo o promover a adoração verdadeira. Para alcançar esse objetivo, ele tem de ser edificante. Isso está implícito na ex- pressão “que... o adorem em espírito e em verdade”. Como já observamos, a adoração deve envolver o intelecto e as emoções. A adoração deve ser emocionante, profundamente sentida e tocante. Mas o importante não é estimular as emoções, enquanto desligamos nosso intelecto. A adoração verdadeira mescla a mente e o coração em uma resposta de adoração pura, fundamentada na verdade revelada da Palavra de Deus.A música pode, às vezes, nos comover pela agradável beleza da melodia, mas este sentimento não é adoração. Por si mesma, a música, sem a verdade contida nos versos, não é um recurso legítimo para a adoração autêntica. De maneira semelhante, uma história comovente pode ser tocante ou inspirativa, mas, se a mensagem que ela transmite não estiver no contexto da verdade bíblica, quaisquer sentimentos que ela desperte não têm qualquer utilidade em fomentar a verdadeira adoração. Emoções fortes despertadas durante o culto não constituem necessariamente uma evidência de que houve verdadeira adoração.A adoração genuína é uma resposta à verdade divina. É emotiva porque surge de nosso amor a Deus. No entanto, a adoração verdadeira também deve ser fruto de um correto entendimento de sua lei, sua justiça, sua misericórdia e seu ser. A genuína adoração reconhece Deus conforme Ele se revela nas Escrituras. Por exemplo, através das Escrituras, sabemos que Ele é a única, perfeitamente santa, onipotente, onisciente e onipresente fonte da qual flui toda bondade, misericórdia, verdade, sabedoria, poder e salvação. Adorar significa atribuir glória a Deus por causa dessas verdades; significa louvá-Lo por aquilo que Ele é, aquilo que tem feito e aquilo que tem prometido. Por conseguinte, adoração tem de ser uma resposta à verdade que Ele revelou a respeito de si mesmo. Tal adoração não pode resultar de um vazio. É motivada e vitalizada pela verdade objetiva da Palavra de Deus.Cerimônias mortas e entretenimento também são incapazes de provocar essa adoração, não importa quão emocionantes tais coisas sejam. Elas não edificam. No máximo, elas podem despertar emoções. Mas isso não é adoração.Honrar o Senhor. Hebreus 12.28 afirma: “Retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor”. Esse versículo nos fala sobre a atitude com que devemos adorar. A palavra grega traduzida por “sirvamos” é latreuo, que literalmente significa “cultuar”. O argumento principal é que a adoração tem de ser realizada com reverência, de uma maneira que honra a Deus.Na adoração coletiva, não existe lugar para a atmosfera frívola, superficial e leviana que freqüentemente prevalece nas igrejas modernas que procuram ser relevantes. Substituir oculto de adoração por um espetáculo distancia-se tanto quanto possível da atitude de adoração bíblica “com reverência e temor”.“Reverência e temor” referem-se ao solene sentimento de honra que resulta de percebermos a majestade de Deus. Exige uma percepçãoda santidade de Deus e de nossa própria pecaminosidade. Tudo na adoração coletiva da igreja deve ter como alvo o fomentar esse tipo de atmosfera.Por que igrejas substituem a adoração por entretenimento e comédia nos cultos no Dia do Senhor? Muitas que o têm feito declaram que têm o objetivo de alcançar os não-crentes; querem criar um ambiente “amigável”, que será mais atraente aos incrédulos. O objetivo concreto deles é “relevância”, ao invés de “reverência”. Seus cultos são idealizados para alcançar os incrédulos com o evangelho, e não para os crentes se reunirem a fim de adorarem a Deus e serem edificados. Muitas dessas igrejas não atribuem qualquer ênfase às ordenanças do Novo Testamento. A Ceia do Senhor, quando observada nessas igrejas, é transformada em um culto insignificante, no meio da semana. O batismo se torna real- mente opcional e normalmente são realizados em qualquer outra ocasião, exceto nos cultos dominicais.O que está errado nisso? Existe problema em utilizar os cultos do Dia do Senhor como reuniões evangelísticas? Há uma razão bíblica que justifica o domingo como dia em que os crentes se reúnem para adoração?As Escrituras e a história nos fornecem inúmeras razões para separarmos o primeiro dia da semana para adoração e comunhão entre os crentes. Infelizmente, uma consideração mais detalhada desses argumentos está fora do escopo desse breve artigo. Mas uma simples aplicação do princípio regulador oferece bastante orientação.Por exemplo, aprendemos das Escrituras que o primeiro dia da semana era o dia em que a igreja apostólica se reunia para celebrar a Ceia do Senhor: “No primeiro dia da se- mana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão, Paulo, que devia seguir viagem no dia imediato, exortava-os” (At 20.7). O após- tolo instruiu os crentes de Corinto a fazerem suas ofertas, sistematicamente, no primeiro dia da semana, deixando claramente implícito que este era o dia em que eles deveriam se reunir para adoração. A história nos revela que a igreja dos primeiros séculos se referia ao primeiro dia da semana como o Dia do Senhor, uma expressão que encontramos em Apocalipse 1.10.Além disso, a Bíblia sugere que as reuniões regulares da igreja primitiva não visavam a propósitos evangelísticos, e sim, primariamente, ao encorajamento mútuo e à adoração na comunidade de crentes. Esta é a razão por que o escritor de Hebreus fez o seguinte apelo: “Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos decongregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima” (Hb 10.24-25 – ênfase acrescentada).Com certeza, havia ocasiões em que os incrédulos vinham às reuniões dos crentes. As reuniões da igreja do primeiro século eram essencialmente públicas, assim como muitas o são hoje. Mas o próprio culto tinha como objetivo a adoração a Deus e a comunhão entre os crentes. O evangelismo acontecia no contexto da vida diária, à medida que os crentes propagavam o evangelho. Eles se reuniam para adoração e comunhão e se separavam para evangelizar. Quando uma igreja torna todas as suas reuniões evangelísticas, os crentes perdem a oportunidade de crescer, de serem edificados e de adorar.Também não existe qualquer fundamento bíblico para adaptarmos os cultos semanais de acordo com a preferência dos incrédulos. Na realidade, essa prática parece contrária ao espírito de tudo que as Escrituras dizem a respeito da comunidade de crentes.Quando a igreja se reúne, no Dia do Senhor, essa não é uma ocasião para entreter o incrédulo, divertir os irmãos ou satisfazer as “necessidades sentidas” de nossos ouvintes. Pelo contrário, é uma ocasião para, como igreja, nos humilharmos diante de nosso Deus e honrá-Lo com nossa adoração.Não Confiar na Carne. Em Filipenses 3.3, o apóstolo Paulo descreve nesses termos a adoração cristã: “Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne” (ênfase acrescentada).Mais adiante nessa carta, Paulo testemunhou como ele chegou a perceber que seu legalismo farisaico, no qual ele vivia antes de tornar-se crente, não tinha qualquer valor. Ele mostrou como anteriormente tinha obsessão por questões exteriores e carnais, tais como circuncisão, descendência e obediência à lei, ao invés de se interessar pelas questões mais importantes a respeito do estado de sua alma. A conversão de Paulo na estrada de Damasco mudou tudo isso. Seus olhos foram abertos à gloriosa verdade da justificação pela fé. Ele compreendeu que a única maneira de estar e ser aceito na presença de Deus era ser vestido com a justiça de Cristo. Paulo aprendeu que a simples obediência a ritos religiosos, tais como a circuncisão e as cerimônias prescritas na lei, não tinha qualquer valor espiritual. De fato, ele rotulou essas coisas como “refugo”, literalmente, “esterco”.Até hoje, a maioria das pessoas que falam sobre adoração geralmente têm em mente as coisas externas – a liturgia, as cerimônias, a música, o ajoelhar-se e outros aspectos for- mais. Recentemente li o testemunho de um homem que abandonou o cristianismo evangélico e se uniu ao catolicismo romano. Uma das principais razões que ele apresentou para deixar o evangelicalismo foi que ele encontrou no catolicismo romano uma liturgia que “se parecia mais com adoração”. Quando ele explicou isso, tornou-se evidente que ele realmente estava dizendo que a Igreja Católica oferece mais instrumentos de rituais formalistas – acender velas, imagens, ajoelhar-se, rezar, benzer e outras coisas assim. Ele equiparou essas coisas à adoração.Mas estas coisas nada significam em relação à adoração verdadeira, em espírito e em verdade. Na realidade, como invenções humanas – não prescrições bíblicas – correspondem exatamente ao tipo de artifícios carnais que Paulo chamou de “esterco”.A história e a experiência nos mostram que é incrivelmente grande a tendência humana para acrescentar aparatos carnais à adoração prescrita por Deus. Israel fez isso no Antigo Testamento, culminando na religião dos fariseus. As religiões consistiam em nada mais do que rituais da carne. O fato de que tais cerimônias freqüentemente são belas e emocionantes não as transforma em adoração verdadeira. As Escrituras são claras em afirmar que Deus condena todos os acréscimos humanos àquilo que Ele ordenou de maneira explícita – “Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens” (Mt 15.9). Nós, que amamos a Palavra de Deus e cremos no princípio Sola Scriptura temos de nos acautelar diligentemente contra essa tendência.A Adoração é Prioridade CrucialNosso Senhor disse a Marta, que estava aflita devido aos afazeres domésticos por receber muitos convidados: “Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa” (Lc 10.41-42).A verdade principal é evidente. Maria, que se assentara aos pés de Jesus, em adoração, escolhera “a boa parte”, e esta não lhe seria tirada. A adoração de Maria tinha um significado eterno, enquanto toda a intensa atividade de Marta não significou absolutamente nada, além daquela tarde especial.Nosso Senhor estava ensinando que a adoração é a atividade essencial que deve preceder todas as outras atividades da vida. Se isto é verdade em nossas vidas particulares, não deveríamos nós tributar maior importância à adoração no contexto da congregação dos crentes?O mundo está cheio de religião falsa e superficial. Nós, que amamos a Cristo e cremos que sua Palavra é verdadeira, não ousemos moldar nossa adoração aos estilos e preferências de um mundo incrédulo. Pelo contrário, temos de reputar como nosso principal objetivo ser adoradores em espírito e em verdade. Devemos ser pessoas que adoram a Deus no Espírito, se gloriam em Cristo Jesus e não confiam na carne. Para fazer isso, temos de permitir que somente a Escritura – Sola Scriptura – regule nossa adoração.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Por Causa de Cristo Abrimos Mão de Nossas Causas

Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo" (Fp 3:7). Com estas palavras, o apóstolo Paulo enfrenta a oposição que afetava a igreja em Filipos (Fp 1:28; 3:2, 18).Seus opositores orgulhavam-se da circuncisão (3:2); gloriavam-se em ser judeus e detentores dos rituais; afirmavam possuir a justiça baseada na lei (3:9) e conduziam a igreja no enfrentamento de alguns erros sérios, como: achar que tinham atingido a perfeição nesta vida (3:15) ou alimentar a presunção e vaidosa superioridade (2:3) que induziam ao egoísmo.Diante disso, o apóstolo Paulo defende a igreja dos falsos pastores e das falsas doutrinas, apelando para o que movia sua vida e interesses. Seu alvo era ajudar a igreja a buscar valor naquilo que era importante e não na pressão exercida pelos opositores, que supervalorizavam títulos e posições.O apóstolo Paulo afirma que nada pode ter mais valor do que Cristo na vida do salvo (7-8). A valorização dos judeus não era legítima (vv.4-6), portanto o único lucro deveria ser o Senhor Jesus. Esse termo "lucro" é plural, sugerindo que Paulo ajunta todos os privilégios e reivindicações da seção precedente, coloca tudo num pacote e depois, surpreendentemente, considera tudo como perda.A motivação do apóstolo o levou a tomar uma atitude diária firme e não neutra, pois ele rejeitou, com desprezo, qualquer posição que tentava sobressair-se a Cristo em sua vida (v.8).O que se entende é que "meias medidas" não adiantam. A vida cristã não fará sentido se Cristo não for o sentido dessa vida!Outra descoberta do apóstolo é que nada pode ser mais desejado do que Cristo na vida do salvo (8b-11). A fé consiste em conhecer a Cristo, e esta íntima união com o Senhor ressurreto só é possível quando se compartilha Seus sofrimentos, tornando-se como Ele em Sua morte ou na comunhão dos seus sofrimentos. Por isso, "alcançar a ressurreição dos mortos" trata-se de uma convocação para que se conheça a Cristo numa vida de serviço, sofrimento e em labutas difíceis, iguais aos que ele próprio estava experimentando no decurso de sua obra apostólica.A pergunta crucial para nossa geração - e para cada geração - é: se você pudesse ter o céu, sem doenças, com todos os amigos que tinha na terra, com toda a comida que gostava, com todas as atividades relaxantes que já desfrutou, todas as belezas naturais que já contemplou, todos os prazeres físicos que já experimentou, nenhum conflito humano ou desastres naturais, ficaria satisfeito com o céu, se Cristo não estivesse lá? (Piper, Deus é o Evangelho, p. 14)O interesse em Cristo, maculado pelos interesses pessoais, invalida a fidelidade do salvo. Jesus não pode nem deve ser usado como um trampolim para buscas particulares. Quando o salvo entende que vive por causa de Cristo e para sua causa, ele abre mão de suas próprias causas, para glorificar Aquele que está acima de todos os interesses humanos.A Palavra de Deus nos convoca a crer e a afirmar como Paulo: "Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo".Jim Ellyot, missionário assassinado pelos índios Alcas, no Equador, disse certa vez: "Aquele que dá o que não pode guardar, para ganhar o que não pode perder, não é tolo". Abrir mão de privilégios, autojustificação, desejos terrenos é essencial no processo de viver para a glória de Deus.O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

A Apostasia Sua causa.

A Apostasia Sua causa.
 O casamento dos filhos de Deus e as filhas dos homens (Gênesis 06:01 Gênesis 06:02 ).Seu efeito sobre a raça humana. Os homens se esqueceram de Deus e se tornaram gigantes na maldade ( Gênesis 6:3 Gênesis 06:04 ).Seu efeito sobre o Criador. "E o SENHOR se arrependeu de haver feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração" ( Gênesis 6:06 ). A palavra "arrepender-se" sempre descreve uma mudança em alguma coisa. Há um sentido em que Deus não pode mudar ( Mateus 03:09 , Tiago 1:17 ). Ele é sempre Deus, onipotente e eterno. Há um sentido em que Ele muda seus propósitos para nós, caso contrário, o perdão seria impossível ( Jeremias 31:34 , Hebreus 08:12 ). Deus declarou que a alma que pecar, essa morrerá (Ezequiel 18:4 ), mas o pecador que se transforma a partir de seus pecados e obedece ao Senhor, tem a promessa de salvação ( 2 Pedro 3:9 ). Portanto, Deus muda seus propósitos para com os homens, mas Ele é sempre Deus!