terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Primogenitura

Gênesis 25.5
A lei da primogenitura determinado que se desse ao filho primogênito uma dupla porção da propriedade do pai quando este morresse (Dt 21.15-17). Foram encontrados paralelos dessa prática em Nuzi e Larsa do período da Babilônia antiga e na Assíria do período Assírio médio. Isaque era o filho primogênito de Abraão,  de acordo com a lei da Mesopotâmia.

Os que Ele mesmo queria

Em Marcos 3:13-14 lemos o registro do Senhor Jesus escolhendo os discípulos, para estarem com Ele e serem enviados a pregar. Seu critério, contudo, é bastante interessante. Vamos ler esses versículos:Depois subiu ao monte e chamou a Si os que Ele mesmo queria, e foram a Ele. E designou os doze,(…) para estarem com Ele e para os enviar a pregar.“Os que Ele mesmo queria.” Essa escolha não demanda nada dos discípulos e não está baseada em nenhuma de suas virtudes ou capacidades, mas vem completamente e diretamente do próprio Senhor. Dentre os escolhidos vemos Mateus, que era um cobrador de impostos, um pecador típico (v. 17), também os filhos do trovão Tiago e João, com sua impetuosidade (v. 17), e até mesmo Judas, aquele que traiu Jesus (v. 19). Certamente esses não chegam a ser o que consideraríamos pessoas “desejáveis”, contudo foram escolhidos!Os discípulos são nossos representantes. O Senhor escolheu a nós, seus crentes, para ser aqueles que estão com Ele todo o tempo, dia a dia, momento após momento. À medida que passamos tempo com Ele em oração, em Sua palavra, em comunhão com outros cristãos, recebemos mais e mais de Sua vida. O resultado espontâneo de estar com Ele é que Sua vida divina flui a outros, Ele nos envia a pregar! Foi isso que aconteceu com os discípulos. Como resultado de estarem com Jesus, eles falaram com tal ousadia que a multidão se admirou, como nos diz Atos 4:13:Ao verem a intrepidez de Pedro e João, e tendo percebido que eram homens iletrados e indoutos, admiraram-se; e os reconheceram como os que haviam estado com Jesus.Somos os enviados não porque temos dons ou porque somos evangelistas eloquentes. Somos enviados porque o Senhor nos escolheu. Dessa forma, Ele tem um caminho para fluir de nós e alcançar outros, a fim de que possam desfrutar a mesma salvação dada a nós pelo nosso maravilhoso Senhor e Salvador. Se Ele nos escolheu de acordo com Sua vontade, podemos falar sem nenhum temor ou hesitação. Quem somos nós para discutir com Ele? Simplesmente obedecemos ao Senhor com alegria e proclamamos as boas novas do evangelho para quem quer que Ele nos envie: nossa família, nossos amigos, ou até mesmo a pessoas que não conhecemos. Por que não falar do Senhor a alguém esperando conosco na fila do banco?Você desfrutou um versículo hoje? Compartilhe com alguém que você conhecer no supermercado! Ligue para um amigo cristão e fale com ousadia. Compartilhe com sua esposa durante o jantar! Deus te escolheu para que você esteja com Ele e para que Ele te envie a pregar.Qual é a sua experiência em pregar o evangelho? Compartilhe conosco! O que você faz para falar do Senhor para as pessoas?

LAMEQUE E SUA FAMÍLIA

(Gênesis 4:19-24)

            Depois da história da primeira família, encontramos em Gênesis 4 e 5 duas genealogias. Uma é a descendência de Caim, a outra a de Sete. Ambas terminam com a breve descrição de uma família.

            A primeira é a casa de Lameque. “Lameque tomou para si duas esposas: o nome de uma era Ada, a outra se chamava Zilá. Ada deu à luz a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e possuem gado. O nome de seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta. Zilá, por sua vez, deu à luz a Tubalcaim, artífice de todo instrumento cortante, de bronze e de ferro; a irmã de Tubalcaim foi Naamá. E disse Lameque às suas esposas: Ada e Zilá, ouvi-me; vós, mulheres de Lameque, escutai o que passo a dizer-vos: Matei um homem porque ele me feriu; e um rapaz porque me pisou. Sete vezes se tomará vingança de Caim, de Lameque, porém, setenta vezes sete” (Gênesis 4:19-24).

            Esse breve relato deixa evidente que Lameque tinha todas as características de seu antepassado Caim. Suas palavras e seus atos demonstram que se havia distanciado ainda mais de Deus e de Sua Palavra que Caim. Em conformidade com os pensamentos de Deus, Caim havia tomado para si uma esposa. Freqüentemente se pergunta onde ele conseguiu essa mulher. Só há uma clara resposta bíblica. Adão “gerou [...] filhos e filhas” (Gênesis 5:4). Deus “de um só [ou seja, de Adão] fez toda a raça humana” (Atos 17:26). Portanto, Caim se casou com uma de suas irmãs.

            Lameque, por sua vez, agiu em claro desacordo com as intenções de Deus e tomou para si duas esposas. A poligamia é uma prática contrária à ordem estabelecida por Deus na criação (Gênesis 2:24). Quem conhece a Bíblia, sabe que Deus tolerou a poligamia, mas nunca a aprovou. Conseqüentemente, verificamos que esse mal sempre teve o seu devido castigo. O que se observa em certos países confirma a regra — eu mesmo pude verificar isso na África. Não se podem esperar casais e lares ideais e felizes se não estiverem fundamentados nesse princípio bíblico.

            Lameque não agiu por ignorância. Gênesis 4:24 mostra que ele conhecia as palavras de Deus. Não sentia nenhuma necessidade da proteção que Deus havia prometido a Caim. Suas palavras, cheias de orgulho e vanglória, manifestavam que se considerava capaz de se defender a si mesmo. Ele mesmo poderia lutar por seus direitos! Não precisava de Deus para nada! Vontade própria, independência e autoritarismo eram as características dominantes de sua personalidade. Com essas características, pode-se “alcançar” muito neste mundo pecaminoso.

            A breve descrição da família de Lameque atesta isso. Seus três filhos evidenciavam as mesmas características do pai. Os três chegaram a ser famosos no mundo de seu tempo. Foram os pioneiros nas áreas de seus talentos e atividades. Jabal, agricultor, foi chamado de “o pai dos que habitam em tendas e possuem gado”. Jubal veio a ser “o pai de todos os que tocam harpa e flauta”, foi o eminente pioneiro do mundo da arte e da cultura. O terceiro foi Tubalcaim, artífice de todo instrumento cortante, de bronze e de ferro. Com razão podemos considerá-lo o precursor do mundo industrial de seu tempo. Podemos imaginar com que respeito os contemporâneos viam Lameque. Que lar mais bem-sucedido tinha esse homem! Como não invejá-lo? Três filhos, e cada um alcançou um lugar de destaque na sociedade!

            Que pai não se alegra quando os filhos alcançam posição importante neste mundo? Muitos fazem sacrifícios financeiros para dar aos filhos uma boa educação e dedicam muito tempo e energia para esse fim. Não se alegrariam, então, com o êxito de seus filhos e não se sentiriam orgulhosos deles? É o que pensa a maioria dos pais hoje em dia, e Lameque certamente pensou da mesma maneira. Mas será que era tudo tão belo e bom como parecia? Não teria Lameque se deixado ofuscar pelas aparências? Não é justamente isso que se vê hoje também?

            Lameque tinha um contemporâneo que se chamava Enoque. Este também pertencia à sétima geração desde Adão, mas era da linhagem de Sete, que invocava o nome de Deus (Gênesis 4:26). Enoque caminhava com Deus, algo que Lameque não fez. Aliás, fez justamente o contrário. Enoque também se casou. Também gerou filhos e filhas. Pelo que sabemos, Enoque e sua família não foram influentes no mundo de seu tempo. Enoque nem tampouco vivia para este mundo. Não, ele caminhava com Deus.

            Os ideais da pessoa que anda com Deus são diferentes dos das demais que vivem só para este mundo. Essa pessoa tem outras normas para dar valor às coisas. Por isso, Enoque via sua tarefa e sua vida neste mundo de modo completamente diferente de Lameque.

            Há ainda duas outras passagens que falam do modo de viver de Enoque e completam o que se diz dele em Gênesis. Seu andar com Deus era o andar pela fé, o qual culminou no seu traslado em glória (Hebreus 11:5-6). Mediante essa fé, ele também discerniu a inimizade contra Deus que caracterizava o mundo de seu tempo. Dessa maneira, também entendeu que este mundo caminha rumo ao juízo de um Deus santo. Profetizou acerca deste juízo vindouro e advertiu seus contemporâneos (Judas 14). Infelizmente, o mundo de então não o levou a sério. Três gerações posteriores, nos dias de Noé, esse juízo chegou sob a forma do dilúvio.

            A história de Lameque e de sua família deixa uma séria advertência para nós e respectivas famílias. Que eu não seja mal-interpretado! Não é pecado almejar que nossos filhos recebam uma boa educação. Evidentemente também não é pecado exercer uma boa profissão ou um ofício neste mundo. Se trabalhamos na agricultura, na cultura ou na indústria, isso não tem muita relevância — desde que possamos exercer nossa profissão em comunhão com Deus e que ele seja honrado.

            Nós, os crentes, não pertencemos mais a este mundo. Deus “nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Colossenses 1:13). Por graça, fazemos parte daqueles que o Pai tirou do mundo e deu a Seu Filho (veja João 17:6). Mas ainda estamos neste mundo. Por isso, temos que cumprir um papel que implica muitas responsabilidades.

            O apóstolo João escreveu: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1 João 2:15-17).

            Para andar de maneira condizente com o nosso lugar e com a responsabilidade que temos neste mundo, precisamos viver a fé de um Enoque. O apóstolo Paulo viu o perigo de fazermos mal uso — abusar — deste mundo, e advertiu acerca disso. Mas também mencionou a possibilidade de usarmos corretamente as coisas deste mundo, e dessa forma glorificar a Deus. “Os que usam deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência deste mundo passa” (1 Coríntios 7:31 – RC). Uso e abuso podem se aproximar muito. Facilmente se passa de um ao outro.

            Para esclarecer este assunto, darei um exemplo. Desde os tempos antigos, o homem tem inventado diversos meios para registrar seus pensamentos por escrito e repassá-los a outros. Jó já conhecia a arte de escrever e gravar (Jó 19:23-24). Bem mais tarde inventou-se a imprensae, depois, outros meios de comunicação. Alguém disse que todos esses inventos se tornaram degraus, quer para o céu, quer para o inferno. Podemos verificar que o diabo faz uso intensivo desses meios para estender o seu reino. Será por isso que os crentes hão de rejeitar toda cultura, tornando-se hostis a ela e levando uma vida de isolamento?

A tecnologia gráfica, o rádio e a televisão têm sido meios para espalhar uma onda de perdição sobre este mundo. Eis o abuso. Contudo, utilizada com proveito, a tecnologia gráfica permite que hoje a Bíblia seja colocada nas mãos de milhões de pessoas. Por meio da rádio e das fitas cassetes, as Boas Novas da salvação são proclamadas a muitas pessoas que não sabem ler. Usemos as coisas do mundo, mas não façamos abuso delas!

            William Kelly, erudito em línguas e grande conhecedor da Bíblia, encontrou-se certa vez com um professor de línguas antigas. Logo os dois estudiosos estavam envolvidos numa profunda conversa. De repente, o professor lhe perguntou: “Senhor Kelly, qual a sua ocupação?”. A resposta foi: “Estudo a Bíblia, escrevo sobre ela e dou conferências”. O professor replicou: “Que pena que o mundo esteja perdendo um talento como esse!”. William Kelly lhe respondeu com três palavras: “Que mundo, senhor?”.

            Essa pergunta nos leva a reflexão. Para que mundo vivemos e trabalhamos? Para que mundo educamos os nossos filhos? Lameque, um homem do mundo, educou seus filhos para este mundo. Mas este mundo passa. “Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mateus 16:26). Porém, melhor é dizer como disse Josué: “Eu e a minha casa serviremos aoSenhor” (Josué 24:15).

 

Questões referentes à família nº 2:

 

1)  Que aspectos caracterizam Lameque e quais caracterizam os filhos dele?

2)  Que versículo mostra que Deus não aprova a poligamia?

3)  Que contraste observamos entre Lameque e Enoque?

 

3 - NOÉ E SUA FAMÍLIA

(Gênesis 6–9)

 

            Era grande a maldade e a violência dos homens nos dias de Noé. Por isso, Deus decidiu destruir toda a humanidade com o dilúvio. Contudo, não o fez sem primeiro adverti-la seriamente. Com paciência e amor deu-lhes ainda 120 anos mais para que se arrependessem e se convertessem. O apóstolo Pedro fala da paciência de Deus que “aguardava nos dias de Noé” (1 Pedro 3:20). Infelizmente nada mudou.

            Noé mostrou em sua conduta grande diferença em relação a seus contemporâneos. Era um homem justo e irrepreensível. Andava com Deus, como Enoque fizera antes dele, e achou graça diante doSenhor. Contudo, a oferta da graça de Deus não se destinava somente a Noé. Destinava-se também a sua casa — esposa e filhos. Muitas vezes encontramos na Bíblia a expressão “tu e tua casa”. Deus não quer salvar somente a indivíduos, mas “casas” e “famílias”. No tempo de Abraão, quando Deus fez cair juízo sobre Sodoma, Ele decidiu salvar Ló. Os anjos que vieram para destruir Sodoma perguntaram a Ló: “Tens aqui alguém mais dos teus?” (Gênesis 19:12). Até mencionaram primeiro os seus genros. E Ló foi falar com eles para levá-los consigo. Infelizmente eles se recusaram a ir; não se deixaram salvar e morreram. Deus, porém, queria que toda a família de Ló saísse de Sodoma.

            Deus deu a Noé todos os detalhes de como fazer uma arcapara que toda sua família se salvasse com ele. Quando a arca estava pronta, Deus disse: “Entra na arca, tu e toda a tua casa” (Gênesis 7:1). E Noé entrou na arca com sua esposa, seus filhos e as esposas de seus filhos. Assim se salvaram todos. Os filhos e as noras eram todos adultos, de aproximadamente cem anos de idade. Vejam que foi bem diferente a atitude deles da dos genros de Ló!

            Em Atos 16 lemos o que ocorreu com o carcereiro de Filipos. Clamou em desesperada angústia: “Que devo fazer para que seja salvo?”. A resposta foi: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa” (vv. 30-31).

            Para Noé e os seus, a arca era o único meio que podia salvá-los; para o carcereiro e sua casa, era a fé em Jesus Cristo. “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (Atos 4:12). Que graça quando famílias inteiras — pai, mãe e filhos — podem gozar a salvação de Deus pela fé em Jesus Cristo!

            Os filhos de Noé não foram salvos pela fé do pai, mas, sim, pelo fato de que, em obediência à palavra de Deus, eles mesmos entraram na arca. É um grande privilégio ter pais crentes e conhecer o Evangelho desde a juventude. Mas que ninguém pense que se pode ser salvo em virtude do exemplo e ensino dos pais crentes. A salvação não se herda, somente pode ser obtida por meio de fé viva e pessoal em Cristo Jesus.

            Em 2 Pedro 2:5, lemos que Noé foi um “pregador da justiça”. Judas nos relata no versículo 14 de sua epístola que Enoque, por sua vez, profetizou. Ambos os patriarcas tiveram uma vida que agradava a Deus, com testemunho e pregação públicos. Desse modo Paulo podia encorajar os crentes a fazer o que haviam visto nele e ouvido dele (Filipenses 4:9). Nós também deveríamos dar o mesmo testemunho.

            Depois do dilúvio, Deus fez uma aliança com Noé e seus descendentes. O sinal da Sua aliança foi um arco nas nuvens(Gênesis 9:12-17). O homem pode olhar para esse arco quando aparecerem nuvens negras no céu e encontrar consolo. Todos conhecemos na vida essas nuvens ameaçadoras que tanto nos assustam: enfermidades, dores, problemas de toda classe. Mas, em meio a todas elas, podemos contemplar o arco que nos fala de uma viva esperança: Cristo, o fundamento de todas as promessas de Deus. Não somos apenas nós que vemos este arco, Deus nos assegura que Ele também o contempla e não se esquece de Suas promessas.

            “Levantou Noé um altar ao Senhor e, tomando de animais limpos e de aves limpas, ofereceu holocaustos sobre o altar” (8:20). Aqui temos a primeira menção de um altar. A oferta, como todas as outras ofertas que encontramos em Gênesis, foi um holocausto. Os outros tipos de oferta são mencionadas no livro de Levítico e mostram, de maneira figurada, os ricos e variados aspectos do sacrifício de Jesus Cristo. Dentre os livros do Novo Testamento, é especialmente a epístola aos Hebreus que trata disso.

            Quando Deus aspirou o suave cheiro que subiu do altar, “disse consigo mesmo: 'Não tornarei a amaldiçoar a terra'” (8:21). Isto não aconteceu porque Noé e seus entes se tornaram pessoas melhores na arca. Eram ainda os mesmos, como mostra o versículo 21. Mas o fato é que Deus decidiu fazer que sua graça vigorasse a partir de então em virtude do sacrifício que Noé ofereceu, e Ele aceitou com apreço.

            Como todos os sacrifícios, também este conduz o nosso pensamento ao sacrifício que Jesus Cristo ofereceu no Gólgota. Ali Ele se entregou a si mesmo como oferta imaculada a Deus (Efésios 5:2). Deus ficou plenamente satisfeito e foi glorificado mediante este sacrifício. A oferta que Cristo apresentou foi, acima de tudo, para glorificar a Deus. Não obstante, Ele também se ofereceu por nós. Só em virtude desse sacrifício é que Deus também pôde considerar-nos aceitáveis (Efésios 1:6). Depois de nossa conversão, não passamos a ser melhores, em comparação com os incrédulos, como nem tampouco aquelas oitos pessoas que entraram na arca.

            Tenho prazer em pensar na família de Noé, salva e abençoada pela graça, ao redor de seu altar. Gostaria de chamá-lo de “altar familiar”. Dispomos de um altar semelhante em nossa família? Claro que não me refiro a um altar no sentido literal. Minha pergunta é: reservamos ainda um tempo para sentarmos juntos, pais e filhos, ao redor da Palavra de Deus, para receber dela consolo e ensino? Agradecemos juntos pelas bênçãos que recebemos dEle? Oramos juntos uns pelos outros e pelos demais também? Se temos esse bom costume, não deixará de haver preciosos resultados. Como maridos nos estimaremos e nos amaremos mais e seremos exemplo para nossos filhos, de modo que eles também aprenderão a se amar e cuidar uns dos outros. Se os afazeres da vida diária — o trabalho, as obrigações, os estudos — nos levam a descuidar do serviço devido a Deus, as conseqüências serão tristes. Não seria essa a causa de nossa vida familiar freqüentemente manifestar tão pouco o caráter de uma família cristã?

            Gênesis 9:18-28 continua a história de Noé e sua família. Quão diferente da que se esperava veio a ser a situação nesse lar tão abençoado. O pai, em vez de ser um modelo, caiu em pecado. Por falta de domínio próprio, embriagou-se. Podem os pais que dão mau exemplo aos filhos esperar deles respeito e reverência? O filho mais moço de Noé demonstra claro menosprezo. Diverte-se ao relatar o que vira aos irmãos.

            A Palavra de Deus não ensina que os filhos devam honrar a seus pais só quando estes merecem, mas sempre. Deus deu aos pais uma autoridade que os filhos têm de respeitar, mesmo quando isso lhes parecer difícil.

            Por isso, Cam foi castigado, e o castigo recaiu sobre seu filho Canaã. Sem e Jafé se entristeceram por causa do comportamento de seu pai. O amor cobre todas as coisas. Mostraram amor e respeito e foram recompensados com a bênção que o pai lhes deu.

 

Questões referentes à família nº 3:

 

1)  Como era o comportamento dos homens nos dias de Noé, e em que aspecto Noé se diferenciava deles?

2)  Como tinha de construir a arca? A arca é figura de quê? Quem entrou com Noé na arca, e o que isso nos mostra?

3)  O que nos leva a constatar que os homens não se tornaram melhores depois do dilúvio, e por que só em virtude de um sacrifício puderam permanecer no favor de Deus? O que nos ensina Efésios 5:2 quanto a isso?

4)  De que maneira podemos edificar um “altar familiar” com a nossa família?

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

JACÓ E SUA FAMÍLIA

(Gênesis 27 a 34)

            Deus manifestou-se como o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Que Deus se chame a Si mesmo o Deus de Abraão, podemos entender, porque pela fé este patriarca seguia o seu caminho com Deus, e Deus chamou-o Seu amigo (Tiago 2:23) e lhe revelava Seus propósitos. Tampouco é de se admirar a expressão “o Deus de Isaque”. Mas o fato de que Ele não se envergonhou de se chamar o Deus de Jacó é maravilhoso demais. Vemos nisto a Sua graça infinita. Que prazeroso recordar que nós também temos o Deus de Jacó como nosso auxílio (Salmo 146:5).

            A primeira coisa que a Bíblia relata a respeito de Jacó é o fato de que ele enganou o seu pai, que era cego (Gênesis 27:1-29). A última referência a Jacó, no entanto, é que ele, pela fé, abençoou os seus filhos (Gênesis 49; Hebreus 11:21). Entre estes dois incidentes teve lugar a história de sua longa vida e a de sua família, uma história de queda e restabelecimento.

            Estas experiências comprovam as palavras do Salmo 99:8: “Foste para eles Deus perdoador, ainda que tomando vingança dos seus feitos”. Esta é uma importante lição para nós e para as nossas famílias. Quando confessamos nossos pecados, podemos contar com o gracioso perdão de Deus. Contudo, em Sua justiça e nos caminhos de Seu governo, Ele faz com que arquemos com as conseqüências de nossos pecados.

            O fato de Jacó deixar a sua casa foi conseqüência da conspiração enganosa em que ele se envolvera. Apesar disto, Deus lhe apareceu em Betel num sonho e lhe fez ricas promessas. E Jacó fez o voto de que, quando regressasse àquele lugar, ofereceria um sacrifício ao SENHOR (Gênesis 28:10-22).

            No capítulo 29, lemos como Jacó – o enganador – também foi enganado por seu tio Labão, outro embusteiro, que lhe prometeu sua filha Raquel em troca de sete anos de trabalho. Contudo, quando estes anos se cumpriram, Labão lhe entregou  Lia. É verdade que Jacó também recebeu Raquel, a quem amava, mas por outros sete anos de trabalho. O aspecto trágico é que estas duas irmãs tiveram de conviver com um mesmo esposo. O relato bíblico narra a terrível discórdia que sobreveio à casa de Jacó por causa disso. Muito tempo depois, mesmo quando a poligamia era tolerada em Israel, um casamento nestes moldes foi proibido (Levítico 18:18). Acrescente-se ainda que as duas esposas, com ciúmes uma da outra, forçaram Jacó a coabitar com suas respectivas servas.  Foi assim que ele chegou aos seus doze filhos e à sua filha Diná.

            Embora tenham se passado tantos anos, Jacó temia encontrar Esaú. Novamente ele demonstrou ser calculista e astuto, para que o reencontro fosse bem-sucedido. Quando, à noite, ficou para trás e sozinho perto do ribeiro, Deus lhe apareceu “mostrando-se inflexível com o perverso” (Salmo18:26) – na forma de um anjo.

            Outras passagens do Antigo Testamento falam do Anjo doSENHOR ou de Deus. É possível que tenha sido somente durante essa luta que Jacó tomou conhecimento do opositor com quem estava lutando. Ali o enganador Jacó foi quebrantado. Mais tarde, o profeta Oséias disse: “Lutou com o anjo e prevaleceu; chorou e lhe pediu mercê” (Oséias 12:4). Mas então Jacó também pôde orar: “Não te deixarei ir se me não abençoares”. Sua oração foi respondida, e Deus substitui seu nome Jacó (usurpador) por Israel (lutador de Deus – Gênesis 32:22-32). Bem-aventurado todo o cristão que, pela graça de Deus, encontra o seu “Peniel”!

            Antes, no capítulo 30, nos são relatados muitos acontecimentos na família de Jacó, particularmente os enganos recíprocos entre Jacó e seu tio. Quando também os filhos de Labão adotaram uma atitude inimiga contra Jacó, Deus ordenou que ele retornasse à terra de sua parentela.

            Ao fugir enganosamente de seu tio, ocasião em que Raquel ainda roubou os deuses de seu pai, Jacó atraiu sobre si a ira de Labão. Este o perseguiu e o encontrou e, depois de mútuas acusações, firmaram uma aliança de paz (31:44). No capítulo 33 é-nos apresentada a superficial reconciliação entre Jacó e Esaú, e a continuação de sua viagem até Siquém, passando por Sucote.

            No capítulo 34 lemos como Diná, a filha de Jacó, foi violada por Siquém. E como seus irmãos Simeão e Levi vingaram-na recorrendo à mentira e à violência. Jacó julgou a ação de seus filhos e tornou a falar sobre isto em termos ainda mais claros quando pronunciou sua bênção profética no capítulo 49:5-7.

            No capítulo 35 lemos que Deus ordenou a Jacó deixar esta região e se estabelecer em Betel. Alguns anos antes, quando fugia de seu irmão Esaú, Deus lhe aparecera naquela local em sonhos. Jacó havia chamado aquele lugar de Betel (casa de Deus), dizendo: “Quão temível é este lugar!” (28:10-19). Entretanto, Deus havia cumprido todas as Suas promessas e o havia trazido de volta a seu país, são e salvo. Contudo, até então, Jacó não havia cumprido seu voto a Deus. Naquele momento, Deus mesmo teve de recordá-lo desse voto, ordenando-lhe que construísse um altar ao Deus que lhe havia aparecido ali. Podemos compreender o medo de Jacó de retornar a este terrível lugar. O deplorável estado moral de sua família o havia impedido dar este passo.

            Por isso, antes de sair, Jacó mandou que sua família e todos os que com ele estavam lançassem fora os deuses estranhos que havia no meio deles. Não lemos que Deus lhe ordenou fazer tal coisa. Parece que ele mesmo sentiu que à casa de Deus convém a santidade. Todos lhe obedeceram e então Jacó escondeu todos aqueles objetos debaixo do carvalho que está junto a Siquém. Em Atos 19:19 lemos algo parecido. Os idólatras que antes praticavam artes mágicas, agora convertidos, trouxeram seus livros e os queimaram diante de todos. Foi até um gesto mais radical que o de Jacó, que deixou aberta a possibilidade de ir buscar os objetos outra vez. Os magos de Atos 19, ao queimar seus livros, fizeram um sacrifício financeiro de 50.000 moedas de prata. Não teria sido melhor vendê-los e usar este valor para fazer o bem? Quem faz esta pergunta não tem noção da gravidade deste mal.  Os que praticavam a magia negra o sabiam, como também o sabiam as suas vítimas.

            Não pensemos que estas práticas pertencem ao passado. Pude conhecer bem a realidade da bruxaria quando estive na África. E quando pessoas envolvidas com isso se convertem a Cristo, estes poderes são reprimidos. Mas faz-se necessário que a conversão dos ídolos a Deus seja conseqüente. O Senhor Jesus disse a este respeito: “Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos procurando repouso, porém não encontra. Por isso, diz: Voltarei para minha casa donde saí. E, tendo voltado, a encontra vazia, varrida e ornamentada. Então, vai e leva consigo outros sete espíritos, piores do que ele, e, entrando, habitam ali; e o último estado daquele homem torna-se pior do que o primeiro. Assim também acontecerá a esta geração perversa” (Mateus 12:43-45).

            Estas práticas existem não somente na África, mas também no mundo ocidental. Mais de dez milhões de pessoas praticam o espiritismo. O misticismo oriental e o ocultismo avançam de modo alarmante. Desta mesma fonte verte o abuso das drogas, os jogos de magia, a consulta dos horóscopos, as práticas de ioga etc. Trata-se do espírito que opera nos filhos da desobediência (Efésios 2:2), e este espírito continuará aumentando em força e sedução.

            Chamo a atenção para o costume de assistir à televisão e ao nível de prevalência na mídia das coisas que acabamos de advertir. É um meio que expõe especialmente a juventude a toda a sorte de violência. Tornou-se um palco onde a inveja, as brigas e os homicídios são o prato predileto do entretenimento popular. Os pais são culpados quando expõem a si mesmos e aos seus filhos a estas influências.

            A manutenção de um ambiente cristão na família é impossibilitado por estas coisas. O que podemos fazer, em vez  disto, para fomentá-lo positivamente, é cantar e praticar a música juntos. A Bíblia nos ensina a cantar “com hinos e cânticos espirituais” (Efésios 5:19). Os presos em Filipos ouviram tão atentamente os cânticos de Paulo e Silas que nem mesmo fugiram quando as portas do cárcere se abriram. O rei Saul se acalmava com a música de Davi, e o profeta Eliseu foi estimulado pelo som de um instrumento a exercer seu ministério (Atos 16:25-28; 1 Samuel 16:23; 2 Reis 3:15). Nós mesmos pudemos experimentar em nossa família quão valiosos são a música e o canto. Lembro do encontro com uma pessoa que me disse: “Quer dizer que o senhor é o pai daquela grande família em que tanto se canta e pratica a música? Quando eu visitava seus vizinhos, sempre os ouvíamos com satisfação quando estávamos no jardim”. Agora que todos os filhos saíram de casa, minha esposa e eu recordamos com alegria esses tempos passados, e também nossos filhos.

            Vejamos ainda os últimos anos da vida de Jacó no Egito. Em Hebreus 13:7, os crentes são exortados a lembrar de seus guias. Têm de considerar o resultado de sua conduta e imitar sua fé. “O que termina bem é bom”, diz o refrão. A vida de Jacó terminou para a glória de Deus. A disciplina de Deus, necessária por causa de seus erros, produziu nele o “fruto pacífico... de justiça” (Hebreus 12:11).

            Gênesis 47:7-10 relata seu encontro com Faraó. Este lhe perguntou: “Quantos são os dias dos anos da tua vida? Jacó lhe respondeu: Os dias dos anos das minhas peregrinações são cento e trinta anos; poucos e maus foram os dias dos anos da minha vida e não chegaram aos dias dos anos da vida de meus pais, nos dias das suas peregrinações”. E o soberano mais poderoso daquela época reconheceu que Jacó lhe era superior, e deixou-se ser abençoado por ele. “Tua clemência me engrandeceu” diz o salmista (Salmo 18:35). Vemos ilustrada na vida de Jacó a verdade destas palavras de Davi.

            Jacó viveu no Egito dezessete anos (Gênesis 47:28). Ao sentir que se aproximava o seu fim, abençoou os seus filhos. Primeiro aproximou-se dele José com seus dois filhos, Manassés e Efraim. José recebeu dupla bênção, pois seus dois filhos foram contados como filhos de Jacó e chegaram a ser duas tribos.

            Naquele tempo, a primogenitura tinha grande importância. Esaú a menosprezou vendendo-a por um guisado de lentilhas e, conseqüentemente, perdeu a benção – e quem a recebeu foi Jacó. Rúben perdeu esta bênção por causa de sua vida pecaminosa, e seu moribundo pai teve de recordá-lo de seu pecado (veja Gênesis 49:3-4; 1 Crônicas 5:1). Jacó colocou Efraim, o mais novo, em posição mais privilegiada que Manassés, o primogênito, abençoando-o com a mão esquerda, e a Efraim com a direita (veja Gênesis 48:14-20). Não foi um capricho, mas sim um ato de fé, como nos ensina Hebreus 11:21.

            Jacó, pela fé, também predisse o futuro das doze tribos. Sua fé nas promessas de Deus no tocante ao futuro é claramente vista em seu último desejo: Queria ser sepultado com seus pais na Terra Prometida.

            A história de Jacó foi muito agitada. Sua vida começou com o engano; foi caracterizada por quedas e restaurações, pecados e confissões. Contudo, no final de seus dias, brilhou sua fé do modo mais glorioso. Podemos reconhecê-lo no caráter de sacerdote e profeta, quando “recolheu os pés na cama, e expirou” (Gênesis 49:33). Foi honrado com um enterro digno de um príncipe. Podemos dizer juntamente com o salmista:

            “Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, cuja esperança está no SENHOR, seu Deus” (Salmo 146:5).

 

Questões referentes à família nº 7

 

1) Em quais aspectos da vida de Jacó vemos os maus resultados da poligamia?

2) A reconciliação entre Esaú e Jacó foi verdadeira? O que o Senhor Jesus ensinou no tocante à ira e ao verdadeiro perdão entre cristãos? (veja Mateus 5:21-26; 18:15-17).

3) Compare Gênesis 35:4 com Atos 19:19. O que podemos aprender com estas passagens?

4) Quais influências do ocultismo  ameaçam nossas famílias hoje em dia?

5) Como terminou a vida de Jacó?

ISAQUE E SUA FAMÍLIA

(Gênesis 24 a 28)

            Em Gênesis 24 lemos que Abraão era já idoso e bem avançado em anos. Estava preocupado com o fato de seu filho ainda não ter uma esposa. Naquela época os pais tinham mais participação que hoje na procura de casamento para os filhos. Pelo menos era assim naqueles países. Não podemos tirar dos costumes e práticas encontrados no Antigo Testamento regras nem mandamentos para o nosso tempo.

            Com o passar dos séculos, e ainda hoje, a influência dos pais têm variado muito. Na Índia vi um pai pedir a um amigo que procurasse uma esposa adequada para o filho em idade de casamento. Quando lhe pareceu ter encontrado a moça, os dois casais de pais começaram a fazer os ajustes. Quando entraram em acordo, foi concedido aos filhos o direito de declarar sua opinião, e assim se decidiu o casamento. Seria esta uma prática ideal? Penso que não.

            Nos Estados Unidos um jovem saiu da casa paterna, pois conseguira um emprego numa cidade distante. Ali conheceu uma jovem, e os dois decidiram casar-se; só depois os pais foram notificados. Foi o ideal? Penso que também não.

            Certamente os jovens acham mais correto o segundo caso que o primeiro. Contudo, há muito mais casamentos fracassados nos Estados Unidos que na Índia.

            Em Juízes 14, Sansão tomou um caminho intermediário: ele mesmo encontrou uma jovem e pediu aos pais que arranjassem o casamento segundo os costumes da época. Todavia rejeitou os conselhos deles, por mais que estivessem fundamentados na Palavra de Deus. Quem dera tivesse escutado os pais!

            Parece-me correto que um jovem crente, quando acreditar ter encontrado uma jovem destinada a ele, converse com os pais. E as jovens também devem buscar o conselho dos pais antes de tomar qualquer decisão.

            Que razões devem ser determinantes? Às vezes, mesmo entre crentes, infelizmente, os valores materiais são mais enfatizados! Consideram-se aspectos como, por exemplo, os bens com que a moça contribuirá para o casamento. Qual a condição socioeconômica do jovem? Ganha bem?.

            Abraão não conhecia essas preocupações. Para ele o mais importante era que seu filho não se casasse com nenhuma mulher cananéia. Eliézer não devia permitir isso de modo nenhum. Teve de jurar que não permitiria.

            Em 2 Coríntios 6:14, Paulo escreve aos crentes: “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos”. O assunto aqui não é especificamente o casamento. A advertência é muito mais ampla. Os termos que vêm logo após designam um espectro bem mais amplo: “sociedade”, “comunhão”, “harmonia”, “união” e “ligação”. Contudo, fica claro que essas palavras também são aplicáveis ao casamento.

Abraão e Eliézer não se deixaram levar só por pensamentosnegativos. Isto se evidencia na oração de Gênesis 24:12-14. Que qualidades positivas o servo esperava encontrar na jovem! Estas deviam credenciá-la para ser a esposa do filho de seu amo. A oração foi atendida, conforme relatam os versículos seguintes.

            Observe-se o que diz o versículo 16: “A moça era mui formosa de aparência, virgem, a quem nenhum homem havia possuído”. Esta é mais uma passagem que indica que as relações sexuais só devem acontecer dentro do casamento. A Bíblia insiste nesse ponto aqui e ali, tanto no Antigo como no Novo Testamento. Se um jovem crente espera que sua futura esposa se mantenha pura, do mesmo modo ele também deve manter-se puro. Nesse contexto também podemos considerar o relato de Mateus 1:18-25 no tocante a José e Maria.

            Em Gênesis 24:26-27, Eliézer deu graças a Deus por tê-lo guiado de maneira tão clara. Depois, quando contou detalhadamente sua história na casa de Rebeca, todos foram unânimes: o Senhor havia conduzido as coisas.

            O jovem de hoje normalmente não nomeia nenhum intermediário para lhe encontrar esposa. Ele mesmo se dá a esse trabalho. Entretanto, é bom que tenha a mesma atitude de Eliézer. Não quero dizer que peça um sinal; isso pode ser perigoso. É importante deixar-se guiar pela Palavra de Deus e pelo Espírito Santo. Naturalmente, é bom que o jovem primeiro esteja seguro de seus sentimentos de amor. Para isso, precisa estar em atitude submissa de oração, na dependência do Senhor, a fim de poder discernir a orientação do Espírito. A moça também deve ter essa mesma convicção antes de dizer “sim”. Quão maravilhoso é quando ambos têm a mesma convicção de que isso vem das mãos do Senhor.

            É de estranhar que Isaque tenha sido tão passivo no processo todo. Sua atividade, porém, se manifestou de outra maneira. No versículo 63 lemos: “Saíra Isaque a meditar no campo, ao cair da tarde”. Nesse contexto, meditar significa refletir em oração, ter um período devocional. Não sei dizer se era costume de Isaque sair para meditar no início da noite ou se foram as circunstâncias especiais que o levaram a isso. De todo modo, podemos aprender uma lição importante. Quando estamos numa situação em que apenas podemos esperar passivamente, resta-nos ser ativos na dependência do Senhor, orando para que Ele conduza ao caminho correto.

            É inquietante observar o modo superficial como por vezes até mesmo jovens crentes iniciam um relacionamento e decidem por um casamento sem antes buscar a direção do Senhor. É de surpreender, então, que muitos casamentos fracassem?

            Isaque e Rebeca casaram-se. Todos deram graças a Deus por haver guiado e respondido às orações. É assim que deve ser. Mas observamos aqui a ausência do período de namoro e noivado — costume corrente hoje em dia que não deveria ser desconsiderado. É necessário que, antes do compromisso, ambos estejam seguros do amor recíproco e da direção do Senhor.

O que acontece se, durante esse tempo de espera, um dos dois se dá conta de que não há esse amor na relação? Terá de casar-se de qualquer modo por ter concordado uma vez e pensar que não pode mais romper essa promessa? Temos de enxergar claramente a diferença entre o compromisso do noivado e o casamento. Desfazer um noivado implica romper uma promessa, o que, aliás, não deve ser visto como sem importância. Por isso, assim que iniciado um casamento, não se deve precipitar o noivado. Por outro lado, romper um casamento é muito mais grave que romper uma promessa de noivado. É violar uma aliança feita perante Deus e os homens, que, segundo as Escrituras, é para toda a vida. Só a morte pode separar definitivamente essa união.

            Penso que não é recomendável levar adiante um compromisso de futuro casamento quando se tem certeza de que faltam as normas bíblicas para uma vida matrimonial saudável. Porém, quando esse “erro”é identificado apenas depois do casamento realizado, isso não constitui, segundo a Bíblia, razão válida para dissolver a união. Deus proíbe claramente em Sua Palavra a dissolução do casamento.

            A evidente diferença entre o casamento e o noivado também tem outras nuanças. Hoje em dia, os jovens perdem cada vez mais de vista o caráter oficial do matrimônio. Quando um rapaz e uma moça consentem reciprocamente em iniciar uma relação amorosa, acreditam que já se podem considerar casados diante de Deus e viver como tal. Parece-lhes desnecessário casar-se oficialmente. Assinar um papel, como pensam muitos, não tem importância. Acham que na Bíblia não existe esse mandamento.

            Os contratos de casamento têm sido muito diferentes de acordo com as épocas e os países. Contudo, sempre e em todo lugar, o casamento é assunto oficial, de modo a ser conhecido e reconhecido por todos, com todas as conseqüências que implica. Quem não leva a sério esse assunto, rebaixa-se ao nível do animal.

Quem ler a conversa do anjo com Maria e, em seguida, com José (Lucas 1:26-35; Mateus 1:18-25), verá claramente que diferença havia entre o casamento e o noivado para esses dois jovens tementes a Deus.

            Quanto tempo deve durar o noivado? Não se pode dar nenhuma resposta generalizadora. Podemos dizer apenas que deve ser longo bastante para os envolvidos chegarem a conhecer-se, e preparar-se e traçar planos para o casamento. Não muito longo, porém, a fim de não se exporem às tentações, ao perigo de cair em práticas pecaminosas. “É melhor casar do que viver abrasado” (1 Coríntios 7:9).

            Isaque e Rebeca não tiveram esse tempo de preparação. Rebeca ouviu muito acerca de Isaque e aprendeu a conhecê-lo um pouco pelo que lhe contaram e pelos presentes que lhe foram oferecidos. Quando lhe perguntaram se queria ir com o criado de Abraão, respondeu "sim" decididamente. Lemos que Rebeca casou-se segundo os costumes do Oriente, coberta por um véu. Da parte de Isaque, não podemos falar que foi um casamento por amor[LA1][A2]. Contudo, no final do capítulo lemos: “Isaque […] tomou a Rebeca, e esta lhe foi por mulher. Ele a amou” (Gênesis 24:67). Que alegria deve ter sido para ele descobrir a beleza física e moral de sua futura esposa! Sem dúvida foi a mesma maravilha experimentada por Adão quando recebeu Eva por mulher das mãos de Deus. Depois das bodas, o casal pôde entregar-se completamente, sem limitações, um ao outro.

            Assim Isaque e Rebeca puderam começar a “lua-de-mel”. Como prosseguiu o casamento deles? Em Gênesis 26:8 lemos: “Ora, tendo Isaque permanecido ali por muito tempo, Abimeleque, rei dos filisteus, olhando da janela, viu que Isaque acariciava a Rebeca, sua mulher”. Para eles, a lua-de-mel durou muitos anos. As relações sexuais, como expressão do amor entre marido e mulher, não devem deixar os crentes constrangidos nem lhes causar peso de consciência. Ao contrário, o Criador deu um grande dom a Sua criatura quando a criou com sexualidade. Mas todo dom de Deus é concedido para bom uso, não para se cometerem abusos. As relações íntimas podem reforçar os laços do amor; o abuso delas, por outro lado, tem como freqüente resultado o enfraquecimento desses laços.

            Ao citarmos o exemplo de Isaque e Rebeca, não desejamos aprovar o fato de que deram a Abimeleque ocasião de observá-los. Hoje em dia, é cada vez mais freqüente a exibição pública da sexualidade, tanto na praia quanto noutros ambientes. Os jovens fazem bem mantendo-se distantes desses lugares e práticas. Despertar desejos que ainda não podem ser satisfeitos só os prejudica.

            Infelizmente, em muitos casamentos, a lua-de-mel não dura muito. Em muitos casos, o amor se esfria depois de algum tempo. Um já não se dedica mais a satisfazer o outro, e o interesse recíproco acaba diminuindo. Uma vez que os laços se afrouxam, o casamento se converte em simples coabitação — os conjuges passam a viver vidas paralelas, com todos os perigos decorrentes. Para evitar esse estado de coisas, é necessário muita vigilância e amoroso cuidado de um para com o outro. A chama do amor precisa ser mantida viva dentro do matrimônio.

            Um bom início não garante uma boa continuidade nem um bom final. A história de Isaque e de Rebeca confirma-nos isso.

            O relato que a Bíblia nos dá dessa família não reflete um lar ideal. Ocorreram problemas que não foram solucionados corretamente. Nenhuma vida humana está isenta de dificuldades. Em toda família surgem problemas. Estes podem e devem ser resolvidos pelo casal, buscando o Senhor em oração.

            Isaque e Rebeca ficaram muito tempo sem filhos. Abraão e Sara também tinham experimentado essa grande desilusão. E vimos como Sara buscou resolver o problema. Por não ser a solução que Deus queria, sua atitude gerou muita tristeza.

            Para Isaque, o fato de não ter filhos se transformou em assunto de oração. “Isaque orou ao SENHOR por sua mulher, porque ela era estéril” (Gênesis 25:21). Lamentavelmente, porém, parece que orou só. Vemos aqui um possível princípio de esfriamento nessa união que começara tão bem. É proveitoso que os cônjuges compartilhem seus problemas e juntos procurem solução. Também é bom que apresentem estes problemas ao Senhor em oração conjunta, ainda que seja o homem que, como cabeça, expresse em palavras a oração de ambos. A oração em comum constitui expressão de unidade que reforça mais a relação do que os dois orando cada um de per si. Embora, claro, a oração individual também seja necessária.

            Parece que Isaque e Rebeca não conheciam esse hábito de orar juntos. Será que nunca compartilharam os problemas? Parece que não. Em Gênesis 25:22 apenas Rebeca “consultou ao SENHOR”. Que bom teria sido se Isaque também tivesse recebido pessoalmente a Palavra de Deus quanto ao futuro dos dois gêmeos que o casal esperava!

            Muitas vezes, os filhos estreitam os laços dos pais. Outras vezes, ocorre o oposto, como ocorreu nessa família. Esaú era o preferido do pai, e Jacó o da mãe. Essas diferenças de afinidades distanciaram os pais um do outro e ao mesmo tempo introduziram distância entre os dois filhos. O que sucedeu nessa família contém uma séria advertência a todos os pais. A motivação de Isaque era muito superficial; ele deixou-se levar por um triste desejo carnal: “Isaque amava a Esaú, porque se saboreava de sua caça” (25:28). Não temos motivo para presumir que as palavras de Deus do versículo 23 eram desconhecidas dele. Por que as deixou de lado? E o que tinha Jacó que atraía a mãe, Rebeca? Seria o seu caráter tranqüilo, ou o seu jeito caseiro? Teria ela levado em conta a promessa de Deus que repousava sobre Jacó? Não sabemos. Mas percebemos como diferentes sentimentos podem se manifestar entre pai e mãe , o que provoca distanciamento entre eles e desafortunadas conseqüências na vida dos filhos. Que nós, pais, aprendamos uma lição com esse casal. Os filhos não precisam de um pai ou de uma mãe, mas do casal de pais. Pai e mãe devem amar os filhos com o mesmo amor.

            A brecha entre os dois irmãos seguiu aprofundando-se. Se esses jovens vivessem agora, é provavel que nós também tivéssemos preferido Esaú, com seu caráter franco, ao astuto e enganoso Jacó. Contudo, lemos em Hebreus 12:16 que Esaú era um “profano […] o qual, por um repasto, vendeu o seu direito de primogenitura”. E, quando se lê em Malaquias 1:2-3: “Não foi Esaú irmão de Jacó? — disse o SENHOR; todavia, amei a Jacó, porém aborreci a Esaú”, os pais não devem pensar que Deus predestina um filho para a perdição e outro para a salvação. Antes dos dois meninos nascerem, Deus apenas disse que o mais velho serviria o mais moço; as outras palavras só foram pronunciadas muito depois da morte dos irmãos. Os pais podem orar por seus filhos todos com toda a confiança. Tanto os “jacós”, aparentemente fáceis, como os “esaús”, filhos difíceis, carecem de nosso amor e de nossas orações.

            Esaú menosprezou o seu direito de primogenitura, enquanto Jacó o desejava de todo o coração. Assim passaram-se os anos. Materialmente prosperavam, mas isso não cooperava para o progresso espiritual deles. Infelizmente, hoje em dia muitas vezes ocorre o mesmo. De que serve a prosperidade se o relacionamento com Deus e os relacionamentos mútuos não estão bem? Isaque e Rebeca deparam com uma nova tristeza na vida: Esaú casou-se, por sua própria vontade e independentemente deles, com mulheres estrangeiras. Isso foi “amargura de espírito para Isaque e para Rebeca” (Gênesis 26:34-35).

            Isaque foi perdendo a visão. Sentia-se velho e só. Esperava declaradamente sua breve partida e, pensando nisso, desejava dar a Esaú uma grande bênção. Por isso, o chamou e mandou caçar e fazer-lhe um guisado. Rebeca ouvira tudo às escondidas. Isso nos mostra até que ponto suas relações com Isaque haviam deteriorado. Já não havia mais confiança nem comunicação entre o casal.

            Rebeca mostrou que tampouco tinha mais confiança em Deus. Agiu segundo sua própria vontade e enganou o marido e o filho. Desse modo conseguiu seu propósito: Jacó obteve a grande bênção. Mas quanto sofrimento adveio a essa família em conseqüência de suas ações impulsionadas pela própria vontade! Isaque pensava que morreria em breve, por isso resolveu logo o assunto. Entretanto, viveu outros cinqüenta anos: anos de solidão, os quais poderia ter passado de modo muito diferente. Rebeca julgou ter salvado a situação com seu astuto conselho. Desejava ver de novo o filho Jacó assim que a ira de Esaú tivesse acalmado. Mas não foi o que aconteceu. Nunca mais o viu de novo.

            Que anos difíceis também para Jacó, quando ele próprio, o enganador, foi enganado por seu tio Labão! Esaú pensava poder vingar-se logo de seu irmão, já que esperava a morte próxima do pai. Todos esses cálculos não se realizaram. Vemos aqui a confirmação do princípio que diz que “aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gálatas 6:7). Isso também se aplica aos crentes.

            Não sabemos quanto tempo mais viveu Rebeca. Gênesis 49:30-31 menciona apenas que foi sepultada “na caverna que está no campo de Macpela”. O capítulo 33 narra a reconciliação de Jacó e Esaú. Mas, evidentemente, não houve verdadeira confiança. Continuaram vivendo longe um do outro. No final de Gênesis 35, lemos que Isaque morreu aos 180 anos. Então, seus dois filhos, Esaú e Jacó, juntos o sepultaram, como Isaque fizera com Abraão (25:9). Pode ocorrer até entre os crentes que os pais e os demais membros da família cheguem a ficar como estranhos uns para os outros. No final, só se encontram num enterro.

            Assim foi o fim da vida comum de Isaque e Rebeca, que havia começado tão bem. Poderíamos compará-la a um trem que se descarrilou e infelizmente jamais voltou aos trilhos. Talvez alguns leitores destas páginas reconheçam algum desses fatos em sua própria experiência. Hoje em dia, “descarrilamentos” como esse podem acontecer cada vez com mais freqüência. Por isso, quero dizer-lhes: Não deixem que o trem siga estalando ao lado dos trilhos. O casamento e a família são dádivas muito grandes de Deus, bênçãos muito valiosas para desprezar. Também é importante saber que Deus é grande em misericórdia. Pode e quer restaurar o que para nós parece impossível. Ele assim o faz quando clamamos por Sua graça com arrependimento sincero e mútua confissão.

            Vejamos ainda as palavras do Senhor Jesus em Mateus 5:21-26; 18:15-17 e Lucas 12:13. Nessas passagens, O Senhor fala de uma desavença entre dois irmãos. Podemos imaginar dois irmãos filhos dos mesmos pais ou dois irmãos na fé. Em ambos os casos, são dadas instruções claras para chegarem à reconciliação.

            Os dois casos são muito distintos. No primeiro, o Senhor fala à pessoa responsável pelo mau relacionamento. Deve deixar sua “oferta diante do altar” e antes de mais nada ir reconciliar-se com seu irmão. O culpado deve aproximar-se e confessar seu pecado: “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros” (Tiago 5:16). O outro deve perdoar —“perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou” (Efésios 4:32). Quando a disputa termina, o primeiro pode apresentar sua oferta ao Senhor com total liberdade.

            No segundo caso, vemos o oposto. Aqui não sou eu quem pecou, mas meu irmão. No caso de mau relacionamento, mesmo que alguém não tenha culpa nenhuma na questão, deve empenhar tudo para restabelecer um bom relacionamento. Ninguém deve esperar que o outro venha a ele arrependido, mas ele mesmo deve tomar a iniciativa, tratando de falar do assunto a seu irmão com o fim de ganhá-lo.

            Se não obtiver resultados, deverá tomar consigo uma ou duas pessoas. Se fizer isso com espírito pacificador, levará consigo pessoas a que o irmão de bom grado dará ouvidos. Se mesmo assim não adiantar, pedirá à igreja que intervenha. Terá feito, portanto, tudo o que estava a seu alcance, e não lhe resta senão esperar. Se o outro persistir em sua atitude, este terá de considerá-lo “gentil e publicano”.

            Em Lucas 12:13 vemos que alguém pede ajuda ao Senhor no que diz respeito a herança. Esse homem, com razão ou não, achava que seu irmão o tratava injustamente. O Senhor recusou-se a atuar como juiz, mas chamou-lhe a atenção para a raiz de sua má condição: a avareza. Com isso, ensinou uma importante lição aos que estavam presentes.

            Diz-se que o dinheiro às vezes é a causa de todos os males. Essa declaração não é exata. Com o dinheiro, uma pessoa pode fazer muitos males, mas também muita coisa boa. Infelizmente, hoje também, mesmo entre “irmãos”, os problemas de herança podem ser causa de discórdia e até de ódio e disputas. Crentes recorrem à ajuda de um juiz deste mundo em vez de seguir o caminho traçado em Mateus 18. O apóstolo Paulo fala desse assunto em 1 Coríntios 6:1-9. Explica aos coríntios que é completa derrota para eles o fato de existir entre os crentes demandas sobre assuntos materiais e, além do mais, de procurarem defender seus direitos diante de juizes incrédulos. Diz ele: “Por que não sofreis, antes, a injustiça? Por que não sofreis, antes, o dano?”. Eis um princípio ainda aplicável em nossos dias entre os crentes, tanto na igreja como entre os membros de uma família. Convém a toda família cristã que os membros vivam juntos em harmonia divina.

 

Questões referentes à família n.o 6

 

1) Que envolvimento os pais devem ter na escolha dos cônjuges de seus filhos?

2) Além do requisito “amor genuíno”, que outros aspectos devem ser levados em consideração antes de se fazer qualquer escolha? O que nos ensina 2 Coríntios 6:14-18?

3) Em que consistiu a condução divina do matrimônio de Isaque e Rebeca? Como podemos também experimentar essa orientação hoje em dia?

4) Podemos enumerar algumas razões porque o casamento de Isaque e Rebeca, que começou tão bem, terminou tão mal?

5) O que nos ensina essa história no tocante à criação dos filhos?

 [LA1] Será que entendi? [A2] Continuo não entendendo esta frase, já que o versículo afirma que Isaque “a amou”.

ABRAÃO E SUA FAMÍLIA

(Gênesis 11:26 a 25:11)

            Abraão foi convocado a deixar o seu país natal, a sua parentela e a casa de seu pai e partir para uma terra a qual Deus lhe mostraria (Gênesis 12:1). Nessa passagem, encontramos três círculos familiares, cada vez mais fechados. Certamente que o chamado incluía a própria família de Abraão, pois está presente a idéia de “tu e tua casa”. Parece que o sobrinho Ló, provavelmente solteiro, foi incluído na convocação. Gênesis 11:31-32 segue historicamente a Gênesis 12:1.

            A princípio, Abraão deixou a sua terra e a sua parentela, mas não a casa de seu pai, Tera. Este também mudou-se e ainda era o patriarca do clã, porém só chegou até Harã, onde morreu. A partir daí, Deus tornou Abraão livre, e ele pôde seguir caminho com os seus, segundo a ordem divina.

            Os historiadores tendem a passar por alto as faltas e o lado ruim das celebridades. A Bíblia não procede assim. Gênesis 12 mostra-nos um triste página da vida de Abrão e Sara. Para proteger a si mesmo, ele propôs a esposa ocultarem o fato de que eram casados, sugerindo que passassem por irmãos. Era meia verdade, mas, como quase sempre acontece, tratava-se, na realidade, de uma mentira. A manobra teve êxito, mas esse crente, por sua vergonhosa atitude, acabou repreendido por um incrédulo.

            Deus fez o homem diferente da mulher, com qualidades, tarefas e domínios de responsabilidade distintos. Deus espera do homem que aja como cabeça da família, que ame a sua esposa, que cuide dela e a proteja. Da mulher, espera que aceite esse líder e se sujeite a ele. Referente a isso, Sara é apresentada como exemplo para as outras mulheres (1 Pedro 3:6).

            Abraão, no entanto, não agiu impulsionado pelo amor a Sara. Ele não cumpriu o seu dever de protetor para com ela. Agiu com egoísmo, preferindo deixar que a esposa sofresse, contanto que ele se saísse bem.

            O homem pode ser tremendamente egoísta. Exige que a esposa faça o que lhe parece ser a ele devido, sem se preocupar com o que ela possa sofrer como conseqüência de sua maneira de agir. Isso não é outra coisa senão amor-próprio. Tal atitude prejudica qualquer casamento.

            No caso citado, surpreende-nos a abnegação com que Sara aceita o seu destino e se conforma com a proposta do esposo para salvá-lo. Mais tarde, Abraão voltou a cometer esse erro, demonstrando quão arraigada estava em seu coração essa atitude pecaminosa. Em Gênesis 20, lemos que partiu dali para a terra do Neguebe e habitou em Gerar, onde ficaram expostos a idêntico perigo. De novo negaram ser esposos e insistiram em que eram irmãos. Em conseqüência, o rei de Gerar, Abimeleque, mandou buscar Sara. Graças à intervenção de Deus, a união de Abraão e Sara foi preservada — mediante um sonho, Abimeleque foi-lhe revelada a verdadeira relação entre ambos. Desculpou-se de sua conduta, lembrando-os de que haviam declarado que eram irmãos. No sonho, Deus lhe dissera: “Bem sei que com sinceridade de coração fizeste isso; daí o ter impedido eu de pecares contra mim e não te permiti que a tocasses. Agora, pois, restitui a mulher a seu marido, pois ele é profeta” (vv. 6-7). Abimeleque obedeceu. No dia seguinte, contudo, chamou Abraão e repreendeu-o por aquela atitude. O rei pagão fez-lhe esta incisiva pergunta: “Que estavas pensando para fazeres tal coisa?” (v. 10).

            Abraão respondeu: “Eu dizia comigo mesmo: Certamente não há temor de Deus neste lugar, e eles me matarão por causa de minha mulher. Por outro lado, ela, de fato, é também minha irmã, filha de meu pai e não de minha mãe; e veio a ser minha mulher. Quando Deus me fez andar errante da casa de meu pai, eu disse a ela: Este favor me farás: em todo lugar em que entrarmos, dirás a meu respeito: Ele é meu irmão” (vv. 11-13). Essa confissão revela que Abraão estava decidido a cometer aquele pecado havia muitos anos, desde que saíra de Harã. Ali estava a raiz do mal.

            Abraão ainda não havia alcançado o nível de fé evidenciada mais tarde. Mediante sucessivas experiências, descritas nesses capítulos, sua fé cresceu e se fortaleceu. As promessas divinas repetiram-se e progressivamente se fizeram mais precisas. Primeiro, Deus fez menção de sua descendência (12:7); em seguida, deixou evidente que ele teria um filho (15:7); finalmente, afirmou que esse filho nasceria de sua mulher Sara (18:10). Depois disso, a fé de Abraão tornou-se forte o suficiente para que Deus pudesse prová-lo como homem algum jamais fora experimentado.

            Em Gênesis 22:1-3 lemos: “Depois dessas coisas, pôs Deus Abraão à prova e lhe disse: Abraão! Este lhe respondeu: Eis-me aqui! Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei. Levantou-se, pois, Abraão de madrugada e, tendo preparado o seu jumento, tomou consigo dois dos seus servos e a Isaque, seu filho; rachou lenha para o holocausto e foi para o lugar que Deus lhe havia indicado”.

            Penso que crente algum enfrentou situação semelhante à de Abraão. De um lado, estava a promessa de que Isaque seria um grande povo, e, de outro, a ordem para que fosse sacrificado. Como solucionar tal contradição? Hebreus 11:19 tem a resposta: “Considerou que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos”. Aqui resplandece uma fé que supera tudo que possamos imaginar. Nisso Abraão é um exemplo para todos os crentes de todos os tempos.

            Consideremos agora o que está escrito no tocante a Sara. Ela deve ter sido uma mulher muito atraente. Sua beleza era tal que, naquelas terras pagãs, não seria surpresa se outro homem tentasse tomá-la para si. O Antigo Testamento não nos dá nenhuma informação sobre sua vida de fé. Para ela, era difícil aceitar o fato de ser estéril. Várias vezes encontramos essa aflição nos lares descritos na Bíblia. Hoje, muitas mulheres padecem da mesma tristeza. Na dependência do Senhor — pois quem permite a esterilidade pode também aceitar as orações dos Seus (1 Samuel 1:5; Gênesis 25:21) —, todavia, é possível receber, em muitos casos, ajuda médica eficaz. A causa da esterilidade nem sempre depende da mulher, e uma intervenção cirúrgica no homem pode dar resultado. Adotar uma criança pode ser uma solução, ainda que nem sempre isenta de inconvenientes. Mas também vejo com freqüência casais sem filhos realizarem a obra do Senhor com uma eficiência que jamais lhes seria possível se tivessem filhos.

            Contudo, temos de advertir contra métodos imorais, a saber, pecaminosos. Por exemplo, a mulher cujo esposo é estéril e recorre à inseminação artificial, valendo-se de um doador, com ou sem o consentimento do marido. Em alguns países, onde a poligamia é permitida, uma nova esposa pode ser a solução quando a primeira é estéril. Mas, no governo de Deus, essa prática quase sempre é seguida de efeitos nocivos.

            E essa foi a proposta feita por Sara ao marido (Gênesis 16). É provável que ela estivesse a par da promessa de Gênesis 15:4, mas o casal ignorava ainda o fato de que o filho nasceria de Sara (18:10). Isso pode servir de justificativa para ela, mas não é motivo para aprovarmos tal solução.

            Em 1 Pedro 3:5-6, Sara é mencionada como exemplo para as mulheres crentes, devido à sua sujeição ao marido. E, se alguém encontra nisso motivo para pensar que ela era mulher de limitada iniciativa, servil e de pouco caráter, está enganado. Deus entregou Eva a Adão a fim de que fosse para ele uma auxiliadora idônea. Era do mesmo nível que ele, a mesma coisa podemos dizer de Sara e Abraão. Que ajuda um homem recebe da esposa se tudo o que ela sabe fazer é dizer “sim” toda vez que ele lhe propõe algo?

            Contudo, a solução proposta por Sara não foi de ajuda para Abraão. Melhor que não a tivesse escutado. Em Gênesis 30, descobrimos que Raquel fez o mesmo. Em ambos os casos, o filho da serva era contado como da senhora. Propostas como essas não são fruto da fé. Pelo contrário, evidenciam tremenda falta de confiança em Deus.

            O nascimento de Ismael, filho da escrava egípcia Agar, foi motivo de muita tristeza. Sara, ao se sentir ofendida com o comportamento de sua serva, fez injustamente censuras ao esposo. Não obstante, ele lhe deu toda liberdade para maltratar a serva, e ela o fez.

            Nessa época, Abraão era da idade de 85 anos, e não era tão velho como em Gênesis 18, quando tinha cem, e Sara, noventa. Abraão creu na promessa divina, mas Sara demonstrou claramente a sua incredulidade.

            Gênesis registra um comportamento marcante de Sara. Por duas vezes ela tomou a iniciativa de dar conselho ao esposo, sem que ele o solicitasse. O primeiro, como já vimos, foi ruim, porque provinha da incredulidade. O segundo encontra-se em Gênesis 21:10: “Rejeita essa escrava e seu filho; porque o filho dessa escrava não será herdeiro com Isaque, meu filho”. Esse conselho foi mal recebido pelo patriarca, pois “pareceu isso mui penoso aos olhos de Abraão”. Porém estava equivocado. Deus lhe disse: “Atende a Sara em tudo o que ela te disser” (v. 12). Nesse assunto, ela demonstrou ter melhor entendimento que o marido.

            Aproveitamos para recordar aos maridos crentes a importância que podem ter para eles os conselhos e as opiniões da esposa.

 

Questões relativas à família nº 4

 

1) Como Deus chamou Abraão e de que maneira o guiou à obediência? De que maneira age Deus hoje em dia com os Seus filhos?

2) Em que circunstâncias Abraão agiu de forma errada com relação à esposa? Por que fez isso?

3) Em que passagem lemos mais sobre o problema da esterilidade?

4) Em que momento fracassou a fé de Sara?

5) Em que sentido Sara é exemplo para as mulheres crentes?

6) Quais os resultados da união com Agar?

7) Que bom conselho Sara deu ao esposo e qual foi o mau conselho?

8) Busque na Bíblia outros exemplos em que a esposa tem boa ou má influência sobre marido.

LÓ E SUA FAMÍLIA

(Gênesis 11:31; 12:4-5; 13; 14; 18; 19)

            A história dessa família é uma das mais tristes da Bíblia. Quando Abraão e Sara saíram de Harã, levaram consigo o sobrinho Ló. Provavelmente, era ainda solteiro, e talvez por isso fosse considerado da casa de Abraão. Acompanhava o tio em todas as suas peregrinações, até mesmo ao Egito, onde adquiriu um rebanho e passou a ser criador independente, ainda que continuasse vivendo próximo de Abraão. Quando surgiu contenda entre os pastores de Abraão e os de Ló, Abraão sugeriu que se separassem. Ló não deixou que o tio escolhesse primeiro, como seria mais correto fazer, mas requisitou para si a fértil planície do Jordão. “ E partiu para o Oriente... armando as suas tendas até Sodoma”, embora soubesse que “os homens de Sodoma eram maus e grandes pecadores contra o SENHOR” (Gênesis 13:11-13).

Mais tarde, estabeleceu-se na cidade. Compartilhou da sorte dos habitantes e foi aprisionado pelo rei Quedorlaomer. Mediante a intervenção de Abraão, foi libertado. Apesar da severa lição, Ló voltou a viver em Sodoma e obteve um posto entre os anciãos e juízes da cidade, pois em Gênesis 19:1 o encontramos assentado à porta de Sodoma, lugar de autoridade (veja Provérbios 31:23).

            Supõe-se que foi em Sodoma que ele conheceu sua esposa. Ela demonstrou ser muito apegada à cidade e teve muito dificuldade para deixá-la. Assim, Ló tornou-se importante cidadão, enquanto Abraão e os seus habitavam como estrangeiros em tendas, mas viviam em comunhão com Deus, próximos de Seu altar.

            Que contraste entre as duas famílias! Quem era mais feliz? Fazer essa pergunta implica respondê-la. O comentário do apóstolo Pedro sobre a questão é muito instrutivo: Deus reduziu “a cinzas as cidades de Sodoma e Gomorra, ordenou-as à ruína completa, tendo-as posto como exemplo a quantos venham a viver impiamente; e livrou o justo Ló, afligido pelo procedimento libertino daqueles insubordinados (porque este justo, pelo que via e ouvia quando habitava entre eles, atormentava a sua alma justa, cada dia, por causa das obras iníquas daqueles)” (2 Pedro 2:6-9). Como pôde esse homem suportar tal situação? Contudo, não foi o único caso. A mundanidade ou a má escolha do cônjuge podem ainda hoje exercer desastrosa influência sobre o crente.

            Gênesis 19 informa-nos dos graves pecados que eram cometidos em Sodoma. Evidentemente, a homossexualidade entre os homens da cidade era um costume generalizado. Deparamos aqui com um assunto muito atual e, nesta obra sobre o matrimônio e a vida familiar, não podemos passá-lo por alto. Limitamo-nos, porém, ao que as Escrituras dizem a esse respeito.

            Gênesis 19 e 2 Pedro 2 falam claramente sobre o assunto. E o apóstolo Paulo escreve em Romanos 1:24-27: “Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si; pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém! Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contacto natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro”.

            Hoje em dia apregoa-se que o homossexualismo não é pecado — as pessoas que o praticam seriam “diferentes” desde o nascimento. Muitos recusam considerar pecado as manifestações opostas à ordem da natureza com as quais Ló se viu frente a frente e sobre as quais Paulo escreveu. Dizem que tais pessoas são apenas diferentes e que devem ter total liberdade para viver conforme essa diferença.

            Esse arrazoamento, no entanto, permitiria livre curso às ações dos piromaníacos e dos cleptomaníacos, uma vez que os incêndios e os roubos seriam mero resultado do comportamento de pessoas “diferentes”. Imagine a dimensão dos prejuízos materiais! Mas não é o que ocorre. Parece que causar dano material é mais grave que provocar a deterioração da moral!

            Nos dias de hoje, professores, educadores e até pregadores tornam pública essa “diferença” sexual, vivendo-a plenamente. Adultos e crianças ficam expostos a essas influências, e a sociedade se parece cada vez mais com Sodoma. Quando Ló recusou cooperar com os sodomitas, tentando proteger seus hóspedes, aqueles disseram: “Ele é estrangeiro, veio morar entre nós e pretende ser juiz em tudo?” (Gênesis 19:9). Então lançaram-se contra ele violentamente para o matar. Os que hoje desaprovam essas teorias e práticas perversas expõem-se ao desprezo e podem ser reduzidos ao silêncio. Ninguém negará que algumas pessoas nascem com anomalias físicas ou mentais. É louvável que se dediquem cuidados especiais a tais pessoas. Em Sodoma, contudo, o problema não era diferença natural, e sim um estado degradante.

Observamos a mesma situação em nossos dias. Décadas atrás, o homossexualismo era publicamente condenado como pecado e por isso praticado em secreto. Hoje, uma crescente minoria exige abertamente “seus direitos” e ameaça fazer ruir os fundamentos da sociedade na qual também os cristãos têm a liberdade de viver segundo os princípios bíblicos. Guardemos com profundo respeito os fundamentos do matrimônio e estejamos em guarda contra todas as doutrinas e práticas malignas que os ameacem.

            Pela intercessão de Abraão, o Senhor salvou a Ló. Mas, para isso, Ló teve de se separar dos habitantes de Sodoma e sair da cidade. A salvação era também oferecida à sua família. Aqui encontramos também “tu e tua casa”, como foi dito a Noé e a muitos outros. A casa de Ló era constituída de sua esposa, duas filhas e os genros.

            Noé tinha certa autoridade moral, de modo que toda a sua família — constituída de pessoas adultas — o escutou e foi salva. Com Ló era diferente. Seus genros recusaram-se a sair de Sodoma. Morreram pela própria culpa. Ló passou pela humilhação de descobrir que os genros não o levavam a sério. Sua conduta equivocada foi seguramente a causa dessa reação. Eis aqui uma séria lição para todos os pais crentes.

            Para o próprio Ló foi difícil sair de Sodoma. Como se demorasse, os anjos tiveram de pegá-lo pela mão e tirar a família da cidade à força. A vida urbana moralmente doentia o havia influenciado de tal modo que escolheu fugir para a pequena cidade de Zoar, em vez de ir para o monte, como Deus lhe havia instruído.

            Pior ainda aconteceu à esposa. Fora de Sodoma, não teve forças para separar-se da cidade. Deixou que o esposo se adiantasse, olhou para trás e converteu-se numa estátua de sal. Ao olhar para trás, desobedeceu à ordem de Deus (19:17, 26). No tocante ao juízo vindouro, o Senhor Jesus pronunciou esta grave advertência: “Lembrai-vos da mulher de Ló” (Lucas 17:32). Nós também devemos nos lembrar dela. Ligada a um esposo crente, ainda que espiritualmente débil, foi-lhe oferecida a oportunidade de ser salva. Concordou em sair de Sodoma, mas não alcançou o lugar de salvação e converteu-se numa estátua de sal. O historiador judeu Flávio Josefo narra que, em sua época (século I da era cristã), a estátua ainda podia ser vista.

            Ló entrou em Zoar, mas não se atreveu em ficar ali. Refugiou-se no monte e habitou numa caverna com as filhas. Logo ocorreu algo muito triste. Elas embriagaram o pai e cometeram incesto. Esse pecado abominável é condenado pela lei. Infelizmente, ocorre com muito mais freqüência do que se imagina.

            Desse ato imoral nasceram Moabe e Ben-Ami, pais dos moabitas e amonitas, respectivamente, povos que mais tarde causaram muitos problemas aos israelitas. Essa história nos mostra que o pecado recebe o seu castigo. Essa é a última referência na Bíblia a Ló e sua família. Que trágica e humilhante conclusão, ainda que instrutiva, para uma história!

            O materialismo e a mundanidade causam graves danos a nós mesmos e aos membros de nossa família. Ao se estabelecer em Sodoma, Ló expôs a si mesmo e aos seus a grandes perigos morais. Já vimos os resultados.

            Também no mundo atual há muitos perigos. Foi o que o apóstolo Paulo ensinou aos crentes de Corinto. Entre os gregos era comum o dito “viver à coríntio”, que significava viver uma vida má e imoral.

            Os crentes não podiam evitar de modo absoluto o contato com as pessoas que assim viviam. Paulo, contudo, advertiu-os contra a união de crentes com incrédulos (2 Coríntios 6:14-15). Em 1 Coríntios 15:33 admoesta: “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes”. Quantos pais hoje, de tão ocupados, nem sequer sabem onde estão os filhos e o que fazem em seu tempo livre! Não sabem quem são os amigos deles nem o que lêem, nem os perigos que correm.

            Usam como desculpa as muitas ocupações e responsabilidades do trabalho. Seria esse um argumento válido diante de Deus, que nos confiou a responsabilidade de criar os filhos? Que o exemplo de Ló, que fracassou em sua obrigação, nos sirva de advertência!

ADÃO E EVA E SEUS FILHOS - Parte 2

(Gênesis 3 e 4)

            Noutro tempo não se suscitava a questão de ordenar uma mulher para o ministério, porque os versículos que lemos há pouco eram tidos como suficientemente claros e aceitos por sua autoridade. É triste verificar que hoje em dia, em geral, a ocorrência de mulheres exercendo o ministério nem mais se questiona. Por acaso encontraram uma melhor explicação para essas passagens? Impossível, pois não dão margens a duas interpretações! Não, argumentaram simplesmente que esses conceitos estão arcaicos. Seriam meros pontos de vista do apóstolo Paulo, aplicáveis àquele tempo, obsoletos para a época atual. Com essa forma de argumentar, as Escrituras são privadas de sua autoridade e simplesmente postas de lado. Aliás, é bem isso que tem acontecido com muitas outras verdades bíblicas, mas não quero me delongar nisso agora.

            No tocante ao lugar da mulher na Igreja, os versículos apresentados são suficientes para toda mulher que queira submeter-se à autoridade das Escrituras. O serviço público na Igreja é uma área para a qual o Senhor, que é o cabeça da Igreja, chamou o homem. Para ele há numerosas instruções como exercer esse serviço. A mulher foi chamada para outras tarefas, e isso não significa que ela tenha lugar inferior diante do Senhor. Eram mulheres que serviam ao Senhor com seus bens. Foi a mulheres que o Senhor se apresentou primeiro, após a ressurreição. Foram mulheres quem Ele incumbiu de transmitir aos irmãos a grande notícia de Sua ressurreição. Mulheres lutaram junto com Paulo em prol do evangelho. O homem e a mulher têm cada um o seu próprio lugar, tanto no lar como na Igreja.

            Gênesis 4 começa comunicando que Adão e Eva coabitaram. A relação sexual entre os cônjuges é uma bênção especial de Deus, na qual não há nada pecaminoso nem sujo. É um prazer e privilégio que Deus associou ao matrimônio. Isso pode ser constatado na instituição do matrimônio, quando Deus disse: "Estes dois serão ‘uma só carne’ " (Gn 2:24). Deus implantou o instinto sexual nos animais para perpetuação da espécie. Este também é o propósito de Deus para o homem. Deus disse a Adão e Eva: ?Sede fecundos, multiplicai-vos? (Gn 1:28). A bênção dos filhos é uma fonte de grande alegria no matrimônio. E a ordem para gerar filhos continua vigente nos dias de hoje. Pode-se dizer que esse é o único mandamento que o gênero humano têm obedecido voluntariamente, em qualquer lugar. É uma conseqüência da atividade sexual. Embora, no tocante à sexualidade, Deus tenha dado ao homem muito mais que aos animais, dotando-o de compreensão e do amor controlado pela razão. Quando falta esse controle, o homem se rebaixa ao nível do instinto animal. 1 Coríntios 7:3-5 nos dá claras instruções de como viver a sexualidade no casamento: “O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao seu marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher. Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência”.

      Vimos que Deus deu ao homem e à mulher uma posição distinta em certas áreas da vida. As epístolas de Paulo também apresentam isso. Por isso, é tanto mais notável verificar que neste caso ambos os parceiros são contemplados com igual posição e igual direito. Esse é um aspecto muito importante para a vida sexual. Outro ensino importante é que os parceiros não devem ter em vista a sua própria satisfação, mas devem almejar a felicidade do outro. A meta no matrimônio não deve ser obter o máximo proveito possível, mas dar o mais que se possa. Se esses princípios forem respeitados, é possível viver por muitos anos um casamento prazeroso e harmonioso, mesmo no aspecto físico. Os laços do amor desse modo se reforçam. Por outro lado, a desconsideração desses princípios é a causa do fracasso de muitos matrimônios. O amor se esfria até que, por fim, um fica alheio ao outro; e o resultado muitas vezes é desastroso.

Muitos irmãos supõem, e até ensinam, que o celibato (ou a abstinência sexual dos casados) é indicador de um nível mais elevado de espiritualidade no crente. Isso é um erro. O próprio Senhor Jesus ensinou de forma diferente, e demonstrou isso chamando homens casados para apóstolos (1 Coríntios 9:5). Deus só aprova que alguém abra mão do matrimônio quando o fizer voluntariamente em prol do Reino de Deus. Poucos são qualificados com esse dom especial. Paulo também ensinou isso (1 Coríntios 7:32) e se opôs firmemente aos que proibiam o matrimônio (1 Timóteo 4:3). A exigência do celibato, que mais tarde foi instituída na igreja romana, não tem nenhuma base bíblica. A história eclesiástica provou que as pessoas não são capazes de viver uma vida casta quando isso lhes é imposto. Que ninguém se subestime nesse assunto. Não é o desejo em si mesmo o que caracteriza o pecado — aquilo que Paulo chama de ?viver abrasado? —, mas o fato de buscar satisfação sexual fora do casamento.

Os coríntios escreveram a Paulo fazendo muitas perguntas, entre elas, várias a respeito do casamento. A resposta do apóstolo dá a entender que, dentro da esfera do matrimônio, Deus concedeu um lugar aos impulsos sexuais. Ceder a esses impulsos fora dessa esfera, caracteriza a “prostituição” ou o “adultério”, e é condenado como pecado. É bom e absolutamente necessário que os crentes atentem para essa norma. Em nosso país, dito cristão, isso foi, nas gerações passadas, de certa forma levado em conta na formulação das leis. Hoje em dia, muitos não querem mais saber desse princípio divino. As relações sexuais fora do casamento são aprovadas e, muitas vezes, até publicamente propagadas.

Também as relações homossexuais recebem aprovação. Muitos até querem que essa forma de convivência seja reconhecida por lei. Os que têm a coragem de protestar publicamente contra tais práticas são tachados de antiquados e tapados. Devem ser punidos por discriminação, dizem alguns. Pensam esses que poderíamos nos desenvolver melhor e viver mais felizes sem essas normas bíblicas. E esse pensamento não é tão novo quanto parece. É a mesma velha mentira de Satanás no paraíso: ?No dia em que […] comerdes [o fruto proibido…] como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal?(Gênesis 3:5). É uma meia-verdade, e geralmente uma meia-verdade é pior que uma mentira inteira. O diabo deixou de mencionar que, com esse conhecimento, o homem não mais seria capaz de deixar o mal, nem tampouco de fazer o bem. Abolir as normas de Deus nunca fez o homem mais feliz, nem jamais fará. Que sociedade desventurada é esta de hoje, que cada vez mais se afasta de Deus!

O primeiro filho de Adão e Eva foi Caim. Depois nasceu Abel. Eles não “fizeram” filhos, como às vezes se diz hoje em dia. Filhos devem ser vistos pelos pais como dom de Deus. Estes, portanto, também devem ser criados para Deus. Eva reconheceu no filho que lhe nascera uma bênção de Deus. Ao criar filhos, os pais muitas vezes experimentam bastante alegria, muitas vezes também, preocupação e tristeza. E o mesmo se deu com os primeiros pais.

O filósofo Rousseau afirmou que as crianças são como um papel em branco. Uma vez que o educador saiba evitar qualquer má influência sobre ela, poderá escrever o que quiser sobre essa ?folha em branco?. Todavia, o relato da primeira família nos ensina algo diferente. As influências exteriores não desempenharam nenhum papel na criação dos filhos do primeiro casal. O que de fato pesou no caso de Caim foi a natureza pecaminosa que recebera desde o nascimento. Seus pais provavelmente tiveram muita preocupação e tristeza por causa dele. A elevada expectativa de Eva resultou em grande desilusão.

Caim era religioso. Foi ele que ofereceu o primeiro sacrifício a Deus. Mas, ao contrário de seu irmão, ele não entendeu nada do fundamento sobre o qual um pecador pode subsistir perante Deus e se aproximar dEle. Abel também ofereceu um sacrifício, mas os sacrifícios dos irmãos foram diferentes. Se alguém ler a Bíblia superficialmente, poderá supor que a causa disso estava na diferença de seus ofícios. Caim, agricultor, ofereceu a Deus um sacrifício dos frutos da terra, e Abel, pastor, ofereceu a primogênita de suas ovelhas. Pode parecer natural. Mas, se pensarmos assim, perderemos a grande lição concernente à reconciliação que essa história encerra. Em Hebreus 11:4 lemos: ?Pela fé, Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim; pelo qual obteve testemunho de ser justo, tendo a aprovação de Deus quanto às suas ofertas. Por meio dela, também mesmo depois de morto, ainda fala?.

Há uma grande diferença entre esses dois homens: Abel tinha fé e, fundamentado nessa fé, ofereceu sacrifício. Hebreus diz que ele ofereceu um sacrifício “mais excelente”, um sacrifício de sangue, dando a entender que reconhecia sua culpabilidade diante de Deus. Ele cria em Deus e que este lhe aceitaria o sacrifício em seu lugar. O sacrifício de Caim evidenciava um rito religioso constituído segundo a vontade própria: ofereceu frutos da terra — da mesma forma que seu pais, que, depois de caírem no pecado, pensavam poder vestir-se perante de Deus com folhas de figueira produzidas por uma terra maldita. As peles com as quais Deus os vestiu ensinavam de maneira figurada que o pecador só pode aproximar-se de Deus em virtude do sacrifício de um substituto executado no lugar deles. Adão e Eva tiveram de aprender essa lição e, sem dúvida alguma, também a ensinaram a seus filhos, mas Caim não a compreendeu. Razão pela qual lemos que Deus não se agradou ?de Caim e de sua oferta?(Gênesis 4:5). Outra coisa que notamos aqui é que, nessas duas ofertas, Deus relaciona o ofertante com sua oferta.

Adão e Eva podiam contar a seus filhos os grandes feitos de Deus e compartilhar com eles os ensinamentos que eles próprios haviam recebido de Deus. Mas não estava ao alcance deles convertê-los nem induzi-los à fé. Isso é algo que só Deus pode fazer, mediante a operação do Espírito Santo.

O mesmo também se aplica aos pais da atualidade. Temos de estar profundamente cientes de nossa grande responsabilidade como pais e, ao mesmo tempo, convencidos da nossa completa incapacidade. Isso nos levará à oração. Rendamos graças a Deus pelos filhos que se convertem e evidenciam a verdadeira fé. Sigamos orando pelos que continuam demonstrando desinteresse.

Quando Caim viu que Deus rejeitara sua oferta, irou-se grandemente contra seu irmão e finalmente o assassinou. Por quê? O apóstolo João dá a resposta: ?Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas? (1 João 3:12).

Não obstante, Deus também amava Caim, assim como ama a todos os pecadores. Não quer que o pecador pereça, mas que se converta e seja salvo (veja 2 Pedro 3:9; 1 Timóteo 2:3-4). Por isso advertiu Caim antes de este consumar o ato deplorável. Posteriormente, quando Deus lhe anunciou o castigo, Caim reconheceu a gravidade de seu pecado. Teria sido arrependimento sincero? Ou ele teria ficado impressionado com os terríveis resultados de sua maldade? Quanto a isso, só podemos fazer suposições.

Caim foi desterrado. Antes de se retirar, Deus pôs sobre ele um sinal para que qualquer que o encontrasse não o ferisse de morte. Até no juízo pronunciado sobre Caim vemos a misericórdia de Deus. A expressão ?quem quer que o encontrasse[lan1]? (Gênesis 4:15) é óbvia referência aos outros filhos de Adão e Eva. Alguns provavelmente já haviam-se casado com uma das irmãs. O próprio Caim tomou uma irmã por mulher.

No lugar de Abel, Deus deu outro filho a Adão e Eva: Sete. Gênesis 5 nos fala dele e de sua descendência, é um capítulo que termina com Noé, cuja família vamos considerar numa próxima ocasião. A descendência de Caim nos é relatada no capítulo 4. Dessa linhagem destaca-se Lameque e seu lar. É deles que trataremos no próximo estudo.

 

Questões relativas à família nº 1

 

1)      Que princípios sobre o matrimônio encontramos em Gênesis 2:24?

2)      Como Satanás conseguiu fazer que os primeiros homens pecassem (Lucas 4:1-13 e 1 João 2:16)?

3)  No que consistiu a condenação de Satanás, a serpente, e a de Adão e de Eva (Gênesis 3:14-19)?

4)  Em Gênesis 3:7 e 21 notamos que o homem não pode agradar a Deus com suas próprias obras. O que dizem as passagens de Romanos 3:28 e Efésios 2:8-9 a esse respeito?

5)  Como Deus regulamentou a relação entre o homem e a mulher (leia Malaquias 2:14-16; Efésios 5:22-23; 1 Pedro 3:1-7)?

6)  Que importância tem a sexualidade? No que diz respeito à sexualidade, qual é a diferença entre o homem e os animais (leia Gênesis 1:28; 2:24; 1 Coríntios 7:3-5)?

7)  Qual a diferença entre Caim e Abel (leia Hebreus 11:4 e 1 João 3:12)?

(Continua)

 [lan1] Está exatamente assim na ARA (Almeida revista e atualizada no Brasil), que tem bastante cuidado com o Português. Diferente da NVI, que, segundo a comissão de tradutores, tem grande esmero na tradução dos originais, mas, in my humble opinion, confundiu simplicidade de linguagem com uma estilística meio fraca.