terça-feira, 23 de setembro de 2014

Daniel 2.1-23 (Através da Bíblia)

Daniel 2.1-23
Olá amigo, estamos iniciando mais um programa da série "Através da Bíblia". É com grande alegria que novamente reservamos esses 30 minutos para expormos a Palavra de Deus com o propósito de estudarmos cada um dos livros bíblicos com profundidade e abertura de mente e coração para adequarmos as nossas vidas à vontade do Pai. Somos gratos a Deus pelo privilégio de podermos conhecer mais o seu querer para as nossas vidas, pois a sua vontade é boa, agradável e perfeita. Por isso quero incentivá-lo a essa prática, pois o alvo desse programa é estudar toda a Bíblia aplicando-a em nossas vidas. E, por falar nisso quero relembrá-los que ainda está em tempo de você convidar alguns amigos, alguns irmãos da igreja ou alguns parentes seus para estudarem comigo esse livro tão precioso que revela o plano de Deus para o nosso futuro. Teremos ainda mais dezessete estudos, com temas muito importantes para o desenvolvimento de nossa vida cristã. Agora, quero aproveitar a oportunidade para agradecer a você que nos escreveu compartilhando sobre o sobre a sua vida pessoal e ministerial. Hoje, por exemplo, registramos o e-mail que a Claudete, nos enviou de Curitiba, com a seguinte mensagem: “Bom dia Pr. Itamir!! Muito obrigada pela suas palavras e orientações, Deus o abençoe ricamente e que através de seus ensinamentos muitas pessoas possam conhecer a Verdade que é e que esta em Cristo Jesus.Graça e Paz!” Claudete Alberti - email. Prezada irmã Claudete, obrigado por suas palavras de incentivo e encorajamento. Louvamos a Deus, pois só ele nos conduz ao conhecimento da verdade através do seu Espírito Santo, o Espírito da Verdade. O meu desejo é esse, que muitos ouçam a verdade da Palavra de Deus e tenham suas vidas transformadas. Eu oro para que isso aconteça o mais rapidamente possível. Quando temos Jesus, a nossa vida é transformada, e mesmo passando por situações difíceis e complicadas experimentamos a sua presença e o seu consolo. Por isso oramos pedindo que a cada dia o Senhor use o programa como um veículo da sua graça e misericórdia para alcançar a todos que nos ouvem. Agora quero convidá-la exatamente para orarmos. Vamos orar, vamos orar por você e sua família, por todos os que nos dão o privilégio de sua audiência, oremos pelo programa de hoje, pedindo que Deus fale com cada um de nós e, vamos orar também por esse projeto pedindo que Deus nos dê forças para concluí-lo com êxito. “Pai querido, chegamos à tua presença no nome de Jesus Cristo. Por teu amor, graça e misericórdia te agradecemos. E, baseados na tua bondade colocamos os nossos pedidos diante do Senhor. Tu conheces as necessidades de todos nós que te procuramos agora. Pedimos a tua bênção de proteção e consolo para nós e nossas famílias. Pedimos que o senhor supra todas as necessidades, conforme a tua vontade. E, quanto a nós, pedimos que o senhor fale conosco hoje através da tua Palavra e conceda-nos o privilégio de levar esse projeto adiante, na tua força e dependência. Oramos, gratos, em nome de Jesus, Amém!

Querido amigo hoje o nosso alvo é iniciarmos o estudo do texto do capítulo dois de Daniel. Vamos estudar Dn 2.1-23 e no próximo programa vamos estudar a parte final deste capítulo.
Neste capítulo encontramos uma das passagens mais impressionantes desse livro, pois nos relata a interpretação do sonho que Nabucodonosor tivera. E o destaque que se faz é que esse sonho revelaria o futuro da história humana aproximadamente pelo próximo milênio, a partir daquela data.
Deus tinha concedido dons especiais, condições especiais de vida a Daniel e seus três amigos, porém a Daniel, Deus concedera algo além desses dons especiais. Conforme lemos no capítulo um, Deus foi generoso com Daniel, pois ele seria usado de forma diferenciada. Lemos o texto: Ora, a estes quatro jovens Deus deu o conhecimento e a inteligência em toda a cultura e sabedoria; mas a Daniel deu inteligência de todas as visões e sonhos (Dn 1.17).
Será que Daniel ficou orgulhoso por ter sido agraciado com essas capacitações além das concedidas aos seus amigos? Será que Daniel desprezou os seus amigos e os outros jovens hebreus que também tinham sido exilados? Podemos afirmar com segurança que isso não ocorreu. Pelo caráter de Daniel, que podemos perceber quando estudamos o livro por completo, certamente, Daniel não teve uma atitude petulante e arrogante. Provavelmente, com a experiência de ter sido levado para o exílio, Daniel, sabia que Deus tinha o poder e o controle de todas as circunstâncias de nossas vidas. Portanto, Daniel sabia que aquela capacitação especial recebida tinha um objetivo, tinha um alvo que Deus revelaria no momento adequado.
Embora saibamos que os judeus estavam no exílio porque tinham se desviado das leis do Senhor; embora saibamos que a disciplina do exílio era conseqüência da incredulidade do povo em não crer mais nas promessas de Deus; e, embora saibamos que o povo tinha trocado a crença em Deus pelas superstições que envolviam a cidade de Jerusalém e o templo, que eles acreditavam que lhes garantia a segurança contra os ataques dos inimigos, sabemos que mesmo sendo um povo de coração fechado, ouvidos surdos e cerviz dura (cf. Is 48), Deus poderia usar o seu povo, como nação, ou poderia usar indivíduos do povo para que as outras nações soubessem quem era Deus e lhe rendessem glória.
Muito bem, estando já na Babilônia, tendo ultrapassado a experiência daquele tempo de preparo (conforme o capítulo um), chegou a ocasião especial onde Deus usaria Daniel, e, seus amigos, com as capacitações especiais recebidas, para que ele mesmo, o próprio Deus fosse glorificado e o seu nome fosse honrado entre os gentios. Esse era o momento adequado.
O grande Nabucodonosor, o todo poderoso, o rei de reis, o “senhor do mundo”, teve uma noite mal dormida, pois teve um sonho que era um verdadeiro pesadelo. Talvez num dos momentos de esplendor, numa festa de comemoração, numa celebração com os demais do seu reino, tendo jantado os mais finos manjares, tendo bebido as mais finas bebidas, esperando ter uma noite tranqüila e sossegada, o grande imperador tem um pesadelo que lhe tirou a paz, que o deixou perturbado a ponto de não poder dormir mais. Mas é interessante que a falta de paz do imperador trouxe como conseqüência a falta de paz para a corte e especificamente para os magos e sábios do império babilônico. Diante do ocorrido o rei queria e ordenou que os seus sábios e magos exercessem suas funções e satisfizessem o seu pedido, ou melhor, a sua ordem. O rei ordenou que os sábios lhe revelassem o que ele sonhara e lhe revelassem também a interpretação do sonho.
Imagine você. Era uma tarefa praticamente impossível, como disseram os sábios. Dar uma interpretação de um sonho, até que é possível, para alguns. Mas, saber o que alguém sonhou e depois interpretar esse sonho, você deve convir comigo, que parece ser uma tarefa impossível para qualquer ser humano.
E, exatamente, essa era a ocasião onde Deus usaria esse dom especial que tinha concedido a Daniel, para que o seu nome fosse honrado entre os gentios. O rei não entendera o seu sonho ou o seu pesadelo. Os sábios não tinham a revelação do sonho ou pesadelo e não sabiam qual a interpretação. Quem poderia resolver a situação? Somente alguém especial, somente alguém que tivesse contato direto com Deus poderia revelar esse segredo, que certamente, fora dado por Deus a Nabucodonosor, mostrando-lhe os seus divinos planos para os reinos do mundo.
Provavelmente orgulhoso pelo seu poder, arrogante pelas suas conquistas e soberbo pelas suas riquezas e vitórias, Nabucodonosor teve através desse sonho, pesadelo, a revelação de que a glória dos reinos humanos é passageira. Daniel, o servo de Deus é quem traria essa revelação.

O título para o nosso estudo é, pois:

A revelação dos segredos divinos - Dn 2.1-23

Introdução

Como vai a sua vida de comunhão com Deus? Você tem intimidade com ele? Como você tem desenvolvido o seu relacionamento com Deus? A Bíblia é clara em dizer que Deus revela seus segredos para aqueles que confiam e vivem de acordo com os seus princípios. No capítulo 48 de Isaias, registrado um pouco mais de um século antes, Deus repreendeu a infidelidade do povo, dizendo que não revelava seus planos antecipadamente, pois eles agiam perfidamente (Is 48.1-8). E, foi no livro do profeta Jeremias, que atuou nas mesmas décadas em que atuou Daniel, que está registrado um texto muito conhecido por todos nós: Invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes (Jr 33.3). Sim! O nosso Deus é maravilhoso por isso também. Embora seja Deus, ele se revela à nós e revela os seus planos para nos confortar, nos encorajar e nos incentivar. Deus, porém, revela seus segredos para aqueles que nele acreditam, para aqueles que crêem no seu poder controlador de toda a história humana. Nesses versos, alvo do nosso estudo, encontramos esse princípio que pode e deve ser vivenciado por nós. Em resumo, essa é a mensagem do texto para nós:
Somente os que crêem em Deus obtém como resposta a revelação dos segredos divinos.

Nesses versos encontramos cinco atitudes dos homens diante dos segredos divinos:

A 1ª atitude dos homens diante dos segredos divinos se vê na intranqüilidade dos poderosos, vs.1-3
1. Mesmo sendo poderoso o homem enfrenta o desasossego da alma, vs. 1
2. Mesmo sendo poderoso o homem procura ajuda em quem não pode ajudar, vs. 2
3. Mesmo sendo poderoso o homem perturbado expõe sua vulnerabilidade interior, vs. 3
Nesses versos iniciais temos o relato de Nabucodonosor pedindo aos sábios que lhe revelassem seu sonho e a sua interpretação.

2:1, Os críticos se referem a esta data do “segundo ano do reinado de Nabucodonosor” como prova de que o livro não foi inspirado porque, dizem eles, Daniel, por este tempo, não poderia ter terminado seus três anos de preparação. Mas, de acordo com o sistema babilônio de contagem, o segundo ano de Nabucodonosor seria realmente seu terceiro ano no trono, desde que um ano não seria contado enquanto não se completasse (veja 1:1). Portanto, isto não contradiz a possibilidade do sonho ter ocorrido no fim do “segundo ano” de Nabucodonosor, e que Daniel assim interpretou o sonho logo que ele tivesse completado seu terceiro ano de preparação. Outra explicação plausível é que Daniel e seus três amigos estavam ainda em preparação, mas bastante avançados para serem contados entre os sábios, 2:14-18,24-28.

2:2-3, Mágicos, astrólogos, feiticeiros e caldeus representam todos os tipos de sábios na Babilônia. Ainda que Caldeia literalmente descrevesse o território ao sul da Babilônia, o termo “caldeus” chegou a representar a nata da sociedade babilônia, homens de grande conhecimento que influenciaram os negócios políticos e religiosos do reino.
Foi a esses sábios que Nabucodonosor recorreu em primeiro lugar, revelando-lhe um coração perturbado. A intranqüilidade descreve o homem sem Deus. A Bíblia afirma que para o ímpio não há paz (Is 48.22; 57.21). Essa é a dura realidade que vive o homem sem Deus, mesmo que seja muito poderoso.

A 2ª atitude dos homens diante dos segredos divinos se vê na insensatez da sabedoria dos sábios, 4-9
1. A sabedoria dos sábios é dissimuladora, vs. 4
2. A sabedoria dos sábios é desafiada a comprovar sua sabedoria, vs. 5-7
3. A sabedoria dos sábios é prova de que a sabedoria humana não passa de loucura, vs. 8-9
Diante do desafio, os sábios perguntaram primeiro sobre o sonho para que pudessem interpretá-lo, 2:4-13.

2:4, Começando neste versículo e continuando até 7:28, os manuscritos existentes de Daniel são escritos em aramaico (siríaco). Todo o restante do livro é escrito em hebraico (conforme mencionamos na introdução). O aramaico era a língua predominante falada no reino e foi adotada até pelos exilados judeus, que continuaram a falá-la quando retornaram à Palestina.

2:5-6, O decreto do rei punha à prova a autenticidade destes sábios. Se tivessem realmente capacidade sobrenatural, eles poderiam revelar a Nabucodonosor tanto o sonho como a interpretação. Se pudessem fazer isso receberiam grande honra, mas se não pudessem, então morreriam.

2:7-9, Eles começaram a ganhar tempo repetindo o pedido para que o rei revelasse seu sonho. Nabucodonosor percebeu o seu estratagema de preparação de mentiras quando eles se detiveram algum tempo na esperança de que a situação pudesse mudar. Mas se recusou a alterar o seu decreto. Como se diz popularmente: “Palavra de rei não volta atrás”, principalmente quando o rei percebe que não está sendo ajudado por aqueles que deveriam ajudá-lo. Os homens sem Deus são assim mesmo, enganam e são enganados (2Tm 3.13), enganam e são desafiados a comprovarem suas verdades. Será que suas palavras tem sido completamente verdadeiras?

A 3ª atitude dos homens diante dos segredos divinos se vê na impossibilidade dos que não crêem, vs.10-11
1. A impossibilidade do que não crê é constatada diante dos desafios mais graves, vs. 10
2. A impossibilidade do que não crê tenta safar-se dos desafios mais graves, vs. 10
3. A impossibilidade do que não crê demonstra que o homem está distante de Deus, vs. 11
Nesses versos os sábios foram ousados e descreveram a exigência do rei como insensata e impossível de ser cumprida. Naturalmente, isto era admitir que eles eram embusteiros, era admitir que eles não tinham qualquer poder sobrenatural, não tinham qualquer relacionamento com alguma divindade que pudesse revelar o segredo do sonho de Nabucodonosor.
Ao admitirem a impossibilidade revelavam sua limitação, pois o homem sem Deus só consegue agir dentro dos parâmetros humanos.

A 4ª atitude dos homens diante dos segredos divinos se vê na inabalável segurança dos que crêem, vs. 12-16
1. A segurança dos que crêem é submetida à prova mais terrível, vs. 12-13
2. A segurança dos que crêem age com prudência e cautela, vs. 14-15
3. A segurança dos que crêem desafia as impossibilidades humanas, vs. 16
Nos versos12-13, vemos que Nabucodonosor enfureceu-se e emitiu o decreto para que os sábios fossem mortos. Mas, tal decreto incluía também Daniel e seus companheiros.
E, nos versos 14-16, Quando Arioque, o capitão dos algozes do rei, veio prender Daniel, ele lhe fez saber tudo o que tinha acontecido. Daniel, cheio de ousadia e confiança no Senhor Deus requereu ao rei que lhe desse tempo para estudar a situação, pois confiava que revelaria o sonho e sua interpretação ao rei. Essa, sem dúvida foi uma prova de fé. Algo que é impossível ao homem, só Deus pode fazer e, Daniel confiou que Deus o faria.

A 5ª atitude dos homens diante dos segredos divinos se vê na intrepidez respondida aos que crêem, vs. 17-23
1. A intrepidez respondida tem por base o pedido pela misericórdia divina, vs. 17-18
2. A intrepidez respondida vem da parte de Deus, de modo especial, vs. 19
3. A intrepidez respondida produz louvor e reconhecimento da grandeza de Deus, vs.20-23
O que vemos aqui é Daniel rendendo glória a Deus pela revelação do sonho, pois ele confiou, ele acreditou que Deus poderia revelar o sonho e a interpretação e isso aconteceu.

Conforme os versos 17-18, A fé de Daniel em Deus era inabalável. Ele tinha firme esperança que este segredo seria revelado, mas buscou seus três companheiros para juntarem-se a ele em orações a Deus, pedindo a revelação. A confiança não lhe permitiu esquecer sua dependência de Deus e nem a ajuda, o apoio dos seus amigos, dos seus parceiros de fé.

Nos versos 19-22, Daniel registra que o segredo do sonho foi revelado numa visão noturna e ele, agradecido, louvou o Deus do céu, o seu Deus. Ele adora a Deus com essas frases:
“Dele é a sabedoria e o poder” (Ele é absoluto em todos os seus caminhos).
“É ele quem muda o tempo e as estações.” (Ele é quem controla a natureza).
“Remove reis e estabelece reis.” (Deus é o soberano que estabelece ou derruba poderosos).
“Dá sabedoria aos sábios e entendimento aos inteligentes” (É a fonte da sabedoria).
“Ele revela o profundo e o escondido” (É capaz de conhecer o futuro, ele faz o futuro).
“Com ele mora a luz” (Ele é a própria luz que é a vida; a luz que ilumina os homens)

2:23, Daniel agradeceu a Deus pela sabedoria e poder concedidos a ele. Qualquer êxito que tivesse com Nabucodonosor não seria por sua própria força, mas pela força e sabedoria de Deus, e Daniel humildemente reconhecia esse fato. Será que reconhecemos Deus assim?

Conclusão
Querido amigo, diante desse texto que aplicações podemos fazer para torná-lo relevante para nós? Creio que podemos mencionar essas três aplicações:
1. De nada adianta termos poder e riquezas. As nossas vidas são suscetíveis às perturbações.
2. A sabedoria humana e as mágicas humanas não passam de embuste e mentira quando comparadas com a sabedoria divina.
3. A fé é para quem tem coragem de crer, mesmo diante do impossível. Você crê assim?
Que o Senhor te abençoe nessa avaliação.
Um abraço e até o próximo programa.

© 2014 Através da Biblia

Daniel 1.1-21 (Através da Bíblia)

Daniel 1.1-21
Olá amigo estamos iniciando mais um programa da série “Através da Bíblia”. É com renovada satisfação que iniciamos mais esse tempo em que dedicamos a nossa atenção para estudarmos com mais profundidade a Palavra de Deus. Em tempos de relativização da verdade e valorização dos sentimentos precisamos urgentemente de estudos que nos ajudem a fundamentar os objetivos de nossas vidas na Palavra de Deus. Quando reunimos um grupo de pessoas para ouvir um discurso religioso por vinte a trinta minutos é algo desafiador e, por isso, precisamos sempre fundamentar aquilo que dizemos nos princípios básicos da hermenêutica, a matéria que nos ajuda a interpretar adequadamente a Palavra de Deus. Necessitamos comunicá-la de forma clara a fim de que o texto se torne uma mensagem relevante, pois, é necessário que padronizemos o nosso viver conforme a vontade do Senhor. Embora, em muitos círculos modernos a pregação, o estudo bíblico e a exposição temática sejam vistas como uma metodologia em extinção é necessário renovarmos o compromisso de fidelidade com a exposição correta da Palavra de Deus. Nós que expomos a Palavra de Deus, necessitamos recordar que nossos alvos são: o povo, a palavra, o princípio, a persuasão e a prática. E, assim, quando usamos essa metodologia você que nos ouve encontrará as ferramentas necessárias para desenvolver adequadamente a sua vida cristã. O nosso compromisso é esse. Com Deus que nos tem chamado para essa tarefa. Mas, certamente, o nosso compromisso é com você que tem nos dado o privilégio da sua audiência. O retorno que vocês nos têm dado através das correspondências que chegam tem-nos feito continuar com alegria e firmeza na realização desse projeto. E, como temos feito em todos os programas, hoje eu registro a carta que a Ivone nos enviou de Paranaguá, no estado do Paraná. Essas foram as suas palavras: "Pr Itamir, estou escrevendo para lhe agradecer por estes estudos que o senhor faz na rádio Aliança. Eu queria saber sobre o CD, como posso adquirir . Minha filha quer saber, mande a resposta, nós vamos aguardar. Ponha meu nome na oração. Tenho um filho pastor de igreja, é o Eduardo Geovane, estou muito feliz por ele." Ivone dos Santos - Paranaguá PR – carta.
Prezada Ivone, querida irmã. Obrigado por suas palavras e obrigado por você compartilhar conosco o seu testemunho e o seu desejo de mudar e se aprofundar no estudo da Palavra de Deus. Louvamos a Deus, pois só ele nos conduz a esse desejo por conhecê-lo ainda mais. Certamente é o Espírito Santo que trabalha em sua vida e em todos nós dando-nos amor por sua Palavra e capacidade para obedecê-la. Como te respondi, para todos que se interessam pelos nossos matérias é só escreverem para vendas@transmundial.com.br que vocês serão bem atendidos e se informarão de todos os detalhes para receberem os livros e os CDs já produzidos pelo programa. Ivone, pode estar segura que já colocamos o seu nome em nossas orações. Agora quero convidá-la exatamente para orarmos. Vamos orar, vamos orar por você e sua família, pelo programa de hoje, pedindo que Deus fale com cada um de nós e, vamos orar também por esse projeto pedindo que Deus nos dê forças para concluí-lo com êxito. “Pai querido, chegamos à tua presença no nome de Jesus Cristo. Por teu amor, graça e misericórdia te agradecemos. E, baseados na tua bondade colocamos os nossos pedidos diante do Senhor. Tu conheces a necessidade de cada um de nós que te buscamos nessa hora. Pedimos a tua bênção para as nossas famílias. Pedimos que o senhor supra todas as necessidades a ti apresentadas, conforme a tua vontade. E, quanto a nós, pedimos que o senhor nos dê cada vez mais oportunidade de testemunharmos da tua Palavra. Fale conosco hoje através desse primeiro capítulo de Daniel e conceda-nos o privilégio de levar esse projeto adiante, na tua força e dependência. Oramos, gratos, em nome de Jesus, Amém!
Querido amigo hoje o nosso alvo é estudarmos o texto bíblico de Dn 1.1-21.
Daniel foi o profeta usado por Deus para proclamar a sua verdade sobre o mundo e sobre as circunstâncias que só Deus conhece. Mas, porque Deus é Deus de amor ele se revela e mostra os seus planos aos seus filhos. O objetivo do Senhor através dos seus profetas sempre foi chamar a atenção do seu povo e dos homens em geral para andarem, para viverem conforme a sua vontade.
Quando comparamos os profetas que já estudamos entre si percebemos entre eles quatro enfoques distintos:

Isaias foi chamado e profetizou num reino que ainda estava sólido, estabelecido, porém o profeta anunciou a sua queda como conseqüência dos seus pecados.

》Jeremias foi chamado e profetizou num reino que já experimentava a decadência espiritual e política, e o profeta não só anunciou, como viveu nos dias da queda sendo atingido por ela.

》Ezequiel foi chamado e profetizou num reino que já não existia de forma independente, ele já estava no exílio quando proclamou as visões e as palavras que Deus lhe transmitia.

》Daniel foi chamado e profetizou em meio a um reino estrangeiro, um reino que detinha o poder mundial e, por isso a sua mensagem foi direcionada aos impérios mundiais e as suas relações com o povo de Deus.

Devemos nos lembrar que o ministério de Daniel foi totalmente exercido na Babilônia porque bem antes da derrota e da queda de Jerusalém e a destruição do templo o cativeiro babilônico já tinha começado. Tendo por base o texto de 2Reis capítulo 24 somos informados de que os três últimos reis de Judá foram Jeoaquim, que reinou onze anos; depois reinou Joaquim, que reinou apenas três meses; e, finalmente reinou Zedequias, que reinou também onze anos. Conforme o verso um do primeiro capítulo de Daniel lemos que no terceiro ano de Jeoaquim, Jerusalém foi sitiada pela Babilônia e nesse primeiro embate muitos judeus foram levados para o exílio. Parte da nobreza e muitos jovens foram para a Babilônia nessa ocasião, em 605/604, logo depois da Babilônia ter derrotado, em Carquemis, o Egito, que era comandado pelo faraó Neco que tinha colocado Jeoaquim no poder, depois de ter derrotado Josias (conf 2Rs 23.28-35).
Os babilônicos tinham esse costume quando conquistavam outros povos. Escolhiam entre os conquistados de determinada nação os jovens, os mais influentes e todos aqueles que entendiam ser os “formadores de opinião”. Tinham dois motivos para esse procedimento.

Em primeiro lugar tiravam de entre os derrotados as pessoas que poderiam provocar e fomentar alguma rebelião contra o domínio babilônico.

Mas, em segundo lugar, os babilônicos queriam ter sob o seu domínio e com estreita supervisão as pessoas mais inteligentes e cultas dos povos derrotados, pois eles poderiam contribuir com a sabedoria e a expansão do império babilônico. Exatamente por isso Daniel, seus amigos e provavelmente outros jovens judeus tiveram esse acompanhamento e esse tratamento específico por parte do governo babilônico.
Estariam os judeus, totalmente à mercê dos babilônicos? Teria Deus deixado o seu povo totalmente nas mãos dos gentios conquistadores? O futuro dos judeus estava nas mãos dos seus inimigos? Certamente não! E, no texto do capítulo um encontramos o início do tema desse livro, quando Daniel registra que o grande controlador da vida humana é Deus. Ele controla a vida do seu povo, mas controla também a vida de todos os homens e nações. Por isso esse é o título para o nosso estudo de hoje:

O completo controle divino sobre a vida humana Dn 1.1-21

Introdução
Da mesma forma que Deus estava no controle dos acontecimentos que afetavam o seu povo, assim também Deus está no controle das circunstâncias e dos acontecimentos que ocorrem em nosso dia-a-dia. Nada escapa do controle soberano de Deus. Como diz Lopes (2005, p.15) este livro, e esse primeiro episódio têm uma mensagem profundamente consoladora. Daniel abre a janela do tempo e nos mostra uma linda paisagem com Deus assentado no seu alto e sublime trono, governando o mundo, conduzindo o seu povo e cuidando especificamente de cada um dos seus filhos a um final abençoado que ele mesmo providenciou.
Por isso o princípio que nos estimula e nos conforta, se vê nessa sentença extraída deste texto, objeto do nosso estudo:

Todo ser humano deve reconhecer o completo controle divino sobre a sua vida.

Neste texto encontramos cinco evidências do completo controle divino sobre a vida de todos os homens:

A 1ª evidência do controle divino sobre a vida humana se vê na disciplina aplicada ao povo de Deus, vs. 1-2
1. A disciplina aplicada mostra a soberania divina em usar a quem ele quiser, vs. 1 (Jr.25.9)

2. A disciplina aplicada atinge a todos e a tudo que supostamente era inatingível, vs. 2a

3. A disciplina aplicada tem o objetivo de tirar a confiança daquilo que não dá segurança, vs. 2b

1:1, O começo do cativeiro de Daniel é dado como “o terceiro ano” do reinado de Jeoaquim.
Os críticos gostam de se referir a esta passagem como prova de contradição, porque Jeremias 25:1 diz “o quarto ano de Jeoaquim foi o primeiro ano de Nabucodonosor”. Porém não ocorre contradição aqui. Jeremias estava falando do ponto de vista hebreu enquanto Daniel estava falando do ponto de vista babilônio. Os babilônios não contavam o ano no qual um homem se tornava rei enquanto um ano inteiro de reinado não era completado, enquanto os hebreus consideravam qualquer parte do ano da ascensão como o primeiro ano. Portanto, o quarto ano hebreu era equivalente ao terceiro ano babilônio.

1:2, Antes da invasão de Jerusalém, Nabucodonosor tinha derrotado o Egito em Carquêmis,
o que provou claramente que a Babilônia era o poder dominante (Jeremias 46:2). Nabucodonosor perseguiu os egípcios até o sul de Jerusalém onde ele soube da morte de seu pai. Então retornou à Babilônia para assumir o trono, mas levou consigo alguns cativos judeus e tesouros do templo para a terra de Sinar, que é a área da Babilônia também conhecida como Caldéia.
“O Senhor lhe entregou nas mãos a Jeoaquim”. Nabucodonosor não teria sucesso se não fosse permitido por Deus (cf. Jeremias 27:5-8). Isto dá o tom do tema da profecia de Daniel: “Deus tem domínio sobre o reino dos homens”. Não nos é dito quantos cativos foram levados desta vez; somente que Daniel, Hananias, Misael e Azarias estavam entre eles. Lembramos esta data (605 a.C.) como o começo do cativeiro de Judá. Nabucodonosor veio contra Jerusalém mais duas vezes (em 597 a.C. e 586 a.C.).

A 2ª evidência do controle divino sobre a vida humana se vê na designação dos seus fiéis para um ministério específico, vs. 3-7

1. Os fiéis são sempre usados por Deus mesmo em meio as contrariedades, vs.3-4

2. Os fiéis são convocados para ministérios da mais alta importância, vs. 5

3. Os fiéis são sempre identificados e distinguidos dos demais, vs. 6-7

1:3-4, Nabucodonosor comissionou Aspenaz, chefe de seus servos, para selecionar alguns dos jovens judeus nobres para serem preparados na sabedoria e cultura dos caldeus. Sabemos que eram jovens, mas qual exatamente era a idade deles é incerto. Muitos estudiosos pensam que Daniel tinha entre quatorze e vinte anos. Ele era um jovem de estatura elegante e inteligente, e estava sendo selecionado para um papel honroso no reino de Nabucodonosor. Estas vantagens tentariam a maioria dos jovens a serem orgulhosos e arrogantes, mas Daniel nunca esqueceu que seu primeiro dever era ser um servo de Deus!

1:5, O rei favoreceu estes jovens com alimento de sua própria mesa. Durante três anos eles deveriam receber provisões reais e educação.

1:6-7, Não somente foram eles iniciados nos costumes babilônios, mas também lhes foram dados nomes babilônios. Tudo isto provavelmente era destinado a ajudá-los a esquecer suas raízes judaicas; de fato, os novos nomes parecem referir-se a deuses babilônios.
Daniel (“Deus é meu juiz”): Beltessazar (“um servo de Bel”). Hananias (“o Senhor é bondoso”): Sadraque (“inspirado pelo deus sol”). Misael (“quem é o que Deus é”): Mesaque (“quem é o que o deus lua é”). Azarias (“o Senhor ajuda”): Abednego (“servo de Nebo”). O objetivo desse tratamento, dessa dieta especial era prepará-los para servir no governo de Nabucodonosor.

A 3ª evidência do controle divino sobre a vida humana se vê na decisão de purificação do seu servo, vs. 8-10

1. A purificação brota de um coração disposto a não se contaminar, vs. 8

2. A purificação é aprovada por Deus ao retirar os empecilhos à sua pratica, vs. 9

3. A purificação é um desafio para todos os que se envolvem com ela, vs. 10

1:8, Os babilônicos puderam mudar o nome de Daniel, mas sua lealdade, não. Eles puderam ensinar-lhe o “conhecimento” babilônio, mas a sua religião, não. O assunto de comer da mesa do rei envolvia sua relação com Deus. Não nos é dito por que isto “contaminaria” Daniel. Talvez fosse carne que tivesse sido sacrificada aos ídolos e comê-la teria sido visto como adoração ao ídolo (veja 1Coríntios 10:28). Ou talvez fosse comida proibida aos hebreus como imunda (Levítico 11), ou carne que tivesse sido sangrada inadequadamente (Levítico 17:14). Qualquer que fosse a razão que tornava esses alimentos inadequados, “resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se”.

1:9-10, Aspenaz, o chefe dos eunucos, gostou de Daniel. Mas sua própria vida correria perigo se fosse descoberto que ele não tinha executado as ordens do rei. Ele argumentou que, se eles não comessem a comida do rei e não bebessem o vinho do rei, sua aparência logo mostraria a diferença, e ele então seria condenado à morte. Em certo sentido, Aspenaz teve que ter fé e confiar nas palavras de Daniel.

A 4ª evidência do controle divino sobre a vida humana se vê no desafio de fé honrado e conquistado, vs. 11-16

1. O desafio de fé é assumido por todos que desejam honrar a Deus, vs. 11

2. O desafio de fé é uma prova estabelecida com início, meio e fim, vs. 12-14

3. O desafio de fé por ser vitorioso muda as práticas estabelecidas, vs. 15-16

1:11-13, Daniel pediu ao chefe dos eunucos, especialmente encarregado dele e de seus três companheiros hebreus, que lhes desse um período de experiência de dez dias. Ele persuadiu-o a dar-lhes legumes para comer e água para beber.

1:14-16, No fim deste período experimental, o eunuco encarregado descobriu que eles pareciam melhores e mais cheios de vigor do que todos os outros que tinham comido a comida do rei. Portanto lhes foi concedido seu pedido de legumes e água durante todo o período de treinamento. Deus honra o nosso desafio de fé.

A 5ª evidência do controle divino sobre a vida humana se vê na distinção concedida aos que confiam em Deus, vs. 17-21

1. A distinção é concedia e alicerça-se na bênção de Deus, vs. 17
2. A distinção é concedida comprovando a boa mão de Deus sobre os que temem, vs.18-20
3. A distinção é concedida por Deus com o objetivo de honrá-lo por todo sempre, vs. 21

1:17, O sucesso destes quatro jovens hebreus foi o resultado da bênção especial do Senhor. Deus lhes deu destreza em todo o conhecimento e sabedoria. A Daniel foi dada a capacidade de entender o significado dos sonhos e visões.

1:18-19, Eles foram levados diante do rei para serem examinados, depois de completados seus três anos de preparação. Daniel e seus três companheiros hebreus ultrapassaram todos os outros.

1:20-21, Eles eram “dez vezes” melhores (um esplêndido grau) do que todos os outros sábios do rei. Foram indicados para a equipe permanente de conselheiros. Daniel continuou ainda “até ao primeiro ano do rei Ciro”, o que mostra que sobreviveu em um novo império. Realmente, Daniel 10:1 afirma que ele recebeu uma visão no terceiro ano de Ciro; e este detalhe, embora, não pretenda informar-nos quando Daniel morreu ou parou de profetizar, nos informa que seu trabalho se estendeu por todo o período babilônio, chegando até o período persa.

Conclusão
Querido amigo, depois de estudarmos este texto, podemos fazer pelo menos três aplicações para que ele se torne relevante para nós:

1. Daniel 1.2, mostra que Deus é soberano e usa do seu poder para realizar concretamente os seus planos. Ele permitiu que a Babilônia chegasse ao poder mundial e conquistasse Judá. Ele disciplinou o seu povo enviando-o cativo para a Babilônia e, entre os exilados estava Daniel que Deus mesmo usaria em favor do seu povo.

2. Daniel 1:8, mostra que a obediência fiel deve partir do coração do homem. Nenhum dos servos de Deus ficará sem ser provado. Os que se comprometem com Deus são usados nas realizações divinas. Aqueles que têm atitude displicente, que servem só quando convém, cairão na tentação do inimigo, de usufruir do que o mundo oferece (Ef 6:10-18; Rm 6:16-18).

3. Daniel 1:17, mostra que Deus atua em seu povo para cumprir seu propósito. Mesmo no cativeiro babilônio Deus usou seu povo quando já preparava o mundo para a vinda do Messias. Ele abençoou os fiéis com o sucesso. Hoje ele continua a recompensar aqueles que, com coragem e convicção, defendem Jesus Cristo (Mc 10:29-30; 2Tm 1:12).
Minha oração é que você tome decisões firmes e corajosas, confiando em Deus, que te abençoará.
Um abraço. Até o próximo programa.

Daniel (Através da Bíblia)

Daniel
Olá amigo estamos iniciando mais um programa da série Através da Bíblia e nos sentimos muito contentes por você estar nos dando o privilégio da sua audiência. Você que tem nos acompanhado durante essa nossa jornada diária sabe que estamos caminhando firme com o nosso projeto de estudar toda a Bíblia em cinco anos, em aproximadamente 1.300 programas e também de publicar os comentários que fazemos a partir do programa. É um projeto desafiador, mas o Senhor tem nos abençoado e certamente nos dará condições de levarmos adiante o estudo da Sua Palavra. Parte da certeza de que estamos caminhando com segurança vem de vocês mesmos, que tem nos acompanhado nessa jornada. As correspondências que vocês nos enviam nos mostram que estamos caminhando na direção certa. E, hoje nos sentimos alegres por iniciarmos os estudos numa nova porção da Bíblia, os profetas maiores e especificamente as profecias registradas pelo profeta Daniel. Nos alegramos também pelas correspondências que vocês nos enviam e pela possibilidade de compartilharmos dos seus momentos de experiências com Deus através do programa. Hoje eu registro o e-mail que o Gilmar nos enviou da cidade de Mesopólis, no estado de São Paulo. Foram essas as suas palavras: “É com muita alegria que eu estou escrevendo ao irmão Itamir Neves, agradecido a Deus pelo seu programa que tem sido uma benção de Deus na minha família. Ele tem enriquecido e ampliados os nossos conhecimentos da palavra de Deus. Meu prezado irmão, que Deus te abençoe em toda a sua trajetória do seu vasto ministério, juntamente com a sua família.” Gilmar José da Silva - Mesópolis / SP – email. Querido irmão, querido amigo, obrigado por você compartilhar conosco o seu testemunho e o seu interesse em ouvir o nosso programa juntamente com sua família. Nós louvamos a Deus que tem usado este programa para ajudá-lo a conhecer mais a Palavra de Deus. Assim como tem acontecido com você, agradecemos porque Deus tem usado o programa para encaminhar muitas vidas, levando-as ao conhecimento do evangelho de Jesus Cristo e, também tem atingido irmãos fortalecendo-os e incentivando-os a se manterem compromissados com o nosso Senhor. Bendizemos o Senhor por sua graça e misericórdia em nos usar. Agora quero convidar você, sua família e a todos os que estão me ouvindo nessa hora a buscarmos a presença de Deus numa palavra de oração: “Pai querido chegamos à tua presença agradecidos pelo privilégio de podermos falar contigo e termos certeza que tu ouves as nossas orações. Queremos te pedir que, conforme a tua vontade o Senhor atenda o anseio que vai em todos os corações que te buscam nessa hora. Pedimos-te também a iluminação do Teu Espírito para esses estudos em Daniel que iniciamos hoje. Pedimos a tua bênção sobre o projeto de estudarmos toda a Bíblia. Ajuda-nos. Oramos em nome de Jesus Cristo, Amém!
Querido amigo hoje começamos uma nova etapa em nossos estudos através da Bíblia. Iniciamos o estudo do último profeta denominado “profeta maior” do Antigo Testamento, iniciamos o estudo das profecias de Daniel. Por ser essa etapa dos nossos estudos, uma nova etapa, onde se caracteriza a “literatura apocalíptica” é necessário entendermos como devemos estudá-la adequadamente. Isso é necessário, pois, como a Bíblia é composta por vários estilos de literatura, é necessário que tenhamos clareza quanto ao método de interpretação das diversas passagens que teremos pela frente.
Nesse programa, como fiz ao iniciarmos os estudos dos profetas, desejo recordar com você algumas considerações sobre maneira pela qual temos usado o Antigo Testamento e depois fazer outras considerações sobre a “literatura apocalíptica”. Inicio essas observações dando-lhe o seguinte título:

O RELACIONAMENTO DA IGREJA CRISTÃ COM O ANTIGO TESTAMENTO

Vamos fazer cinco considerações a esse respeito:

1) A importância do Antigo Testamento para a igreja. Conforme nos diz J. Shreiner (2.004, p.435) “O Antigo Testamento não é um simples livro da antiguidade ... Ele é, junto com o Novo Testamento, o livro da igreja, uma fonte de primeira importância para a nossa fé cristã. Em nosso tempo a sua importância é ainda maior ... pois sabemos que o Antigo Testamento é a única Bíblia que Jesus leu e conheceu. Por isso a igreja contemporânea tem que ter consciência dessa importância.

2) O uso do Antigo Testamento pela igreja. A igreja vem usando mal o Antigo Testamento. Vemos, principalmente em alguns movimentos a utilização do Antigo Testamento como um amuleto, um livro onde se retira mensagens fora dos seus contextos e aplica-se à igreja. Normalmente estas mensagens visam a prosperidade e a vitória, não se considerando a situação histórica das palavras registradas.

3) A desvalorização da interpretação segura do uso do Antigo Testamento. O Antigo Testamento vem sendo muito usado na igreja como fonte de pregação, mas, infelizmente, ele tem sido usado de forma negligente quanto ao sentido original do texto veterotestamentário. A desvalorização e a má interpretação tem sido características marcantes. Textos são retirados dos seus contextos quebrando princípios básicos da hermenêutica bíblica.

4) As promessas infundadas baseadas no Antigo Testamento. Infelizmente esse é mais um caso de má interpretação. Frases como “eu também sou filho do rei”; “você não é cauda, mas você é cabeça”; “onde a planta do teu pé pisar esse lugar é teu”; “Deus já te deu, tome posse”; “se você contribuiu você pode exigir de Deus” são expressões que tem como base versos e textos do Antigo Testamento e inflamam o público e deixam os imaturos esperançosos com promessas que não foram dadas por Deus para quem vive na época da Nova Aliança. O ufanismo e a vitória a qualquer custo são proclamados, mas se esquece de proclamar que o povo desobedeceu e que Deus os disciplinou duramente tirando-o da terra prometida. Só é possível uma vida vitoriosa a partir da ação do Espírito Santo em nós.

5) A necessidade do Antigo Testamento para a igreja contemporânea. É bom lembrarmos que o cristianismo tem uma ligação estreita com o Antigo Testamento e o cumprimento de muitas promessas antigas deram origem à Nova Aliança. A mensagem profética do Antigo Testamento repercute em todas as páginas do Novo Testamento. Ora, se é assim, temos que perceber que essas ênfases devem ser proclamadas de modo correto com a finalidade da igreja crescer e amadurecer.
Querido, amigo, diante dessas colocações o que fazer e como estudar o Antigo Testamento? Aqui temos algumas observações que merecem ser conhecidas e consideradas. Essas implicações práticas foram alistadas pelo professor Luiz Saião, do Rota 66. São sete essas observações que mostram:

A CONFUSÃO EVANGÉLICA DIANTE DO ANTIGO TESTAMENTO

A igreja evangélica brasileira é uma das mais dinâmicas e criativas do mundo. Por essa razão seu crescimento tem sido extraordinário. Todavia, uma igreja jovem e efervescente tem dificuldades de doutrinar e discipular seus novos membros. Essa é uma realidade na igreja brasileira. É notório que o uso do Antigo Testamento na prática e na liturgia eclesiástica brasileira tem crescido de maneira substancial. Principalmente no contexto de louvor e adoração a ênfase véterotestamentária é mais do que expressiva. E como percebeu Lutero, a teologia de uma igreja está em seus hinos. Afinal, o que está acontecendo? Para onde estamos indo?

Em 1º lugar, é preciso ressaltar que o Antigo Testamento representa um fascínio para o povo brasileiro. É repleto de histórias concretas, circunscritas na vida real do povo, no cotidiano de gente comum. Para o brasileiro médio, é muito mais fácil emocionar-se com uma narrativa como a de Jonas ou de Davi do que acompanhar o argumento de Paulo em vários textos de Romanos.

Em 2º lugar, o povo brasileiro tem pouca história e raízes muito recentes. O Antigo Testamento, com a rica história do povo de Israel, traz uma espécie de identificação com o povo de nosso país. Talvez isso explique porque tantos brasileiros evangélicos queiram ou procurem ser mais judeus.

Em 3º lugar, devemos considerar a realidade de que a igreja evangélica brasileira quase não tem símbolos ou expressão artística. A maioria dos símbolos cristãos históricos (catedrais, cruzes, etc.) tem identificação católica na realidade nacional. Assim, os evangélicos buscam símbolos para expressar sua fé, e acabam geralmente escolhendo símbolos judaicos ou véterotestamentários (menorá, estrela de Davi, e etc.).

Essas considerações são importantes para que a igreja brasileira não perca o rumo por problemas de ordem hermenêutica. Aqui vão as observações que merecem nossa reflexão:

1. Nem todo texto bíblico do AT pode ser visto como normativo.

2. Devemos ensinar que muito da teologia do AT é ultrapassada.

3. Antes de pregar ou cantar um texto do AT é preciso entendê-lo

4. Devemos ensinar que vingança e guerra não são valores cristãos
Jesus ordenou que devemos amar até mesmo aqueles que nos odeiam. Não podemos cantar "persegui os inimigos e os alcancei, persegui-os e os atravessei" (Sl 18.37.38).

5. Enfatizemos a verdade de que a adoração do NT é Superior A tradição evangélica sempre louvou a Deus por seus atos e atributos. Atualmente estamos cada vez mais enfatizando “o monte santo”, “a cidade sagrada”, “a casa de Deus”, “a sala do trono”. Nós somos o “templo de Deus”. Os elementos materiais pouco importam na adoração genuína. É preciso retomar o caminho correto.

LITERATURA APOCALÍPTICA
Muito bem, depois dessas considerações, para entendermos bem o livro de Daniel é importante conhecermos alguns detalhes sobre a “literatura apocalíptica”.
Para os seus primeiros leitores, o livro de Daniel foi uma mensagem fácil de ser entendida. E pode ser o mesmo para nós. Só temos que saber como decodificá-lo. Assim fazendo, sua leitura se torna adequada, trazendo lições práticas para quem vive no século 21, apesar da distância que nos separa de Daniel, e do seu contexto como um judeu no exílio. Para isso é preciso entender, inicialmente, o que significa a "literatura apocalíptica".

A Literatura Apocalíptica Para os Crentes da Antiga Aliança

Quando falamos sobre literatura apocalíptica lembramos imediatamente do livro de Apocalipse. Porém temos que saber que, antes do livro do Apocalipse ter sido escrito por João, já existiam trechos nos livros proféticos que apresentam claramente as características desse tipo de literatura. É o caso do livro de Isaías 24-27; Ezequiel 1-2; Joel 2-3. Daniel, igualmente, é um profeta com características profundamente apocalípticas, como pode ser visto nos seus diversos capítulos, o mesmo acontecendo com Zacarias, o penúltimo livro do Antigo Testamento. A partir do capítulo 1, há uma série de visões: oito ao todo até o capítulo 6. Mas que características são estas da chamada literatura apocalíptica? Entendamos: um livro apocalíptico não é para ficar fechado e sem compreensão. Pelo contrário, o próprio nome da literatura já diz o seu objetivo. Apocalipse é uma palavra grega que se traduz como "revelação", como pode ser conferido em Apocalipse 1.1, a abertura do livro que explica de quem vem a revelação: "de Jesus Cristo"!
As principais características dessa literatura são o uso constante de números, cores, animais (alguns extrema e curiosamente estranhos e amedrontadores), cidades, pessoas, tudo muito simbólico, mas plenamente adequado.
Para o antigo Israel, o centro de atenção era a própria nação e a defesa de sua fé, de sua Lei, de sua existência como povo escolhido por Deus. No Novo Testamento (que é a nova aliança baseada no sangue de Jesus Cristo), o centro de interesse é a Igreja, sua fortaleza e vitória, apesar de tudo: das perseguições, das heresias, dos martírios, do sangue derramado. O livro quer enfatizar que, apesar dos pesares, somos vencedores, com a vitória garantida por Deus, e, posteriormente, por Jesus Cristo, Rei dos reis e Senhor dos senhores!
A “literatura apocalíptica” é um gênero literário que encontra representantes tanto na literatura canônica, quanto fora dela.
Na literatura canônica, destaca-se Daniel no Antigo Testamento; e o Apocalipse de João no Novo. Naturalmente, existem outros textos com características nitidamente apocalípticas

A literatura apocalíptica distingue-se da profecia por vários aspectos, entre eles mencionamos:

1) o caráter esotérico,
2) o sofrimento dos santos aliado à esperança de libertação final mediante intervenção divina,
3) o grande julgamento intervindo na história,
4) a vinda do futuro não como conseqüência do presente, e,
5) a visão dos ímpios como adversários de Deus.

Origens do gênero apocalíptico

“A literatura apocalíptica foi o resultado de uma esperança invencível e indestrutível que tomou conta do coração do povo de Deus, numa época de crise”. Se fizéssemos uma vasta pesquisa nos exemplos citados, inclusive entre os não canônicos, perceberíamos quanto a literatura apocalíptica se faz presente como fator gerador de esperança entre aqueles que passam dificuldades.
Devemos recordar que em 586 aC., Jerusalém tinha sido destruída, e muitos israelitas estavam exilados. Neste contexto surgiu um movimento reformador com duas tendências, que são antecessoras daquele que ficou designado como apocalíptico.

A primeira foi dirigida pelo grupo sacerdotal sadoquita, seu projeto era a reconstrução do Templo e do culto, como meios de restauração do povo.

A segunda, caracterizada pelo profetismo popular, baseava-se na escatologia apocalíptica, e visava a reconstrução do povo sem necessariamente reconstruir as estruturas. O movimento apocalíptico é a continuação histórica desta tendência.

Muito tempo depois, nos dias do Novo Testamento, por volta de 90 d.C., a Igreja cristã começou a sofrer perseguição de forma mais intensa por parte do Império Romano. Uma vez mais, em uma situação de crise fez-se uso do gênero apocalíptico para confortar o povo, e assegurar-lhe a esperança da intervenção divina em seu favor.
Então, como podemos observar, a “literatura apocalíptica” surgiu como uma resposta, uma reafirmação da certeza de que apesar das dificuldades momentâneas, no final, Deus conduziria seu povo à vitória; e, além disso, a “literatura apocalíptica” surgiu da necessidade de divulgar as mensagens de Javé por meio de símbolos, uma vez que o Seu povo se encontrava em perigo, o que se tornou uma espécie de marca registrada do gênero.

A literatura apocalíptica no Antigo Testamento

No Antigo Testamento, encontramos alguns representantes deste gênero, e, dentre eles destaca-se Daniel, cujo “autor reviu a história da época do exílio ao seu momento presente. Ele pretendia confortar e encorajar seu povo (...) o próximo passo só poderia ser a intervenção pessoal de Deus em favor do povo.
O encorajamento ao povo tão necessário em uma hora de crise contribuía para enfatizar a idéia do remanescente fiel, bem como nutrir a esperança messiânica. Convém esclarecer, que esse messianismo presente naquela região, carregava consigo fortes conotações políticas.

1.3  A literatura apocalíptica no Novo Testamento

Como constatamos pelo estudo, o gênero literário apocalíptico, tem representantes também fora das fronteiras canônicas. Na literatura extra canônica existem vários exemplos do gênero, citamos: O Apocalipse de Baruc, o Livro dos Jubileus, os Oráculos Sibilinos, os Salmos de Salomão, a Assunção de Moisés, o Apocalipse de Enoque, a Vida de Adão e Eva, o Apocalipse de Abraão, o Apocalipse de Pedro, o Apocalipse de Paulo, o Apocalipse de Tomé, e o Pastor de Hermas.60
No Novo Testamento encontramos o maior, e mais típico representante deste gênero, o Apocalipse de João, que retrata a perseguição da Igreja, e a sua vitória associada à do seu Mestre que ressuscitou.
Outros textos, com indicações deste gênero no Novo Testamento, são: Mateus 24-25; Marcos 13; Lucas 21.5-36; 1Coríntios 15; Gálatas 1; Efésios 6.10-20; 1 Tessalonicenses, especialmente 4.13-5.11; 2 Tessalonicenses 2.1-12; Judas.30 E, à época em que surgiu o Cristianismo, esse estilo apocalíptico já era conhecido; eventualmente, a Igreja cristã fez uso dele para conservar e propagar a sua mensagem, quando os poderes dominantes a ela se opuseram.
Portanto, para os cristãos, como para os judeus, a literatura apocalíptica foi uma forma de resistir às dominações que se impunham, ao tempo em que as forças para resistir eram renovadas.
Isso nos conduz a uma reflexão sobre o momento presente, e suas dificuldades; bem como sobre o grande desafio para a Igreja, sobre como prosseguir em sua caminhada rumo a eternidade apesar das grandes dificuldades que ela enfrenta.

Daniel e a literatura apocalíptica

No estudo que faremos desse livro vamos perceber que embora Daniel tenha feito uso desse tipo de literatura, quando comparado aos outros profetas ele é um livro único, singular. Como afirmam Arnold & Beyer (2001, p.429) os outros profetas vêem o futuro da perspectiva de Israel e das promessas de Deus para o seu povo. Mas o ponto de vista de Daniel é diferente. Ele considerou os impérios mundiais seculares à luz dos propósitos finais de Deus e descreveu o reino de Deus que ainda chegaria. Quando descreveu o futuro, Daniel usou um panorama universal.
O propósito de Daniel não era chamar os leitores a se arrependerem e buscarem uma nova vida, como os outros profetas. No seu livro, Daniel chama o povo para ser fiel e obediente mesmo em tempos de dificuldade, mostrando que o Senhor e aqueles que o temem terão a vitória final.
Por isso, o meu convite a você é que me acompanhe por vinte programas no estudo desse precioso livro. Minha oração é que Deus abra a sua mente e o seu coração para perceber o seu poder e a segurança que podemos ter nele. Embora soframos tribulações e dificuldades o nosso futuro está garantido, no Senhor.
Que Deus te abençoe,
Um grande abraço e até o próximo programa.

© 2014 Através da Biblia

Daniel Introdução (Através da Bíblia)

Daniel Introdução
Querido amigo, estamos iniciando mais um programa da série "Através da Bíblia". É com grande alegria que chegamos a esse momento especial em que podemos reservar alguns minutos durante o dia para estudarmos a Palavra de Deus. Você que tem nos acompanhado sabe que o objetivo de estudarmos a Bíblia Sagrada com profundidade é aplicá-la em nossas vidas adequando o nosso viver à vontade de Deus. Somos gratos a Deus pelo privilégio de podermos conhecer mais a sua vontade, que é boa, agradável e perfeita. Por isso quero incentivá-lo a ter em suas mãos a Bíblia aberta para estudarmos neste programa os aspectos introdutórios relativos ao livro do profeta . Aproveito a oportunidade para agradecer aqueles que têm compartilhado sobre o programa e sobre as suas vidas pessoais e ministeriais. É através das correspondências de vocês que ficamos sabendo do valor do programa. Hoje, registro a carta que o José Lindomar nos enviou da cidade de São Luis, capital do estado do Maranhão. Foram essas as suas palavras: “Ao pastor Itamir Neves, com muito carinho. A todos da rádio trans mundial, graça e paz da parte do nosso senhor Jesus. Tenho uma irmã e um cunhado que moram no Japão , enviei um email para eles e pedi que ouvissem a rádio trans mundial , eles estão adorando, fiquei feliz, peço que mande um alô para eles e que orem por todos lá no Japão, pois aquele país esta passando por uma crise. Um abraço a todos” José Lindomar Barros Duarte - São luis – MA – email. Querido irmão, querido amigo, muito obrigado por suas palavras. Quero cumprimentá-lo pela disciplina de reservar diariamente um tempo para o estudo da Palavra de Deus com sua família. Obrigado também pela indicação que tem feito do programa para os seus parentes aumentando assim a rede daqueles que amam estudar a Palavra de Deus e, obrigado também por suas orações. Envio um forte abraço para os seus familiares lá no Japão, desejando e pedindo a Deus que os abençoe e lhes dê todo o necessário para viverem dignamente. Aliás essa é a oração que devemos fazer por nossos amigos, parentes, e irmãos, diante dessa crise pela qual estamos todos passando. Que o Senhor tenha misericórdia do seu povo. E, exatamente para isso convido a todos que estão me ouvindo agora. Convido-o a orar a Deus tamném colocando este programa nas mãos do Senhor: "Pai de amor, obrigado por podermos abrir a Tua Palavra e ouvirmos a Tua voz. Senhor que a prática de estudarmos a Bíblia possa atrair muitos amigos para que possam desfrutar dessa comunhão contigo. Oriente-nos no estudo de hoje. Que haja edificação e glória ao teu nome. Abençoa nossas famílias dando-nos o necessário para vivermos dignamente. Abençoa também este casal que mora no Japão, que a tua graça os alcance. Derrame suas bênçãos sobre cada um deles. Capacita-nos a te obedecer. Oramos em nome de Jesus, Amém".
Querido amigo hoje temos como objetivo estudarmos os aspectos introdutórios relativos ao livro do profeta Daniel. Porém antes de alistarmos e considerar esses aspectos introdutórios permita-me esclarecer um pouco mais a questão das profecias do Antigo Testamento que serão alvo dos nossos próximos estudos
Querido amigo, como estamos nos dias da Nova Aliança é necessário entendermos que tendo Jesus Cristo como o ápice da revelação divina e divisor da história humana:
As profecias do AT devem ser interpretadas à luz do NT e de Jesus Cristo:
Temos que considerar como os autores do NT encaravam as escrituras do AT e, temos que considerar que os conceitos do AT foram mudados quando relacionados com Jesus Cristo. Daniel se destaca exatamente por isso: ele vê a história sobre o ponto de vista divino e, nos faz perceber que Deus, através de Jesus Cristo, o Senhor dos senhores e o Rei dos reis, tem o controle sobre a história humana, individual e das nações.
Quando respeitarmos esse princípio estaremos prontos para estudar as profecias do Antigo Testamento. Portanto, consideremos e os aspectos introdutórios da profecia de Daniel.
Aspectos introdutórios de Daniel

1. Em relação a Introdução
Estamos penetrando na fascinante aventura de caminhar nas páginas do livro do profeta Daniel, considerado por muitas pessoas um livro de difícil entendimento. É um livro fascinante pelo colorido, pelo grafismo, tendo o Espírito de Deus colocado na pena do profeta Daniel a revelação de Jesus Cristo de tal modo que cores, figuras, números, tudo fala de um modo muito particular, porém preciso, por meio do simbolismo envolvido. Quase que sentimos no meio das batalhas, do fogo da fornalha, na cova dos leões, no meio dos embates que se sucedem. Para algumas pessoas o livro do Daniel tem sido tão misterioso quanto o livro de Apocalipse, de difícil compreensão. Mas, com tranqüilidade, profundo estudo e contanto com a iluminação do Espírito Santo, certamente vamos entendê-lo e assim também dele aprenderemos lições úteis para aplicá-las às nossas vidas.

2. Em relação ao homem Daniel
Daniel, que significa “Deus é meu juiz” era membro da família real de Judá (cf. 1.3), nasceu em Jerusalém, provavelmente em 623 a.C., durante a reforma de Josias, no princípio do ministério de Jeremias e, foi educado na corte real (cf. 1.4-7). Era da mesma idade de Ezequiel, sendo que este tinha sido deportado em 597 a.C. e Daniel, em 605 a.C. Daniel viveu na Babilônia durante o séc. VI a.C. e serviu aos governantes babilônios e persas. Enquanto o ministério de Jeremias, em Jerusalém ocorreu entre 626-586 aC., e o de Ezequiel ocorreu entre 593-571 aC., Daniel profetizou entre 605 até 536 aC., (todos os 70 anos que duraram o exílio) quando ocorreu o primeiro retorno dos judeus, sob a liderança de Josué e Zorobabel (cf. Ed 1.1-2.2). Daniel era um homem de propósitos firmes e decidido (cf. 1.8-16); tinha discernimento de sonhos e visões (1.17); decifrou o escrito divino na parede, no qual, Belsazar, foi julgado e encontrado em falta (5.1.-31); tornou-se o principal entre os presidentes da Pérsia (6.1); foi protegido por Deus de ser morto por leões (6.10-24); e, também era muito piedoso em sua vida devocional e de oração (9.1-19). Serviu fielmente a quatro imperadores mundiais: Nabucodonosor (2.11-4.37) e Belsazar (5.1-31), babilônicos e Dario (6.1-28) e Ciro (10.1-11.1), persas. Daniel, desde jovem serviu como um exemplo de amor e compromisso com Deus. Daniel era tido em alta estima por Deus e pelos homens.

3. Em relação à autoria do livro
Daniel tem estado sob ataque talvez mais do que qualquer outro livro de profecia. Teólogos liberais negam sua integridade e declaram que o livro pode ser uma falsificação. Por outro lado, muitos teólogos “fundamentalistas” têm torcido a mensagem do contexto e têm permitido que suas imaginações os conduzam de modo a interpretar as partes apocalípticas de acordo com as suas posições escatológicas.
Em vista destas controvérsias sobre Daniel, precisamos ser cautelosos para que não insiramos idéias preconcebidas em sua mensagem. Primeiro, aprendamos sua ambientação histórica, e então certifiquemo-nos de que a interpretação aceita para as passagens difíceis siga as regras básicas da hermenêutica bíblica: A Bíblia interpreta a própria Bíblia; a interpretação deve concordar com o contexto do próprio livro; e a interpretação deve estar em harmonia com todas as outras afirmações a Bíblia apresenta sobre aquele assunto.

O livro de Daniel tem sido tradicionalmente atribuído a Daniel (Deus é meu juiz):

1) com base nas declarações explícitas feitas em suas páginas (cf. 9.2; 10.2);
2) com base nas citações de Ezequiel (cf. 14.14, 20; e, 28.3); e,
3) com base no testemunho de Cristo (cf. Mt 24.15), além de ter sido mencionado indiretamente pelo autor de Hebreus (Hb 11.33).

4. Em relação à data e a autenticidade do livro
Nesse aspecto temos duas posições antagônicas: Alguns estudiosos sustentam que o conteúdo do livro, em grande parte, é fictício, pois tomam por base o conceito filosófico de que a profecia preditiva de longo alcance não existe, é algo impossível. Por não crerem na sobrenaturalidade da Palavra de Deus, e nem na possibilidade de Deus revelar o futuro aos homens, entendem esses estudiosos que as profecias que aparecem no livro, na verdade são fatos que ocorreram e foram registrados posteriormente, como se fossem profecias, e assim colocam a data do livro por volta de 200 anos antes de Cristo.
Por outro lado, temos muitos estudiosos que crêem na sobrenaturalidade do livro e na capacidade de Deus revelar o futuro aos seres humanos através de seus profetas, para encorajar, para mostrar os seus planos benéficos em relação ao seu povo. Nesse grupo, nós que acreditamos que Deus pode e revela-se de modo sobrenatural e revela também sobrenaturalmente alguns eventos futuros, entendemos que a data da composição do livro é aproximadamente 536 a 530, pouco depois de Ciro ter conquistado a Babilônia, em 539 aC.
Em relação a autenticidade do livro, mesmo que ele seja criticado com relação às palavras persas e gregas que poderiam indicar uma data posterior, tem sido demonstrado recentemente, através de evidências lingüísticas nos rolos do Mar Morto, que essas palavras, já eram conhecidas e usadas por volta do séculos seis aC.

5. Em relação ao ambiente histórico
A política mundial, ascensão e queda dos grandes impérios e a relação dessas potências com Israel são o assunto principal das profecias de Daniel.
O império babilônico (626 aC. Até 539 aC.) tinha conquistado a Assíria, tornando-se a superpotência mundial. Na sua expansão e conquista do mundo de então a Babilônia tinha conquistado Judá.
E, Daniel, ainda jovem, com seus amigos e, mais um grande grupo de nobres judeus foi levado para o exílio babilônico, em 605 a.C. com a primeira leva de deportados, enquanto um grande grupo de judeus tinha fugido para o Egito, levando consigo o profeta Jeremias. Durante aqueles anos, nos quais viveu Daniel, o mundo experimentou essas mudanças: a Assíria deixou de ser o império mundial. A Babilônia tomou o seu lugar e depois a Pérsia tomou o lugar os babilônicos. Na batalha de Carquemis, em 605 a.C. Daniel e muitos outros judeus foram levados para a Babilônia. Em 597, um segundo grupo de Judeus foi exilado para a Babilônia, entre os quais estava o profeta Ezequiel e o rei Zedequias. Aproximadamente vinte anos depois, em 586 aC., Judá foi destruída e o templo foi arrasado pelos babilônios; e, posteriormente, os egípcios foram invadidos pela Babilônia em 568 aC..
Depois disso, enquanto a Babilônia se enfraquecia, a Pérsia surgia como poder mundial. O governo dos medos caiu sob as tropas de Ciro, o persa, em 550 e, por último, em 539 aC., a Babilônia foi derrotada por Ciro. E, assim a Pérsia tornava-se o império mundial.

6. Em relação ao valor histórico do livro
É possível fazer apenas algumas observações a respeito do valor histórico do livro que foi escrito provavelmente entre 536-530 a.C., logo depois da última visão (cap.10-12):

1. Daniel mostra-nos Deus como o soberano do universo, que quando quer, intervém na história humana de maneira sobrenatural, sendo exemplo máximo disso a ascensão e a queda desses impérios e imperadores mundiais, pois não há autoridade que não proceda e seja instituída por Deus (cf. Paulo declara de modo veemente em Rm 13.1)

2. Daniel também nos mostra que os cumprimentos das várias profecias registradas por ele não podiam ter acontecido até o século dois aC. Confirmando uma data mais antiga para a composição do livro (536/530 aC.), o simbolismo ligado ao quarto reino revela que, sem possibilidade de engano, tratava-se de uma profecia a respeito do império romano (cf. 2.33; 7.7, 19), que só veio a ocupar o “governo mundial”, a partir do ano 63 aC.

3. E, como mais um testemunho do valor histórico do livro podemos citar a profecia a respeito do “Ungido”, aquele que seria o “Príncipe”. Essa profecia diz assim: Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e edificar Jerusalém até o Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas ... Depois da sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará ... (Dn 9.25-26). Quando fazemos esse cálculo achamos 483 anos depois desse decreto de reconstrução e isso nos mostra, nos leva exatamente à época do ministério de Jesus. Considerando-se o ano de 444 aC., como o do decreto persa para reconstrução de Jerusalém ao somar-se mais 483 anos, chegamos ao ano 33 dC., provavelmente o ano em que Cristo foi crucificado, dando-se por nós.

7. Em relação ao tema
Daniel não comunicou sua mensagem, relatada ao povo exilado. A profecia de Daniel que se estendeu pelo período de 70 anos do cativeiro foi ministrada à corte dos reis. Daniel destacou a história política e profética, com forte ênfase na sabedoria, poder e soberania de Deus e em Seu reino prevalecendo sobre os reis e os reinos dos homens. Daniel foi o grande intérprete de sonhos e visões e nos permitiu um vislumbre bastante perspicaz do futuro, à medida que o plano de Deus para Israel e para a humanidade se descortinava. Daniel retratou Deus como o Rei soberano do uni¬verso, aquele que controla os destinos tanto de impérios pagãos como de seu povo, exilado ou restaurado e, os revela ao seu povo.
Portanto, o tema do Livro de Daniel é: “O Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens” (Daniel 2:21; 4:17,25,32,34-35; 5:21).

8. Em relação à forma literária
Aqueles que consideram fictícias as histórias classificam-nas como lendas da corte. Os que aceitam seu valor histórico consideram-nas como relatos biográficos de Daniel e de seus amigos. As visões de Daniel podem ser classificadas como literatura apocalíptica.

9. Em relação ao propósito e teologia
O Deus de Daniel é o Rei soberano do mundo, que levanta e derruba governantes e determina com grande antecedência o futuro das nações. A Daniel, Deus revelou a história futura, demons¬trou o poder de livrar os seus e deu uma lição viva sobre os perigos do orgulho. Nabucodonosor foi forçado a reconhecer a soberania do Deus de Daniel de uma maneira muito humilhante, sendo transformado num animal do campo até que reconhecesse o poder e a soberania de Deus.

10. Em relação a estrutura do texto

》DANIEL E SEUS AMIGOS NA BABILÔNIA1.1—6.28

Daniel e seus amigos permanecem fiéis1.1-21
●Daniel interpreta um sonho2.1-49
●Os amigos de Daniel enfrentam a morte3.1-30
●Nabucodonosor sonha com uma grande árvore4.1-37
●A queda da Babilônia5.1-31
●Daniel é livrado da cova dos leões6.1-28

VISÕES E REVELAÇÕES DE ACONTECIMENTOS FUTUROS7.1—12.13

A visão de quatro animais saindo do mar7.1-28
●A visão de um carneiro e um bode8.1-27
●A visão das setenta semanas9.1-27
●Um anjo revela acontecimentos futuros10.1—12.13

11. Em relação ao valor ético e teológico
Daniel destaca a soberania de Deus sobre a história do mundo. A história desenvolve-se como parte dos planos de Deus e caminha em direção a alvos anteriormente determinados por Deus. Os déspotas terrenos utilizam seu poder cruel só por um breve tempo. Deus está no controle de tudo e estabeleceu um fim para o tempo de sofrimento de seu povo.
Entre os propósitos de Deus para a história humana estão o livramento de seu povo oprimido, a ressurreição, o julgamento e o estabeleci¬mento de seu reino eterno. Daniel, portanto, conclama o povo de Deus de todos os tempos a perseverar e a manter a esperança.

12. Em relação ao que se deve buscar ao estudar esse livro
Ao estudarmos essas sagradas palavras vamos encontra declarações sobre a fidelidade de Deus e o seu poder. Deus cumpriu a sua promessa de castigar a desobediência do povo e, os mandou para o exílio. Mas, Deus também cumpriu a sua promessa de restaurá-lo e protegê-lo diante das grandes mudanças que ocorriam na alternância de poder das nações.

13. Em relação às razões para estudarmos o livro de Daniel
Se desejamos ouvir a Deus, se desejamos perceber as revelações de Deus, e, se desejamos ser estimulados em nossa fé através de exemplos de vida, somos desafiados a estudar este livro; temos razões suficientes para estudarmos essas profecias bíblicas. Esse é o meu convite para você, para os próximos dezoito programas.
Conclusão
À semelhança de Daniel e seus amigos, os cristãos de hoje são tentados a fazer concessões em seus valores e cultuar aquilo que não é Deus. Daniel convoca os cristãos a viverem a sua fé a qualquer custo neste mundo hostil.
Os cristãos devem lembrar que Deus está operando soberanamente todas as coisas de acordo com o Seu plano perfeito e haverá de trazer a história a um final, à Sua maneira e ao Seu tempo. O reino de Deus haverá, de fato, de vir à terra como ele hoje existe no céu. Você já faz parte desse reino?
Que o Senhor te abençoe e que a sua fé se torne ainda mais firme.
Um grande abraço e até o próximo programa.
© 2014 Através da Biblia

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Através da Bíblia - Hebreus 7.1-10

Hebreus 7.1-10
Olá amigo, estamos iniciando mais um programa da série "Através da Bíblia". Você que tem nos acompanhado sabe que este programa tem por propósito estudar toda a Palavra de Deus. Fazemos isso porque entendemos a necessidade cada vez mais urgente de voltarmos à simplicidade e à profundidade dos ensinos bíblicos. Em dias como esses em que através dos jornais, das rádios, das tvs, e até dos púlpitos das igrejas as mais diversas e absurdas interpretações têm sido proclamadas, nos sentimos convocados por Deus para expor com genuinidade os princípios eternos que nos fazem viver conforme a Sua vontade. As correspondências que vocês enviam demonstram que estamos no caminho certo. Por isso, quero incentivá-lo a nos escrever sobre as suas boas experiências no estudo da Palavra e também colocar as suas dúvidas em relação ao que você tem ouvido ou as dificuldades de interpretação advindas dos seus estudos pessoais. Foi sobre essas particularidades que recebemos um e-mail do Walter da cidade de Campina Grande do Sul, no estado do Paraná. Foram essas as suas palavras e a pergunta que nos fêz: “Olá pastor Itamir, Sou o Walter e tenho ouvido regularmente o programa. Hoje escutei a explicação de Ez:25 à 28 e gostaria de saber mais informações sobre Ez:11 à 19. É errado dizer que este texto faz referência à Satanás? Bem como Isaias 14? Peço à Deus pela manutenção do programa todos os dias. Cordial abraço a todos.” Walter - Campina Grande do Sul - PR – email. Querido irmão, louvamos a Deus por sua vida e por sua fidelidade em estudar a Sua Palavra durante tanto tempo. Certamente Deus tem lhe recompensado. Também agradecemos a sua disposição em orar por nós e como o nosso projeto envolve tanto os programas pela RTM como a publicação dos comentários temos convocado a todos vocês, a se unirem em oração em nosso favor. Em relação à sua questão, como lhe respondi pelo e-mail, é muito comum encontrar explicações da origem de Satanás baseadas em Ezequiel 28 (a profecia contra o rei de Tiro) e Isaías 14 (a profecia contra o rei da Babilônia). Até o nome “Lúcifer”, aplicado por muitos ao Diabo, vem de algumas traduções de Isaías 14. Mas o estudo cuidadoso destes capítulos mostra que as pessoas condenadas, embora imitando muitas atitudes de Satanás, eram, de fato, reis de povos antigos. Ezequiel 28 fala de alguém que não passa de homem (vs. 2, 9) e que seria morto pela espada de estrangeiros (vs. 7-10). Muitos justificam a interpretação sobre Satanás por causa dos comentários sobre Éden e o querubim (vs. 12-14), mas Satanás não brilhava no Éden como querubim. Ele entrou como serpente para tentar o primeiro casal! Este de Ezequiel 28 trecho usa linguagem simbólica que fala de Daniel e de um querubim, mas, o assunto da profecia é o próprio rei de Tiro. Com certeza era um filho do Diabo (João 8:44), mas este trecho não é uma história da origem do Adversário. Walter, também, como tenho comentado em nosso programa, para estudarmos a Bíblia e a interpretarmos corretamente temos que pedir a iluminação do Senhor. Só através da oração, da iluminação e da orientação divina podemos entendermos a Palavra e sermos por ela edificados. E, é por isso que ao iniciarmos cada programa, oramos pedindo essa bênção específica para os nossos comentários. E, é exatamente para orarmos que te convido agora. Vamos orar: “Pai querido, obrigado pela tua direção e pela misericórdia que tu nos dás. Pedimos a iluminação do Teu Espírito para o programa de hoje. Que ele sirva para edificação de cada um dos nossos ouvintes. Pai pedimos também a tua bênção para que esse projeto seja realizado conforme a tua vontade. Senhor pedimos isso baseados na Tua misericórdia, em nome de Jesus. Amém”.
Querido amigo, hoje o nosso alvo é iniciarmos o estudo do capítulo sete desta carta escrita aos hebreus.

O autor de Hebreus identificou Jesus como sumo sacerdote de acordo com a ordem de Melquisedeque, tanto no capítulo 5 como no 6. Mas quem é Melquisedeque? Por que Jesus é um sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, em vez da ordem levítica?
Neste capítulo 7, o autor responde a essas questões. Melquisedeque aparece na história bíblica durante apenas um curto período (veja Gênesis 14:18-20). Porque a Bíblia não registra seu nascimento, morte nem mesmo sua genealogia, Melquisedeque parece ser de natureza eterna, como o Filho de Deus. Ele é identificado como sendo tanto o rei de Salém como sacerdote do Deus Altíssimo.
O autor deseja demonstrar a superioridade do sacerdócio de Jesus sobre o de Arão e, assim, ele afirma a superioridade de Melquisedeque sobre Levi. Ele o faz, em parte, observando que Melquisedeque abençoou Abraão (o menor é abençoado pelo maior) e que Abraão, que tinha as promessas, pagou dízimo a Melquisedeque. Num sentido figurado, Levi, descendente de Abraão, também pagou dízimo a Melquisedeque, através de Abraão.
Ao iniciarmos o estudo deste capítulo importante dentro do livro é necessário fazermos isso detalhadamente, portanto, vamos estudá-lo dividindo-o em três porções. Ao observamos todo o conteúdo do capítulo, percebemos que o seu tema é bem definido, mostrando-nos que o sacerdócio de Cristo, segundo a ordem de Melquisedeque é incomparavelmente superior ao antigo sacerdócio arônico. Vamos verificar essas três etapas: No programa de hoje, nesses dez primeiros versos verificaremos que o fato de Abraão reconhecer Melquisedeque como seu sacerdote mostra a superioridade deste sobre Arão. Quando estudarmos os versos 11 a 25, perceberemos que as imperfeições do sacerdócio arônico demonstravam a necessidade do estabelecimento de um sacerdócio superior e perfeito, o que aconteceu em Jesus Cristo. E, no estudo dos versos 26 a 28, verificaremos as virtudes de Jesus Cristo, que o colocam como o nosso suficiente sumo sacerdote.54
Para o texto desses dez versículos iniciais, para o estudo de hoje o título proposto é:
A superioridade do sacerdócio de Jesus Cristo
Hb 7.1-10
Introdução
Querido amigo, como temos verificado em nossos estudos esta carta escrita aos hebreus argumenta que Cristo é superior em todas as coisas. Cristo como o nosso Grande Sumo Sacerdote é superior, aos profetas do Antigo Testamento, aos anjos, e aos sacerdotes que oficiavam no sistema levítico. A aliança de Cristo é superior à Antiga Aliança dada aos judeus no Sinai. Cristo é maior que Moisés e Arão. Todos estes argumentos têm o propósito de nos levar à conclusão de que a salvação que Cristo concede (já que é baseada no seu próprio precioso sangue e não no sangue de bois e bodes [conf. 10.4]) é certamente uma salvação tão grande (Hebreus 2:1-4), que não pode ser negligenciada. Se ignorarmos ou negligenciarmos esta tão grande salvação, estaremos provocando a nossa própria ruína espiritual.132
Querido amigo, como temos visto, esta carta aos cristãos hebreus é um dos livros mais ricos do Novo Testamento, pois além de nos ajudar advertindo-nos como percebemos no estudo passado, o autor deste livro apresenta e defende uma série de temas importantes, que destacam e focalizam a superioridade de Jesus Cristo, em quem podemos nos socorrer para não cairmos.
Durante o nosso estudo de Hebreus, temos visto e ainda veremos mais a posição exaltada de Jesus destacada de várias maneiras. Hebreus nos convida, então, a adorar o Senhor Jesus e contemplar a sua grandeza. Sua primazia e divindade são motivos para todas as criaturas lhe darem louvor. Deus manda que os anjos adorem a Jesus, e apresenta seu Filho de um modo que todos devem admirá-lo. Jesus Cristo é Deus, como o salmista disse ... acerca do Filho: O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre (1:8; compare Salmo 45:6).
Esta carta enfatiza a posição de Jesus como nosso Sumo Sacerdote. Nesta capacidade, ele entrou a nosso favor na presença do Pai, onde permanece até hoje. Por meio dele, podemos nos aproximar do trono da graça com a confiança e esperança, sabendo que ele vive para nos ajudar na caminhada para a eternidade.
O livro destaca, também, a eficácia do único sacrifício perfeito pelos pecados – o próprio Jesus Cristo. O autor mostra que os sacrifícios anteriores não resolveram o problema do pecado ... porque é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados (10:4). O único sacrifício capaz de remover pecados é o próprio Cristo, que se ofereceu uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos (9:28).
Enfim, vale a pena alistar como autor destaca a pessoa de Jesus Cristo por toda a carta. Jesus é apresentado como: 1) Filho de Deus, superior aos profetas (1.1); 2) Herdeiro, superior aos ministros e servos (1.2); 3) Criador do Universo (1.2); 4) A manifestação perfeita de Deus (1.3); 5) É o que sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder (1.3); 6) O rei eterno e perfeitamente justo sentado à direita do Pai (1.3); 7) Superior aos anjos (1.4); 8) Merece adoração, pois é Deus (1.6); 9) É eterno (1.11-12); 10) É o Senhor (2.5-8); 11) É o autor da salvação (2.10); 12) Santifica os homens (2.11); 13) Venceu o diabo (2.14); 14) É sumo sacerdote para sempre (2.17); 15) É a propiciação pelos pecados do povo (17); 16) É o Apóstolo de Deus (3.1); 17) Estabeleceu e domina a casa de Deus (3.3); 18) Cumpriu sua missão e entrou no descanso de Deus, o Santo dos Santos (4.14); 19) Enfrentou as tentações, mas não pecou (4.15); 20) Foi glorificado e nomeado Sumo Sacerdote pelo próprio Pai (5.10); 21) Mudou o sacerdócio e mudou a Lei (7.12); 22) É fiador e mediador da nova e superior aliança (7.22; 8.6); 23) É o único sacrifício eficaz e perfeito (9.27); 24) É o autor e consumador da fé (12.2); 25) É o grande pastor das ovelhas (13.20).227
Querido amigo, Jesus, como Rei eterno, Sumo Sacerdote para sempre e sacrifício perfeito, se tornou Mediador de uma nova e superior aliança. Como temos visto nestes estudos, apesar das doutrinas contraditórias de algumas pessoas hoje, Jesus cumpriu o Antigo Testamento e introduziu o Novo Testamento, uma aliança superior que oferece a salvação aos homens perdidos. Aquela lei, com seu sacerdócio inferior e seus sacrifícios ineficazes ... nunca aperfeiçoou coisa alguma (7:19). Mas Jesus Cristo é o Mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas (8:6).
Ora, diante dessas verdades, diante dessas colocações e com o texto desses dez primeiros versos do capítulo sete à nossa frente onde se enfatiza a ligação de Jesus como sumo sacerdote da ordem de Melquisedeque, o princípio que extraímos do texto e nos desafia é visto nessa frase:
Somente usufruiremos o que temos disponível em Jesus quando percebermos que o sacerdócio de Jesus Cristo é o único que nos leva a Deus.
Neste texto encontramos sete razões pelas quais comprovamos que o sacerdócio de Jesus Cristo é superior.
Antes, entretanto, de detalharmos essas razões vamos ler o texto bíblico no qual basearemos os nossos comentários
7.1 Porque este Melquisedeque, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, que saiu ao encontro de Abraão, quando voltava da matança dos reis, e o abençoou, 2 para o qual também Abraão separou o dízimo de tudo (primeiramente se interpreta rei de justiça, depois também é rei de Salém, ou seja, rei de paz; 3 sem pai, sem mãe, sem genealogia; que não teve princípio de dias, nem fim de existência, entretanto, feito semelhante ao Filho de Deus), permanece sacerdote perpetuamente. 4 Considerai, pois, como era grande esse a quem Abraão, o patriarca, pagou o dízimo tirado dos melhores despojos. 5 Ora, os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm mandamento de recolher, de acordo com a lei, os dízimos do povo, ou seja, dos seus irmãos, embora tenham estes descendido de Abraão; 6 entretanto, aquele cuja genealogia não se inclui entre eles recebeu dízimos de Abraão e abençoou o que tinha as promessas. 7 Evidentemente, é fora de qualquer dúvida que o inferior é abençoado pelo superior. 8 Aliás, aqui são homens mortais os que recebem dízimos, porém ali, aquele de quem se testifica que vive. 9 E, por assim dizer, também Levi, que recebe dízimos, pagou-os na pessoa de Abraão. 10 Porque aquele ainda não tinha sido gerado por seu pai, quando Melquisedeque saiu ao encontro deste.
Muito bem, agora com a leitura feita, tendo por base essa rica passagem bíblica em que se destaca a pessoa e a ordem de Melquisedeque vamos detalhar as sete razões pelas quais podemos confirmar a superioridade do sacerdócio de Jesus Cristo:
A 1ª razão do sacerdócio de Jesus Cristo ser superior é que Melquisedeque era sacerdote do Deus Altíssimo, vs. 1
Quando estudamos o Antigo Testamento constatamos que os hebreus aceitavam somente o sacerdócio levita, que vinha da linhagem de Arão. Para eles, somente esse sacerdócio era legítimo. Mas, ao reportar aos dias de Abraão, o autor leva seus leitores a um tempo anterior ao sacerdócio levita. O autor mostrou que há muito tempo, antes que houvesse povo de Israel, já havia esse sacerdote de Deus, indicando que naqueles dias primeiros já havia adoradores de Deus, assim como Jó, que também era dessa época (conf. Jó 1.1 e 5). O nosso Deus sempre foi adorado por todos os que reconheceram nele o Criador, o Sustentador e o doador da vida, como por exemplo: Abel (11.4 com Gn 4.3-7); Enoque (11.5 com Gn 5.21-24) e, Noé (11.7 com Gn 6.8 e 13-22). Nesse verso primeiro, o autor volta à profecia de Salmo 110:4 e usa este texto como mais uma prova da superioridade de Jesus. Melquisedeque (Gn 14:18-24 contém o registro histórico deste personagem) era sacerdote do Deus Altíssimo, isto é, de Yahweh e, portanto, um homem temente a Deus que surgiu na história antes de Abraão, o pai dos hebreus.
A 2ª razão do sacerdócio de Jesus Cristo ser superior é que Melquisedeque era um rei da justiça e da paz, vs. 2
Como já vimos anteriormente Melquisedeque era rei de Salém (possivelmente a cidade conhecida depois como Jerusalém; cujo nome significa paz) e, sendo sacerdote de Deus, implicitamente podemos pressupor que fora chamado, escolhido e aprovado por Deus (conf. 5:4). Ele era um homem justificado pelo próprio Deus que é o único que detém o poder de justificar alguém. O seu nome significa “rei de justiça”, pois era alguém justificado por Deus e, sendo rei de Salém, era também “rei da paz”, claramente uma referência aos títulos messiânicos do Senhor Jesus Cristo, conforme (Is 9.6-7; Jr 23.5-6; 33.15-16). Ora, sendo Jesus, dessa ordem sacerdotal anterior a ordem de Arão ou aos levitas, certamente seu sacerdócio era superior aos estabelecidos depois da Lei.
A 3ª razão do sacerdócio de Jesus Cristo ser superior é que Melquisedeque não teve genealogia declarada, vs. 3
Aqui temos um diferencial marcante. De modo totalmente diferente do relato de Gênesis, que sempre apresentou as genealogias, Melquisedeque aparece sem a sua filiação. Alguns estudiosos diante dessa afirmação entendem que Melquisedeque era um ser sobrenatural, um ser angelical, e outros entendem até que Melquisedeque era o próprio Senhor Jesus Cristo manifestado em sua natureza e função de rei e sacerdote pré-encarnado. Entretanto, quando analisamos mais profundamente o texto percebemos que ele é claro em dizer que Melquisedeque foi feito “semelhante” ao Filho de Deus. Melquisedeque certamente tivera um princípio e teve o seu fim como todo mortal, porém, como não houve registro da sua genealogia ele tornou-se um símbolo, uma figura do Messias vindouro, do sumo sacerdote eterno, o Senhor Jesus Cristo.
A 4ª razão do sacerdócio de Jesus Cristo ser superior é que Melquisedeque recebeu a oferta de Abraão, vs. 4
Quem recebe uma oferta, quem recebe o dizimo é maior do que aquele que dá, e o autor de Hebreus chama a atenção dos seus leitores para mostrar e para fazê-los considerar a grandeza desse homem. Ele enfatiza que o inferior é abençoado pelo superior (conf, vs.7) e assim de ambas as maneiras o autor de Hebreus mostra que Melquisedeque era superior a Abraão, portanto superior a Levi e a todo o seu sacerdócio. Sendo Jesus um sumo sacerdote da ordem de Melquisedeque ele é superior não só a Abraão, e a Moisés que trouxe a legislação divina para o povo, mas ele é superior ao próprio conteúdo da Lei. Na verdade a Lei, e as demais partes do Antigo Testamento apontavam para a vinda do Messias, Jesus Cristo nosso Senhor!
A 5ª razão do sacerdócio de Jesus Cristo ser superior é que Melquisedeque abençoou Abraão, que tinha a promessa divina, vs. 5-7
Sendo Melquisedeque superior a Abraão ele abençoou ao primeiro patriarca hebreus a quem Deus chamou para fazer dele uma grande nação. E a bênção pronunciada ... Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, que possui os céus e a terra; e bendito seja o Deus Altíssimo ... (Gn 14. 19-20) foi uma benção impactante. O nome de Deus, El Elyon, no hebraico, significa simplesmente o mais alto. Deus El Elyon é o Deus Altíssimo. A maior bênção, vinda do Deus único e mais sublime, invocada sobre o pai da futura nação hebraica indicava que quem impetrava aquela bênção era superior àquele que tinha a promessa divina de tornar-se grande nação. Sendo Jesus pertencente a essa ordem, a sua superioridade estava mais uma vez confirmada!
A 6ª razão do sacerdócio de Jesus Cristo ser superior é que Melquisedeque não era como os demais mortais, vs. 8
Arão, o primeiro sacerdote, os seus filhos, e todos os demais levitas que serviam no culto da Deus tinham que ser substituídos, pois, como mortais, eles morriam. Melquisedeque como símbolo de Jesus Cristo, não teve a sua morte registrada nas páginas de Genesis, exatamente para simbolizar o Senhor Jesus que, embora tenha morrido por nossa causa, vive agora para sempre!
A 7ª razão do sacerdócio de Jesus Cristo ser superior é que Melquisedeque recebeu ofertas dos levitas, em Abraão, vs. 9-10
Assim como Melquisedeque foi superior a Abrão, ele também era superior a Arão e, portanto, superior também a Levi, que também lhe pagou o dizimo, que lhe apresentou sua oferta, através de Abraão que mais tarde seria o pai dos hebreus. Levi, que nasceu mais de 150 anos depois deste encontro, foi representado pelo seu bisavô, Abraão e, assim, neste sentido, Levi também pagou o dízimo a Melquisedeque, também ofertou a esse sacerdote que é o símbolo de Jesus Cristo. Essa imagem de Melquisedeque como superior a Abraão, a Arão e a Levi estava bem clara e estabelecida na mente de todo povo hebreu. E, assim, ao relacionar Jesus Cristo com esse sacerdote de um sacerdócio superior o autor de Hebreus queria mais uma vez confirmar a superioridade do sacerdócio de Jesus, mostrando-o como melhor e vital para as nossas vidas.
Conclusão
Ao concluirmos nossa reflexão é importante nos conscientizarmos de que Melquisedeque era tipo de Cristo; Abraão era antepassado de Levi; Melquisedeque era superior a Abraão; portanto, Cristo é superior a Levi e a tudo o que ele representava em termos de sacerdócio.
A decisão é nossa: a que sacerdote nos entregamos para cultuar a Deus, e, a que sacerdócio nos submetemos para cumprir as suas exigências?
Oro para que você se submeta e se entregue ao melhor e superior sacerdócio, o sacerdócio do melhor sacerdote, Jesus Cristo, nosso Senhor!
Deus te abençoe. Um abraço. Até o próximo programa.